Monday, June 29, 2009
Debate Público Número Dois: "Who's Bad"?
Sobre Michael Jackson há muito a dizer. Muito mesmo. Recomendo a leitura da Zine do Pirata, onde o próprio opina sobre a qualidade musical de um de seus ídolos. Discordo dele apenas em um “detalhe”: Para mim Thriller foi um dos melhores álbuns da música contemporânea desde a explosão tecnológica da comunicação de massas. E, além disso, a música They don’t care about us, de meados dos anos 90 (video-clip, inclusive, filmado exclusivamente no Brasil), é minha favorita entre as suas, o que prova que sua carreira não “morreu” há tanto tempo assim.
O video-clip de Thriller revolucionou a indústria. Fred Astaire, o maior dançarino do início do cinema americano, morreu invejando os movimentos impossíveis de MJ.
Acredito que o tema onde a imprensa menos mostra conduta ética e mais prova a ineficiência da incorporação absoluta do jornalismo social é quando trata de celebridades. O sensacionalismo que jornais como The New York Times evitam em qualquer outro artigo faz-se presente e estridente quando tratam de celebridades. Britney Spears, Anne Nichole Smith e outros já sofreram o “bafo de enxofre” que a midia às vezes exala. No entanto, acredito que ninguém tenha sofrido mais, e tão constantemente, quanto Jackson.
Se foi ou não pedófilo acredito que nunca teremos certeza. Há evidências para os dois lados, tanto com a perseguição midiática quanto com sua conduta (infantil, excêntrica, tendo sido abusado pelo pai em sua infância). Portanto, uma de minhas filosofias de vida é separar o gênio de sua pessoa caso ainda queira admirar a arte de anti-semitas, racistas, assassinos, pedófilos ou pedantes, maniacos-depressivos ou ninfomaniacos.
À Sexta-Feira assisti um especial de Bill Maher (comediante e apresentador de seu próprio show na HBO) entrevistando a Billy Bob Thornton, ator de Bad Santa, Armaggedon, The Astroaut Farmer, Monster’s Ball e Slingblade. Thornton tem também uma banda que leva seu nome, tocando e cantando canções de clássica relevância cultural aos Estados Unidos, e há alguns meses saiu no Youtube em uma entrevista a um radioalista canadense que terminou embaraçosa para ambos, quando o radioalista brincou com a validade da música do artista.
Voltando a Bill Maher, no programa Thornton mostrou sua paixão pela música e levantou uma questão que podemos discutir aqui em debate público número dois. Se você pudesse fazer uma lista das bandas e cantores/as que serão lembrados de hoje em 100 anos, quantos nomes encontraria pertencentes às décadas de 80, 90 e a atual? Thornton perguntou isso a uma amiga, e a maioria das pessoas que ela citava tiveram o início de sua carreira nos anos 40, 50 e 60. Um desses artistas citados pela “amiga” foi Michael Jackson, ao que Thornton respondeu: “Errada de novo, Jackson começou em 1969 com os Jackson 5”.
Jackson, no entanto, pode ser uma das últimas lendas da época em que o rádio revolucionou (e estragou, em parte) a indústria de gravadoras de discos. Penso em artistas dessa época que ainda vivem, e realmente não encontro ninguém (nem Ringo Starr e Paul McArtney) que despertasse tanto interesse público e que despertará tanto luto no dia de sua morte. Indubitavelmente, sendo quem fosse, exposto como fosse pela imprensa sangrenta e sedenta por celebridades, foi um dos últimos grandes mestres da popularidade universal (ao lado de Elvis Presley, Frank Sinatra e pouquíssimos outros).
Penso na pergunta de Thornton e já discuti o tema com pessoas que viveram os anos 70, por exemplo, e tiveram o privilégio de acompanhar os anos “dourados” de Jackson, e o surgimento e sucesso das bandas dos anos 50 e 60. Minha resposta final? Depende a quem perguntemos, a memória servirá melhor a gregos do que troianos, ou vice-versa. E, justamente pela propagação da comunicação de massas e pelas diversidades e variedades que encontramos no mundo artístico moderno, acredito que será difícil ou impossível alguém chegar ao mesmo patamar de fama, já que o excesso e a diversidade em excesso (o que acredito ser algo positivo mais do que negativo) realmente atrapalham a adoração universal, e hoje em dia o mundo é cada vez mais individualista.
E vocês? O que pensam disso? Podem citar o nome de ao menos 10 bandas e/ou cantores/as que serão lembrados e louvados de hoje em 100 anos? Qual é a extenção da influência da explosão tecnológica da comunicação de massas no século XX no gosto popular musical? Quais artistas dos últimos 100 anos vocês mais lembram?
RF
Thursday, October 30, 2008
Y la nave va...
Quando comecei a escrever aqui, meu compromisso deveria servir também para explicar o que se ouve sobre a política externa dos Estados Unidos, mais do que sua economia. O que ocorreu foi que a guerra no Iraque caiu a segunda instância, e, a economia, reverberada em gestos pensamentais quase masturbatórios.
Há cinco dias da Terça-Feira que destronará George W. Bush depois de oito anos conturbados, a base de Barack Obama permanece fortalecida e, como era de se esperar, a base de John McCain tenta de tudo para apagar a desvantagem.
