Se algum dia se depararem com algum estrangeiro criticando personagens políticos como Tiririca, o finado Clodovil ou a reelegibilidade de políticos como Fernando Collor de Mello ou Paulo Maluf, citem os seguintes quatro casos de personalidades políticas nos Estados Unidos para traçar o parâmetro universal da estupidez humana. Está certo que essas figuras aqui não ganham tanto território quanto no Brasil (apesar da boa notícia da rejeição massiva de Collor no Alagoas, um bom passo adiante), mas existem e não são raras. Ao menos uma das “otoridades” aqui mencionadas pode chegar a cargos insustentáveis no poderio estadunidense, conforme podemos observar:
4 – Sarah Palin – A ex-candidata à vice-presidência no bilhete de John McCain é a epítome da banalidade política institucionalizada. Entre os casos aqui exemplificados ela é a personalidade que mais longe pode chegar em sua carreira política apesar de ter exposto todo seu brilho no último ciclo eleitoral. Nos meses seguintes à derrota, membros de sua campanha se pronunciaram e explicaram o quão difícil foi trabalhar com um dos atuais símbolos do Partido Republicano. Difícil justamente pela ignorância política da mesma, pela dificuldade de memorizar nomes corretamente e pela extrema dificuldade de discorrer sobre temas politicamente carregados. Palin é famosa por frases como: “Claro que sou capaz de lidar com a política externa do país, eu vejo a Rússia do quintal da minha casa!” Além disso, Palin já fazia parte de um inquérito sobre sua conduta ética quando governadora do Alaska. À época pressionou e pediu a demissão de um oficial de justiça por um caso pessoal envolvendo o oficial e a filha de Palin. Suas filhas, aliás, sempre dão o que falar. Enquanto Palin se gaba por ser mãe de familia e exemplo vivo de moralismo e ética familiares, suas filhas, especialmente Bristol, aparecem e expõem ao público quanto controle a mamãe tem em sua própria casa. Bristol já engravidou aos dezesseis anos, foi abandonada e depois re-assumida pelo jovem pai, e sempre reaparece como bom ou mal menino para infernizar a carreira pública de sua sogra.
3 – Christine O’Donnell – Candidata republicana ao Senado em um estado onde quase nunca houve incumbentes republicanos, O’Donnell foi a primeira política “desoberta” por Bill Maher. Aliás, no filme “Religulous” produzido pelo comediante, a candidata de Delaware torna-se um dos exemplos clássicos sobre a mistura de crenças individuais e a legislação de determinados estados é a história da candidata. O’Donnell já participou de um grupo de “bruxas” (Wiccans, uma religião pagã suficientemente popular em alguns estados do país), e apesar disso ser um detalhe sórdido em sua vida agora pública, não é o unico. O’Donnell é também contra a masturbação, algo que usou como mote em sua própria campanha eleitoral. Seus valores pesadamente religiosos tampouco fazem o fim de sua linha. A candidata ao Senado encontra supostamente recorreu a verbas de suas campanhas para uso pessoal. Na semana em que mais arrecadou verbas, inclusive, não teve uma única propaganda produzida. É, aliás, o único escândalo ao qual ela não quer referir-se e sobre o qual não dá mais entrevistas. Afinal, a primeira coisa que sai de sua boca em sua nova propaganda política é: “Meu nome é Christine O’Donnell, e não sou uma bruxa.”
2 – Carl Paladino – governador republicano de Nova York, criou uma aliança com um grupo de rabinos ortodoxos de seu estado para denunciar os impropérios do homossexualismo. Em seu discurso, rodeado de ultra-ortodoxos judeus com seus chapéus e roupas pretas e barbas selvagens, Paladino disse que não queria transmitir a imagem que seu estado considera homossexuais e “pessoas normais” o mesmo. O governador foi enfático ao dizer que seus valores familiares não compartilhados pelos liberais e progressistas em Washington lhe dão suficiente autoridade moral para condenar o homossexualismo, seus trajes inconvencionais e seu comportamento libertino. Ainda teve a coragem de citar, explicitamente, que o sucesso da comunidade heterossexual e o sucesso de indivíduos homossexuais não se equiparam. Em outras palavras, o homossexual jamais poderá ter uma vida bem sucedida pelo simples fato de assim sê-lo. O maior escândalo não está em suas palavras preconceituosas e o fato de que Paladino criticou os trajes de homossexuais rodeado por urubus ultra-ortodoxos que parecem ter saído da Holanda do século 18. Paladino teve uma corrente de e-mails exposta na qual o governador enviava fotos e vídeos de bestialidade (sexo com bichinhos inocentes) para seus colegas e amigos. Além disso, recentemente teve sua “segunda família” descoberta pelos rivais políticos. Sim, Paladino, o lider em questões de cunho moral não só tinha uma amante, mas uma família secreta.
