Parece que é a época do ano. Ano passado, de Junho a Agosto morreram Tim Russert (analista político da MSNBC e NBC) e George Carlin, comediante favorito do blogueiro. Esse ano, na mesma temporada, morrem Ed Macmahon (que frequentemente “apresentava” o Tonight Show com Johnny Carson, também recentemente falecido), Farah Fawcett (a “anja” dos Estados Unidos) e Michael Jackson.
Sobre Michael Jackson há muito a dizer. Muito mesmo. Recomendo a leitura da Zine do Pirata, onde o próprio opina sobre a qualidade musical de um de seus ídolos. Discordo dele apenas em um “detalhe”: Para mim Thriller foi um dos melhores álbuns da música contemporânea desde a explosão tecnológica da comunicação de massas. E, além disso, a música They don’t care about us, de meados dos anos 90 (video-clip, inclusive, filmado exclusivamente no Brasil), é minha favorita entre as suas, o que prova que sua carreira não “morreu” há tanto tempo assim.
O video-clip de Thriller revolucionou a indústria. Fred Astaire, o maior dançarino do início do cinema americano, morreu invejando os movimentos impossíveis de MJ.
Acredito que o tema onde a imprensa menos mostra conduta ética e mais prova a ineficiência da incorporação absoluta do jornalismo social é quando trata de celebridades. O sensacionalismo que jornais como The New York Times evitam em qualquer outro artigo faz-se presente e estridente quando tratam de celebridades. Britney Spears, Anne Nichole Smith e outros já sofreram o “bafo de enxofre” que a midia às vezes exala. No entanto, acredito que ninguém tenha sofrido mais, e tão constantemente, quanto Jackson.
Se foi ou não pedófilo acredito que nunca teremos certeza. Há evidências para os dois lados, tanto com a perseguição midiática quanto com sua conduta (infantil, excêntrica, tendo sido abusado pelo pai em sua infância). Portanto, uma de minhas filosofias de vida é separar o gênio de sua pessoa caso ainda queira admirar a arte de anti-semitas, racistas, assassinos, pedófilos ou pedantes, maniacos-depressivos ou ninfomaniacos.
À Sexta-Feira assisti um especial de Bill Maher (comediante e apresentador de seu próprio show na HBO) entrevistando a Billy Bob Thornton, ator de Bad Santa, Armaggedon, The Astroaut Farmer, Monster’s Ball e Slingblade. Thornton tem também uma banda que leva seu nome, tocando e cantando canções de clássica relevância cultural aos Estados Unidos, e há alguns meses saiu no Youtube em uma entrevista a um radioalista canadense que terminou embaraçosa para ambos, quando o radioalista brincou com a validade da música do artista.
Voltando a Bill Maher, no programa Thornton mostrou sua paixão pela música e levantou uma questão que podemos discutir aqui em debate público número dois. Se você pudesse fazer uma lista das bandas e cantores/as que serão lembrados de hoje em 100 anos, quantos nomes encontraria pertencentes às décadas de 80, 90 e a atual? Thornton perguntou isso a uma amiga, e a maioria das pessoas que ela citava tiveram o início de sua carreira nos anos 40, 50 e 60. Um desses artistas citados pela “amiga” foi Michael Jackson, ao que Thornton respondeu: “Errada de novo, Jackson começou em 1969 com os Jackson 5”.
Jackson, no entanto, pode ser uma das últimas lendas da época em que o rádio revolucionou (e estragou, em parte) a indústria de gravadoras de discos. Penso em artistas dessa época que ainda vivem, e realmente não encontro ninguém (nem Ringo Starr e Paul McArtney) que despertasse tanto interesse público e que despertará tanto luto no dia de sua morte. Indubitavelmente, sendo quem fosse, exposto como fosse pela imprensa sangrenta e sedenta por celebridades, foi um dos últimos grandes mestres da popularidade universal (ao lado de Elvis Presley, Frank Sinatra e pouquíssimos outros).
Penso na pergunta de Thornton e já discuti o tema com pessoas que viveram os anos 70, por exemplo, e tiveram o privilégio de acompanhar os anos “dourados” de Jackson, e o surgimento e sucesso das bandas dos anos 50 e 60. Minha resposta final? Depende a quem perguntemos, a memória servirá melhor a gregos do que troianos, ou vice-versa. E, justamente pela propagação da comunicação de massas e pelas diversidades e variedades que encontramos no mundo artístico moderno, acredito que será difícil ou impossível alguém chegar ao mesmo patamar de fama, já que o excesso e a diversidade em excesso (o que acredito ser algo positivo mais do que negativo) realmente atrapalham a adoração universal, e hoje em dia o mundo é cada vez mais individualista.
E vocês? O que pensam disso? Podem citar o nome de ao menos 10 bandas e/ou cantores/as que serão lembrados e louvados de hoje em 100 anos? Qual é a extenção da influência da explosão tecnológica da comunicação de massas no século XX no gosto popular musical? Quais artistas dos últimos 100 anos vocês mais lembram?
RF
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Monday, June 29, 2009
Debate Público Número Dois: "Who's Bad"?
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Monday, June 30, 2008
A raiz do Blog: Duas Perspectivas
Não houve resumo da semana passada pela frenese que já se instala em minha vida de estudante. Porém, com as pesquisas postadas à Quinta-Feira acredito que o mais importante foi coberto. Também trouxe os dois importantes temas do acordo entre a Coréia do Norte e a administração de George W. Bush, e etanól e sua relação com os dois candidatos presidenciais, John McCain e Barack Obama.
