(Alerta de estraga-prazeres para quem não viu o filme “Inception”: Não darei detalhes sobre o filme, mas discutirei um aspecto central do mesmo, assim que, estejam avisados).
Não sou o maior fã do trabalho de Leonardo Di Caprio, mas devo admitir que, por suas conexões em Hollywood, geralmente o escolhem para excelentes papéis. É o que penso sobre seu papel em “Inception”, de Christopher Nolan, 2010, mas do qual não discorrerei para não estragar ainda mais a trama aos que não assistiram. A ideia central, no entanto, dessa fantástica obra de ficção científica-psicológica nos interessa no contexto de uma questão que sempre me intrigou e ainda intriga, assim como às massas:
Um indivíduo pode mudar o mundo?
Em “Inception”a pessoa torna-se uma ideia. A ideia define a pessoa. O depósito de uma ideia “estrangeira” em mente alheia é a forma de definir essa pessoa contra sua vontade sem violar sua própria vontade. É o crime do filme, em poucas palavras. Complicado? Nem tanto.
Apesar do método complexo usado para atingir o objetivo de influenciar a mente de uma pessoa de modo a parecer que não houve influência externa alguma, na vida real uma ideia, mesmo frágil, pode atiçar fogo no mundo. Ideias das mais simples, palavras das mais simples representando ideias complexas ou ideias mais sofisticadas em si são como uma doença viral altamente contagiosa. Uma vez encontrando o anfitrião tomam conta de seu corpo. Caso se aprofundem o suficiente, definem a vida de sua vítima.
“Liberdade”. “Igualdade”. “Fraternidade”. “Paz”. “Nação/Nacionalismo”.
John Lennon era um jovem rebelde e um adulto bastante desvinculado de uma única percepção da realidade. Desvinculado até demais para ser mais do que um vocalista, mesmo de uma banda como os Beatles. Quando conheceu Yoko Ono, a união gerou uma ideia: “Paz”. Essa ideia definiu John Lennon mais do que sua música. Para os Estados Unidos o fato de um artista famoso investir na campanha dos cartazes simples pedindo chance à paz é mais lembrado do que o artista em si, ou sua morte nas mãos de um esquizofrênico.
Ghandi podia inspirar-se em sua própria história religiosa para atravancar o Império Britânico como um guerreiro de sua tribo. Não fosse a concepção de uma simples ideia, provavelmente conheceríamos outro Ghandi: “A resistência à violência deve ser pacífica”. Logo, o símbolo de Ghandi certamente mudou a história do planeta, nem que seja como um exemplo nem tão vastamente seguido, mas emulado por figuras importantes como Martin Luther King.
O mesmo ocorre em desvirtudes históricas, como as ideias de Adolf Hitler e todos os demais tiranos que Hitler acaba personificando tão bem. Ideias definem comportamentos. Às vezes além da capacidade consciente da própria mãe da ideia vislumbrar o processo que lhe toma.
As ideias acima mencionadas foram e são compradas por indivíduos ao longo da história. Pelo teor do construtivismo (já mencionado aqui anteriormente), a mesma ideia pode determinar atitudes e realidades diferentes. Um exemplo da cultura popular:
Quem já jogou e terminou o jogo “Red, Dead*, Redemption” (Rockstar, 2010, para sistemas de Playstation 3 e X-Box 360) testemunhou uma certa veemência histórica do oeste norte-americano e das cidades mexicanas fronteiriças do século 18. A vida de John Marston se desenvolve na fronteira dos Estados Unidos com o México (omitindo a segregação racial vigente e as disputas entre americanos e mexicanos, é certo), inicialmente em seu país de origem, e termina em uma jornada às terras sulistas dos hispanos de Montezuma. Nos Estados Unidos o conceito de “liberdade” ainda vinha ligado à libertinagem criminosa e, ao mesmo tempo, independência individual da influência direta de qualquer governo, seja ele local ou federal. Nos Estados Unidos a população precisa de mais atividade coletiva, mais interesse pelo bem estar do público, e não só do indivíduo, para aparar os efeitos da libertinagem. No México, a noção de liberdade é diretamente ligada à revolução armada e à destruição do governo vigente para trocá-lo por outro. O público disputa o território consigo mesmo, e a troca de governo é necessária para que o novo esteja tão envolvido quanto o passado na vida dos indivíduos, não mais nem menos.
O Presidente estadunidense Barack Obama também teve seu confrontamento e papel direto no reino das ideias. À época das preliminares ainda foi abordado pela camapanha eleitoral de Hillary Clinton como um professor de palavras, sem experiência necessária para concretizar a mudança verdadeira. Obama contestou usando um discurso escrito com seu ex aliado político, Deval Patrick, entitulado “Só Palavras”, questionando se as palavras acima citadas, “liberdade”, “igualdade”, “fraternidade” e “paz” são mesmo apenas palavras. Como um bom democrata, seu ideal que aqui encontra o construtivismo é que palavras expressam ideias e ideias mudam o mundo. Por suas palavras ganhou o prêmio Nobel da Paz. As atitudes, no entanto, são outros milhões.
Fatidicamente, ao procurar uma melhor análise dos papéis de nações-estados, indivíduos e o cenário global nas relações internacionais, nos deparamos com dezenas – se não centenas – de ideias diferentes. O mesmo ocorre com a ilusão ótica democrática, pois todas não podem estar concomitantemente certas. O que o construtivismo oferece de diferente é justamente o reconhecimento quase exclusivo do papel das ideias na construção da realidade, e não vice-versa. Portanto, se as ideias de Nicolau Machiavelli ainda influenciam o pensamento realista neo-conservador nos Estados Unidos não é porque a realidade é “realista” e sim porque o “realismo” desses indivíduos, sociedades e governos alimenta a realidade.
E então, leitoras e leitores: Individuos podem mudar o mundo? Ideias podem mudar o mundo?
RF
PS:
Para quem quer ainda mais estraga-prazeres ou para quem viu o filme, linko aqui um exemplo de "Inception" pelos quadrinhos de Tio Patinhas da Disney (Ingles).
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Friday, September 24, 2010
Ideias Essenciais
Essas Palavras Vos Trazem
Adolf Hitler,
Barack Obama,
Charles F. Doran Estados Unidos,
Christopher Nolan,
Ghandi,
Hillary Clinton,
ideias,
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Roy Frenkiel
Monday, November 17, 2008
Obama e a Crise
A recessão econômica nos Estados Unidos afeta o dia a dia de pessoas comuns mais do que se imagina. Se por um lado o preço da gasolina abaixou dramaticamente nos últimos três meses, por outro, de desempregados em número recorde coletaram seguro-desemprego no mesmo trimestre.
Os desafios do século XXI são diversos, e sempre foram, em qualquer século. Talvez o incrível seja a repetição de erros humanos que, ao ocorrerem não eram estranhos ao comportamento de nossa espécie, mas ao se repetirem levantam enormes questões sobre nossa capacidade evolutiva. A natureza certamente tem seu tempo para corrigir suas próprias aberrações, criando outras no percurso, mas sempre lidando com seu ciclo em harmonia paradoxa ao ritmo da evolução do pensamento humano. Este, por sua vez, não tem ordem específica, e seu ritmo nem sempre leva ao rumo certo.
Há pouco tempo, vivíamos em um país que passou a aterrorizar segmentos de sua população mais do que qualquer ameaça terrorista concreta nos últimos sete anos. Hoje em dia nos concentramos nesse remoimento interno de inseguranças futuras às quais quase todos estamos vulneráveis. Enquanto as “guerras ao terror”, “ao sexo”, “às drogas” e “ao imigrante” apenas expandiram o foco, a construção de melhores valores deixou de ser prioridade.
A crise econômica pode levar as três grandes companhias automobilísticas estadunidenses à falência. Tratam-se da General Motors, Chrysler e Ford, que trarão seu caso ao governo ainda hoje de que parte dos $700 bilhões de dólares dedicatos ao resgate financeiro nacional seja a elas dedicada.
O presidente-eleito, Barack Obama, já pediu ao presidente George W. Bush que trabalhasse com seu poder executivo para forçar um pacto que as ajudasse. As três companhias terão de cortar sua força trabalhista a partir de 2009, e a questão não transcende de quantos serão cortados. Existe a possibilidade de que todos, enfim, sejam demitidos, e uma, duas ou as três grandes companhias automobilísticas nacionais escorram pelo ralo da semi-depressão.
Por outro lado, opositores do resgate dizem que a linha deve ser riscada, e os limites ao resgate de companhias privadas deve ser delineado. Isto, depois da semana em que o secretário do tesouro, Henry Paulson, mudou o plano original do resgate anunciando que não mais comprará propriedades condenadas, mas que injetará quantias maiores ao benefício de investidores. Também, após semanas intensas de discussões em torno de outro resgate parcial a proprietários às márgens de perder imóveis com melhores chances de pagá-los na íntegra caso o resgate venha a tempo.
Parte da polêmica envolve a qualidade dos produtos fabricados pelas companhias estadunidenses. São, no geral, carros com pouca milhagem pelo galão de gasolina, de qualidade e teconologia inferiores a carros importados do Japão ou Alemanha. Obama pretende atar qualquer resgate à demanda da fabricação de produtos mais tecno-ecológicos e duradouros, seguindo a filosofia de que “não se pode deixar uma crise sem aproveitar as oportunidades que esta traz”.
Faltando 63 dias para a troca de gabinete presidencial, as especulações do campo de Obama em relação a futuros planos de sua administração têm se tornado quase uma demonstração de falta de coordenação política, algo não visto na campanha do presidente-eleito. À semana passada, uma série de notícias veiculadas por supostos íntimos do time de transição presidencial ofuscaram a tranquilidade antes vista no horizonte do futuro homem mais poderoso dos Estados Unidos.
Porém, Obama, que hoje renunciou seu cargo como senador pelo estado de Illinois, terá de lidar com um momento crucial, com perdão pelo clichê, na história de uma das peças mais ativas do quebra-cabeças internacional. Resgatar ou não a indústria auto-mobilística tornar-se-á o primeiro teste do futuro presidente. Mais dinheiro público investido em mais resgates astronômicos para previnir a extinção de centenas de milhares de empregos parece, novamente, ser a única solução, mas a insegurança - especialmente com a mudança nos planos de Paulson, que agora preside autoritariamente sobre os $700 bilhões aprovados pelo Congresso, Senado e Presidente - prevalece.
E, novamente, nem contamos as feridas que a guerra no Iraque e Afeganistão causaram ao Oriente Médio e o papel dos Estados Unidos na resolução destas múltiplas crises. Hoje, a nação rói unhas e passa noites em branco sem saber quais ventos traz o amanhã.
Portanto, no momento não nos importa saber se Hillary Clinton ou o governador do estado de New México, Bill Richardson, serão secretários de estado da administração de Obama à não ser que a notícia seja definitiva. O que Obama pretende fazer tem de ser esclarecido, concretamente, o mais rápido possível, e se devagar, cautelosamente, que traga ousadia e firmeza quando venha. A nação não quer saber se o presidente fechará o presídio de Guantánamo Bay à não ser que seja este seu plano definitivo.
E, enquanto todos os receios acima mencionados nos assombram, a população gay protesta a injusta e, para mim, desumana decisão popular de banir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornando um direito garantido pela constituição, ilegal segundo a mesma.
Do futuro presidente, seja justo ou o oposto, se espera mais habilidade, engenhosidade e seriedade do que se espera do atual. Infelizmente, a Crise e Obama caminham lado a lado a partir do dia 20 de Janeiro. Obama precisará estar fresco no cargo presidencial como foi à pele de candidato. O caos, afinal de contas, não está nada fresco.
RF
Os desafios do século XXI são diversos, e sempre foram, em qualquer século. Talvez o incrível seja a repetição de erros humanos que, ao ocorrerem não eram estranhos ao comportamento de nossa espécie, mas ao se repetirem levantam enormes questões sobre nossa capacidade evolutiva. A natureza certamente tem seu tempo para corrigir suas próprias aberrações, criando outras no percurso, mas sempre lidando com seu ciclo em harmonia paradoxa ao ritmo da evolução do pensamento humano. Este, por sua vez, não tem ordem específica, e seu ritmo nem sempre leva ao rumo certo.
Há pouco tempo, vivíamos em um país que passou a aterrorizar segmentos de sua população mais do que qualquer ameaça terrorista concreta nos últimos sete anos. Hoje em dia nos concentramos nesse remoimento interno de inseguranças futuras às quais quase todos estamos vulneráveis. Enquanto as “guerras ao terror”, “ao sexo”, “às drogas” e “ao imigrante” apenas expandiram o foco, a construção de melhores valores deixou de ser prioridade.
A crise econômica pode levar as três grandes companhias automobilísticas estadunidenses à falência. Tratam-se da General Motors, Chrysler e Ford, que trarão seu caso ao governo ainda hoje de que parte dos $700 bilhões de dólares dedicatos ao resgate financeiro nacional seja a elas dedicada.
O presidente-eleito, Barack Obama, já pediu ao presidente George W. Bush que trabalhasse com seu poder executivo para forçar um pacto que as ajudasse. As três companhias terão de cortar sua força trabalhista a partir de 2009, e a questão não transcende de quantos serão cortados. Existe a possibilidade de que todos, enfim, sejam demitidos, e uma, duas ou as três grandes companhias automobilísticas nacionais escorram pelo ralo da semi-depressão.
Por outro lado, opositores do resgate dizem que a linha deve ser riscada, e os limites ao resgate de companhias privadas deve ser delineado. Isto, depois da semana em que o secretário do tesouro, Henry Paulson, mudou o plano original do resgate anunciando que não mais comprará propriedades condenadas, mas que injetará quantias maiores ao benefício de investidores. Também, após semanas intensas de discussões em torno de outro resgate parcial a proprietários às márgens de perder imóveis com melhores chances de pagá-los na íntegra caso o resgate venha a tempo.
Parte da polêmica envolve a qualidade dos produtos fabricados pelas companhias estadunidenses. São, no geral, carros com pouca milhagem pelo galão de gasolina, de qualidade e teconologia inferiores a carros importados do Japão ou Alemanha. Obama pretende atar qualquer resgate à demanda da fabricação de produtos mais tecno-ecológicos e duradouros, seguindo a filosofia de que “não se pode deixar uma crise sem aproveitar as oportunidades que esta traz”.
Faltando 63 dias para a troca de gabinete presidencial, as especulações do campo de Obama em relação a futuros planos de sua administração têm se tornado quase uma demonstração de falta de coordenação política, algo não visto na campanha do presidente-eleito. À semana passada, uma série de notícias veiculadas por supostos íntimos do time de transição presidencial ofuscaram a tranquilidade antes vista no horizonte do futuro homem mais poderoso dos Estados Unidos.
Porém, Obama, que hoje renunciou seu cargo como senador pelo estado de Illinois, terá de lidar com um momento crucial, com perdão pelo clichê, na história de uma das peças mais ativas do quebra-cabeças internacional. Resgatar ou não a indústria auto-mobilística tornar-se-á o primeiro teste do futuro presidente. Mais dinheiro público investido em mais resgates astronômicos para previnir a extinção de centenas de milhares de empregos parece, novamente, ser a única solução, mas a insegurança - especialmente com a mudança nos planos de Paulson, que agora preside autoritariamente sobre os $700 bilhões aprovados pelo Congresso, Senado e Presidente - prevalece.
E, novamente, nem contamos as feridas que a guerra no Iraque e Afeganistão causaram ao Oriente Médio e o papel dos Estados Unidos na resolução destas múltiplas crises. Hoje, a nação rói unhas e passa noites em branco sem saber quais ventos traz o amanhã.
Portanto, no momento não nos importa saber se Hillary Clinton ou o governador do estado de New México, Bill Richardson, serão secretários de estado da administração de Obama à não ser que a notícia seja definitiva. O que Obama pretende fazer tem de ser esclarecido, concretamente, o mais rápido possível, e se devagar, cautelosamente, que traga ousadia e firmeza quando venha. A nação não quer saber se o presidente fechará o presídio de Guantánamo Bay à não ser que seja este seu plano definitivo.
E, enquanto todos os receios acima mencionados nos assombram, a população gay protesta a injusta e, para mim, desumana decisão popular de banir o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornando um direito garantido pela constituição, ilegal segundo a mesma.
Do futuro presidente, seja justo ou o oposto, se espera mais habilidade, engenhosidade e seriedade do que se espera do atual. Infelizmente, a Crise e Obama caminham lado a lado a partir do dia 20 de Janeiro. Obama precisará estar fresco no cargo presidencial como foi à pele de candidato. O caos, afinal de contas, não está nada fresco.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Bill Richardson,
Chrysler,
General Motors,
George W. Bush,
Harold Ford Jr.,
Henry Paulson,
Hillary Clinton
Monday, October 13, 2008
Aquele ali, e a Zebra
Se alguém assistiu o último debate presidencial nos Estados Unidos deve ter percebido que John McCain, ao responder uma das perguntas de Tom Brokaw, referiu-se a Barack Obama como “aquele ali”. “Aquele ali” pode até parecer um termo leviano, mas até mesmo eu, branquelo, percebi não racismo nas palavras de McCain, mas nos ouvidos de muita gente.
Puff Diddy (nota: Acho sempre engraçado quando assisto jogos entre a Canarinho e outros times, porque enquanto na Canarinho temos o Kaká, o Dudu, o técnico Dunga etc., em outros time há o John, o Scott, o Juan Román etc. Os apelidos são realmente de matar, mas esse apelido, “Puff Diddy”, é para mim o mais ridículo de todos) produziu um vídeo para seu blogue que criou um pequeno movimento entre os democratas com o lema “eu voto naquele ali”. O rapper caçoou de McCain dizendo “velhinho, nós estamos em 2008, não em 1958!” “Aquele ali” é uma clássica referência racista.
Ao fim da semana passada, em uma assembléia republicana, uma senhora levantou-se e disse a McCain: “Nós temos de enfatizar que Obama é árabe. Não podemos votar em um árabe.” O candidato respondeu: “Obama não é árabe, e tem todas as qualificações humanas para ser um bom presidente.” Seu rival democrata agradeceu horas depois.
Esse foi o fim das campanhas negativas de McCain. À semana passada, Obama chegou a ficar 11 pontos percentuais adiante de McCain. No início da semana estava a sete pontos em vantagem, e hoje, oito dias depois, a pesquisa voltou aos sete pontos. O senador pelo Illinois desistiu da estratégia “Karl Rove”, talvez especificamente depois de ter de defender seu rival para que seus ataques não se tornassem escalada xenofóbica, ou talvez apenas pelo resultado escandaloso das pesquisas, que não o favorecem nem depois dos debates, nem depois do debate de Sarah Palin e Joe Biden, e nem mesmo com os ataques negativos, que já surtiram mais efeito.
O fato é que agora McCain passou a ser a “zebra” da disputa, e sua afirmação como candidato passa a ser similar à de Obama, quando teve de contar aos eleitores de onde vinha, e que era honroso e talentoso o suficiente para merecer seus votos.
Faltam três semanas. O debate desta Quarta-Feira será o último. Se o candidato republicano pensa que a mídia “já o descartou” como reclama, está enganado. Os sete pontos são justos e curtos para que o efeito racista seja realmente eliminado na data das eleições. As campanhas negativas devem diminuir, em vez de aumentar.
Contudo, “aquele outro” é, para todos os efeitos, o “um” da vez. O “outro”, “aquele ali”, desde praticamente o início das preliminares, e logo das campanhas às eleições gerais, é John McCain.
Volto ao comentário da Santa quando da nomeação oficial de Barack Obama à candidatura oficial pelo partido Democrata. Santa disse que a mídia, e logo eu, classificávamos a nomeação como histórica “mesmo antes de ter acontecido”. Senti a mordida, e logo vi o texto antagônico em seu blogue, como se Obama e Lula fossem quase a mesma gente.
Pois, o “histórico” referia-se à nomeação, mas acho que a mordida referia-se à candidatura presidencial. Meu histórico baseou-se na realidade, e a mordida baseou-se em uma rígida opinião (falsa). Essa rigidez precisa amolecer urgentemente.
Faltando apenas três semanas para as eleições gerais, depois de um ano de comentários, mas mais importante, de aprendizado, de leituras, de engajamento, de questões respondidas, outras ainda não compreendidas, e muitas, muitas, mas muitas mesmo, discussões políticas, algumas civilizadas, outras violentas; depois de um ano de política estadunidense, posso afirmar de boca cheia que Obama não precisa vencer, nem precisaria, para que sua candidatura fosse considerada histórica.