1 – Rich Iott – É o segundo político republicano às vésperas das eleições gerais nos Estados Unidos “descoberto” pelo comediante Bill Maher. Rich Iott só leva o prêmio de primeiro lugar porque seu escândalo é imperdoável para qualquer base no país. O candidato a Representante do Congresso tem um hobby peculiar: Como gosta de história, pratica encenações de episódios épicos. No entanto, o personagem que encenava era o típico soldado da SS ou da Luftwaffe, o exército e a força áerea nazistas. Iott disse que iniciou seu ciclo no grupo conhecido como Wikings (wikings.or é seu portal, se é que já não foi retirado do ar), para conectar-se com o filho adolscente. O repórter de Bill Maher foi o primeiro a falar sobre o tema, e agora o candidato está queimado na via pública por todos os meios de comunicação. Apesar de Iott declarar que não é nazista e não simpatiza com sua filosofia, em sua entrevista consegiu cavar buraco ainda mais profundo quando disse que sempre esteve fascinado que um país geograficamente limitado tenha conquistado tantas coisas “incríveis” de um ponto de vista “estritamente militar”. Daí para “os nazistas foram incríveis” nos anais midiáticos foi menos de meio passo.
Claro que há outros casos, e certamente há casos envolvendo políticos de ambos partidos. Esses, no entanto, provavelmente resumem a espécie de ignorância política à qual temos de nos acostumar. Quem sabe essa imagem melhore o conceito que as pessoas tem pelos Estados Unidos. É um critério a menos a se emular, ao menos.
RF
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Wednesday, October 13, 2010
Idiotas, Imbecís e Bobos – Escândalos Políticos Universais
Essas Palavras Vos Trazem
Bill Clinton,
Carl Paladino,
Christine O'Donnell,
David Vitter,
Mark Sanford,
Nikki Haley,
Rich Iott,
Roy Frenkiel,
Sarah Palin
Thursday, August 28, 2008
A Noite que Convenceu
A noite que selou a nomeação de Barack Obama à presidência por unanimidade, e a vice-presidência de Joe Biden, finalmente convenceu o eleitorado democrata, e talvez até tenha despertado a curiosidade dos menos adeptos a trabalhar intensamente pela eleição de seu candidato.
Bill Clinton
Se Hillary Clinton cumpriu seu dever com notável dificuldade na noite de Terça-Feira, seu marido, o ex presidente Bill Clinton, o único democrata desde Jimmy Carter, discursou com veemência e serenidade.
O quadro pintado pela mídia era de quase desespero. O clã clintoniano estava magoado, e de fato sentia-se magoado tanto antes quanto depois das primárias. Porém, duvidar da união partidária a essas alturas do campeonato quiçá seja mais um desejo não realizado dos jornalistas da MSNBC, CNN e Fox News, porque, todos sabemos, a intriga sempre vende.
O que Clinton disse ontem convenceu pelo conteúdo e pela forma que foi dito. O carinho que expressou por seu partido, por sua esposa e, principalmente, por Obama, comoveu a todos os delegados, fanáticos e simpatizantes. Democratas esperam que o efeito aos eleitores indecisos ali presentes tenha sido o mesmo.
A favor do ex presidente esteve a conotação histórica do dia: A nomeação oficial de um candidato afro-descendente a um dos principais partidos dos Estados Unidos. Um candidato que, segundo indicações explícitas, tem tudo para liderar a nação a partir de 2009.
Apesar de ovacionado em pé pela platéia alucinada, Clinton foi rápido no gatilho a mencionar que a convenção era de Obama, e citou seu nome outras 14 vezes. Quando, no meio do discurso, o público gritou o jargão “sim, nós podemos” copiosamente, o ex presidente os interrompeu dizendo: “Sim, ele pode, mas primeiro precisamos elegê-lo”.
Como recentemente descrito por aqui nos últimos textos, a antipatia entre o senador por Illinois e o ex presidente tornou-se contundente quando perguntaram a Clinton se Obama teria o necessário para guiar as forças armadas. A resposta foi fria, distanciada, algo como “ninguém está preparado” para o cargo antes de assumi-lo.
Ontem, Bill Clinton disse também ter sido criticado pela inexperiência, por neófito, quando concorria contra Bob Dole. A história de seus oito anos, relativamente prósperos ao país, comprova a insignificância dos detalhes corrompidos em ataques partidários.