O que não mencionei foi o encontro orquestrado entre Hillary Clinton e Obama na cidade de Unity, Illinois, que acelerou um processo já iniciado ao fim das primárias: a atração da base de Clinton ao atual nomeado democrata. Depois das desgastantes primárias, a jogada é mostrar que houve uma genuína reconciliação, e que o partido permanece unido.
Não cansarei meus leitores com contos furados de meus mortos ídolos, ainda mais gringos, nem sempre apreciados por outras nações, mas quero mencionar por quais perspectivas oscilo. Em Junho que se vai morreram dois de meus heróis, um deles mais, outro menos recente. Primeiro, Tim Russert, o bom jornalista da velha-guarda, homem de família, tradições estadunidenses e valores com os quais não me relaciono, mas que, com ele, aprendi a melhor respeitar. Depois morreu George Carlin, comediante, considerado por muitos como o ápice da comédia lógica, aquela que, segundo o colega profissional Bill Maher, “em extrair a comédia se tem um bom discurso e algumas ótimas lições morais”.
Russert acreditava nos valores americanos, acreditava na política, e esperava para o dia em que esta deixasse de ser um jogo para tornar-se a própria essência. Mesmo consciente das artimanhas, da propaganda e da sede por controle que têm governantes, também admirava o processo eleitoral e a democracia dos Estados Unidos. Uma de suas frases favoritas era “what a country!” (“Que país!”). Dizia isso porque ele mesmo cresceu da pobreza em sua cidade de Buffalo e conseguiu chegar a entrevistar Papas e Presidentes.
George Carlin tinha a mesma visão que adotei desde os anos de minha adolescência, e ainda mais quando deixei minha religião. O mundo “público”, o governo, a mídia, os valores populares, a arte popular, são todos meticulosa e caoticamente construídos e artificiais, postos à venda pela necessidade irracional de consumo que a humanidade adquiriu ao longo dos anos, uma evolução até lógica considerando posições mais primitivas. Era o paladino contra eufemismos e o politicamente correto. Não acreditava na política, na mídia, na loteria e nos heróis nacionais. Abriu seu último especial da HBO (seu décimo-quarto) dizendo “foda-se Tiger Woods, foda-se Lance Armstrong, estou cansado que me digam quem tenho de admirar nesse país!”
Uma de suas frases favoritas era: "Chama-se 'sonho-americano' porque a pessoa precisa estar dormindo para acreditar nele."
Voltando às eleições, Colin Powell deve endossar Barack Obama, sendo Powell uma das poucas referências populares de bom senso no partido republicano. McCain ainda não conquistou o explícito apoio da base que elege Bush ao primeiro mandato.
Tenham certeza, no entanto, que a realidade é Kafkiana, e em nome de interesses obscuros cada partido usará todas as possíveis armas para levar o cargo máximo ao fim do dia.
Em troca de e-mails entre vosso blogueiro e John Hemingway, neto de Ernest Hemingway, colunista do Direto da Redação, houve esse acordo ideológico. Para ele, os anos ’70 com todo seu período corrupto trouxeram o fim de Nixon e puniram parte dos responsáveis pelos crimes cometidos contra o povo americano, desde o Vietnã ao escândalo de Watergate. Hoje em dia, nem mesmo isso podemos esperar.
A realidade Kafkiana é que existe o lado esperançoso de Russert, e a crença de que envolver-se no sistema é o único modo de criticá-lo objetivamente. Ao mesmo tempo, existe o lado cínico de Carlin, e a descrença em absolutamente tudo que parte do “mainstream”. Oscilando entre os dois lados, o objetivamente comprometido e o meticulosamente cínico, cria-se a verdadeira análise dessas eleições n’A Escolha do Próximo Porteiro. Espero que seja útil.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Collin Powell,
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George Carlin,
Hillary Clinton,
John McCain,
Tim Russert
Monday, June 23, 2008
In Memoriam - Sim, de novo

Morre George Carlin, aos 71 anos. Comediante sagaz, rápido, inteligente crítico social, era meu absoluto favorito no estilo stand-up. Esteve em Miami em 2006, mas o imbecíl aqui não foi por não ter companhia.
Não é justo. Demorou muito para que me acostumasse com os costumes locais, a filosofia, os valores, a moral dos Estados Unidos, e mais tempo ainda até que encontrasse algum lugar a me encaixar. Na semana passada, morre um dos jornalistas que mais me inspiraram nos Estados Unidos. Hoje, morre a voz da verdade através do humor – a mais alta qualidade humana – que mais me moveu (em stand-up, ao menos).
O blog é político, e Carlin era político. Sempre apresentava material que trazia à tona os mais obscuros comportamentos humanos, a censura, os palavrões, o suicídio, a idolatração infantil, o super consumismo, e, é claro, a religião.
Há menos de um mês liguei a meu tio e disse que sentia saudades, e que tinha me lembrado dele quando vi uma das mais recentes apresentações do grande comediante na qual tratava da religião e do ceticismo, do comportamento desnexado das pessoas em funerais, e da hipocrisia das más fés. Agora vejo que Carlin preparava seu público para uma inevitável partida. Recentemente, o para mim ídolo já demonstrava fragilidade no palco. E eu, fazia planos para vê-lo assim que voltasse à Flórida. Doce desilusão.
A ti também, velho Carlin, aquele abraço.
Imitando uma recomendação do pessoal do velho O Pasquim:
“Vam pará de morrê, aí, gente?”
RF
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