Mesmo que Obama não mereça a presidência (para mim, merece mais do que McCain), mesmo que não seja uma figura exemplar de honestidade e santidade, mesmo que tenha menos virtudes do que sua eloquência, a história está feita, escrita e assinada. Melhor, não é mérito de Obama, mas do povo americano.
Sei que em minha platéia haverá cinicos pensando o demônio daqui. Estupidez, perdão. Repito: estupidez, e assunto encerrado. O que não é estúpido é que há trinta, quarenta, cinquenta anos atrás as pessoas ainda tinham o direito de dizer que odiavam negros sem a menor repercussão social. Podiam dizer que “negro bom é negro morto” e ainda vingar dentro do politicamente correto. Pretos escolados eram contados com dedos de uma mão. Apesar de muitos auto-ditadas, eram ainda tidos marginais. As escolas ainda praticavam a política de Jim Crow, segregadoras, e no sul do país era tão comum quanto caçar, linchar um negro andarilho solitário.
Hoje, aquele que foi soldado, herói nacional pelos seus valores mais arcaicos, aquele que não só é branco, mas “de boa família”, propietário de 13 casas, 11 carros, e uma esposa herdeira de milhões de dólares limpos, senador há duas décadas e quase meia, ex-prisioneiro de guerra, é realmente a “zebra” dessa corrida. Se McCain vencer será mais surpreendente do que a vitória de George W. Bush sobre um outro caucasiano WASP, Al Gore, e do que a vitória de Bush Junior sobre outro herói militar, John Kerry.
Hoje, o negro, filho de imigrante e mãe solteira, cuja avó branca ainda admitiu ter medo de negros, é o principal candidato desta disputa. Terão de falsificar muito, impedir muitos votos e mentir muito nas pesquisas para que McCain as apague, ou algo como o que ocorreu com Hillary Clinton em New Hampshire deverá suceder novamente (as pesquisas, na média, erraram, historicamente, em raríssimas ocasiões).
McCain ainda pode muito bem vencer. Faz pleno sentido, e espero que os democratas o entendam com a profundidade necessária. Mesmo assim, estas eleições foram, desde o início, fadadas a pertencer “àquele ali”.
O país tem seus defeitos, e sua população tem dos seus, mas isso é inédito na civilização ocidental, aquela que Mahatma Ghandi ainda disse ser “uma boa idéia”.
RF
Puff Diddy (nota: Acho sempre engraçado quando assisto jogos entre a Canarinho e outros times, porque enquanto na Canarinho temos o Kaká, o Dudu, o técnico Dunga etc., em outros time há o John, o Scott, o Juan Román etc. Os apelidos são realmente de matar, mas esse apelido, “Puff Diddy”, é para mim o mais ridículo de todos) produziu um vídeo para seu blogue que criou um pequeno movimento entre os democratas com o lema “eu voto naquele ali”. O rapper caçoou de McCain dizendo “velhinho, nós estamos em 2008, não em 1958!” “Aquele ali” é uma clássica referência racista.
Ao fim da semana passada, em uma assembléia republicana, uma senhora levantou-se e disse a McCain: “Nós temos de enfatizar que Obama é árabe. Não podemos votar em um árabe.” O candidato respondeu: “Obama não é árabe, e tem todas as qualificações humanas para ser um bom presidente.” Seu rival democrata agradeceu horas depois.
Esse foi o fim das campanhas negativas de McCain. À semana passada, Obama chegou a ficar 11 pontos percentuais adiante de McCain. No início da semana estava a sete pontos em vantagem, e hoje, oito dias depois, a pesquisa voltou aos sete pontos. O senador pelo Illinois desistiu da estratégia “Karl Rove”, talvez especificamente depois de ter de defender seu rival para que seus ataques não se tornassem escalada xenofóbica, ou talvez apenas pelo resultado escandaloso das pesquisas, que não o favorecem nem depois dos debates, nem depois do debate de Sarah Palin e Joe Biden, e nem mesmo com os ataques negativos, que já surtiram mais efeito.
O fato é que agora McCain passou a ser a “zebra” da disputa, e sua afirmação como candidato passa a ser similar à de Obama, quando teve de contar aos eleitores de onde vinha, e que era honroso e talentoso o suficiente para merecer seus votos.
Faltam três semanas. O debate desta Quarta-Feira será o último. Se o candidato republicano pensa que a mídia “já o descartou” como reclama, está enganado. Os sete pontos são justos e curtos para que o efeito racista seja realmente eliminado na data das eleições. As campanhas negativas devem diminuir, em vez de aumentar.
Contudo, “aquele outro” é, para todos os efeitos, o “um” da vez. O “outro”, “aquele ali”, desde praticamente o início das preliminares, e logo das campanhas às eleições gerais, é John McCain.
Volto ao comentário da Santa quando da nomeação oficial de Barack Obama à candidatura oficial pelo partido Democrata. Santa disse que a mídia, e logo eu, classificávamos a nomeação como histórica “mesmo antes de ter acontecido”. Senti a mordida, e logo vi o texto antagônico em seu blogue, como se Obama e Lula fossem quase a mesma gente.
Pois, o “histórico” referia-se à nomeação, mas acho que a mordida referia-se à candidatura presidencial. Meu histórico baseou-se na realidade, e a mordida baseou-se em uma rígida opinião (falsa). Essa rigidez precisa amolecer urgentemente.
Faltando apenas três semanas para as eleições gerais, depois de um ano de comentários, mas mais importante, de aprendizado, de leituras, de engajamento, de questões respondidas, outras ainda não compreendidas, e muitas, muitas, mas muitas mesmo, discussões políticas, algumas civilizadas, outras violentas; depois de um ano de política estadunidense, posso afirmar de boca cheia que Obama não precisa vencer, nem precisaria, para que sua candidatura fosse considerada histórica.
Mesmo que Obama não mereça a presidência (para mim, merece mais do que McCain), mesmo que não seja uma figura exemplar de honestidade e santidade, mesmo que tenha menos virtudes do que sua eloquência, a história está feita, escrita e assinada. Melhor, não é mérito de Obama, mas do povo americano.
Sei que em minha platéia haverá cinicos pensando o demônio daqui. Estupidez, perdão. Repito: estupidez, e assunto encerrado. O que não é estúpido é que há trinta, quarenta, cinquenta anos atrás as pessoas ainda tinham o direito de dizer que odiavam negros sem a menor repercussão social. Podiam dizer que “negro bom é negro morto” e ainda vingar dentro do politicamente correto. Pretos escolados eram contados com dedos de uma mão. Apesar de muitos auto-ditadas, eram ainda tidos marginais. As escolas ainda praticavam a política de Jim Crow, segregadoras, e no sul do país era tão comum quanto caçar, linchar um negro andarilho solitário.
Hoje, aquele que foi soldado, herói nacional pelos seus valores mais arcaicos, aquele que não só é branco, mas “de boa família”, propietário de 13 casas, 11 carros, e uma esposa herdeira de milhões de dólares limpos, senador há duas décadas e quase meia, ex-prisioneiro de guerra, é realmente a “zebra” dessa corrida. Se McCain vencer será mais surpreendente do que a vitória de George W. Bush sobre um outro caucasiano WASP, Al Gore, e do que a vitória de Bush Junior sobre outro herói militar, John Kerry.
Hoje, o negro, filho de imigrante e mãe solteira, cuja avó branca ainda admitiu ter medo de negros, é o principal candidato desta disputa. Terão de falsificar muito, impedir muitos votos e mentir muito nas pesquisas para que McCain as apague, ou algo como o que ocorreu com Hillary Clinton em New Hampshire deverá suceder novamente (as pesquisas, na média, erraram, historicamente, em raríssimas ocasiões).
McCain ainda pode muito bem vencer. Faz pleno sentido, e espero que os democratas o entendam com a profundidade necessária. Mesmo assim, estas eleições foram, desde o início, fadadas a pertencer “àquele ali”.
O país tem seus defeitos, e sua população tem dos seus, mas isso é inédito na civilização ocidental, aquela que Mahatma Ghandi ainda disse ser “uma boa idéia”.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Al Gore,
Barack Obama,
Hillary Clinton,
John Kerry,
John McCain,
Tom Brokaw
Friday, September 12, 2008
A trégua Acabou
Por 24 horas, no dia 11 de Setembro, democratas e republicanos se uniram para lembrar a data e a tragédia massiva que tomou conta dos Estados Unidos pela primeira vez em mais de um século. A partir da meia noite de hoje, no entanto, a trégua acabou.
Enquanto John McCain e Barack Obama apareciam juntos no Ground Zero, local onde as torres do centro financeiro mundial são lentamente reerguidas, a cordialidade e a simpatia pessoal de cada candidato se manifestou em uma imagem propriamente estadunidense. À noite, em um foro em que os senadores apareceram separadamente questionados por moderadores oficiais, ambos explicaram em maiores detalhes o que fariam para o país, nos idiomas conservador e liberal.
O fato é que no dia 10 de Setembro a maioria dos jornais impressos e televisionados debateram durante a íntegra de suas programações os ataques de propagandas políticas republicanas contra Obama. E, pior do que tudo, ambos ataques discutidos são completamente falsos. Se não, vejamos:
“Você pode colocar batom em um porco, mas ele continuará sendo um porco.”
Antes que meus leitores da direita ululante pulem de seus assentos dizendo: “Ahá! Te peguei!”
A frase que Obama disse em um discurso na noite de 9 de Setembro referia-se à política econômica de McCain. A mesma frase foi usada por McCain duas vezes quando referia-se à política de Hillary Rodham Clinton. Aliás, esse é um ditado popular na política norte-americana, que basicamente quer dizer que mascarar o feio não o torna bonito, ajeitar o errado não o faz certo.
Se você adivinhou que o campo republicano, guiado pelo já aposentado juíz Karl Rove, usou a frase fora de contexto para clamar que Obama chamou Sarah Palin de porca, acertou em cheio. Primeiro ataque completamente falso e sujo do campo do senador pelo Arizona. O mesmo tipo de ataque, inclusive, que o derrotou contra George W. Bush nas preliminares republicanas de 2000.
A segunda propaganda também usa Palin, muitíssimo mais popular do que o candidato à presidência, para dizer que Obama apoiava educação sexual para crianças do jardim de infância.
Um dos grandes quesitos a distanciar o eleitorado liberal da atração de Palin é seu posicionamento em relação à educação sexual. Pela governadora do Alaska, nenhuma criança, de nenhuma idade, seria educada a mais do que abstinência. Distribuição de preservativos, então, nem pensar, afinal, quanto mais camisinha distribuída, mais sexo os adolescentes irão ter. Faz sentido? Não, mas nem precisa.
Novamente, o fato é que Obama jamais apoiou tamanho absurdo, e o mesmo ataque já foi feito por seu rival ao senado, quando elegeu-se pela primeira vez, sem funcionar justamente por ser falso. Obama nada tinha a ver com a legislação em questão, que visava educar crianças do jardim de infância a identificarem predadores sexuais, e alertar os pais sobre o assunto, uma paranóia nacional. Ou seja, o candidato democrata nem apoiou a legislação, e nem se tratava de educação sexual, propriamente dita.
Portanto, o campo de Obama, que vem sofrendo esta semana uma queda nas pesquisas (perdendo de McCain por uma média de 3-5% nas pesquisas gerais), pretende começar a atacar também.
Democratas de todo o país sentiram-se revoltados em 2004 porque as distrações que classificaram John Kerry como elitista e alienado (comparado a Bush, para que tenham idéia do tamanho da distração) não foram devidamente contra-atacadas. O candidato democrata pretendia elevar-se, pensando que o ano favorecia democratas, mas acabou perdendo pela maioria de votos, não só pelos colégios eleitorais.
Mesmo assim, graças ao estilo Rove de montar dossiês, mentir repetidamente até que a mentira cole, e distrair o público do que realmente importa em 2008, a campanha novamente parte de substâncias mínimas e muita fofoca.
O eleitorado não agradece.
RF
Enquanto John McCain e Barack Obama apareciam juntos no Ground Zero, local onde as torres do centro financeiro mundial são lentamente reerguidas, a cordialidade e a simpatia pessoal de cada candidato se manifestou em uma imagem propriamente estadunidense. À noite, em um foro em que os senadores apareceram separadamente questionados por moderadores oficiais, ambos explicaram em maiores detalhes o que fariam para o país, nos idiomas conservador e liberal.
O fato é que no dia 10 de Setembro a maioria dos jornais impressos e televisionados debateram durante a íntegra de suas programações os ataques de propagandas políticas republicanas contra Obama. E, pior do que tudo, ambos ataques discutidos são completamente falsos. Se não, vejamos:
“Você pode colocar batom em um porco, mas ele continuará sendo um porco.”
Antes que meus leitores da direita ululante pulem de seus assentos dizendo: “Ahá! Te peguei!”
A frase que Obama disse em um discurso na noite de 9 de Setembro referia-se à política econômica de McCain. A mesma frase foi usada por McCain duas vezes quando referia-se à política de Hillary Rodham Clinton. Aliás, esse é um ditado popular na política norte-americana, que basicamente quer dizer que mascarar o feio não o torna bonito, ajeitar o errado não o faz certo.
Se você adivinhou que o campo republicano, guiado pelo já aposentado juíz Karl Rove, usou a frase fora de contexto para clamar que Obama chamou Sarah Palin de porca, acertou em cheio. Primeiro ataque completamente falso e sujo do campo do senador pelo Arizona. O mesmo tipo de ataque, inclusive, que o derrotou contra George W. Bush nas preliminares republicanas de 2000.
A segunda propaganda também usa Palin, muitíssimo mais popular do que o candidato à presidência, para dizer que Obama apoiava educação sexual para crianças do jardim de infância.
Um dos grandes quesitos a distanciar o eleitorado liberal da atração de Palin é seu posicionamento em relação à educação sexual. Pela governadora do Alaska, nenhuma criança, de nenhuma idade, seria educada a mais do que abstinência. Distribuição de preservativos, então, nem pensar, afinal, quanto mais camisinha distribuída, mais sexo os adolescentes irão ter. Faz sentido? Não, mas nem precisa.
Novamente, o fato é que Obama jamais apoiou tamanho absurdo, e o mesmo ataque já foi feito por seu rival ao senado, quando elegeu-se pela primeira vez, sem funcionar justamente por ser falso. Obama nada tinha a ver com a legislação em questão, que visava educar crianças do jardim de infância a identificarem predadores sexuais, e alertar os pais sobre o assunto, uma paranóia nacional. Ou seja, o candidato democrata nem apoiou a legislação, e nem se tratava de educação sexual, propriamente dita.
Portanto, o campo de Obama, que vem sofrendo esta semana uma queda nas pesquisas (perdendo de McCain por uma média de 3-5% nas pesquisas gerais), pretende começar a atacar também.
Democratas de todo o país sentiram-se revoltados em 2004 porque as distrações que classificaram John Kerry como elitista e alienado (comparado a Bush, para que tenham idéia do tamanho da distração) não foram devidamente contra-atacadas. O candidato democrata pretendia elevar-se, pensando que o ano favorecia democratas, mas acabou perdendo pela maioria de votos, não só pelos colégios eleitorais.
Mesmo assim, graças ao estilo Rove de montar dossiês, mentir repetidamente até que a mentira cole, e distrair o público do que realmente importa em 2008, a campanha novamente parte de substâncias mínimas e muita fofoca.
O eleitorado não agradece.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Hillary Clinton,
John Kerry,
John McCain,
Karl Rove,
Sarah Palin
Friday, August 29, 2008
O Sonho de Obama
45 anos depois do histórico discurso do Pastor Martin Luther King, “Eu tive um Sonho”, Barack Obama, pela primeira vez na história das convenções, deu seu discurso de aceitação à candidatura presidencial democrata em um estádio para quase 80 mil pessoas (ou mais, dependendo da fonte).
O Invesco Field abrigou eleitores e delegados, cidadãos comuns e políticos renomados segurando bandeiras dos Estados Unidos, e não cartazes pedindo a cabeça de John McCain, ou vangloriando Obama. A idéia da noite - além de encerrar o estabelecimento da candidatura, também histórica por ser a primeira de um negro a um dos principais partidos de qualquer país ocidental - foi delinear seu plano governamental, e contra-atacar republicanos pelas últimas semanas de constantes intimidações.
O senador pelo Illinois disse que a nação é melhor do que os últimos oito anos, e que pretende trazer a independência petrolífera e energética, mais empregos, corte de impostos à classe média e aumento tributário aos mais abastados, e, é claro, disse que debateria política externa com seu adversário quando o mesmo desejasse. Se Obama tem uma qualidade irrefutável é sua capacidade de formular e elocubrar retóricas.
A convenção democrata chegou ao fim em uma semana que favorece seu candidato oficial à presidência novamente nas pesquisas. Obama vence McCain, segundo o instituto Gallup, por 48-42%.
Brooks, os Sonhos, e o Absurdo
David Brooks, do The New York Times, brinca com o discurso do candidato democrata. De acordo com formulações conservadoras, a sociedade estadunidense vive tempos tão bons quanto quaisquer. Portanto, quando Obama fala de esperanças e sonhos, torna-se alvo fácil de um partido que crê, piamente, nos bons tempos.
Questionando a maioria dos republicanos experientes, e mesmo os mais jovens, a administração de George W. Bush não está entre as melhores. Muitos entendem o fracasso da Casa Branca, mas não deixam de ser conservadores. De fato, muitos bons republicanos dizem que o governo de Bush não foi conservador. Cortou impostos em tempos de guerra, mas não economizou em outros dispêndios.
Negligenciou New Orleans e todo o estado de Louisiana, e agora gasta em sua reconstrução, além dos interesses protegidos de Dick Cheney e a família Bush com contratos inegociáveis de companhias como Enron e Halliburton para a reconstrução e infra-estrutura militar no Iraque. Sem contar nos motivos da guerra, deturpados a cada novo instante, celebrados muito antes do tempo.
A coluna de Brooks corre na veia da maioria dos conservadores, entre eles independentes e libertários, republicanos e democratas da era Reagan. Não é que não estejamos navegando uma crise, mas sim, estes pensam, é apenas uma, e não a pior das crises. Mesmo sendo a pior, acreditam muitos, o indivíduo tem a capacidade de canalizar seus esforços à obtenção de seu próprio sucesso sem precisar do governo.
Tudo se resume, segundo Brooks, ao elitismo de Obama. Sim, esse jovem negro, filho de mãe solteira, miscigenado e algemado à América, é tema de chacotas entre conservadores e libertários. Resume-se à sua inexperiência, ao mesmo tempo que culmina em sua crueldade fria e calculada, o negro comunista que deseja apenas deturpar a nação a sonhar, ao invés de confrontar a realidade.
Não discordo, porém, do cinismo de Brooks na íntegra. Para mim, como político, Obama não pode ser perfeito, nem deve como ser humano assumi-lo. Não só padece de imperfeições político-humanas, mas também tem a mão em suas próprias polêmicas, mesmo com pouco tempo de senado no currículo.
Mesmo assim, McCain representa a continuidade do sistema falido que, em oito anos, diminuiu a produção interna, aumentou a dívida externa, negligenciou áreas como a saúde universal e a educação, alienando milhares de pessoas. Sem contar na incapacidade governamental de funcionar conforme o proposto, deixando a promessa da reforma energética para o próximo candidato.
Ao contrário do que se pensa, o país está mais fragilizado, suas tropas comprometidas em um conflito infinito, sua população perdendo moradia, emprego, seguranças sociais e, voilá, a esperança e a capacidade de sonhar.
Logo, Brooks deve brincar e exercer sua liberdade de expressão, mas também poderia virar a página e ler a coluna de seu colega, Paul Krugman, que também confia em sua posição demasiadamente, mas escreve o óbvio ululante: Democratas falam o idioma que se quer ouvir falar. Republicanos encontram-se emparedados entre procurar o desvínculo dessa adminstração falida e encontrar virtudes na filosofia conservadora.
A Bola no Campo Republicano
John McCain acaba de anunciar Sarah Palin, governadora do Alaska, à vice-presidência de sua candidatura. A convenção Republicana começa, oficialmente, a partir da próxima Terça-Feira, dia 2 de Setembro, e o partido clama o holofote momentâneo.
A surpreendente escolha de Palin, 44 anos, governadora há apenas dois anos, cristã conservadora, chega em um momento que o campo de McCain procura atrair mulheres à sua plataforma. Explorando a fraqueza do partido Democrata mediante a vitória de Barack Obama sobre a derrotada Hillary Clinton, e também atentando ao jargão de “mudança” que determina o pleito de seu rival, Palin pode contribuir ao partido republicano.