Comentaristas, âncoras e analistas políticos adoram baseball, aparentemente, pois todos clamaram que, dessa vez, o clã clintoniano mandou a bola “para fora do parque, cruzando o estacionamento, pousando perto dos prédios do outro lado da rua do estádio”.
A Chamada
O costume é permitir o voto de todos os delegados de todos os estados presentes na convenção. Há três meses, muitos ainda temiam que esse voto, o final e oficial, decidiria o nome do próximo candidato presidencial do partido Democrata.
Contudo, a chamada de ontem foi apenas espetáculo. Entre todos os cenários possíveis, o aqui comentado resultou concreto.
Os estados antecedendo New York passaram o direito ao voto até chegarem no mesmo, e Hillary Clinton pediu aos seus delegados, e a todos os demais delegados, que as regras convencionais fossem suspensas, e que Barack Obama fosse nomeado à presidência po unanimidade.
Historicamente, é a primeira vez que um afro-descendente luta com concretas chances pelo cargo mais poderoso da nação.
A aceitação e o discurso de Joe Biden
Nomeado à vice-presidência na mesma noite, o senador Joe Biden foi apresentado por seu filho, chefe judiciário de Delaware, Beau Biden.
Narrando sua tragetória comovente, desde a perda de sua filha e esposa ao novo casamento e suas raízes, e seu trajeto histórico no senado estadunidense, Biden aproveitou a ocasião para fortalecer o partido ainda mais.
Anunciando que ele é “realmente amigo de John McCain, e colega no senado,” disse também que discorda de sua política e pediu aos eleitores de seu partido que fizessem de tudo para enviar a mensagem à Casa Branca.
Confiou a Obama o título de lider sábio, e disse que o país precisa mais de liderança calculada do que de “um bom soldado”. O heroísmo de McCain, se depender dos democratas, não valerá nada nesse jogo.
Obama ainda surpreendeu os telejornais, delegados e eleitores ali presentes quando dirigiu-se ao Pepsi Centre a aparecer no palco ao lado de seu vice-presidente.
Disse pouco, e aparentou beijar a boca da esposa de Biden, e ao clamar pela família, mencionou o nome do senador, seu filho Beau, e “Mama Biden”. O vexame, contudo, mal foi explorado pelos sérios comentaristas, ainda empolgados com o acontecimento ao melhor estilo “show-business”.
As pesquisas de Quarta-Feira demonstravam a primeira liderança do senador pelo Arizona nas pesquisas do Gallup, por 46-44% sobre Barack Obama. Amanheceram na Quinta-Feira com a vantagem devolvida ao candidato democrata, 46-45% sobre John McCain.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Beau Biden,
Bill Clinton,
Colorado,
Denver,
Hillary Clinton,
Jimmy Carter,
Joe Biden,
John McCain,
Mama Biden,
MSNBC,
Pepsi Centre
Wednesday, August 27, 2008
Barack Obama, Hillary Disse:
Disse poucas vezes, na verdade. O nome de Barack Obama foi pouco mencionado nos 23 minutos discursados pela senadora de NY, Hillary Clinton.
Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.
Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.
O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.
Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.
Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?
Joe Biden
Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.
Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.
O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.
Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.
Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.
Mas não são esses os ataques mais preocupantes.
O espectro de Hillary Clinton
Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.
As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.
Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.
Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.
Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.
RF
Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.
Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.
O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.
Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.
Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?
Joe Biden
Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.
Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.
O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.
Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.
Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.
Mas não são esses os ataques mais preocupantes.
O espectro de Hillary Clinton
Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.
As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.
Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.
Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.
Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Bill Clinton,
Denver,
Hillary Clinton,
John McCain,
Pepsi Centre
Wednesday, July 02, 2008
Barack Obama, mais um político
Já vos contei que me afiliei à campanha de Barack Obama? Também doei 15 dólares de meu suado salário à sua campanha, já que meu voto é proibido, sendo eu apenas residente, e ainda não cidadão, dos Estados Unidos.
Por que vos conto? Dois motivos:
1 – Geralmente, quem aqui me visita é brasileiro e vive no Brasil, o que automaticamente significa das duas, uma: Ou você não se importa com a política local, logo quem eu favorecer fará pouca diferenca; ou você se importa com a política, no geral, e gostaria de ler uma análise objetiva da situação. Como acredito que a total imparcialidade seja produto da imaginação popular, avisando de minha parcialidade evito maiores confusões.
2 – Para o texto que agora decorre, me é pessoalmente importante não ser confundido com um hipócrita.
Quando das eleições de 2005 no Brasil, alinhei-me atrás de ninguém, e era o único, jovem ou velho, profissional ou amador, que escrevia contra Lula e, ao mesmo tempo, apoiava sua reeleição. O teor principal de meus textos, à época, era “o Brasil não pode apoiar-se na escolha do menos pior”. Ainda penso assim, e agora devo admitir que penso assim também sobre Barack Obama.
Algumas de suas atitudes me encantaram, como a forma menos hostil de atacar seus rivais, a maior honestidade nas respostas, e sua predisposição jovial, algo que Collor também demonstrou, se muito não me engano. Algumas de suas promessas fizeram sentido em Dezembro de 2007, mas hoje já significam resultados eleitorais distintos.
Obama pedia a retirada gradual das tropas estadunidenses do Iraque em 16 meses, algo hoje em dia controverso, já que a situação no país demonstra melhoras devido à escalada de tropas de George Bush ao ano passado. Era a favor de uma reforma no método de arrecadação de fundos a campanhas, prometendo realizá-la durante esta disputa, mas logo tirou o corpo fora quando melhor lhe coube. Além disso, ainda dá sinais de inconsistência quanto a sua política externa (a favor de Israel e radicalmente contra o Irã enquanto fala com judeus, mas mais diplomático quando fala para o público; contra o NAFTA de Bill Clinton, mas assegurando o Canadá que o “contra” é apenas política e retórica; entre outros casos).
Conforme escreveu Arianna Huffington, do The Huffington Post, Obama está trilhando o natural caminho político de centralizar-se. Estrategicamente falando, isso é necessário em diferentes níveis para conquistar fragmentos das bases adversárias. Lula, que era de esquerda, o fez durante 8 anos de governo, não apenas em sua campanha. McCain também construiu uma história desviada ao centro quando o tema é meio-ambiente, reforma imigratória, e procedimentos interrogatórios considerados torturosos, realizados em prisões como a de Guantánamo Bay.
O problema, segundo Huffington, é que os vitoriosos, geralmente, são os candidatos com ideologias salientadas e firmes posições. Obama parece estar se movimentando erroneamente à direita, para cair de costas no centro, ambas posições descartáveis estrategicamente.
Procurando aumentar sua base de eleitores evangélicos, Obama declarou ontem que nomeará um comitê para delinear “Iniciativas Baseadas na Fé” à nação. Para um candidato liberal, esse talvez seja o maior e mais bizarro dos erros. Liberais-Democratas são famosos por persistir, em todos os dilemas sócio-morais, na separação entre o estado e a religião. Assim, que diabos seriam “Iniciativas Baseadas na Fé”, ou carinhosamente apelidadas “F.B.I.”?
Adiante, McCain explorou uma das importantes decisões judiciais da semana passada para atacar Obama. À semana passada, a Suprema Corte decidiu que o estupro de crianças não poderia acarretar a pena de morte. Obama, que se disse contrário à pena máxima salvo em raros casos, diz-se contrário a essa decisão. McCain diz que Obama critica a corte conservadora de Bush, mas que, nesse caso, quando a corte delibera uma decisão democrata, o senador pelo Illinois repentinamente discorda da mesma, relembrando ao populacho que o candidato democrata apenas diz o que melhor seria visto pela maioria dos eleitores.
A conclusão é o título desse texto: Barack Obama é apenas mais um político, e John Fitzgerald Kennedy o era também, como Bill Clinton ou Jimmy Carter, dos piores aos melhores. Porém, base a base, comparemos Obama a McCain e deixemos claro porque meu voto iria para o democrata:
1 – Oriente Médio: McCain não duvida, nossos inimigos estão no Oriente Médio e são os mesmos inimigos de Israel. Obama foi visto como anti-sionista, e a campanha de Clinton conseguiu ligá-lo a dois pastores anti-semitas da comunidade afro-americana. Enquanto o som do baile foi indicado pelo republicano, o democrata fez só dançar, e acabou posicionando-se, perante a comunidade judaica, como um bom “americano”, tentando acalmar a insegurança de uma base essencial ao estado da Flórida e New York. Errado, acredito que seja. Necessário, talvez, mas será mesmo que estamos tão carentes de mentira e hipocrisia que precisamos mais dela para confiar em algum candidato?
2 – Enquanto McCain virtualmente não se importa com os recursos usados pelos EUA para “estabilizar” o Iraque, Obama ao menos pertence à base que o pressionará a fazer o melhor possível guiando uma retirada paulatina dentro do contexto atual. Enquanto McCain parte da base acusada de entrar no Iraque pelo petróleo (algo que se concretiza ainda mais com a possibilidade do retorno das companhias petrolíferas do país ao Iraque), Obama parte da base que deseja satisfazer a opinião pública mundial e acabar com o conflito o quanto antes.