A próxima semana é de John McCain e Sarah Palin.
RF
O Invesco Field abrigou eleitores e delegados, cidadãos comuns e políticos renomados segurando bandeiras dos Estados Unidos, e não cartazes pedindo a cabeça de John McCain, ou vangloriando Obama. A idéia da noite - além de encerrar o estabelecimento da candidatura, também histórica por ser a primeira de um negro a um dos principais partidos de qualquer país ocidental - foi delinear seu plano governamental, e contra-atacar republicanos pelas últimas semanas de constantes intimidações.
O senador pelo Illinois disse que a nação é melhor do que os últimos oito anos, e que pretende trazer a independência petrolífera e energética, mais empregos, corte de impostos à classe média e aumento tributário aos mais abastados, e, é claro, disse que debateria política externa com seu adversário quando o mesmo desejasse. Se Obama tem uma qualidade irrefutável é sua capacidade de formular e elocubrar retóricas.
A convenção democrata chegou ao fim em uma semana que favorece seu candidato oficial à presidência novamente nas pesquisas. Obama vence McCain, segundo o instituto Gallup, por 48-42%.
Brooks, os Sonhos, e o Absurdo
David Brooks, do The New York Times, brinca com o discurso do candidato democrata. De acordo com formulações conservadoras, a sociedade estadunidense vive tempos tão bons quanto quaisquer. Portanto, quando Obama fala de esperanças e sonhos, torna-se alvo fácil de um partido que crê, piamente, nos bons tempos.
Questionando a maioria dos republicanos experientes, e mesmo os mais jovens, a administração de George W. Bush não está entre as melhores. Muitos entendem o fracasso da Casa Branca, mas não deixam de ser conservadores. De fato, muitos bons republicanos dizem que o governo de Bush não foi conservador. Cortou impostos em tempos de guerra, mas não economizou em outros dispêndios.
Negligenciou New Orleans e todo o estado de Louisiana, e agora gasta em sua reconstrução, além dos interesses protegidos de Dick Cheney e a família Bush com contratos inegociáveis de companhias como Enron e Halliburton para a reconstrução e infra-estrutura militar no Iraque. Sem contar nos motivos da guerra, deturpados a cada novo instante, celebrados muito antes do tempo.
A coluna de Brooks corre na veia da maioria dos conservadores, entre eles independentes e libertários, republicanos e democratas da era Reagan. Não é que não estejamos navegando uma crise, mas sim, estes pensam, é apenas uma, e não a pior das crises. Mesmo sendo a pior, acreditam muitos, o indivíduo tem a capacidade de canalizar seus esforços à obtenção de seu próprio sucesso sem precisar do governo.
Tudo se resume, segundo Brooks, ao elitismo de Obama. Sim, esse jovem negro, filho de mãe solteira, miscigenado e algemado à América, é tema de chacotas entre conservadores e libertários. Resume-se à sua inexperiência, ao mesmo tempo que culmina em sua crueldade fria e calculada, o negro comunista que deseja apenas deturpar a nação a sonhar, ao invés de confrontar a realidade.
Não discordo, porém, do cinismo de Brooks na íntegra. Para mim, como político, Obama não pode ser perfeito, nem deve como ser humano assumi-lo. Não só padece de imperfeições político-humanas, mas também tem a mão em suas próprias polêmicas, mesmo com pouco tempo de senado no currículo.
Mesmo assim, McCain representa a continuidade do sistema falido que, em oito anos, diminuiu a produção interna, aumentou a dívida externa, negligenciou áreas como a saúde universal e a educação, alienando milhares de pessoas. Sem contar na incapacidade governamental de funcionar conforme o proposto, deixando a promessa da reforma energética para o próximo candidato.
Ao contrário do que se pensa, o país está mais fragilizado, suas tropas comprometidas em um conflito infinito, sua população perdendo moradia, emprego, seguranças sociais e, voilá, a esperança e a capacidade de sonhar.
Logo, Brooks deve brincar e exercer sua liberdade de expressão, mas também poderia virar a página e ler a coluna de seu colega, Paul Krugman, que também confia em sua posição demasiadamente, mas escreve o óbvio ululante: Democratas falam o idioma que se quer ouvir falar. Republicanos encontram-se emparedados entre procurar o desvínculo dessa adminstração falida e encontrar virtudes na filosofia conservadora.
A Bola no Campo Republicano
John McCain acaba de anunciar Sarah Palin, governadora do Alaska, à vice-presidência de sua candidatura. A convenção Republicana começa, oficialmente, a partir da próxima Terça-Feira, dia 2 de Setembro, e o partido clama o holofote momentâneo.
A surpreendente escolha de Palin, 44 anos, governadora há apenas dois anos, cristã conservadora, chega em um momento que o campo de McCain procura atrair mulheres à sua plataforma. Explorando a fraqueza do partido Democrata mediante a vitória de Barack Obama sobre a derrotada Hillary Clinton, e também atentando ao jargão de “mudança” que determina o pleito de seu rival, Palin pode contribuir ao partido republicano.
A próxima semana é de John McCain e Sarah Palin.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
George W. Bush,
Hillary Clinton,
Invesco Field,
John McCain,
Martin Luther King,
Sarah Palin
Thursday, August 28, 2008
A Noite que Convenceu
A noite que selou a nomeação de Barack Obama à presidência por unanimidade, e a vice-presidência de Joe Biden, finalmente convenceu o eleitorado democrata, e talvez até tenha despertado a curiosidade dos menos adeptos a trabalhar intensamente pela eleição de seu candidato.
Bill Clinton
Se Hillary Clinton cumpriu seu dever com notável dificuldade na noite de Terça-Feira, seu marido, o ex presidente Bill Clinton, o único democrata desde Jimmy Carter, discursou com veemência e serenidade.
O quadro pintado pela mídia era de quase desespero. O clã clintoniano estava magoado, e de fato sentia-se magoado tanto antes quanto depois das primárias. Porém, duvidar da união partidária a essas alturas do campeonato quiçá seja mais um desejo não realizado dos jornalistas da MSNBC, CNN e Fox News, porque, todos sabemos, a intriga sempre vende.
O que Clinton disse ontem convenceu pelo conteúdo e pela forma que foi dito. O carinho que expressou por seu partido, por sua esposa e, principalmente, por Obama, comoveu a todos os delegados, fanáticos e simpatizantes. Democratas esperam que o efeito aos eleitores indecisos ali presentes tenha sido o mesmo.
A favor do ex presidente esteve a conotação histórica do dia: A nomeação oficial de um candidato afro-descendente a um dos principais partidos dos Estados Unidos. Um candidato que, segundo indicações explícitas, tem tudo para liderar a nação a partir de 2009.
Apesar de ovacionado em pé pela platéia alucinada, Clinton foi rápido no gatilho a mencionar que a convenção era de Obama, e citou seu nome outras 14 vezes. Quando, no meio do discurso, o público gritou o jargão “sim, nós podemos” copiosamente, o ex presidente os interrompeu dizendo: “Sim, ele pode, mas primeiro precisamos elegê-lo”.
Como recentemente descrito por aqui nos últimos textos, a antipatia entre o senador por Illinois e o ex presidente tornou-se contundente quando perguntaram a Clinton se Obama teria o necessário para guiar as forças armadas. A resposta foi fria, distanciada, algo como “ninguém está preparado” para o cargo antes de assumi-lo.
Ontem, Bill Clinton disse também ter sido criticado pela inexperiência, por neófito, quando concorria contra Bob Dole. A história de seus oito anos, relativamente prósperos ao país, comprova a insignificância dos detalhes corrompidos em ataques partidários.
Comentaristas, âncoras e analistas políticos adoram baseball, aparentemente, pois todos clamaram que, dessa vez, o clã clintoniano mandou a bola “para fora do parque, cruzando o estacionamento, pousando perto dos prédios do outro lado da rua do estádio”.
A Chamada
O costume é permitir o voto de todos os delegados de todos os estados presentes na convenção. Há três meses, muitos ainda temiam que esse voto, o final e oficial, decidiria o nome do próximo candidato presidencial do partido Democrata.
Contudo, a chamada de ontem foi apenas espetáculo. Entre todos os cenários possíveis, o aqui comentado resultou concreto.
Os estados antecedendo New York passaram o direito ao voto até chegarem no mesmo, e Hillary Clinton pediu aos seus delegados, e a todos os demais delegados, que as regras convencionais fossem suspensas, e que Barack Obama fosse nomeado à presidência po unanimidade.
Historicamente, é a primeira vez que um afro-descendente luta com concretas chances pelo cargo mais poderoso da nação.
A aceitação e o discurso de Joe Biden
Nomeado à vice-presidência na mesma noite, o senador Joe Biden foi apresentado por seu filho, chefe judiciário de Delaware, Beau Biden.
Narrando sua tragetória comovente, desde a perda de sua filha e esposa ao novo casamento e suas raízes, e seu trajeto histórico no senado estadunidense, Biden aproveitou a ocasião para fortalecer o partido ainda mais.
Anunciando que ele é “realmente amigo de John McCain, e colega no senado,” disse também que discorda de sua política e pediu aos eleitores de seu partido que fizessem de tudo para enviar a mensagem à Casa Branca.
Confiou a Obama o título de lider sábio, e disse que o país precisa mais de liderança calculada do que de “um bom soldado”. O heroísmo de McCain, se depender dos democratas, não valerá nada nesse jogo.
Obama ainda surpreendeu os telejornais, delegados e eleitores ali presentes quando dirigiu-se ao Pepsi Centre a aparecer no palco ao lado de seu vice-presidente.
Disse pouco, e aparentou beijar a boca da esposa de Biden, e ao clamar pela família, mencionou o nome do senador, seu filho Beau, e “Mama Biden”. O vexame, contudo, mal foi explorado pelos sérios comentaristas, ainda empolgados com o acontecimento ao melhor estilo “show-business”.
As pesquisas de Quarta-Feira demonstravam a primeira liderança do senador pelo Arizona nas pesquisas do Gallup, por 46-44% sobre Barack Obama. Amanheceram na Quinta-Feira com a vantagem devolvida ao candidato democrata, 46-45% sobre John McCain.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Beau Biden,
Bill Clinton,
Colorado,
Denver,
Hillary Clinton,
Jimmy Carter,
Joe Biden,
John McCain,
Mama Biden,
MSNBC,
Pepsi Centre
Wednesday, August 27, 2008
Barack Obama, Hillary Disse:
Disse poucas vezes, na verdade. O nome de Barack Obama foi pouco mencionado nos 23 minutos discursados pela senadora de NY, Hillary Clinton.
Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.
Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.
O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.
Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.
Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?
Joe Biden
Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.
Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.
O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.
Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.
Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.
Mas não são esses os ataques mais preocupantes.
O espectro de Hillary Clinton
Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.
As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.
Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.
Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.
Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.
RF
Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.
Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.
O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.
Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.
Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?
Joe Biden
Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.
Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.
O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.
Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.
Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.
Mas não são esses os ataques mais preocupantes.
O espectro de Hillary Clinton
Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.
As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.
Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.
Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.
Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Bill Clinton,
Denver,
Hillary Clinton,
John McCain,
Pepsi Centre
Tuesday, August 26, 2008
Convenção Conveniente
Para Luma e Jens, necessariamente nessa ordem:
Se a Época roubou meus textos e publicou sem minha permissão, mas ainda me fez a gentileza de manter as iniciais ao fim dos textos, eu sou o RF da Época. Se não, eu sou o verdadeiro RF, o da Época, não sei por que cargas d’água, roubou só as iniciais.
Sobre a Convenção:
“Kick Off” deve ser traduzido, no caso da primeira noite da convenção democrata em Denver, como “chute no saco”. Para quem o tem, sabe a dor que o perfidioso e avassalador ato causa, e para quem não tem, quero dizer o saco, que se contente em imaginar o sacrifício. Para meus coterrâneos, “kick off” significa “dar a largada” ao evento astronômico, que culmina à nomeação final do candidato democrata, Barack Obama.
Entre os discursos agendados para ontem, dois chamaram a atenção maior da mídia, o de Michelle Obama e o do senador Ted Kennedy, que interrompeu seu tratamento contra o diagnosticado câncer no cérebro para acender a chama da convenção.
Quando ouvi o requebrado epitáfio de Nancy Pelosi, lider do Congresso, só não adormeci porque é engraçado, às vezes, testemunhar os gaguejos políticos em público. Pelosi comoveu o público somente quando narrou, em idéias abstratas, como Obama está certo e McCain errado. A maioria do público apóia Barack Obama. Não foi difícil comovê-los.
Kennedy foi introduzido com um vídeo a homenageá-lo, seus anos de serviço político, o fato de ser parente de John F. Kennedy e de Robert Kennedy, e porque sua vida vê-se concretamente ameaçada. Foi ovacionado em pé, e urrou em nome do partido e de seu candidato. O tema da noite foi fixar o patriotismo do casal Obama, e suas raízes originalmente norte-americanas.
Michelle Obama, por exemplo, explicou “porque ama a América”. Em menos de uma hora, viu-se obrigada a refutar as absurdas acusações (que, mesmo verdadeiras, não dizem nada sobre os assuntos mais importantes à população) contra seu sentimento nacionalista. Se há alguns meses disse que “pela primeira vez” ela está “realmente orgulhosa dos Estados Unidos” (pela candidatura de seu marido), ontem apenas precisou salientar que sua vida representa a vida do estadunidense mediano, e que sua escalada política baseia-se nas possibilidades que o país lhe deu e dá.
Até na escolha de Joe Biden para vice presidente, o campo democrata trouxe as eleições a uma nota menos “celebridade” e mais concreta, monótona, em outras palavras.
Não deixo o cinismo de lado, contudo, porque o palanque montado ontem e as intenções dos presentes mais me pareceu adequado a uma torcida de futebol do que a eleições presidenciais. Bill Maher, apresentador do programa Real Time, na HBO, lembrou Chris Mathews e Keith Olbermann da MSNBC que o partido dedicou a primeira noite da convenção para defender Obama de acusações risíveis. “De repente, o filho de mãe solteira nascido no Hawaí é o elitista”, disse Maher, também lembrando que o partido dos milionários não é o democrata.
O fato é que tanto McCain quanto Obama pertencem à elite. Caso não pertencessem, não estariam concorrendo à presidência. Independentes, mesmo os mais populares Libertários, concorrem em outro planeta, outras eleições. São todos um bando de “Enéas”.
Nas últimas semanas, o campo de McCain usou Clinton, Biden, a viagem de Obama à Europa e a paranóia da guerra contra o terror para abalar o candidato democrata, não sem sucesso. Mesmo assim, e ainda assim, o ano é democrata, e o partido, consciente disso, não pretende concluir a campanha pacificamente.
No campo de batalha, há dois partidos com filosofias opostas, mas preocupações similares pelas concretas preocupações populares. Porém, em suas campanhas, parecem concorrer a dois países diferentes. O primeiro, vive a constante ameaça de ser atacado por palestinos. O segundo, vive a constante ameaça econômica.
Ambos procuram atingir a paranóia popular. Conclusão: Não importa o que cada candidato seja, pense, ou faça no futuro. Enquanto ainda não eleito, todos os discursos, todos os planos, todos os esquemas estão necessariamente voltados ao espetáculo. Como, pergunto-me, escrever sobre o processo sem sentir-me um palhaço? Pois, quiçá hei de descobri-lo.
Hoje à noite tem mais, a saga clintoniana entra em cena... Tcham-tcham!
RF
Se a Época roubou meus textos e publicou sem minha permissão, mas ainda me fez a gentileza de manter as iniciais ao fim dos textos, eu sou o RF da Época. Se não, eu sou o verdadeiro RF, o da Época, não sei por que cargas d’água, roubou só as iniciais.
Sobre a Convenção:
“Kick Off” deve ser traduzido, no caso da primeira noite da convenção democrata em Denver, como “chute no saco”. Para quem o tem, sabe a dor que o perfidioso e avassalador ato causa, e para quem não tem, quero dizer o saco, que se contente em imaginar o sacrifício. Para meus coterrâneos, “kick off” significa “dar a largada” ao evento astronômico, que culmina à nomeação final do candidato democrata, Barack Obama.
Entre os discursos agendados para ontem, dois chamaram a atenção maior da mídia, o de Michelle Obama e o do senador Ted Kennedy, que interrompeu seu tratamento contra o diagnosticado câncer no cérebro para acender a chama da convenção.
Quando ouvi o requebrado epitáfio de Nancy Pelosi, lider do Congresso, só não adormeci porque é engraçado, às vezes, testemunhar os gaguejos políticos em público. Pelosi comoveu o público somente quando narrou, em idéias abstratas, como Obama está certo e McCain errado. A maioria do público apóia Barack Obama. Não foi difícil comovê-los.
Kennedy foi introduzido com um vídeo a homenageá-lo, seus anos de serviço político, o fato de ser parente de John F. Kennedy e de Robert Kennedy, e porque sua vida vê-se concretamente ameaçada. Foi ovacionado em pé, e urrou em nome do partido e de seu candidato. O tema da noite foi fixar o patriotismo do casal Obama, e suas raízes originalmente norte-americanas.
Michelle Obama, por exemplo, explicou “porque ama a América”. Em menos de uma hora, viu-se obrigada a refutar as absurdas acusações (que, mesmo verdadeiras, não dizem nada sobre os assuntos mais importantes à população) contra seu sentimento nacionalista. Se há alguns meses disse que “pela primeira vez” ela está “realmente orgulhosa dos Estados Unidos” (pela candidatura de seu marido), ontem apenas precisou salientar que sua vida representa a vida do estadunidense mediano, e que sua escalada política baseia-se nas possibilidades que o país lhe deu e dá.
Até na escolha de Joe Biden para vice presidente, o campo democrata trouxe as eleições a uma nota menos “celebridade” e mais concreta, monótona, em outras palavras.
Não deixo o cinismo de lado, contudo, porque o palanque montado ontem e as intenções dos presentes mais me pareceu adequado a uma torcida de futebol do que a eleições presidenciais. Bill Maher, apresentador do programa Real Time, na HBO, lembrou Chris Mathews e Keith Olbermann da MSNBC que o partido dedicou a primeira noite da convenção para defender Obama de acusações risíveis. “De repente, o filho de mãe solteira nascido no Hawaí é o elitista”, disse Maher, também lembrando que o partido dos milionários não é o democrata.
O fato é que tanto McCain quanto Obama pertencem à elite. Caso não pertencessem, não estariam concorrendo à presidência. Independentes, mesmo os mais populares Libertários, concorrem em outro planeta, outras eleições. São todos um bando de “Enéas”.
Nas últimas semanas, o campo de McCain usou Clinton, Biden, a viagem de Obama à Europa e a paranóia da guerra contra o terror para abalar o candidato democrata, não sem sucesso. Mesmo assim, e ainda assim, o ano é democrata, e o partido, consciente disso, não pretende concluir a campanha pacificamente.
No campo de batalha, há dois partidos com filosofias opostas, mas preocupações similares pelas concretas preocupações populares. Porém, em suas campanhas, parecem concorrer a dois países diferentes. O primeiro, vive a constante ameaça de ser atacado por palestinos. O segundo, vive a constante ameaça econômica.
Ambos procuram atingir a paranóia popular. Conclusão: Não importa o que cada candidato seja, pense, ou faça no futuro. Enquanto ainda não eleito, todos os discursos, todos os planos, todos os esquemas estão necessariamente voltados ao espetáculo. Como, pergunto-me, escrever sobre o processo sem sentir-me um palhaço? Pois, quiçá hei de descobri-lo.
Hoje à noite tem mais, a saga clintoniana entra em cena... Tcham-tcham!
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Denver,
Hillary Clinton,
Joe Biden,
John McCain
Monday, August 25, 2008
Revoltando
Enquanto a chama olímpica ainda queimava, Barack Obama escolheu seu vice presidente, Joe Biden, senador veterano do pequeno estado de Delaware, uma escolha relativamente segura. Apesar de ter recebido a mensagem na Sexta-Feira de madrugada, a querida tormenta Fay deixou alguns vestígios desagradáveis em minha vizinhança, e vos falhei com a confiança do segredo. À próxima:
A Convenção Democrata em Denver larga hoje à noite e segue pelos próximos dias a estabelecer a candidatura de Barack Obama e seu mais novo vice presidente. Se eleitores distraídos e indecisos esperavam o momento certo para começar a prestar atenção no processo, este é o momento.
A partir de hoje, concluindo o ciclo inicial assim que John McCain anunciar seu vice presidente, a escolha do próximo porteiro passa a ser mais concisa e feroz. Os ataques aumentam, crescendo pelo campo republicano, e contra-atacando pelo campo democrata.