3 – Economicamente falando, ambos partidos protegem seus interesses, e se alguém o faz mais, esse alguém é provavelmente republicano, racicínio de democrata, olhem lá. A esperança é que, seja quem for, assuma reformar o NAFTA para prejudicar menos o mundo e ajudar mais a própria população estadunidense.
4 – Quanto às famigeradas “F.B.I.”, traço um paralelo ao comentário de Carlson Tucker da MSNBC: “Se o assunto for segurança nacional, McCain vence só pela natureza do argumento.”
Se o assunto for iniciativas baseadas em morais religiosas, os republicanos sempre perderão. McCain é contra o aborto, contra o casamento entre homossexuais e não me espantaria que seu vice fosse alguém como Mike Huckabee, que procura reformar a constituição para adaptá-la ao Novo Testamento protestante. Ponto final.
Esse gigantesco texto já faz o resumo da semana. O Gallup de hoje mostra Obama com 47-42% de McCain.
Até a next,
RF
Por que vos conto? Dois motivos:
1 – Geralmente, quem aqui me visita é brasileiro e vive no Brasil, o que automaticamente significa das duas, uma: Ou você não se importa com a política local, logo quem eu favorecer fará pouca diferenca; ou você se importa com a política, no geral, e gostaria de ler uma análise objetiva da situação. Como acredito que a total imparcialidade seja produto da imaginação popular, avisando de minha parcialidade evito maiores confusões.
2 – Para o texto que agora decorre, me é pessoalmente importante não ser confundido com um hipócrita.
Quando das eleições de 2005 no Brasil, alinhei-me atrás de ninguém, e era o único, jovem ou velho, profissional ou amador, que escrevia contra Lula e, ao mesmo tempo, apoiava sua reeleição. O teor principal de meus textos, à época, era “o Brasil não pode apoiar-se na escolha do menos pior”. Ainda penso assim, e agora devo admitir que penso assim também sobre Barack Obama.
Algumas de suas atitudes me encantaram, como a forma menos hostil de atacar seus rivais, a maior honestidade nas respostas, e sua predisposição jovial, algo que Collor também demonstrou, se muito não me engano. Algumas de suas promessas fizeram sentido em Dezembro de 2007, mas hoje já significam resultados eleitorais distintos.
Obama pedia a retirada gradual das tropas estadunidenses do Iraque em 16 meses, algo hoje em dia controverso, já que a situação no país demonstra melhoras devido à escalada de tropas de George Bush ao ano passado. Era a favor de uma reforma no método de arrecadação de fundos a campanhas, prometendo realizá-la durante esta disputa, mas logo tirou o corpo fora quando melhor lhe coube. Além disso, ainda dá sinais de inconsistência quanto a sua política externa (a favor de Israel e radicalmente contra o Irã enquanto fala com judeus, mas mais diplomático quando fala para o público; contra o NAFTA de Bill Clinton, mas assegurando o Canadá que o “contra” é apenas política e retórica; entre outros casos).
Conforme escreveu Arianna Huffington, do The Huffington Post, Obama está trilhando o natural caminho político de centralizar-se. Estrategicamente falando, isso é necessário em diferentes níveis para conquistar fragmentos das bases adversárias. Lula, que era de esquerda, o fez durante 8 anos de governo, não apenas em sua campanha. McCain também construiu uma história desviada ao centro quando o tema é meio-ambiente, reforma imigratória, e procedimentos interrogatórios considerados torturosos, realizados em prisões como a de Guantánamo Bay.
O problema, segundo Huffington, é que os vitoriosos, geralmente, são os candidatos com ideologias salientadas e firmes posições. Obama parece estar se movimentando erroneamente à direita, para cair de costas no centro, ambas posições descartáveis estrategicamente.
Procurando aumentar sua base de eleitores evangélicos, Obama declarou ontem que nomeará um comitê para delinear “Iniciativas Baseadas na Fé” à nação. Para um candidato liberal, esse talvez seja o maior e mais bizarro dos erros. Liberais-Democratas são famosos por persistir, em todos os dilemas sócio-morais, na separação entre o estado e a religião. Assim, que diabos seriam “Iniciativas Baseadas na Fé”, ou carinhosamente apelidadas “F.B.I.”?
Adiante, McCain explorou uma das importantes decisões judiciais da semana passada para atacar Obama. À semana passada, a Suprema Corte decidiu que o estupro de crianças não poderia acarretar a pena de morte. Obama, que se disse contrário à pena máxima salvo em raros casos, diz-se contrário a essa decisão. McCain diz que Obama critica a corte conservadora de Bush, mas que, nesse caso, quando a corte delibera uma decisão democrata, o senador pelo Illinois repentinamente discorda da mesma, relembrando ao populacho que o candidato democrata apenas diz o que melhor seria visto pela maioria dos eleitores.
A conclusão é o título desse texto: Barack Obama é apenas mais um político, e John Fitzgerald Kennedy o era também, como Bill Clinton ou Jimmy Carter, dos piores aos melhores. Porém, base a base, comparemos Obama a McCain e deixemos claro porque meu voto iria para o democrata:
1 – Oriente Médio: McCain não duvida, nossos inimigos estão no Oriente Médio e são os mesmos inimigos de Israel. Obama foi visto como anti-sionista, e a campanha de Clinton conseguiu ligá-lo a dois pastores anti-semitas da comunidade afro-americana. Enquanto o som do baile foi indicado pelo republicano, o democrata fez só dançar, e acabou posicionando-se, perante a comunidade judaica, como um bom “americano”, tentando acalmar a insegurança de uma base essencial ao estado da Flórida e New York. Errado, acredito que seja. Necessário, talvez, mas será mesmo que estamos tão carentes de mentira e hipocrisia que precisamos mais dela para confiar em algum candidato?
2 – Enquanto McCain virtualmente não se importa com os recursos usados pelos EUA para “estabilizar” o Iraque, Obama ao menos pertence à base que o pressionará a fazer o melhor possível guiando uma retirada paulatina dentro do contexto atual. Enquanto McCain parte da base acusada de entrar no Iraque pelo petróleo (algo que se concretiza ainda mais com a possibilidade do retorno das companhias petrolíferas do país ao Iraque), Obama parte da base que deseja satisfazer a opinião pública mundial e acabar com o conflito o quanto antes.
3 – Economicamente falando, ambos partidos protegem seus interesses, e se alguém o faz mais, esse alguém é provavelmente republicano, racicínio de democrata, olhem lá. A esperança é que, seja quem for, assuma reformar o NAFTA para prejudicar menos o mundo e ajudar mais a própria população estadunidense.
4 – Quanto às famigeradas “F.B.I.”, traço um paralelo ao comentário de Carlson Tucker da MSNBC: “Se o assunto for segurança nacional, McCain vence só pela natureza do argumento.”
Se o assunto for iniciativas baseadas em morais religiosas, os republicanos sempre perderão. McCain é contra o aborto, contra o casamento entre homossexuais e não me espantaria que seu vice fosse alguém como Mike Huckabee, que procura reformar a constituição para adaptá-la ao Novo Testamento protestante. Ponto final.
Esse gigantesco texto já faz o resumo da semana. O Gallup de hoje mostra Obama com 47-42% de McCain.
Até a next,
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Arianna Huffington,
Barack Obama,
Bill Clinton,
Brasil,
Carlson Tucker,
JFK,
Jimmy Carter,
John McCain,
Lula,
Roy Frenkiel
Friday, January 25, 2008
Nhac! Debates
OPINE (Clique aqui)
A seguir, mordidas dos debates republicano e democrata. Semana que vem conclúo a carta “Ao Artista Choroso.”
Debate Democrata em South Carolina pela CNN
Hillary Clinton versus Barack Obama
A briga, que tinha se apaziguado por alguns dias, se intensifica como nunca. Obama e Clinton passam uma boa parte do debate atacando um ao outro. Entre os principais ataques de ambos estão:
Barack Obama não teria postado no sítio eletrônico de sua campanha a comprovação de que pode pagar pelos serviços que promete oferecer. Desde descontos nos impostos de pessoas que ganhem determinadas somas anuais, a devoluções de até $500 dólares para combater a iminente recessão estão detalhados em suas promessas.
Hillary Clinton clama vigilar pelas mesmas mudanças que Obama oferece, ou ainda melhores. No entanto, é um exemplo de democrata que apoiou a Bush à época que antecedeu a invasão ao Iraque, ou tampouco conquistou muito no senado pelo lado democrata contra os interesses da atual administração. Obama lembra que “enquanto ele já lutava pelos direitos civis da classe média, ela representava o Wal-Mart entre seus maiores empresários.”
Hillary retrucou que, enquanto ela batalhava por melhores condições à classe média como primeira dama e logo independentemente, Obama trabalhava para outro dos ricos e poderosos que tanto critica. Nenhum dos dois está exatamente correto, conforme dizem comentaristas de ambas CNN e MSNBC.
Clinton critica a Obama por seus mais de cem votos “nulos” nas legislações representando seu estado de Illinois. Quando o senador diz apenas “presente” e não “sim ou não”, seu voto é considerado neutro. Obama respondeu que das mais de quatro mil votações, Clinton decidiu pegar apenas cem e destacá-las como maus exemplos. Afinal, entre as reformas que deveriam ser passadas, estavam por exemplo a maior proteção a víimas de abusos sexuais, e que quando ele votou apenas “presente” era para forçar uma nova análise da proposta.