Paul Krugman, do The New York Times, publicou em sua coluna desta Segunda-Feira que percebe a crescente agressividade da campanha de Obama como algo positivo. Mesmo antes de saber que o senador de Illinois surrupiaria a nomeação de seu partido, McCain e seu campo tentaram destruir sua imagem de qualquer maneira, primeiro pintando-o como anti-patriota, anti-americano e, logo depois, pelo pouco efeito dos ataques iniciais, chamando-o de fraco e inocente, o que tampouco colou, ao que o candidato democrata tornou-se elitista e esnobe, acima dos interesses da classe média.
Obama contra-ataca, recentemente, usando a incapacidade demonstrada por McCain quando não soube responder quantas casas tinha. Krugman alerta que o elitismo já foi usado contra Kerry, e em seu caso, certamente funcionou. O contra-ataque de Obama, opina o colunista, assusta republicanos, conscientes da época antipática a republicanos e suas posses.
Segundo o instituto Gallup, com números similares no sítio eletrônico de Rasmussen, uma sólida porcentagem de eleitores (39% ou mais) aprova a escolha de Joe Biden para a vice presidência. Porém, quando Obama o anunciou, o campo de McCain automaticamente o atacou, lançando mais de um anúncio televisivo para despertar a fúria dos eleitores de Hillary Clinton, apontando que o candidato não a convidou ao bilhete, traindo assim a vontade dos membros de seu partido.
Além disso, Biden foi um dos grandes críticos da inexperiência de Obama, e o partido republicano não deixaria de explorar tão valioso o detalhe. O candidato e seu vice não farão campanhas juntos até o fim da convenção. Depois disso, será o deus-nos-acuda que todos conhecemos.
Segundo o Gallup, pela segunda semana consecutiva, a liderança de Obama sobre McCain diminuiu e o empate em 45% prevalece. Rasmussen aponta a liderança de Obama por 46-43%. De acordo com eleitores registrados, a escolha seria Barack Obama por 3 pontos percentuais. A cobertura apenas começou, e o blogueiro que vos relata ainda deve aprofundar a colher. Paciência, por hora.
PS: Sobre as Fezes: As besteiras que eu disse vieram da empolgação pela festa e pela ilusão desproporcional não só pelos talentos brasileiros, mas pelo sentido das Olimpíadas. O Brasil, por exemplo, não é potência esportiva e nem sei se deveria ser. Apenas para não deixar muito no ar.
A Convenção Democrata em Denver larga hoje à noite e segue pelos próximos dias a estabelecer a candidatura de Barack Obama e seu mais novo vice presidente. Se eleitores distraídos e indecisos esperavam o momento certo para começar a prestar atenção no processo, este é o momento.
A partir de hoje, concluindo o ciclo inicial assim que John McCain anunciar seu vice presidente, a escolha do próximo porteiro passa a ser mais concisa e feroz. Os ataques aumentam, crescendo pelo campo republicano, e contra-atacando pelo campo democrata.
Paul Krugman, do The New York Times, publicou em sua coluna desta Segunda-Feira que percebe a crescente agressividade da campanha de Obama como algo positivo. Mesmo antes de saber que o senador de Illinois surrupiaria a nomeação de seu partido, McCain e seu campo tentaram destruir sua imagem de qualquer maneira, primeiro pintando-o como anti-patriota, anti-americano e, logo depois, pelo pouco efeito dos ataques iniciais, chamando-o de fraco e inocente, o que tampouco colou, ao que o candidato democrata tornou-se elitista e esnobe, acima dos interesses da classe média.
Obama contra-ataca, recentemente, usando a incapacidade demonstrada por McCain quando não soube responder quantas casas tinha. Krugman alerta que o elitismo já foi usado contra Kerry, e em seu caso, certamente funcionou. O contra-ataque de Obama, opina o colunista, assusta republicanos, conscientes da época antipática a republicanos e suas posses.
Segundo o instituto Gallup, com números similares no sítio eletrônico de Rasmussen, uma sólida porcentagem de eleitores (39% ou mais) aprova a escolha de Joe Biden para a vice presidência. Porém, quando Obama o anunciou, o campo de McCain automaticamente o atacou, lançando mais de um anúncio televisivo para despertar a fúria dos eleitores de Hillary Clinton, apontando que o candidato não a convidou ao bilhete, traindo assim a vontade dos membros de seu partido.
Além disso, Biden foi um dos grandes críticos da inexperiência de Obama, e o partido republicano não deixaria de explorar tão valioso o detalhe. O candidato e seu vice não farão campanhas juntos até o fim da convenção. Depois disso, será o deus-nos-acuda que todos conhecemos.
Segundo o Gallup, pela segunda semana consecutiva, a liderança de Obama sobre McCain diminuiu e o empate em 45% prevalece. Rasmussen aponta a liderança de Obama por 46-43%. De acordo com eleitores registrados, a escolha seria Barack Obama por 3 pontos percentuais. A cobertura apenas começou, e o blogueiro que vos relata ainda deve aprofundar a colher. Paciência, por hora.
PS: Sobre as Fezes: As besteiras que eu disse vieram da empolgação pela festa e pela ilusão desproporcional não só pelos talentos brasileiros, mas pelo sentido das Olimpíadas. O Brasil, por exemplo, não é potência esportiva e nem sei se deveria ser. Apenas para não deixar muito no ar.
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Denver,
Hillary Clinton,
Joe Biden,
John McCain
Monday, August 11, 2008
VP, Olimpíadas e George W. Bush
O diretor da campanha do candidato democrata, David Plouffe, foi gentil em me convidar, ao lado de todos os eleitores inscritos em seu campo, a ficar atento à escolha do próximo Vice Porteiro. Ironias à parte, para quem não entende Inglês, a tradução resumida do e-mail é:
“Logo, logo anunciaremos o nome do Vice Presidente de Barack Obama, e vocês serão os primeiros a saber.”
“Dear Roy --
Barack Obama is about to make one of the most important decisions of this campaign -- choosing a running mate.
You have helped build this movement from the bottom up, and Barack wants you to be the first to know his choice.
Be the first to know who Barack selects as his running mate.
Thanks,
David
David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America”
Como vocês, leitores mais frequentes, devem ter notado, jamais mencionei os nomes dos potenciais candidatos a esse cargo que sempre traz consigo a dívida e gratidão. Talvez tenha mencionado as especulações em torno de John Edwards, em princípio, logo engolidas pela persistência de Hillary Clinton, mas eram as modas do momento.
Hoje, John Edwards vê-se apedrejado por ter admitido um caso com determinada senhorita em tal e tal dia de 2006, algo negado várias vezes pelo mesmo, mas que não sobreviveria obscuro no ápice das eleições presidenciais.
Hillary Clinton, por sua vez, ainda ameaça – a mídia diz que ela ameaça, não compreendo até que ponto isto seja verdade – ter seu nome incluído para a improvável (impossível) nomeação súbita na Convenção Democrata a iniciar no dia 25 de Agosto. Nenhum será o Vice Presidente de Barack Obama, ao menos não em condições naturais.
Só sei que, agora, com a decisão do campo de Obama de revelar o nome do VP a todos os inscritos em seu sítio eletrônico, vocês serão os segundos a saber assim que eu souber. Estamos?
Olimpíadas, Bush, China, Putin, Rússia e a hipocrisia dos grandes poderes
Antes de mais nada, ressalvo que recomendo os canais da NBC a todos, e por enquanto sou fiel às suas transmissões. Enquanto gemia de medo por não poder assistir a nenhum dos jogos das seleções brasileiras, tanto a programação normal quanto o sítio oferecem 100% das modalidades ao vivo, sem titubear virtualmente, em qualidade proporcional à capacidade de vossas máquinas. Sem contar o alívio de não precisar escutar o Galvão Bueno reclamando das duas horas do desfile das nações (ô, tio brega, esse, visse?).
Entrevistado por Bob Costas, comentarista deportivo renomado nos Estados Unidos, George W. Bush me surpreendeu na noite de Domingo. Não pelo que disse, ou como se expressou, mas por ter aceito participar do programa ao vivo, em sua estadia prolongada (a mais prolongada em uma cidade estrangeira em oito anos) em Beijing.
Bob Costas o pressionou por todos os lados, respeitosamente, claro. Rússia e Geórgia, direitos-humanos, relações diplomáticas com a China, e alguns outros tantos. O Presidente sorria sempre, e comentou o que quis, apenas, copiosamente mencionando a Coréia do Norte e o Irã pela perversão de seus governos.
Nada parece representar melhor a hipocrisia dos grandes poderes do que o sorriso de Bush e sua auto-afirmação como um presidente preocupado com os direitos humanos de nações alheias. Vladimir Putin, que apareceu cochichando com Bush na abertura dos jogos, não parecia nem um pouco ameaçado pelo sorriso do presidente dos Estados Unidos.
“China, bom, Coréia do Norte, mau,” diziam os olhos avoados de George W. “Irã, mau, Rússia, mais ou menos,” repetiam.
No mais, adiante Canarinho olímpica, mesmo assando cão morto valeu assistí-los, e ainda torço para as mulheres, amanhã, contra a Nigéria. Parabéns pelo massacre feminino da Rússia, na praia, valeu Ricardo e Emanuel, adiante; e salva de palmas aos que chegaram e já foram. Brasil contra os cangurús hoje, o que dará? Falemos de esporte.
RF
“Logo, logo anunciaremos o nome do Vice Presidente de Barack Obama, e vocês serão os primeiros a saber.”
“Dear Roy --
Barack Obama is about to make one of the most important decisions of this campaign -- choosing a running mate.
You have helped build this movement from the bottom up, and Barack wants you to be the first to know his choice.
Be the first to know who Barack selects as his running mate.
Thanks,
David
David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America”
Como vocês, leitores mais frequentes, devem ter notado, jamais mencionei os nomes dos potenciais candidatos a esse cargo que sempre traz consigo a dívida e gratidão. Talvez tenha mencionado as especulações em torno de John Edwards, em princípio, logo engolidas pela persistência de Hillary Clinton, mas eram as modas do momento.
Hoje, John Edwards vê-se apedrejado por ter admitido um caso com determinada senhorita em tal e tal dia de 2006, algo negado várias vezes pelo mesmo, mas que não sobreviveria obscuro no ápice das eleições presidenciais.
Hillary Clinton, por sua vez, ainda ameaça – a mídia diz que ela ameaça, não compreendo até que ponto isto seja verdade – ter seu nome incluído para a improvável (impossível) nomeação súbita na Convenção Democrata a iniciar no dia 25 de Agosto. Nenhum será o Vice Presidente de Barack Obama, ao menos não em condições naturais.
Só sei que, agora, com a decisão do campo de Obama de revelar o nome do VP a todos os inscritos em seu sítio eletrônico, vocês serão os segundos a saber assim que eu souber. Estamos?
Olimpíadas, Bush, China, Putin, Rússia e a hipocrisia dos grandes poderes
Antes de mais nada, ressalvo que recomendo os canais da NBC a todos, e por enquanto sou fiel às suas transmissões. Enquanto gemia de medo por não poder assistir a nenhum dos jogos das seleções brasileiras, tanto a programação normal quanto o sítio oferecem 100% das modalidades ao vivo, sem titubear virtualmente, em qualidade proporcional à capacidade de vossas máquinas. Sem contar o alívio de não precisar escutar o Galvão Bueno reclamando das duas horas do desfile das nações (ô, tio brega, esse, visse?).
Entrevistado por Bob Costas, comentarista deportivo renomado nos Estados Unidos, George W. Bush me surpreendeu na noite de Domingo. Não pelo que disse, ou como se expressou, mas por ter aceito participar do programa ao vivo, em sua estadia prolongada (a mais prolongada em uma cidade estrangeira em oito anos) em Beijing.
Bob Costas o pressionou por todos os lados, respeitosamente, claro. Rússia e Geórgia, direitos-humanos, relações diplomáticas com a China, e alguns outros tantos. O Presidente sorria sempre, e comentou o que quis, apenas, copiosamente mencionando a Coréia do Norte e o Irã pela perversão de seus governos.
Nada parece representar melhor a hipocrisia dos grandes poderes do que o sorriso de Bush e sua auto-afirmação como um presidente preocupado com os direitos humanos de nações alheias. Vladimir Putin, que apareceu cochichando com Bush na abertura dos jogos, não parecia nem um pouco ameaçado pelo sorriso do presidente dos Estados Unidos.
“China, bom, Coréia do Norte, mau,” diziam os olhos avoados de George W. “Irã, mau, Rússia, mais ou menos,” repetiam.
No mais, adiante Canarinho olímpica, mesmo assando cão morto valeu assistí-los, e ainda torço para as mulheres, amanhã, contra a Nigéria. Parabéns pelo massacre feminino da Rússia, na praia, valeu Ricardo e Emanuel, adiante; e salva de palmas aos que chegaram e já foram. Brasil contra os cangurús hoje, o que dará? Falemos de esporte.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Beijing,
George W. Bush,
Hillary Clinton,
John Edwards,
Olimpiadas 2008,
Roy Frenkiel,
Vladimir Putin
Wednesday, July 30, 2008
Pesquisas Perfidiosas
Quando da época das preliminares antecedendo New Hampshire, Barack Obama via-se com uma boa vantagem nas pesquisas, e Hillary Clinton sabia disso.
Na noite anterior, enquanto respondia perguntas de uma platéia reunida para a assembléia de sua campanha, uma senhora se levantou e perguntou, em poucas palavras: “Como você aguenta o ritmo dessa campanha?” Clinton chorou e se emocionou, mostrando seu lado “humano” (se por humano queremos dizer artístico, é claro) e, supostamente, cancelando o resultado das pesquisas e levando o estado de New Hampshire.
Foi a única vez nas primárias que as pesquisas de praticamente todos os institutos sairam-se completamente erradas. A vantagem diminuída ou a desvantagem cortada são esperados produtos equiparados às respostas colecionadas pelos condutores das estatísticas, mas quando uma vantagem de aproximadamente 5 pontos percentuais torna-se em uma desvantagem de quase 9, algo deu errado na equação.
Por isso, Chuck Todd, analista da MSNBC, pede aos seus âncoras não divulgarem as pesquisas diariamente, mas sim, se possível, apenas uma vez por semana. É óbvio que esse pedido passa inatendido. Mesmo assim, Todd explica que, especialmente esse ano, não se pode confiar no que os institutos proclamam porque a ciência pende ao inexato.
Quando Clinton venceu em New Hampshire, todos se surpreenderam, inclusive o blogueiro que vos relata. Como ainda começava a temporada eleitoral, e apenas aprendi e ainda aprendo à medida das ocorrências, não me aprofundei sobre a discussão que tomou conta da mídia. A revista Times argumentou que a mudança ocorre no eleitor, que já não mais se limita ao que diz nas pesquisas pela grande acessibilidade a informações, por exemplo.
A maioria das pesquisas às vésperas das preliminares conferiu os resultados esperados. Porém, analisando o movimento geral de todos os quadros, percebemos que quanto mais sulista o estado, menos precisas foram as pesquisas. Podemos também concluir, ou ao menos levantar a hipótese, de que o racismo enrustido tenha algo a ver com isso. Ou, talvez, justificamos a perfídia por motivos mais simples. Clinton venceu em New Hampshire, neste caso, porque atraiu a camada feminina entre os indecisos, também caracterizados nas pesquisas, de última hora.
Algo que notei expressadamente em Todd, é que o analista favorece Obama. No passado final de semana, como retratado na postagem anterior, o senador pelo Illinois finalmente mostrou-se 9 pontos acima de seu adversário John McCain segundo o Instituto Gallup. Os condutores realizaram suas pesquisas na Quinta, Sexta e Sábado passados. Para o USA Today, jornal impresso nacional mais popular dos Estados Unidos, um grupo diferente pesquisou a preferência de eleitores registrados, e outro grupo, a preferência de eleitores prováveis.
O resultado da segunda pesquisa incomodou Todd, o que ficou claro com seu conselho: “Não prestem atenção nas pesquisas entre eleitores prováveis!” Afinal, enquanto o Gallup postou em seu sítio uma vitória de Barack Obama de 49-40%, eleitores prováveis, segundo o mesmo Gallup em trabalho separado para o USA Today, preferem John McCain por 47-44% sobre Barack Obama.
Já, entre eleitores registrados, Obama ainda vence, mas por menor margem, 47-43%, diminuindo a diferença entre a pesquisa geral do Gallup e a pesquisa entre eleitores prováveis para o USA Today (12 pontos) para apenas 5 pontos.
Talvez Todd tenha razão em sua análise, mas o mais importante é lembrar que as pesquisas são conduzidas cada vez que a mídia veicula determinadas notícias de impacto. Quanto maior repercussão, mais chance essas notícias têm de influenciar o eleitorado. Porém, justamente pela maior concorrência e acesso popular a diferentes versões midiáticas, muito lixo circula fácil pelas redes sociais. E esse lixo, como em organismos vivos, também influencia a população, quase que diariamente. Logo, pesquisar hoje o que será minha opinião sobre Obama amanhã me parece um tanto quanto surreal. Divertido? Claro, mas talvez nem tão coerente.
Isso me lembra as eleições forjadas de Ehud Barack contra Biniamin Netaniahu quando vivi em Israel. Às vésperas das eleições, a âncora duramente questionou o ex Primeiro Ministro de Israel sobre seu iludido otimismo, visto que todas as pesquisas indicavam uma vantagem massiva a Netaniahu. Foi tão dura, que repetiu um clipe humorístico editado por sua equipe demonstrando quantas vezes Barack dissera, ao longo dos meses de sua campanha, que sabia que os eleitores estavam com ele, no fundo. Além disso, o interrompeu para anunciar o próximo capítulo de uma série transmitida no mesmo canal. Barack insistia: “A única pesquisa que me interessa é a que ocorrerá amanhã, nas urnas.” Pelo menos nessa frase, concordei com ele.
No dia seguinte, Netaniahu venceu as eleições. A âncora se desculpou pela suposta “grosseria” da noite anterior, e logo depois sumiu do mapa (tanto que não consigo encontrar nenhuma matéria que fale sobre isso na rede imediata).
Apenas as pesquisas do dia 4 de Novembro, as eleições, determinarão quem será o próximo presidente. Em um arco geral, no entanto, desconsiderar o Gallup e todos os competentes institutos que conduzem as pesquisas populares mesmo em Julho, me parece um tanto quanto radical. Sigamos Aristóteles, pois, e caminhemos pelo meio.
RF
Na noite anterior, enquanto respondia perguntas de uma platéia reunida para a assembléia de sua campanha, uma senhora se levantou e perguntou, em poucas palavras: “Como você aguenta o ritmo dessa campanha?” Clinton chorou e se emocionou, mostrando seu lado “humano” (se por humano queremos dizer artístico, é claro) e, supostamente, cancelando o resultado das pesquisas e levando o estado de New Hampshire.
Foi a única vez nas primárias que as pesquisas de praticamente todos os institutos sairam-se completamente erradas. A vantagem diminuída ou a desvantagem cortada são esperados produtos equiparados às respostas colecionadas pelos condutores das estatísticas, mas quando uma vantagem de aproximadamente 5 pontos percentuais torna-se em uma desvantagem de quase 9, algo deu errado na equação.
Por isso, Chuck Todd, analista da MSNBC, pede aos seus âncoras não divulgarem as pesquisas diariamente, mas sim, se possível, apenas uma vez por semana. É óbvio que esse pedido passa inatendido. Mesmo assim, Todd explica que, especialmente esse ano, não se pode confiar no que os institutos proclamam porque a ciência pende ao inexato.
Quando Clinton venceu em New Hampshire, todos se surpreenderam, inclusive o blogueiro que vos relata. Como ainda começava a temporada eleitoral, e apenas aprendi e ainda aprendo à medida das ocorrências, não me aprofundei sobre a discussão que tomou conta da mídia. A revista Times argumentou que a mudança ocorre no eleitor, que já não mais se limita ao que diz nas pesquisas pela grande acessibilidade a informações, por exemplo.
A maioria das pesquisas às vésperas das preliminares conferiu os resultados esperados. Porém, analisando o movimento geral de todos os quadros, percebemos que quanto mais sulista o estado, menos precisas foram as pesquisas. Podemos também concluir, ou ao menos levantar a hipótese, de que o racismo enrustido tenha algo a ver com isso. Ou, talvez, justificamos a perfídia por motivos mais simples. Clinton venceu em New Hampshire, neste caso, porque atraiu a camada feminina entre os indecisos, também caracterizados nas pesquisas, de última hora.
Algo que notei expressadamente em Todd, é que o analista favorece Obama. No passado final de semana, como retratado na postagem anterior, o senador pelo Illinois finalmente mostrou-se 9 pontos acima de seu adversário John McCain segundo o Instituto Gallup. Os condutores realizaram suas pesquisas na Quinta, Sexta e Sábado passados. Para o USA Today, jornal impresso nacional mais popular dos Estados Unidos, um grupo diferente pesquisou a preferência de eleitores registrados, e outro grupo, a preferência de eleitores prováveis.
O resultado da segunda pesquisa incomodou Todd, o que ficou claro com seu conselho: “Não prestem atenção nas pesquisas entre eleitores prováveis!” Afinal, enquanto o Gallup postou em seu sítio uma vitória de Barack Obama de 49-40%, eleitores prováveis, segundo o mesmo Gallup em trabalho separado para o USA Today, preferem John McCain por 47-44% sobre Barack Obama.
Já, entre eleitores registrados, Obama ainda vence, mas por menor margem, 47-43%, diminuindo a diferença entre a pesquisa geral do Gallup e a pesquisa entre eleitores prováveis para o USA Today (12 pontos) para apenas 5 pontos.
Talvez Todd tenha razão em sua análise, mas o mais importante é lembrar que as pesquisas são conduzidas cada vez que a mídia veicula determinadas notícias de impacto. Quanto maior repercussão, mais chance essas notícias têm de influenciar o eleitorado. Porém, justamente pela maior concorrência e acesso popular a diferentes versões midiáticas, muito lixo circula fácil pelas redes sociais. E esse lixo, como em organismos vivos, também influencia a população, quase que diariamente. Logo, pesquisar hoje o que será minha opinião sobre Obama amanhã me parece um tanto quanto surreal. Divertido? Claro, mas talvez nem tão coerente.
Isso me lembra as eleições forjadas de Ehud Barack contra Biniamin Netaniahu quando vivi em Israel. Às vésperas das eleições, a âncora duramente questionou o ex Primeiro Ministro de Israel sobre seu iludido otimismo, visto que todas as pesquisas indicavam uma vantagem massiva a Netaniahu. Foi tão dura, que repetiu um clipe humorístico editado por sua equipe demonstrando quantas vezes Barack dissera, ao longo dos meses de sua campanha, que sabia que os eleitores estavam com ele, no fundo. Além disso, o interrompeu para anunciar o próximo capítulo de uma série transmitida no mesmo canal. Barack insistia: “A única pesquisa que me interessa é a que ocorrerá amanhã, nas urnas.” Pelo menos nessa frase, concordei com ele.
No dia seguinte, Netaniahu venceu as eleições. A âncora se desculpou pela suposta “grosseria” da noite anterior, e logo depois sumiu do mapa (tanto que não consigo encontrar nenhuma matéria que fale sobre isso na rede imediata).
Apenas as pesquisas do dia 4 de Novembro, as eleições, determinarão quem será o próximo presidente. Em um arco geral, no entanto, desconsiderar o Gallup e todos os competentes institutos que conduzem as pesquisas populares mesmo em Julho, me parece um tanto quanto radical. Sigamos Aristóteles, pois, e caminhemos pelo meio.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Biniamin Netaniahu,
Chuck Todd,
Ehud Barack,
Gallup,
Hillary Clinton,
MSNBC,
Roy Frenkiel,
USA Today
Tuesday, July 22, 2008
“Horizonte Temporal”
John McCain encontra-se em grave dilema, pois pode ter encontrado, finalmente, algo que o separe de Bush em todos os sentidos, e, ao mesmo tempo, ainda deseja e precisa da simpatia da base que aprova o trabalho do presidente.
Duas clássicas opiniões democratas parecem fazer parte oficial da agenda da Casa Branca, partindo da administração de Bush, e não de representantes e senadores democratas.
Primeiro, os Estados Unidos negociam com o Irã. Claro que isso não quer dizer que Bush senta-se à mesa com Ahmadinejad, mas sim que, diplomaticamente, conforme feito com a Coréia do Norte, para o bem ou mal, o governo estadunidense negocia com o governo iraniano. Barack Obama foi atacado desde o princípio, inclusive por Hillary Clinton, porque dizia estar aberto a negociações diplomáticas com a Cuba e o Irã.
Respondia à pergunta específica: “Você se sentaria com os líderes de nossos inimigos e negociaria sem condições prévias?” Dizia que sim.
Se a interpretação de sentar-se à mesa com Ahmadinejad for válida, claro está que o candidato democrata daria um passo adiante. Mas na retórica política, claro também está que “sentar-se à mesa” pode significar cada qual na mesa do seu próprio país, uma negociação através de intermediários, como faz a administração republicana atual.
A segunda mudança aparente na conduta de Bush é que agora, de acordo com exigencias de Nuri Al-Maliki, PM do Iraque, e de acordo com o que Obama vinha dizendo desde o início da guerra, o presidente está disposto a manter um “horizonte temporal”, um prognóstico de quando as tropas estadunidenses devem sair do país.
Lembremos que republicanos sempre repudiaram a idéia de que houvesse qualquer espécie de compromisso prévio à retirada, criticando o Congresso e Senado democratas, clamando que qualquer prognóstico viabilizaria o planejamento do inimigo a ataques mais intensos depois do retiro. Mitt Romney apanhou de John McCain nas preliminares, acusado de ter insinuado, mesmo levianamente, que favorecia tal prognóstico.
Para McCain, o compromisso aberto, sem prévias condições à retirada, ainda é essencial à "vitória" dos Estados Unidos. Além disso, negociar com o Irã, segundo sua campanha, apenas seria possível se o Irã concordasse em suspender o programa de enriquecimento de urânio.
Para evitar a lógica conclusão de que McCain vem se isolando de seu partido, e para evitar os argumentos que apontam sérias contradições nas atitudes da Casa Branca e na campanha do candidato republicano, os nomes são "atenudados".
Se o que Obama sempre pediu (ao lado de democratas) foi um prognóstico claro, agora o “horizonte temporal”, como o nomeou a administração de Bush, significa algo diferente. Não é um prognóstico, é um estimado, enorme diferença.
Se Obama quis negociar com líderes inimigos, Bush apenas negocia através de diplomatas, e jamais se encontraria com o presidente pessoalmente, enorme diferença (mesmo sendo, de fato, diferente, o mero fato de negociar contradiz a posição original do presidente, que inventou o tal “Eixo do Mal”).
O torto, então, na verdade é reto, e um McCain enigmático e incompreensível, insólito e inconsistente, cada vez mais expõe seus defeitos para deleite dos liberais.
Propaganda Política
Mais adiante, McCain aproveita mais oportunidades do que tem para atacar Obama, e acaba caindo no ridículo.
Há pouco, o senador pelo Arizona atacou Obama por ter opinado contra a escalada de tropas do ano passado, cujos resultados variam segundo a fonte, dificultando o julgamento objetivo da parte de leitores e espectadores, por mais informados. Disse que o senador democrata não podia criticar a escalada se não visitou o Iraque em três anos.
Pois, Obama esperou para que sua atitude não fosse vista como uma reação aos ditos de McCain, e viajou ao Iraque, com seu tour pelo Oriente Médio.
Automaticamente, McCain o criticou por ter sido contrário à escalada, dizendo que Obama apenas se beneficia de um plano ao qual se opôs em princípio, podendo vagar pelo Iraque com menos risco. Mas o que a visita do candidato democrata tem a ver com sua oposição à escalada? Isso seria algo que Obama deve relatar e decidir, não McCain, previamente, antes do término da visita.
Agora, o candidato republicano lançou uma propaganda que atribui a Obama a culpa pelos altos preços de gasolina, já que o democrata se opõe a escavações nas costas maritimas do país, ou ao corte dos impostos a consumidores de gasolina, no verão.
Todos sabem contudo, que as escavações nada farão para apaziguar os preços do combustível em menos de 7-10 anos. O senador pelo Illinois avisou que as companhias petrolíferas apenas ajustariam o preço do galão e o consumidor pagaria o mesmo, exceto pelo fato de que os fundos dedicados a consertar estradas e pontes como a que desabou em Minnesota no ano passado ficariam lesados. Pesquisas recentes comprovam que os fundos já estão altamente comprometidos pela economia de consumidores. Sem os impostos, ficariam inutilizados.
E, tudo isto, quando McCain não só se opôs a escavações nas costas marítimas do país no passado recente, mas também opôs-se ao uso do produto extraído, caso fossem permitidas, exclusivo aos Estados Unidos, o que jamais beneficiaria os custos da gasolina nacional.
Conforme dizem campanhistas democratas, espero que McCain continue assim. Sua retórica e contradição sempre expostas por sua própria incompetência.
RF
Duas clássicas opiniões democratas parecem fazer parte oficial da agenda da Casa Branca, partindo da administração de Bush, e não de representantes e senadores democratas.
Primeiro, os Estados Unidos negociam com o Irã. Claro que isso não quer dizer que Bush senta-se à mesa com Ahmadinejad, mas sim que, diplomaticamente, conforme feito com a Coréia do Norte, para o bem ou mal, o governo estadunidense negocia com o governo iraniano. Barack Obama foi atacado desde o princípio, inclusive por Hillary Clinton, porque dizia estar aberto a negociações diplomáticas com a Cuba e o Irã.
Respondia à pergunta específica: “Você se sentaria com os líderes de nossos inimigos e negociaria sem condições prévias?” Dizia que sim.
Se a interpretação de sentar-se à mesa com Ahmadinejad for válida, claro está que o candidato democrata daria um passo adiante. Mas na retórica política, claro também está que “sentar-se à mesa” pode significar cada qual na mesa do seu próprio país, uma negociação através de intermediários, como faz a administração republicana atual.
A segunda mudança aparente na conduta de Bush é que agora, de acordo com exigencias de Nuri Al-Maliki, PM do Iraque, e de acordo com o que Obama vinha dizendo desde o início da guerra, o presidente está disposto a manter um “horizonte temporal”, um prognóstico de quando as tropas estadunidenses devem sair do país.
Lembremos que republicanos sempre repudiaram a idéia de que houvesse qualquer espécie de compromisso prévio à retirada, criticando o Congresso e Senado democratas, clamando que qualquer prognóstico viabilizaria o planejamento do inimigo a ataques mais intensos depois do retiro. Mitt Romney apanhou de John McCain nas preliminares, acusado de ter insinuado, mesmo levianamente, que favorecia tal prognóstico.
Para McCain, o compromisso aberto, sem prévias condições à retirada, ainda é essencial à "vitória" dos Estados Unidos. Além disso, negociar com o Irã, segundo sua campanha, apenas seria possível se o Irã concordasse em suspender o programa de enriquecimento de urânio.
Para evitar a lógica conclusão de que McCain vem se isolando de seu partido, e para evitar os argumentos que apontam sérias contradições nas atitudes da Casa Branca e na campanha do candidato republicano, os nomes são "atenudados".
Se o que Obama sempre pediu (ao lado de democratas) foi um prognóstico claro, agora o “horizonte temporal”, como o nomeou a administração de Bush, significa algo diferente. Não é um prognóstico, é um estimado, enorme diferença.
Se Obama quis negociar com líderes inimigos, Bush apenas negocia através de diplomatas, e jamais se encontraria com o presidente pessoalmente, enorme diferença (mesmo sendo, de fato, diferente, o mero fato de negociar contradiz a posição original do presidente, que inventou o tal “Eixo do Mal”).
O torto, então, na verdade é reto, e um McCain enigmático e incompreensível, insólito e inconsistente, cada vez mais expõe seus defeitos para deleite dos liberais.
Propaganda Política
Mais adiante, McCain aproveita mais oportunidades do que tem para atacar Obama, e acaba caindo no ridículo.
Há pouco, o senador pelo Arizona atacou Obama por ter opinado contra a escalada de tropas do ano passado, cujos resultados variam segundo a fonte, dificultando o julgamento objetivo da parte de leitores e espectadores, por mais informados. Disse que o senador democrata não podia criticar a escalada se não visitou o Iraque em três anos.
Pois, Obama esperou para que sua atitude não fosse vista como uma reação aos ditos de McCain, e viajou ao Iraque, com seu tour pelo Oriente Médio.
Automaticamente, McCain o criticou por ter sido contrário à escalada, dizendo que Obama apenas se beneficia de um plano ao qual se opôs em princípio, podendo vagar pelo Iraque com menos risco. Mas o que a visita do candidato democrata tem a ver com sua oposição à escalada? Isso seria algo que Obama deve relatar e decidir, não McCain, previamente, antes do término da visita.
Agora, o candidato republicano lançou uma propaganda que atribui a Obama a culpa pelos altos preços de gasolina, já que o democrata se opõe a escavações nas costas maritimas do país, ou ao corte dos impostos a consumidores de gasolina, no verão.
Todos sabem contudo, que as escavações nada farão para apaziguar os preços do combustível em menos de 7-10 anos. O senador pelo Illinois avisou que as companhias petrolíferas apenas ajustariam o preço do galão e o consumidor pagaria o mesmo, exceto pelo fato de que os fundos dedicados a consertar estradas e pontes como a que desabou em Minnesota no ano passado ficariam lesados. Pesquisas recentes comprovam que os fundos já estão altamente comprometidos pela economia de consumidores. Sem os impostos, ficariam inutilizados.
E, tudo isto, quando McCain não só se opôs a escavações nas costas marítimas do país no passado recente, mas também opôs-se ao uso do produto extraído, caso fossem permitidas, exclusivo aos Estados Unidos, o que jamais beneficiaria os custos da gasolina nacional.
Conforme dizem campanhistas democratas, espero que McCain continue assim. Sua retórica e contradição sempre expostas por sua própria incompetência.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
George W. Bush,
Hillary Clinton,
Iran,
Iraque,
John McCain,
Mahmoud Ahmadinejad,
Roy Frenkiel
Friday, July 11, 2008
Fechando a Semana
Para Barack Obama a semana poderia ter terminado melhor. Uma das maiores controvérsias da administração de George W. Bush são as leis relacionadas à quarta emenda constitucional, que proíbe o governo de acessar informações privadas de seus cidadãos sem mandatos explícitos e completa exposição de todos os detalhes e motivos da busca.
O FISA (Foreign Surveilance Intelligence Act) foi criado em 1978 com o intuito de alargar o poder do governo na contra-inteligência estrangeira, podendo assim grampear telefones e acessar informações privadas, como extratos bancários e outras contas cotidianas, sem a necessidade da burocracia implementada para proteger o indivíduo do poder governamental.
Não acredito na santidade da constituição, mas acredito que a idéia da burocracia advenha da consciência primária, básica, até mesmo primitiva, de que quem no poder está, o poder pode abusar, e quem não tem poder é o abusado, no caso, a população comum.
Desde o 11 de Setembro, Bush elevou o poder do FISA, permitindo o acesso de dados privados de indivíduos considerados “suspeitos”, o que em muitos casos, mais do que se imagina, significou cavar no quintal de pessoas totalmente inocentes e desnexadas à famigerada Guerra contra o Terror. Melhor dizendo, o governo dos Estados Unidos aterrorizou sua população.
Esse terror fez com que muitos inocentados processassem companhias de celulares pela disponibilização de seus dados e contas a agências investigativas federais. Bush e sua base conservadora sabiam que FISA perderia algumas batalhas, mas não poderia perder a guerra antes de seu retiro do cargo.
Permitir processos civis a companhias de celulares, e aumentar a fiscalização burocrática dos agentes federais faria com que o público soubesse de inúmeros casos de investigações e dinheiro público gasto na espionagem de indivíduos inocentes– bem como sabe dos inocentes detidos em Guantánamo Bay graças à vitória do Congresso e Senado democratas de viabilizar maiores recursos legais aos prisioneiros da baía cubana.
Ontem o Senado tinha a chance de domar o poder do FISA e da administração de Bush através de um voto que bloquearia a proibição do processo civil a companhias que cooperassem com agentes federais ao acesso de dados privados. Também exigiria maiores restrições e procedimentos burocráticos tanto para trazer à tona os erros da administração quanto para evitar futuros enganos.
Barack Obama juntou-se à maioria, e os republicanos decaptaram os esforços democratas. Conseguiram garantir a imunidade dos atos inconstitucionais do FISA, e a prosperidade da administração atual. Isso é suficiente para causar grandes desilusões quanto às últimas duvidosas posições de Obama, desde o início das campanhas às eleições gerais.
Senadores como Hillary Clinton, de NY, Joe Biden, de Delaware, Christopher Dodd, de Connecticut, e muitos outros próximos conhedidos das primárias democratas juntaram-se à minoria e perderam. Obama juntou-se à maioria e, para muitos observadores dessa histórica campanha, perdeu também. Afinal, em recente passado prometeu lutar pela quarta emenda constitucional, destruir o inescrupuloso poder do FISA, e construir um governo que estadunidenses possam realmente chamar de “livre”. No fim do dia, o centralizado Obama votou contra suas palavras, e colocou em dúvida, novamente, sua integridade política.
Vitória Democrata
Para a sorte do partido, Ted Kennedy surpreendeu o Senado com sua aparição enquanto votavam contra a implementação de cortes salariais a médicos atendentes do programa chamado Medicare, específico a idosos do país.
Paul Krugman explica o nascimento do conflito em 2003, com a administração atual gastando 17% a mais com o Medicare através do uso de seguradoras intermediárias para cobrir os serviços à populaçãp idosa, ao invés de remunerá-los diretamente. O resumo, contudo, é que com o corte de aproximadamente 10% nos salários de médicos atendentes do Medicare, muitos não continuariam no plano, e a privatização do seguro estadual veria-se ainda mais provável, algo que democratas consideram um engano, já que seguradoras privadas selecionam os mais saudáveis entre os idosos, e negam serviço aos que realmente mais precisam.
Antes de mais nada, o teatro: Ted Kennedy, recentemente diagnosticado de câncer no cérebro, apareceu e clamou que a lei o afetava pessoalmente, já que, como idoso, Kennedy também faz parte da faixa etária beneficiada pelo Medicare. Assim sendo, e aos aplausos de um Senado lotado (todos os senadores estiveram presentes menos John McCain), os democratas conseguiram bloquear o corte planejado pelos republicanos.
Placar final e Gallup
O Gallup fecha com a vitória de Barack Obama por 1% a mais do que a média da semana: 46-43%.
O placar final aqui d’A Escolha do Próximo Porteiro para a semana é:
Barack Obama 4 x 1 John McCain
O FISA (Foreign Surveilance Intelligence Act) foi criado em 1978 com o intuito de alargar o poder do governo na contra-inteligência estrangeira, podendo assim grampear telefones e acessar informações privadas, como extratos bancários e outras contas cotidianas, sem a necessidade da burocracia implementada para proteger o indivíduo do poder governamental.
Não acredito na santidade da constituição, mas acredito que a idéia da burocracia advenha da consciência primária, básica, até mesmo primitiva, de que quem no poder está, o poder pode abusar, e quem não tem poder é o abusado, no caso, a população comum.
Desde o 11 de Setembro, Bush elevou o poder do FISA, permitindo o acesso de dados privados de indivíduos considerados “suspeitos”, o que em muitos casos, mais do que se imagina, significou cavar no quintal de pessoas totalmente inocentes e desnexadas à famigerada Guerra contra o Terror. Melhor dizendo, o governo dos Estados Unidos aterrorizou sua população.
Esse terror fez com que muitos inocentados processassem companhias de celulares pela disponibilização de seus dados e contas a agências investigativas federais. Bush e sua base conservadora sabiam que FISA perderia algumas batalhas, mas não poderia perder a guerra antes de seu retiro do cargo.
Permitir processos civis a companhias de celulares, e aumentar a fiscalização burocrática dos agentes federais faria com que o público soubesse de inúmeros casos de investigações e dinheiro público gasto na espionagem de indivíduos inocentes– bem como sabe dos inocentes detidos em Guantánamo Bay graças à vitória do Congresso e Senado democratas de viabilizar maiores recursos legais aos prisioneiros da baía cubana.
Ontem o Senado tinha a chance de domar o poder do FISA e da administração de Bush através de um voto que bloquearia a proibição do processo civil a companhias que cooperassem com agentes federais ao acesso de dados privados. Também exigiria maiores restrições e procedimentos burocráticos tanto para trazer à tona os erros da administração quanto para evitar futuros enganos.
Barack Obama juntou-se à maioria, e os republicanos decaptaram os esforços democratas. Conseguiram garantir a imunidade dos atos inconstitucionais do FISA, e a prosperidade da administração atual. Isso é suficiente para causar grandes desilusões quanto às últimas duvidosas posições de Obama, desde o início das campanhas às eleições gerais.