Clinton também criticou a Obama por elogiar as idéias do partido republicano. Seu marido já tinha dito que Obama queria ser como Ronald Reagan em suas próprias palavras, uma proibição entre os democratas. Obama se defendeu dizendo que jamais tinha dito que gostava das idéias, apenas que a base republicana as tinha, e que eram consolidadas, e que ele queria ser como Reagan no sentido de unir ambos partidos republicano e democrata para um governo bi-partidário. Um comercial de rádio repetiu a crítica em nome de Hillary Clinton por vinte-e-quatro horas, depois retirado pelo “mal-entendido” que apenas culminou em uma maior repercussão nacional, fazendo valer a idéia de que, certamente, os Clinton fariam de tudo para se elegerem.
O Fator “Bill Clinton”
Quando queremos que alguém se acalme nos Estados Unidos, dizemos: “Chill, dude,” ou “fica frio, cara.” A mensagem de analístas políticos a Bill Clinton é “Chill, Bill.” Hillary não precisa de seu marido para vencer essas eleições, mas certamente ele pode beneficiá-la, e todos parecem concordar que os Clinton fariam de tudo para se elegerem. Enquanto Obama faz questão de mencionar a Bill, assim dando entender que não tem medo do ex-popular presidente estadunidense, Hillary discretamente apenas diz que “ambos temos esposos cometidos, Barack.” Mas Michelle, a esposa de Obama, jamais atacou Hillay Clinton e muito menos disse inverdades.
John Edwards
Decidiu ser mais discreto, assim recebendo menos tempo do que seus colegas, mas também ganhando maior credibilidade por não ter se envolvido na briga pessoal entre os dois políticos. Também decidiu questionar Obama por suas mais de 100 votações “nulas.” De acordo com simpatizantes e jornalistas, o consenso é de que Edwards teria vencido o debate, mas ganho muito pouco com o mesmo.
Respostas Sinceras?
Isso já ocorrera no debate anterior, em New Hampshire, quando perguntaram aos candidatos alternadamente qual seria seu maior defeito.
Obama foi o primeiro, e disse que tinha problemas sérios para organizar seus papéis, e que pedia aos seus acessores e estagiários que só lhe entregassem documentos necessários dois minutos antes de que os precise usar.
Edwards disse que seu maior defeito era a fraqueza para lutar pelos pobres, e sua sensibilidade pelos esforços da classe média. Mas que defeito nobre!
Clinton disse que seu maior defeito era a impaciência para causar mudanças.
Obama depois brincou em uma de suas convenções e retrucou: “Se eu fosse o último, diria que meu maior defeito era ajudar as velinhas a atravessar a rua.”
Em South Carolina, a pergunta foi: Por que Martin Luther King, se vivo estivesse, os apoiaria?
Edwards disse que o apoiaria porque por toda sua vida profissional tem lutado pelas classes média e baixa, e que também lutava contra as injustiças sociais.
Obama disse que King não apoiaria ninguém, mas responsabilizaria o governante por seus feitos, e clamaria para que seus seguidores fizessem o mesmo.
Clinton disse, contudo, que King apoiava políticos e fazia lobby para os mesmos. E se tivesse que apoiar um dos três, ela já comprovou em seus anos ao lado de Bill que sempre lutou pelos direitos humanos.
Será que Obama ainda não aprendeu como se joga esse jogo?
Amanhã, mordidas sobre o espetacular (e bota espetacular nisso) debate republicano a meia hora de minha casa, em Boca Raton, na Flórida, nesta Quinta passada Feira.
A seguir, mordidas dos debates republicano e democrata. Semana que vem conclúo a carta “Ao Artista Choroso.”
Debate Democrata em South Carolina pela CNN
Hillary Clinton versus Barack Obama
A briga, que tinha se apaziguado por alguns dias, se intensifica como nunca. Obama e Clinton passam uma boa parte do debate atacando um ao outro. Entre os principais ataques de ambos estão:
Barack Obama não teria postado no sítio eletrônico de sua campanha a comprovação de que pode pagar pelos serviços que promete oferecer. Desde descontos nos impostos de pessoas que ganhem determinadas somas anuais, a devoluções de até $500 dólares para combater a iminente recessão estão detalhados em suas promessas.