Senadores como Hillary Clinton, de NY, Joe Biden, de Delaware, Christopher Dodd, de Connecticut, e muitos outros próximos conhedidos das primárias democratas juntaram-se à minoria e perderam. Obama juntou-se à maioria e, para muitos observadores dessa histórica campanha, perdeu também. Afinal, em recente passado prometeu lutar pela quarta emenda constitucional, destruir o inescrupuloso poder do FISA, e construir um governo que estadunidenses possam realmente chamar de “livre”. No fim do dia, o centralizado Obama votou contra suas palavras, e colocou em dúvida, novamente, sua integridade política.
Vitória Democrata
Para a sorte do partido, Ted Kennedy surpreendeu o Senado com sua aparição enquanto votavam contra a implementação de cortes salariais a médicos atendentes do programa chamado Medicare, específico a idosos do país.
Paul Krugman explica o nascimento do conflito em 2003, com a administração atual gastando 17% a mais com o Medicare através do uso de seguradoras intermediárias para cobrir os serviços à populaçãp idosa, ao invés de remunerá-los diretamente. O resumo, contudo, é que com o corte de aproximadamente 10% nos salários de médicos atendentes do Medicare, muitos não continuariam no plano, e a privatização do seguro estadual veria-se ainda mais provável, algo que democratas consideram um engano, já que seguradoras privadas selecionam os mais saudáveis entre os idosos, e negam serviço aos que realmente mais precisam.
Antes de mais nada, o teatro: Ted Kennedy, recentemente diagnosticado de câncer no cérebro, apareceu e clamou que a lei o afetava pessoalmente, já que, como idoso, Kennedy também faz parte da faixa etária beneficiada pelo Medicare. Assim sendo, e aos aplausos de um Senado lotado (todos os senadores estiveram presentes menos John McCain), os democratas conseguiram bloquear o corte planejado pelos republicanos.
Placar final e Gallup
O Gallup fecha com a vitória de Barack Obama por 1% a mais do que a média da semana: 46-43%.
O placar final aqui d’A Escolha do Próximo Porteiro para a semana é:
Barack Obama 4 x 1 John McCain
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Christopher Dodd,
George Bush,
Hillary Clinton,
Joe Biden,
John McCain,
Medicare,
Roy Frenkiel,
Ted Kennedy
Monday, June 30, 2008
A raiz do Blog: Duas Perspectivas
Não houve resumo da semana passada pela frenese que já se instala em minha vida de estudante. Porém, com as pesquisas postadas à Quinta-Feira acredito que o mais importante foi coberto. Também trouxe os dois importantes temas do acordo entre a Coréia do Norte e a administração de George W. Bush, e etanól e sua relação com os dois candidatos presidenciais, John McCain e Barack Obama.
O que não mencionei foi o encontro orquestrado entre Hillary Clinton e Obama na cidade de Unity, Illinois, que acelerou um processo já iniciado ao fim das primárias: a atração da base de Clinton ao atual nomeado democrata. Depois das desgastantes primárias, a jogada é mostrar que houve uma genuína reconciliação, e que o partido permanece unido.
Não cansarei meus leitores com contos furados de meus mortos ídolos, ainda mais gringos, nem sempre apreciados por outras nações, mas quero mencionar por quais perspectivas oscilo. Em Junho que se vai morreram dois de meus heróis, um deles mais, outro menos recente. Primeiro, Tim Russert, o bom jornalista da velha-guarda, homem de família, tradições estadunidenses e valores com os quais não me relaciono, mas que, com ele, aprendi a melhor respeitar. Depois morreu George Carlin, comediante, considerado por muitos como o ápice da comédia lógica, aquela que, segundo o colega profissional Bill Maher, “em extrair a comédia se tem um bom discurso e algumas ótimas lições morais”.
Russert acreditava nos valores americanos, acreditava na política, e esperava para o dia em que esta deixasse de ser um jogo para tornar-se a própria essência. Mesmo consciente das artimanhas, da propaganda e da sede por controle que têm governantes, também admirava o processo eleitoral e a democracia dos Estados Unidos. Uma de suas frases favoritas era “what a country!” (“Que país!”). Dizia isso porque ele mesmo cresceu da pobreza em sua cidade de Buffalo e conseguiu chegar a entrevistar Papas e Presidentes.
George Carlin tinha a mesma visão que adotei desde os anos de minha adolescência, e ainda mais quando deixei minha religião. O mundo “público”, o governo, a mídia, os valores populares, a arte popular, são todos meticulosa e caoticamente construídos e artificiais, postos à venda pela necessidade irracional de consumo que a humanidade adquiriu ao longo dos anos, uma evolução até lógica considerando posições mais primitivas. Era o paladino contra eufemismos e o politicamente correto. Não acreditava na política, na mídia, na loteria e nos heróis nacionais. Abriu seu último especial da HBO (seu décimo-quarto) dizendo “foda-se Tiger Woods, foda-se Lance Armstrong, estou cansado que me digam quem tenho de admirar nesse país!”
Uma de suas frases favoritas era: "Chama-se 'sonho-americano' porque a pessoa precisa estar dormindo para acreditar nele."
Voltando às eleições, Colin Powell deve endossar Barack Obama, sendo Powell uma das poucas referências populares de bom senso no partido republicano. McCain ainda não conquistou o explícito apoio da base que elege Bush ao primeiro mandato.
Tenham certeza, no entanto, que a realidade é Kafkiana, e em nome de interesses obscuros cada partido usará todas as possíveis armas para levar o cargo máximo ao fim do dia.
Em troca de e-mails entre vosso blogueiro e John Hemingway, neto de Ernest Hemingway, colunista do Direto da Redação, houve esse acordo ideológico. Para ele, os anos ’70 com todo seu período corrupto trouxeram o fim de Nixon e puniram parte dos responsáveis pelos crimes cometidos contra o povo americano, desde o Vietnã ao escândalo de Watergate. Hoje em dia, nem mesmo isso podemos esperar.
A realidade Kafkiana é que existe o lado esperançoso de Russert, e a crença de que envolver-se no sistema é o único modo de criticá-lo objetivamente. Ao mesmo tempo, existe o lado cínico de Carlin, e a descrença em absolutamente tudo que parte do “mainstream”. Oscilando entre os dois lados, o objetivamente comprometido e o meticulosamente cínico, cria-se a verdadeira análise dessas eleições n’A Escolha do Próximo Porteiro. Espero que seja útil.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Collin Powell,
George Bush,
George Carlin,
Hillary Clinton,
John McCain,
Tim Russert
Monday, June 16, 2008
Lembretes e novidades cruciais
Mesmo hollywodiano, o filme “Lions for Lambs” do diretor e ator Robert Redford, contém algumas cenas cruciais para a compreensão básica do significado de determinados movimentos políticos nas grandes capitais do mundo ocidental. Neste caso, fala da Casa Branca, mas bem poderia ser um retrato heterógeno de qualquer outra nação. Na cena em que a personagem de Meryl Streep entrevista o senador encarnado à pele de Tom Cruise, o diretor pinta o retrato da dificuldade de jornalistas a penetrar as mentes dos regentes federais.
Experiente, a repórter sabia que o senador apenas intensificava suas ações oficiais com a intenção de uma futura candidatura à presidência. Porém, ao término da cena, o senador se vira à repórter e diz o que ela já sabia que diria em resposta à sua pergunta: “Não tenho a menor intenção de concorrer à presidência.”
Muitos políticos mudam o rumo, ou aderem a uma corrente em prol de futuros políticos promissores, mas poucos admitem a mera idéia de concorrer à Sala Oval. Tim Russert tinha essa característica vulgar de fazer essa pergunta de “900 métodos diferentes” (palavras de James Carville, assessor da campanha de Hillary Clinton esse ano, quando preparava a senadora por NY à entrevista no Meet the Press há dois anos):
“Você tem interesse de se candidatar à presidência?”
Pois, Hillary Clinton e John McCain jamais admitiram suas intenções quando, à época, apenas mexiam pauzinhos no Senado a elevar-lhes a popularidade. Nesta mesma época, Clinton disse que não tinha a menor intenção de se candidatar à nomeação Democrata, e McCain disse “Tim, você saberá aqui antes.” Já Barack Obama, quando questionado pelo leão:
“É justo dizer que você ao menos pensa em se candidatar à presidência?” Obama respondeu:
“É justo, sim.” Abrupta e seriamente.
Nesse mesmo estilo, questionado por Russert no passado, McCain admitira em duas distintas ocasiões que não tinha experiência política quanto lhe sobrava experiência militar. Confrontado mais recentemente no programa Meet the Press, o senador pelo Arizona teve de “explicar” o que “pensou” estar dizendo à época, já que atualmente postula ao cargo mais poderoso do ocidente.
Talvez Russert não possa mais contribuir com suas análises e apurações, contatos e respeito no mercado jornalístico e no mundo político, mas suas contribuições até o auge das primárias democratas e o início da corrida presidencial mais importante desde Al Gore e George Bush, com um jovem senador de Illinois de raízes Africanas concorrendo à Casa Branca contra uma lenda bélica estadunidense, são essenciais e não devem ser esquecidas.
Gallup
Usando das pesquisas do instituto mais confiado dos Estados Unidos, percebemos que McCain está virtualmente empatado com Barack Obama desde o 15 de Junho, com o senador por Illinois vencendo por 44-42% do senador pelo Arizona.
Uma pesquisa recente da Gallup demonstra que a percepção nacional da expectativa a quem será o próximo presidente dos Estados Unidos favorece Barack Obama. 52-41% das pessoas entrevistadas, com a margem clássica de erro de três pontos percentuais, prevêem que Obama derrotará seu rival republicano em Novembro.
Lieberman
Joe Lieberman começa a causar problemas ao senador Barack Obama com a comunidade judaica da Flórida. Amigo e companheiro de McCain, o famoso “vira-casacas” do partido Democrata, que trocou de partido e credenciou-se Independente com a intenção de permanecer no Senado em 2006, Lieberman faz dos poucos assuntos em que diverge com a candidato democrata seu tema central quando fala com o grupo que mais influencia desde os primeiros dias de sua vida política. A guerra no Iraque, a postura liberal de Obama a respeito do Irã e de outros países inimigos dos Estados Unidos, preocupam judeus e criam uma resistência cultural à sua aceitação, mesmo entre os democratas.
McCain insiste que quer uma campanha limpa, ou a mais limpa possível, e Liberman desmente os bem fundados “rumores” do campo de Obama de que tenha intenções de prejudicar o candidato rival.
Flórida
Enquanto isso, representantes do campo de Obama recrutam voluntários em toda a extensão da Flórida, conquistando a maioria desses de cidades universitárias, como Gainsville, há menos de três horas de North Miami.
Trabalhando pelo apoio da comunidade judaica, o campo democrata sabe que esse será seu maior desafio em um estado chave às eleições presidenciais do dia 4 de Novembro.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Florida,
Hillary Clinton,
Joe Lieberman,
John McCain,
Lions for Lambs,
Meryl Streep,
Tim Russert,
Tom Cruise
Thursday, June 12, 2008
“Cheap Shots” – O Circo Começou
(Nota: Pesquisas de Novembro do ano passado indicavam, de acordo com o Gallup, que a guerra no Iraque era mais importante aos eleitores do que a economia à época. Contudo, o fator mais importante aos eleitores atualmente, segundo pesquisas apuradas pela MSNBC, é a economia, aproximada da guerra, segurança nacional e política externa dos Estados Unidos.)
Quando John McCain sobe ao palanque, como vem fazendo pelo sul do país, fala de seus planos presidenciais e procura melhorar o discurso, adaptá-lo ao popular, ao mesmo tempo em que dispara, à menor oportunidade, comentários sobre o pastor de Barack Obama, sobre os comentários que fez quando as primárias em Virginia se aproximavam, dizendo que trabalhadores “amargurados” votavam contra os próprios interesses econômicos porque se “apegavam a armas e à religião”; aproveitando para atirar em seu rival democrata logo nos primeiros dias de uma longa jornada até Novembro.
Quando Obama sobe ao palanque, ou outro de seus campanhistas assíduos, ataca McCain por comentários como o que fez em uma assembléia popular (similar à que deseja usar a dez debates para o cargo presidencial) dizendo que o exército dos Estados Unidos permaneceria “100 anos” no Iraque caso necessário; ou refere-se à confusão entre sunitas e xiitas que McCain fez há alguns meses em mais de uma ocasião como ponto fraco em seu impermeável escudo militar.
O candidato republicano não se ajuda, tendo respondido ontem no famigerado Today Show da rede NBC à pergunta do âncora-galã Matt Lauer sobre sua perspectiva de quanto tempo ainda levará ao retorno das tropas do Iraque: “Isso não importa, o que importa é que não haja ‘casualidades’, temos tropas” em outros países, um ponto relevante, mas não há dúvidas que sua oração foi irregular, e o verbo “importa” antecipado da negação absoluta não lhe cairá nada bem.
Não há dúvidas que editarão suas palavras e salientarão que o republicano está pouco se danando com as tropas no Iraque e, ao mesmo tempo, se não Obama seus assistentes não perdem a menor chance de golpear McCain em seu ponto fraco, a idade: “O gagá está confuso,” diriam se pudessem, apenas sugerindo como fazem os melhores/piores políticos.
Ao mesmo tempo, Obama tenta afirmar sua posição como candidato genuíno, e sabe que, caso sua for a gafe, ele pode tirar o time de campo o quanto antes porque não vencerá as eleições. Tem duas bases centrais a conquistar - mulheres suburbanas e trabalhadores brancos - e como não serviu no exército, e até mesmo se tivesse servido, depara-se contra o símbolo militar mor da grande nação. Esse é seu maior desafio, e pode até insinuar que McCain está gagá, mas todos sabem que essa não seria a verdade.
McCain precisa e procura demonstrar que Obama apenas fala, mas não tem nada de concreto a propôr à nação. Seu maior desafio é rebuscar território que nenhum outro candidato conseguiu conquistar como Obama desde John F. Kennedy, ou desde a possibilidade do postulante Bob Kennedy.
Tenta demonstrar que o juízo de Obama é defeituoso, desde o caso do pastor Jeremiah Wright e sua igreja (o senador por Illinois rejeitou sua igreja depois de novos comentários polêmicos professados há algumas semanas atrás, dessa vez por um pastor branco) até Toni Rezko (empresário acusado e convicto de dezenas de crimes do colarinho branco) ou William Ayers (membro de uma facção extremista estadunidense, Weather Underground), ou a mais recente matéria do The New York Times sobre o aliado James A. Johnson, acusado de lucrar sobre hipotecas financiadas pela Countrywide Financial Corportation, um dos centros do escândalo imobiliário do país, e outros crimes de colarinho branco, o que a Obama não deveria caber, nem pela proposta, nem pela realidade que os Estados Unidos se encontra.
O engraçado é perceber que a mídia que favorecia Barack Obama agora divulga a hipotética vantagem de Hillary Clinton na maioria das bases disputáveis entre republicanos e democratas, e a senadora por New York venceria contra John McCain com um pé nas costas. Ironias do destino.
RF
Quando John McCain sobe ao palanque, como vem fazendo pelo sul do país, fala de seus planos presidenciais e procura melhorar o discurso, adaptá-lo ao popular, ao mesmo tempo em que dispara, à menor oportunidade, comentários sobre o pastor de Barack Obama, sobre os comentários que fez quando as primárias em Virginia se aproximavam, dizendo que trabalhadores “amargurados” votavam contra os próprios interesses econômicos porque se “apegavam a armas e à religião”; aproveitando para atirar em seu rival democrata logo nos primeiros dias de uma longa jornada até Novembro.
Quando Obama sobe ao palanque, ou outro de seus campanhistas assíduos, ataca McCain por comentários como o que fez em uma assembléia popular (similar à que deseja usar a dez debates para o cargo presidencial) dizendo que o exército dos Estados Unidos permaneceria “100 anos” no Iraque caso necessário; ou refere-se à confusão entre sunitas e xiitas que McCain fez há alguns meses em mais de uma ocasião como ponto fraco em seu impermeável escudo militar.
O candidato republicano não se ajuda, tendo respondido ontem no famigerado Today Show da rede NBC à pergunta do âncora-galã Matt Lauer sobre sua perspectiva de quanto tempo ainda levará ao retorno das tropas do Iraque: “Isso não importa, o que importa é que não haja ‘casualidades’, temos tropas” em outros países, um ponto relevante, mas não há dúvidas que sua oração foi irregular, e o verbo “importa” antecipado da negação absoluta não lhe cairá nada bem.
Não há dúvidas que editarão suas palavras e salientarão que o republicano está pouco se danando com as tropas no Iraque e, ao mesmo tempo, se não Obama seus assistentes não perdem a menor chance de golpear McCain em seu ponto fraco, a idade: “O gagá está confuso,” diriam se pudessem, apenas sugerindo como fazem os melhores/piores políticos.
Ao mesmo tempo, Obama tenta afirmar sua posição como candidato genuíno, e sabe que, caso sua for a gafe, ele pode tirar o time de campo o quanto antes porque não vencerá as eleições. Tem duas bases centrais a conquistar - mulheres suburbanas e trabalhadores brancos - e como não serviu no exército, e até mesmo se tivesse servido, depara-se contra o símbolo militar mor da grande nação. Esse é seu maior desafio, e pode até insinuar que McCain está gagá, mas todos sabem que essa não seria a verdade.
McCain precisa e procura demonstrar que Obama apenas fala, mas não tem nada de concreto a propôr à nação. Seu maior desafio é rebuscar território que nenhum outro candidato conseguiu conquistar como Obama desde John F. Kennedy, ou desde a possibilidade do postulante Bob Kennedy.
Tenta demonstrar que o juízo de Obama é defeituoso, desde o caso do pastor Jeremiah Wright e sua igreja (o senador por Illinois rejeitou sua igreja depois de novos comentários polêmicos professados há algumas semanas atrás, dessa vez por um pastor branco) até Toni Rezko (empresário acusado e convicto de dezenas de crimes do colarinho branco) ou William Ayers (membro de uma facção extremista estadunidense, Weather Underground), ou a mais recente matéria do The New York Times sobre o aliado James A. Johnson, acusado de lucrar sobre hipotecas financiadas pela Countrywide Financial Corportation, um dos centros do escândalo imobiliário do país, e outros crimes de colarinho branco, o que a Obama não deveria caber, nem pela proposta, nem pela realidade que os Estados Unidos se encontra.
O engraçado é perceber que a mídia que favorecia Barack Obama agora divulga a hipotética vantagem de Hillary Clinton na maioria das bases disputáveis entre republicanos e democratas, e a senadora por New York venceria contra John McCain com um pé nas costas. Ironias do destino.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Hillary Clinton,
James A. Johnson,
John McCain,
Matt Lauer,
NBC,
Rev. Jeremiah Wright,
Roy Frenkiel,
Today Show,
Toni Rezko,
Virginia,
Weather Underground,
William Ayers
Monday, June 09, 2008
Nova Temporada
A Clinton que todos queriam ver
Uma pequena tiragem do jornal The Miami Herald elogia o discurso da senadora Hillary Rodham Clinton, postulante à nomeação democrata forçada a ceder sua candidatura a Barack Hussein Obama, candidato presidencial oficializado por seu partido neste passado Sábado.
Após uma tarde ansiosa, Clinton trouxe sua campanha ao fim com toda a dignidade esperada. Na passada semana, depois da inevitabilidade dos números de Obama, a senadora sentou-se com o adversário a portas fechadas e discutiu seu futuro. Individada pela campanha falida, tendo colecionado bem menos do que o senador por Illinois ao seu campo, a política comum é previsível, e as condições da desistência oficial da senadora devem ser as esperadas.
Segundo a reportagem do Herald, Clinton podia ter concorrido com a personalidade que mostrou em seu último discurso. Falando sobre as conquistas femininas, Clinton disse:
“Não rompemos o vidro que nos separa do mundo masculino, mas inserimos nele 18 milhões de rachaduras.”
Além disso, pedindo à sua base eleitoral que ao menos concebam a idéia de votar por Obama em Novembro, Clinton mostrou seu lado mais humano e sincero, menos agressivo, menos calculado à vitória das eleições de sua vida. Afinal, a senadora foi a postulante que chegou mais longe na corrida à nomeação de seu partido, e poderia até ter vencido, caso tivesse se concentrado menos nos estados maiores e mais na América como um todo, ou caso não sentisse a constante necessidade de mostrar-se máscula, até mesmo violenta e imobilizada, para provar que pode ser Comandante Chefe das tropas estadunidenses em tempos de guerra.
Foi um final decente a alguém que parecia mais segura de si do que deveria, à candidata inevitável, e o partido Democrata encaminha-se às eleições gerais. O foco agora é em John McCain e Barack Obama
“Town Hall Debates”
Ao invés dos convencionais debates televisionados por emissoras escolhidas, geralmente intercalados debates em todas as emissoras de noticiários do país, John McCain sugeriu a Barack Obama que aceitasse dez encontros em “town halls”, assembléias populares em saguões abertos ao público e suas questões.
Em uma dessas assembléias McCain fez o comentário infeliz de que deixaria as tropas da nação no Iraque por “cem anos, caso assim for necessário, e desde que soldados não estejam sendo frequentemente atacados e em constante perigo”. Obama demorou para realmente aprender a debater contra Clinton, mesmo tendo sua pior marca no último encontro televisionado.
Nesse estilo diferenciado de se debater, os candidatos aparecerão em todos os canais ao mesmo tempo: CNN, MSNBC, ABC, NBC, Fox News, e assim por diante. O público ganha por não precisar se preocupar com o ângulo de cada emissora. Há apenas um teatro cujos mistérios precisam ser solucionados, e esse pertence apenas aos candidatos.
(Por hoje é só, mais detalhes a seguir.)
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Hillary Clinton,
John McCain,
Town Hall Debates
Wednesday, June 04, 2008
Barack Obama, Candidato Democrata às Eleições Presidenciais de 2008
O inevitável milagre inevitou-se, e o senador por Illinois de 47 anos de idade, nativo do Hawaí, filho de um imigrante e uma professora, Barack Obama, conquistou a nomeação irrefutável de seu partido.
Ontem assisti aos noticiários ao vivo enquanto a história era feita, e pela primeira vez na humanidade moderna, um negro conquistou a nomeação de qualquer partido nos Estados Unidos, e até mesmo na Europa, e na maioria dos países “livres”. Assisti enquanto lhe faltavam 11, logo 10, logo cinco e eventualmente quatro delegados para atingir o número mágico de 2,118. Pouco depois do fechamento das urnas em South Dakota e Montana, marcando o fim da temporada pré-eleitoral do partido Democrata, Obama já retinha dois ou três delegados a mais do que o necessário.
A Lógica Democrata
Para que se candidatasse sem a interferência de super-delegados, qualquer dos candidatos precisava reter, inicialmente, uma maioria de 2,025 delegados, contando o apoio dos super-oficiais, para que a decisão não se transcedesse à Convenção em Denver, Colorado. Pela disputa escandalosa pelos estados da Flórida e Michigan, punidos pelo DNC (Diretório Nacional do Partido Democrata), o número alargou-se.
Quando escrevi no texto passado que o voto popular não é o que mais contava, referia-me ao caso exclusivo de que a decisão passasse aos super-delegados. Nesse caso, e no caso de que os votos completos de Michigan e Florida realmente importassem para um potencial virada de Clinton, negado pela realidade de sua derrota extensa, o voto popular seria realmente esculachado. Pela retenção dos delegados necessários, contudo, Clinton jamais conseguiria ultrapassar a conta final de 2,152 de seu rival, mesmo conquistando o apoio de todos os delegados ainda indecisos antes das primárias de ontem, aproximadamente 173, e mesmo que conquistasse na íntegra os votos dos dois estados excluídos por regras convencionais.
Super-delegados, como já mencionado anteriormente, são oficiais eleitos pelo povo, como prefeitos e governadores. Como cada estado tem centenas de distritos, todos os distritos carregam um número de delegados (quem retém qualquer cargo político em qualquer distrito) e super-delegados. Barack Obama levou a maioria dos estados, massacrou Clinton na Super-Terça-Feira (5 de Fevereiro), sobreviveu o 4 de Março, e segurou sua posição vencendo bem onde podia, e perdendo onde não podia, sempre dando passos inalcançáveis adiante.
Assim, o voto popular fez-se valer, mesmo que Clinton tenha uma pequena vantagem depois da contagem final dos últimos dois estados, não é suficiente para negar a vitória de Obama na maioria das primárias e assembléias populares, especialmente em primárias abertas a quem não pertence ao partido.
O que traz o futuro
John McCain já deu um discurso ontem salientando suas diferenças entre sua politica e a democrata. A disputa presidencial finalmente começa, e hoje é apenas o marco do primeiro dia, em que Hillary Clinton ainda permanece nas notícias como potencial vice-presidente do atual nomeado democrata.
Salientou a intenção do candidato rival de conversar com seus inimigos sem exigências e condições prévias, as restrições mercantis que compõem a filosofia democrata, a proliferação da intervenção governamental em áreas que, segundo republicanos, a população deveria responsabilizar-se só, e o anseio de seu rival a sair do Iraque deixando o caos para trás.
Obama, em St. Paul, Minneapolis, no sítio da convenção republicana, elogiou a senadora por New York, sua rival e ex primeira dama, e elogiou os feitos de John McCain dizendo: “Sempre reconhecerei as virtudes de meu oponente, mesmo que ele decida ignorar as minhas.” Mas também salientou que McCain votou como Bush em muitas ocasiões, e quando se opôs ao presidente pela conduta da guerra no Iraque, exigia o envio de mais tropas ao país. Além disso, as diferenças filosóficas são ímpares tanto à direita quanto à esquerda. A maioria dos argumentos são perfeitamente previsíveis.
O fato é que a disputa começou, e a largada de hoje é oficial, a presidência dos Estados Unidos, seu cargo mais alto, seu ofício mais árduo, está finalmente em jogo entre dois potenciais futuros presidentes.
Vice-Presidente?
Hillary Clinton disse ontem que estaria pronta a assumir o cargo de vice-presidente de Barack Obama, se for convidada. Esse dito acaba pressionando o campo de Barack Obama a aceitar a proposta ou ser tido como arrogante por ignorá-la. Muitos dos que apóiam Hillary Clinton ou Barack Obama não confiam no bilhete, mas há um consenso de que o mesmo seria o melhor para ambos.
Como a maioria das previsões que leio terminam descobrindo-se completamente erradas, aqui não me arrisco a prever nada. Ainda é cedo, e Obama tecnicamente não precisa decidir quem assumirá seu primeiro posto oficial por hora.
E agora, José?
Pastor Wright, o nome engraçado, a idade de McCain, a esposa de McCain, os comentários da esposa de Obama... Esses nomes e fatos gozados ainda saltarão aos montes pelos próximos seis meses. Meu trabalho será procurar o que mais caracterizaria essas eleições ao interesse internacional, para não alienar os poucos compadres e comadres que me lêem.
Se Obama for eleito, não sei se será o melhor presidente. Melhor do que McCain? Desconfio que sim. Melhor do que Clinton? Difícil responder. Mas o povo quis mudança, e derrubou a inevitabilidade de uma ex primeira dama que concorreu com a certeza da vitória. E é um mulato, de nome estranho, há exatos duzentos anos do fim do mercado escravo nos Estados Unidos, em 1808.
RF
Ontem assisti aos noticiários ao vivo enquanto a história era feita, e pela primeira vez na humanidade moderna, um negro conquistou a nomeação de qualquer partido nos Estados Unidos, e até mesmo na Europa, e na maioria dos países “livres”. Assisti enquanto lhe faltavam 11, logo 10, logo cinco e eventualmente quatro delegados para atingir o número mágico de 2,118. Pouco depois do fechamento das urnas em South Dakota e Montana, marcando o fim da temporada pré-eleitoral do partido Democrata, Obama já retinha dois ou três delegados a mais do que o necessário.
A Lógica Democrata
Para que se candidatasse sem a interferência de super-delegados, qualquer dos candidatos precisava reter, inicialmente, uma maioria de 2,025 delegados, contando o apoio dos super-oficiais, para que a decisão não se transcedesse à Convenção em Denver, Colorado. Pela disputa escandalosa pelos estados da Flórida e Michigan, punidos pelo DNC (Diretório Nacional do Partido Democrata), o número alargou-se.
Quando escrevi no texto passado que o voto popular não é o que mais contava, referia-me ao caso exclusivo de que a decisão passasse aos super-delegados. Nesse caso, e no caso de que os votos completos de Michigan e Florida realmente importassem para um potencial virada de Clinton, negado pela realidade de sua derrota extensa, o voto popular seria realmente esculachado. Pela retenção dos delegados necessários, contudo, Clinton jamais conseguiria ultrapassar a conta final de 2,152 de seu rival, mesmo conquistando o apoio de todos os delegados ainda indecisos antes das primárias de ontem, aproximadamente 173, e mesmo que conquistasse na íntegra os votos dos dois estados excluídos por regras convencionais.
Super-delegados, como já mencionado anteriormente, são oficiais eleitos pelo povo, como prefeitos e governadores. Como cada estado tem centenas de distritos, todos os distritos carregam um número de delegados (quem retém qualquer cargo político em qualquer distrito) e super-delegados. Barack Obama levou a maioria dos estados, massacrou Clinton na Super-Terça-Feira (5 de Fevereiro), sobreviveu o 4 de Março, e segurou sua posição vencendo bem onde podia, e perdendo onde não podia, sempre dando passos inalcançáveis adiante.
Assim, o voto popular fez-se valer, mesmo que Clinton tenha uma pequena vantagem depois da contagem final dos últimos dois estados, não é suficiente para negar a vitória de Obama na maioria das primárias e assembléias populares, especialmente em primárias abertas a quem não pertence ao partido.
O que traz o futuro
John McCain já deu um discurso ontem salientando suas diferenças entre sua politica e a democrata. A disputa presidencial finalmente começa, e hoje é apenas o marco do primeiro dia, em que Hillary Clinton ainda permanece nas notícias como potencial vice-presidente do atual nomeado democrata.
Salientou a intenção do candidato rival de conversar com seus inimigos sem exigências e condições prévias, as restrições mercantis que compõem a filosofia democrata, a proliferação da intervenção governamental em áreas que, segundo republicanos, a população deveria responsabilizar-se só, e o anseio de seu rival a sair do Iraque deixando o caos para trás.
Obama, em St. Paul, Minneapolis, no sítio da convenção republicana, elogiou a senadora por New York, sua rival e ex primeira dama, e elogiou os feitos de John McCain dizendo: “Sempre reconhecerei as virtudes de meu oponente, mesmo que ele decida ignorar as minhas.” Mas também salientou que McCain votou como Bush em muitas ocasiões, e quando se opôs ao presidente pela conduta da guerra no Iraque, exigia o envio de mais tropas ao país. Além disso, as diferenças filosóficas são ímpares tanto à direita quanto à esquerda. A maioria dos argumentos são perfeitamente previsíveis.
O fato é que a disputa começou, e a largada de hoje é oficial, a presidência dos Estados Unidos, seu cargo mais alto, seu ofício mais árduo, está finalmente em jogo entre dois potenciais futuros presidentes.
Vice-Presidente?
Hillary Clinton disse ontem que estaria pronta a assumir o cargo de vice-presidente de Barack Obama, se for convidada. Esse dito acaba pressionando o campo de Barack Obama a aceitar a proposta ou ser tido como arrogante por ignorá-la. Muitos dos que apóiam Hillary Clinton ou Barack Obama não confiam no bilhete, mas há um consenso de que o mesmo seria o melhor para ambos.
Como a maioria das previsões que leio terminam descobrindo-se completamente erradas, aqui não me arrisco a prever nada. Ainda é cedo, e Obama tecnicamente não precisa decidir quem assumirá seu primeiro posto oficial por hora.
E agora, José?
Pastor Wright, o nome engraçado, a idade de McCain, a esposa de McCain, os comentários da esposa de Obama... Esses nomes e fatos gozados ainda saltarão aos montes pelos próximos seis meses. Meu trabalho será procurar o que mais caracterizaria essas eleições ao interesse internacional, para não alienar os poucos compadres e comadres que me lêem.
Se Obama for eleito, não sei se será o melhor presidente. Melhor do que McCain? Desconfio que sim. Melhor do que Clinton? Difícil responder. Mas o povo quis mudança, e derrubou a inevitabilidade de uma ex primeira dama que concorreu com a certeza da vitória. E é um mulato, de nome estranho, há exatos duzentos anos do fim do mercado escravo nos Estados Unidos, em 1808.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama clinches nomination,
Hillary Clinton,
John McCain,
Montana,
South Dakota
Monday, June 02, 2008
A Reta Final (?)
Puerto Rico
Hillary Clinton vence no país por uma excelente margem, mas não consegue se aproximar dramaticamente aos números de Barack Obama. Segundo analistas, o campo de Clinton conta o voto popular de modo distinto, e apenas assim clamam reter a maior porcentagem nesse quesito. Já Barack Obama vê-se a pouco mais de 40 delegados para cravar sua vitória oficial como nomeado à candidatura pelo partido.
Michigan e Flórida
Está acabando. As primárias, digo, a chance do voto popular, da escolha nacional e até pseudo-internacional (no caso de Hawai e Puerto Rico) de cidadãos trabalhadores ou esforçados, pobres, ricos, pretos, brancos, homens e mulheres. Esses já não terão muito a dizer nem a fazer.
Pensando bem, não tiveram muito a dizer ou a fazer quando o DNC, o quartel general do partido Democrata, decidiu que os votos de Michigan e Flórida valeriam pela metade. Aparece uma senhora mostrando-se à câmara com o ar das graças desgraçado, raivoso, injuriado, gritando: “Votaremos por McCain em Novembro! Esse não é modo de se tratar as mulheres do partido!”
Jamais na história dos Estados Unidos tantos votaram por um candidato como votaram por Hillary Clinton nos estados da Flórida e Michigan em primárias. Um dos motivos da penalização do partido Democrata aos delegados dos estados “excluídos” era o medo de que não houvesse tempo o suficiente para mobilizar as campanhas em estados tão grandes, destinados ao 4 de Março, e não ao início da temporada eleitoral, em Janeiro. Pois, esse motivo foi desmentido, e fosse apenas pelo mérito do voto, Clinton tem um caso quanto aos eleitores serrados ao meio.
Mas a candidata concordou abertamente, antes das primárias, que não faria campanha nos dois estados antecipados, e que não faria caso dos resultados, especificamente em Michigan, de onde Barack Obama retirou o nome das urnas.
Como nenhum dos candidatos fez campanhas oficiais nos estados, e como o DNC já havia estabelecido previamente que os delegados de Michigan ou Flórida não seriam sentados à Convenção nacional ao fim de Agosto, se Clinton diz que aqueles votos a pertencem por direito irrefutavel, está enganada. Há o que disputar, sem dúvidas, mas ambos lados têm o que dizer, e ambos lados disputarão, caso assim a história desenvolver-se, a nomeação final pelos super delegados perante os altos oficiais democratas com defesas igualmente fortes.
A maior mentira é: O voto popular é o que mais conta. Não que Clinton esteja mentindo quando diz isso. Quem mente são os cidadão do país aos próprios. Esse sistema eleitoral considera o invidivíduo muito menos do que gostariam todos, e quase todos os envolvidos sabem. Se sabem, ou não se importam, ou não acreditam na força do indivíduo para mover a sociedade. O indivíduo tem força sim, mas só para mover sua própria vida.
Pela decisão do DNC, Barack Obama ganhou poucos delegados em comparação à sua rival, mas poderia ser pior, já que, contados pela metade, os votos garantem à senadora por NY uma margem relativamente menor do que a esperada.
Mudando as regras em emenda especial, o DNC decidiu que 2,118 delegados seriam necessários para reter a nomeação indisputável, quase 100 a mais do que o número original de 2,025. Obama tem 2,070 (CNN) contra 1,915 de Clinton. Em super-delegados, Obama lidera Clinton por 329 a 291, sendo que no Domingo de sua derrota em Puerto Rico (a senadora venceu com 68% do voto, sendo que apenas 400 mil eleitores dos 3 milhões registrados compareceram), o senador por Illinois ganhou o apoio de mais dois oficiais democratas.
Quem é o melhor (para o Brasil?)?
Lendo o texto de Marta Ramos ao Achei USA contra Barack Obama, a favor de Hillary Clinton e, se não, John McCain, atentei-me a um fenômeno que vem ocorrendo entre quem gosta de pensar no mundo e vive no Brasil, no qual antes não havia tão bem reparado. Há muitos brasileiros que se preocupam com a escolha do melhor presidente aos Estados Unidos... Mas, para o Brasil, tio?
Lembrem-se que nasci em Israel, e já mencionei muitas vezes até mesmo por aqui que sou radicalmente contrário a essa espécie de votação. A exemplo, odeio israelenses que votam no presidente que melhor represente os interesses de Israel, um sério problema, ao meu ver, para o Oriente Médio.
Não sou nacionalista, se muito sou internacionalista, mas meus olhos e minha mente pifam em curto-circuito quando leio ou ouço algum argumento desse caráter. Ramos, que escreve uma coluna social ao maior jornal imigrante do Sul da Flórida, argumenta que Barack Obama é um falso e inflado produto da mídia. Diz que Hillary Clinton tem mais experiência e seria a escolha mais lógica, mas que John McCain “já ganhou”. Mobiliza brasileiros (que mostram-se pesadamente a favor de Obama, ao menos entre imigrantes locais) a votarem por John McCain. Diz que é o melhor, o mais honesto, e o de passado menos obscuro (McCain já esteve envolvido em pelo menos dois escândalos com lobbystas, tanto no passado quanto recentemente, além de ter mudado algumas de suas posições principais por motivos políticos).
Respeito a colunista e devo confessar que passei da idade de não aceitar as contrariantes opiniões alheias. Porém, seus elogios a John McCain são feitos pelo motivo de que talvez, talvez, e muito talvez, o candidato republicano seria a melhor opção ao Brasil. Aliás, os democratas, que geralmente aumentam programas sociais e são mais rigorosos na fiscalização e tributação de produtos internacionais, formam a pior escolha ao Brasil e à América Latina, enquanto republicanos, geralmente adeptos ao mercado livre e a irrestrição em tributos e qualidade dos produtos importados, constitúem a melhor opção.
Faria sentido que o Brasil, se dado ao voto, elegesse o presidente que favorecesse seus interesses (como ocorre com Puerto Rico). Nesse caso, estadunidenses também decidiriam quem é o melhor presidente ao Brasil (há um consenso enorme nos Estados Unidos de que Lula seja excelente nesse sentido, e pelo que vejo daqui, não há como discordar. Eu, de fora, elegeria Lula ao segundo mandato e gostaria de ter alguém como ele na próxima presidência, o que pode ser conflituoso a quem vive e testemunha a realidade em perfeita proximidade).
Todavia, como são dois países soberanos, o mínimo dever de seus moradores é eleger quem melhor cuidará do próprio terreno.
Se brasileiros se preocupam com a influência dos EU à política externa, e gostariam que esta fosse menos arrogante e mais complascente e compreensiva, quem opta por McCain tem os mesmos parâmetros e valores que os republicanos, algo que sempre achei raro no Brasil, mesmo entre a direita pensante. Afinal, aqui não existe uma real esquerda, e concordar com os amplos e vagos critérios ideológicos dos democratas não é tão difícil.
Com McCain, haverá mais guerras. Com Obama ou Clinton, talvez não, mas talvez nada mude nesse sentido. O que podemos ter certeza é que, com McCain, firmar-se-á a perpetuação de tudo o que trouxe os EU ao seu período mais impopular da história contemporânea mundial. Os valores serão sempre os protestantes, elitistas, racistas e homofóbicos. Não há meio termo. Escolham McCain, desejem outro Bush, e a ditadura republicana crescerá quase inalcançável.
South Dakota e Montana
Amanhã à noite essa parte da disputa termina. Clinton poderia facilitar ao seu partido e retirar-se da corrida antes da convenção. Tudo pode terminar, contudo, mesmo se ela assim não desejar. Basta que Obama vença amanhã, colecione mais 14-15 delegados, e receba o apoio final dos super-delegados indecisos. Por hoje é só.
RF
PS: Nunca mais achei a coluna de Marta Ramos a falar do tema, portanto, o link inexiste por hora.
Hillary Clinton vence no país por uma excelente margem, mas não consegue se aproximar dramaticamente aos números de Barack Obama. Segundo analistas, o campo de Clinton conta o voto popular de modo distinto, e apenas assim clamam reter a maior porcentagem nesse quesito. Já Barack Obama vê-se a pouco mais de 40 delegados para cravar sua vitória oficial como nomeado à candidatura pelo partido.