Hillary Clinton clama vigilar pelas mesmas mudanças que Obama oferece, ou ainda melhores. No entanto, é um exemplo de democrata que apoiou a Bush à época que antecedeu a invasão ao Iraque, ou tampouco conquistou muito no senado pelo lado democrata contra os interesses da atual administração. Obama lembra que “enquanto ele já lutava pelos direitos civis da classe média, ela representava o Wal-Mart entre seus maiores empresários.”
Hillary retrucou que, enquanto ela batalhava por melhores condições à classe média como primeira dama e logo independentemente, Obama trabalhava para outro dos ricos e poderosos que tanto critica. Nenhum dos dois está exatamente correto, conforme dizem comentaristas de ambas CNN e MSNBC.
Clinton critica a Obama por seus mais de cem votos “nulos” nas legislações representando seu estado de Illinois. Quando o senador diz apenas “presente” e não “sim ou não”, seu voto é considerado neutro. Obama respondeu que das mais de quatro mil votações, Clinton decidiu pegar apenas cem e destacá-las como maus exemplos. Afinal, entre as reformas que deveriam ser passadas, estavam por exemplo a maior proteção a víimas de abusos sexuais, e que quando ele votou apenas “presente” era para forçar uma nova análise da proposta.
Clinton também criticou a Obama por elogiar as idéias do partido republicano. Seu marido já tinha dito que Obama queria ser como Ronald Reagan em suas próprias palavras, uma proibição entre os democratas. Obama se defendeu dizendo que jamais tinha dito que gostava das idéias, apenas que a base republicana as tinha, e que eram consolidadas, e que ele queria ser como Reagan no sentido de unir ambos partidos republicano e democrata para um governo bi-partidário. Um comercial de rádio repetiu a crítica em nome de Hillary Clinton por vinte-e-quatro horas, depois retirado pelo “mal-entendido” que apenas culminou em uma maior repercussão nacional, fazendo valer a idéia de que, certamente, os Clinton fariam de tudo para se elegerem.
O Fator “Bill Clinton”
Quando queremos que alguém se acalme nos Estados Unidos, dizemos: “Chill, dude,” ou “fica frio, cara.” A mensagem de analístas políticos a Bill Clinton é “Chill, Bill.” Hillary não precisa de seu marido para vencer essas eleições, mas certamente ele pode beneficiá-la, e todos parecem concordar que os Clinton fariam de tudo para se elegerem. Enquanto Obama faz questão de mencionar a Bill, assim dando entender que não tem medo do ex-popular presidente estadunidense, Hillary discretamente apenas diz que “ambos temos esposos cometidos, Barack.” Mas Michelle, a esposa de Obama, jamais atacou Hillay Clinton e muito menos disse inverdades.
John Edwards
Decidiu ser mais discreto, assim recebendo menos tempo do que seus colegas, mas também ganhando maior credibilidade por não ter se envolvido na briga pessoal entre os dois políticos. Também decidiu questionar Obama por suas mais de 100 votações “nulas.” De acordo com simpatizantes e jornalistas, o consenso é de que Edwards teria vencido o debate, mas ganho muito pouco com o mesmo.
Respostas Sinceras?
Isso já ocorrera no debate anterior, em New Hampshire, quando perguntaram aos candidatos alternadamente qual seria seu maior defeito.
Obama foi o primeiro, e disse que tinha problemas sérios para organizar seus papéis, e que pedia aos seus acessores e estagiários que só lhe entregassem documentos necessários dois minutos antes de que os precise usar.
Edwards disse que seu maior defeito era a fraqueza para lutar pelos pobres, e sua sensibilidade pelos esforços da classe média. Mas que defeito nobre!
Clinton disse que seu maior defeito era a impaciência para causar mudanças.
Obama depois brincou em uma de suas convenções e retrucou: “Se eu fosse o último, diria que meu maior defeito era ajudar as velinhas a atravessar a rua.”
Em South Carolina, a pergunta foi: Por que Martin Luther King, se vivo estivesse, os apoiaria?
Edwards disse que o apoiaria porque por toda sua vida profissional tem lutado pelas classes média e baixa, e que também lutava contra as injustiças sociais.
Obama disse que King não apoiaria ninguém, mas responsabilizaria o governante por seus feitos, e clamaria para que seus seguidores fizessem o mesmo.
Clinton disse, contudo, que King apoiava políticos e fazia lobby para os mesmos. E se tivesse que apoiar um dos três, ela já comprovou em seus anos ao lado de Bill que sempre lutou pelos direitos humanos.
Será que Obama ainda não aprendeu como se joga esse jogo?
Amanhã, mordidas sobre o espetacular (e bota espetacular nisso) debate republicano a meia hora de minha casa, em Boca Raton, na Flórida, nesta Quinta passada Feira.
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