Michigan e Flórida
Está acabando. As primárias, digo, a chance do voto popular, da escolha nacional e até pseudo-internacional (no caso de Hawai e Puerto Rico) de cidadãos trabalhadores ou esforçados, pobres, ricos, pretos, brancos, homens e mulheres. Esses já não terão muito a dizer nem a fazer.
Pensando bem, não tiveram muito a dizer ou a fazer quando o DNC, o quartel general do partido Democrata, decidiu que os votos de Michigan e Flórida valeriam pela metade. Aparece uma senhora mostrando-se à câmara com o ar das graças desgraçado, raivoso, injuriado, gritando: “Votaremos por McCain em Novembro! Esse não é modo de se tratar as mulheres do partido!”
Jamais na história dos Estados Unidos tantos votaram por um candidato como votaram por Hillary Clinton nos estados da Flórida e Michigan em primárias. Um dos motivos da penalização do partido Democrata aos delegados dos estados “excluídos” era o medo de que não houvesse tempo o suficiente para mobilizar as campanhas em estados tão grandes, destinados ao 4 de Março, e não ao início da temporada eleitoral, em Janeiro. Pois, esse motivo foi desmentido, e fosse apenas pelo mérito do voto, Clinton tem um caso quanto aos eleitores serrados ao meio.
Mas a candidata concordou abertamente, antes das primárias, que não faria campanha nos dois estados antecipados, e que não faria caso dos resultados, especificamente em Michigan, de onde Barack Obama retirou o nome das urnas.
Como nenhum dos candidatos fez campanhas oficiais nos estados, e como o DNC já havia estabelecido previamente que os delegados de Michigan ou Flórida não seriam sentados à Convenção nacional ao fim de Agosto, se Clinton diz que aqueles votos a pertencem por direito irrefutavel, está enganada. Há o que disputar, sem dúvidas, mas ambos lados têm o que dizer, e ambos lados disputarão, caso assim a história desenvolver-se, a nomeação final pelos super delegados perante os altos oficiais democratas com defesas igualmente fortes.
A maior mentira é: O voto popular é o que mais conta. Não que Clinton esteja mentindo quando diz isso. Quem mente são os cidadão do país aos próprios. Esse sistema eleitoral considera o invidivíduo muito menos do que gostariam todos, e quase todos os envolvidos sabem. Se sabem, ou não se importam, ou não acreditam na força do indivíduo para mover a sociedade. O indivíduo tem força sim, mas só para mover sua própria vida.
Pela decisão do DNC, Barack Obama ganhou poucos delegados em comparação à sua rival, mas poderia ser pior, já que, contados pela metade, os votos garantem à senadora por NY uma margem relativamente menor do que a esperada.
Mudando as regras em emenda especial, o DNC decidiu que 2,118 delegados seriam necessários para reter a nomeação indisputável, quase 100 a mais do que o número original de 2,025. Obama tem 2,070 (CNN) contra 1,915 de Clinton. Em super-delegados, Obama lidera Clinton por 329 a 291, sendo que no Domingo de sua derrota em Puerto Rico (a senadora venceu com 68% do voto, sendo que apenas 400 mil eleitores dos 3 milhões registrados compareceram), o senador por Illinois ganhou o apoio de mais dois oficiais democratas.
Quem é o melhor (para o Brasil?)?
Lendo o texto de Marta Ramos ao Achei USA contra Barack Obama, a favor de Hillary Clinton e, se não, John McCain, atentei-me a um fenômeno que vem ocorrendo entre quem gosta de pensar no mundo e vive no Brasil, no qual antes não havia tão bem reparado. Há muitos brasileiros que se preocupam com a escolha do melhor presidente aos Estados Unidos... Mas, para o Brasil, tio?
Lembrem-se que nasci em Israel, e já mencionei muitas vezes até mesmo por aqui que sou radicalmente contrário a essa espécie de votação. A exemplo, odeio israelenses que votam no presidente que melhor represente os interesses de Israel, um sério problema, ao meu ver, para o Oriente Médio.
Não sou nacionalista, se muito sou internacionalista, mas meus olhos e minha mente pifam em curto-circuito quando leio ou ouço algum argumento desse caráter. Ramos, que escreve uma coluna social ao maior jornal imigrante do Sul da Flórida, argumenta que Barack Obama é um falso e inflado produto da mídia. Diz que Hillary Clinton tem mais experiência e seria a escolha mais lógica, mas que John McCain “já ganhou”. Mobiliza brasileiros (que mostram-se pesadamente a favor de Obama, ao menos entre imigrantes locais) a votarem por John McCain. Diz que é o melhor, o mais honesto, e o de passado menos obscuro (McCain já esteve envolvido em pelo menos dois escândalos com lobbystas, tanto no passado quanto recentemente, além de ter mudado algumas de suas posições principais por motivos políticos).
Respeito a colunista e devo confessar que passei da idade de não aceitar as contrariantes opiniões alheias. Porém, seus elogios a John McCain são feitos pelo motivo de que talvez, talvez, e muito talvez, o candidato republicano seria a melhor opção ao Brasil. Aliás, os democratas, que geralmente aumentam programas sociais e são mais rigorosos na fiscalização e tributação de produtos internacionais, formam a pior escolha ao Brasil e à América Latina, enquanto republicanos, geralmente adeptos ao mercado livre e a irrestrição em tributos e qualidade dos produtos importados, constitúem a melhor opção.
Faria sentido que o Brasil, se dado ao voto, elegesse o presidente que favorecesse seus interesses (como ocorre com Puerto Rico). Nesse caso, estadunidenses também decidiriam quem é o melhor presidente ao Brasil (há um consenso enorme nos Estados Unidos de que Lula seja excelente nesse sentido, e pelo que vejo daqui, não há como discordar. Eu, de fora, elegeria Lula ao segundo mandato e gostaria de ter alguém como ele na próxima presidência, o que pode ser conflituoso a quem vive e testemunha a realidade em perfeita proximidade).
Todavia, como são dois países soberanos, o mínimo dever de seus moradores é eleger quem melhor cuidará do próprio terreno.
Se brasileiros se preocupam com a influência dos EU à política externa, e gostariam que esta fosse menos arrogante e mais complascente e compreensiva, quem opta por McCain tem os mesmos parâmetros e valores que os republicanos, algo que sempre achei raro no Brasil, mesmo entre a direita pensante. Afinal, aqui não existe uma real esquerda, e concordar com os amplos e vagos critérios ideológicos dos democratas não é tão difícil.
Com McCain, haverá mais guerras. Com Obama ou Clinton, talvez não, mas talvez nada mude nesse sentido. O que podemos ter certeza é que, com McCain, firmar-se-á a perpetuação de tudo o que trouxe os EU ao seu período mais impopular da história contemporânea mundial. Os valores serão sempre os protestantes, elitistas, racistas e homofóbicos. Não há meio termo. Escolham McCain, desejem outro Bush, e a ditadura republicana crescerá quase inalcançável.
South Dakota e Montana
Amanhã à noite essa parte da disputa termina. Clinton poderia facilitar ao seu partido e retirar-se da corrida antes da convenção. Tudo pode terminar, contudo, mesmo se ela assim não desejar. Basta que Obama vença amanhã, colecione mais 14-15 delegados, e receba o apoio final dos super-delegados indecisos. Por hoje é só.
RF
PS: Nunca mais achei a coluna de Marta Ramos a falar do tema, portanto, o link inexiste por hora.
Essas Palavras Vos Trazem
Achei USA,
Barack Obama,
Fora Lula,
Hillary Clinton,
John McCain,
Marta Ramos,
Montana,
Puerto Rico,
Roy Frenkiel,
South Dakota
Thursday, May 29, 2008
Another Vox Populi Proceis
“Don’t you know? They’re talking about a revolution, and it sounds like a whisper” (Tracy Chapman).
“Não soube? Eles estão falando de revolução, e soa como um sussurro.”
Pelo que tenho percebido nas comunidades do Orkut e pelas poucas vozes interessadas pela política atual das pessoas com as quais convivo em semi harmonia, a mídia apenas estimula idéias dispersas para o engajado público aprofundar-se. São esses debates populares entre cidadãos americanos, negros ou brancos, judeus ou protestantes, ou entre imigrantes locais e admiradores da controvérsia norte-americana, os debates políticos que valem a experiência, e que vencerão, em torto efeito, a candidatura do quartagésimo-quarto presidente dos Estados Unidos.
No reboque da situação econômica, às soluções ou desejos populares, no imaginário e no puro fictício de indivíduos comuns, cada qual vê-se livre para carregar o fardo de sua própria ideologia. Nem todos são jovens, e nem todos têm energia de fazer algo pelo país, nem mesmo disputar contra atitudes viciosas de um governo rejeitado. Apenas discutimos pensamentos deslocados com adversários distantes via computador. Ou, trabalhando em uma companhia traiçoeira há vinte anos sem receber um aumento, apenas reclamamos de acontecimentos que jamais aconteceram no mundo externo, intocável, e assim justificamos a presença do enorme elefante mutante no meio da sala.
São essas conversas, contudo, as que pesarão mais na hora de depositar o voto nas urnas da eleição presidencial em Novembro. Conversas como a abominação parcial do público, dividido ao meio, à legalização irrevogável do casamento entre pessoas do mesmo sexo no estado da California. Há, é claro, aqueles que festejam e regozijam a existência de um estado que ainda pede as mesmas mudanças exigidas nos anos ’60, a de direitos humanos, iguais a todos e todas as que tiverem seus sonhos e puderem cultivá-los sem lastimar ninguém.
A essa conversa, em que não existe uma clara maioria, também reúnem-se os homofóbicos. Os libertários, conservadores econômicos, mas aspirantes ao menor controle governamental também nas áreas de vazão moral, nem sempre gostam do homosexualismo, mas pedem que o governo não os recrimine, e que seus direitos sejam, no mínimo, iguais aos de todos. Há, é claro, libertários “abertamente” homosexuais, como o caso de C.M., uma das mocinhas com as quais conversei virtualmente em uma comunidade orkutiana. Mas os conservadores, e até mesmo alguns libertários, não aceitam que o país esteja sujeito ao feitio do que chamam sem pudores de “aberrações da natureza”.
Ainda apoiando-se na lógica de estatísticas manipuláveis, falam da “família” como se a instituição ainda fosse sagrada. A discussão vira transtorno, e agora até filhos de pais solteiros são sujeitos a um sistema familiar condenado à falência, ignorando, claramente, o conhecimento popular já sobreposto às estatísticas. Filhos e filhas de pais solteiros não são exceção, mas sim a própria regra.
A maioria dos homosexuais que eu conheço pagam mais impostos do que qualquer fazendeiro do centro-oeste americano. Isso não importa, pois homofóbicos fazem parte da constituição da nação. Nada disso importa, pois a hipocrisia do indivíduo é apenas meramente refletida na hipocrisia da nação, e o perfeito e utópico-bíblico núcleo familiar é tomado como regra à exclusão social.
Outros debates tomam conta do imaginário da nação, como a liberdade e o direito ao porte de armas de fogo, algo que o Brasil também debate. O ensino do Design Inteligente, ramificado pseudo-secular do Criacionismo, também é debatido entre a população: Incluir ou não incluir no currículo escolar? Eis a questão... Há também a muralha construída na fronteira entre os Estados Unidos e o México, e a não-muralha não-construída entre o Canadá e os EU, mais lenha à fogueira.
A ideologia advém de experiências pessoais, cada qual conformando-se com o que pensa, a maioria evitando as soluções do outro lado da rua pensamental.
Foi por isso que Barack Obama comentou em Virginia que a população de classe média sentia-se amargurada com a vida e acabava se apegando a temas moralistas e votando contra os próprios interesses sócio-econômicos. O que ele disse foi motivo de mais um escândalo descabido que lhe feriu a pele, mas não atingiu o osso. As campanhas pré-eleitorais do partido Democrata, afinal, demonstraram mais momentos embaraçosos de ditos mal-intencionados (ou bem intencionados, mas mal expressados) do que substância em ataques convencionais direcionados à política do adversário/a. Obama teve de, basicamente, retratar-se.
Ironicamente, não só o que Obama disse é verdadeiro, como a população desatenta não parece se importar. Um exemplo disso é o que Arianna Huffington descreve em seu blog a respeito das mulheres democratas que não votariam no senador por Illinois caso fosse nomeado, mas sim, em seu rival Republicano, John McCain.
A maioria dessas mulheres, segundo pesquisas recentes, tem como prioridade ideológica o direito de escolha da mulher (famigerado ‘pró-escolha’ em tema de aborto). Ao contrário do que querem conservadores tanto da esquerda quanto da direita estadunidense, essas cidadãs acreditam que o dever do estado é fornecer à sua população a liberdade de lidar com os próprios problemas. Nem todas acreditam que o estado deva financiar o procedimento, mas ilegalizá-lo seria um retrocesso tremendo.
John McCain apenas discorda radicalmente de George Bush em temas meio-ambientais. Ele se posicionou favorável a restrições industriais à redução de emissões do CO2, algo que republicanos são contrários em sua base. No entanto, sua história em relação ao aborto é assustadora a quem acredita na liberdade de escolha feminina. McCain quer anular a vitória clássica de Roe versus Wade (2 de Janeiro de 1973) que legalizou o aborto a nível federal. Para tanto, convocaria à Suprema Corte ao menos um juíz a substituir quem está se aposentando, que tentaria reverter a legislação.
No auge do rancôr que a base de Hillary Clinton possa ter de Barack Obama, eleitores debatem com fervôr temas que mais ou menos importam individualmente. Ninguém distribui camisetas, cestas básicas, chaveiros e panfletos pelas ruas. Não há sujeira grossa nas calçadas, fotos de candidatos que falam engraçado, rápido, ou devagar demais. O único comum entre meu país latino e o país dos anglo-saxões, é que não existe uma verdadeira consideração massiva pelo bem comum, e isso é letal a qualquer democracia, seja ela brasileira ou estadunidense.
E para comprovar, não há melhor exemplo do que essas mulheres, capazes de votar em John McCain contra seus próprios interesses políticos, econômicos e sociais, porque torcem fervorosamente pela adversária do praticamente-nomeado senador democrata. Show-Business, num disse?
RF
“Não soube? Eles estão falando de revolução, e soa como um sussurro.”
Pelo que tenho percebido nas comunidades do Orkut e pelas poucas vozes interessadas pela política atual das pessoas com as quais convivo em semi harmonia, a mídia apenas estimula idéias dispersas para o engajado público aprofundar-se. São esses debates populares entre cidadãos americanos, negros ou brancos, judeus ou protestantes, ou entre imigrantes locais e admiradores da controvérsia norte-americana, os debates políticos que valem a experiência, e que vencerão, em torto efeito, a candidatura do quartagésimo-quarto presidente dos Estados Unidos.
No reboque da situação econômica, às soluções ou desejos populares, no imaginário e no puro fictício de indivíduos comuns, cada qual vê-se livre para carregar o fardo de sua própria ideologia. Nem todos são jovens, e nem todos têm energia de fazer algo pelo país, nem mesmo disputar contra atitudes viciosas de um governo rejeitado. Apenas discutimos pensamentos deslocados com adversários distantes via computador. Ou, trabalhando em uma companhia traiçoeira há vinte anos sem receber um aumento, apenas reclamamos de acontecimentos que jamais aconteceram no mundo externo, intocável, e assim justificamos a presença do enorme elefante mutante no meio da sala.
São essas conversas, contudo, as que pesarão mais na hora de depositar o voto nas urnas da eleição presidencial em Novembro. Conversas como a abominação parcial do público, dividido ao meio, à legalização irrevogável do casamento entre pessoas do mesmo sexo no estado da California. Há, é claro, aqueles que festejam e regozijam a existência de um estado que ainda pede as mesmas mudanças exigidas nos anos ’60, a de direitos humanos, iguais a todos e todas as que tiverem seus sonhos e puderem cultivá-los sem lastimar ninguém.
A essa conversa, em que não existe uma clara maioria, também reúnem-se os homofóbicos. Os libertários, conservadores econômicos, mas aspirantes ao menor controle governamental também nas áreas de vazão moral, nem sempre gostam do homosexualismo, mas pedem que o governo não os recrimine, e que seus direitos sejam, no mínimo, iguais aos de todos. Há, é claro, libertários “abertamente” homosexuais, como o caso de C.M., uma das mocinhas com as quais conversei virtualmente em uma comunidade orkutiana. Mas os conservadores, e até mesmo alguns libertários, não aceitam que o país esteja sujeito ao feitio do que chamam sem pudores de “aberrações da natureza”.
Ainda apoiando-se na lógica de estatísticas manipuláveis, falam da “família” como se a instituição ainda fosse sagrada. A discussão vira transtorno, e agora até filhos de pais solteiros são sujeitos a um sistema familiar condenado à falência, ignorando, claramente, o conhecimento popular já sobreposto às estatísticas. Filhos e filhas de pais solteiros não são exceção, mas sim a própria regra.
A maioria dos homosexuais que eu conheço pagam mais impostos do que qualquer fazendeiro do centro-oeste americano. Isso não importa, pois homofóbicos fazem parte da constituição da nação. Nada disso importa, pois a hipocrisia do indivíduo é apenas meramente refletida na hipocrisia da nação, e o perfeito e utópico-bíblico núcleo familiar é tomado como regra à exclusão social.
Outros debates tomam conta do imaginário da nação, como a liberdade e o direito ao porte de armas de fogo, algo que o Brasil também debate. O ensino do Design Inteligente, ramificado pseudo-secular do Criacionismo, também é debatido entre a população: Incluir ou não incluir no currículo escolar? Eis a questão... Há também a muralha construída na fronteira entre os Estados Unidos e o México, e a não-muralha não-construída entre o Canadá e os EU, mais lenha à fogueira.
A ideologia advém de experiências pessoais, cada qual conformando-se com o que pensa, a maioria evitando as soluções do outro lado da rua pensamental.
Foi por isso que Barack Obama comentou em Virginia que a população de classe média sentia-se amargurada com a vida e acabava se apegando a temas moralistas e votando contra os próprios interesses sócio-econômicos. O que ele disse foi motivo de mais um escândalo descabido que lhe feriu a pele, mas não atingiu o osso. As campanhas pré-eleitorais do partido Democrata, afinal, demonstraram mais momentos embaraçosos de ditos mal-intencionados (ou bem intencionados, mas mal expressados) do que substância em ataques convencionais direcionados à política do adversário/a. Obama teve de, basicamente, retratar-se.
Ironicamente, não só o que Obama disse é verdadeiro, como a população desatenta não parece se importar. Um exemplo disso é o que Arianna Huffington descreve em seu blog a respeito das mulheres democratas que não votariam no senador por Illinois caso fosse nomeado, mas sim, em seu rival Republicano, John McCain.
A maioria dessas mulheres, segundo pesquisas recentes, tem como prioridade ideológica o direito de escolha da mulher (famigerado ‘pró-escolha’ em tema de aborto). Ao contrário do que querem conservadores tanto da esquerda quanto da direita estadunidense, essas cidadãs acreditam que o dever do estado é fornecer à sua população a liberdade de lidar com os próprios problemas. Nem todas acreditam que o estado deva financiar o procedimento, mas ilegalizá-lo seria um retrocesso tremendo.
John McCain apenas discorda radicalmente de George Bush em temas meio-ambientais. Ele se posicionou favorável a restrições industriais à redução de emissões do CO2, algo que republicanos são contrários em sua base. No entanto, sua história em relação ao aborto é assustadora a quem acredita na liberdade de escolha feminina. McCain quer anular a vitória clássica de Roe versus Wade (2 de Janeiro de 1973) que legalizou o aborto a nível federal. Para tanto, convocaria à Suprema Corte ao menos um juíz a substituir quem está se aposentando, que tentaria reverter a legislação.
No auge do rancôr que a base de Hillary Clinton possa ter de Barack Obama, eleitores debatem com fervôr temas que mais ou menos importam individualmente. Ninguém distribui camisetas, cestas básicas, chaveiros e panfletos pelas ruas. Não há sujeira grossa nas calçadas, fotos de candidatos que falam engraçado, rápido, ou devagar demais. O único comum entre meu país latino e o país dos anglo-saxões, é que não existe uma verdadeira consideração massiva pelo bem comum, e isso é letal a qualquer democracia, seja ela brasileira ou estadunidense.
E para comprovar, não há melhor exemplo do que essas mulheres, capazes de votar em John McCain contra seus próprios interesses políticos, econômicos e sociais, porque torcem fervorosamente pela adversária do praticamente-nomeado senador democrata. Show-Business, num disse?
RF
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Arianna Huffington,
Barack Obama,
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