Segundo analistas políticos do The New York Times, CNN e MNSBC, o mapa dos estados favorece a Obama com margens tão avantajadas que McCain terá de fazer milagres para ser eleito. Milagres, no entanto, são a especialidade do partido Republicano.
Há quatro anos Bush esteve no programa de Tim Russert, Meet the Press, e disse que não estava preocupado. “Vencerei aqui,” disse o presidente, apontando a região do sudeste de Ohio, estado crucial em 2004, que pode reassumir o papel em 2008. Em Ohio, justamente, foram constatadas tanto em 2004 quanto às vésperas das eleições atuais, máquinas eleitorais disfuncionais e eleitores registrados tendo seus registros cancelados por irregularidades amenas, como erros de ortografia nos nomes ou sobrenomes dos “suspeitos”.
Mesmo assim, em North Carolina, onde o voto republicano sempre foi regra, Obama conseguiu inspirar um milhão de eleitores democratas novos a mais a se registrarem, comparados aos eleitores republicanos. A Geórgia, há pouco tida sólida para McCain, demonstra que pode virar em última hora. O mesmo ocorre com Indiana e Colorado, sem falar em Virginia, que conta com a presença de muitos negros, com a expectativa de que votem em maiores números à próxima Terça-Feira.
Caso McCain perder em todos os estados em que seu rival aparece liderando nas pesquisas, de nada lhe servirá levar a Flórida, Ohio ou North Carolina. A matemática de Votos Eleitorais lhe escapa às mãos, e o candidato republicano apenas pode contar com viradas, levar estados nos quais perde, atualmente, segundo as últimas pesquisas. Isto não é impossível.
Em clima de encerramento de campanha, Obama comprou meia hora ao ar em sete canais, entre eles a MSNBC, a NBC, a FOX e o BET. Sua propaganda política foi ao ar ontem, às 8 horas da noite, horário de Nova-York, em uma produção semi-hollywoodiana, na qual mostrou seus laços familiares, falou de sua mãe, seu pai, e mostrou o trajeto de três cidadãos de classe média em três estados disputados, Colorado, Flórida e Ohio. McCain esteve no programa de Larry King por toda a hora na mesma noite.
Porém, essa compra democrata está diretamente relacionada ao que se testemunhou de inédito neste ano eleitoral, a doação colossal em quantias de $15-30 dólares, por cidadãos comuns.
Desde que Obama desviou-se do que tinha sugerido inicialmente em relação aos fundos campanhistas públicos, e decidiu não usá-los nestas eleições, seu poder aquisitivo em campanha é quase o triplo de seu rival. McCain sentiu, mas tampouco utilizou seu dinheiro de modo sábio, procurando surrupiar estados classicamente republicanos mesmo perdendo por dígitos duplos nas pesquisas.
Usou Ayers, o Pastor Wright e ainda usa alianças comuns entre Obama e McCain a um ex representante palestino. Sobre impostos e economia o campo Republicano começou a discursar apenas na última semana. Porém, apesar de que seu campo afirma veementemente que suas pesquisas demonstram que McCain ganha terreno, não é o que constatamos.
A propaganda política de Obama foi pré-criticada por representantes republicanos como “elitista”. Engraçado, ou esse mesmo “elitismo” era usado por Adolf Hitler contra os judeus? Afinal, caso McCain tivesse o dinheiro, faria o mesmo, se não mais. E, de fato, aproveitou-se da entrevista no programa de Larry King para “alertar os consumidores sobre os produtos vendidos nesta propaganda".
Já Obama brincou em sua rally. Primeiro com um vídeo editado e distribuído entre o campo Democrata, mostrando uma corrida entre dois ciclistas na qual quem vencia tirou as mãos do guidão na última volta, caiu de bunda, e perdeu para o outro ciclista com o rosto colado de McCain. A mensagem: Não tirem as mãos do guidão! Vocês ainda precisam ir votar (algo que preocupa os democratas, apesar da explosão de novos eleitores). Além disso, constatou que “logo, logo McCain me chamará de comunista, porque eu compartilhava meus brinquedos no jardim de infância”.
Minha próxima postagem será na Segunda, antes da Super-Terça-Feira. Até lá, cintos apertados, que a nave vai.
RF
Monday, June 30, 2008
A raiz do Blog: Duas Perspectivas
Não houve resumo da semana passada pela frenese que já se instala em minha vida de estudante. Porém, com as pesquisas postadas à Quinta-Feira acredito que o mais importante foi coberto. Também trouxe os dois importantes temas do acordo entre a Coréia do Norte e a administração de George W. Bush, e etanól e sua relação com os dois candidatos presidenciais, John McCain e Barack Obama.
O que não mencionei foi o encontro orquestrado entre Hillary Clinton e Obama na cidade de Unity, Illinois, que acelerou um processo já iniciado ao fim das primárias: a atração da base de Clinton ao atual nomeado democrata. Depois das desgastantes primárias, a jogada é mostrar que houve uma genuína reconciliação, e que o partido permanece unido.
Não cansarei meus leitores com contos furados de meus mortos ídolos, ainda mais gringos, nem sempre apreciados por outras nações, mas quero mencionar por quais perspectivas oscilo. Em Junho que se vai morreram dois de meus heróis, um deles mais, outro menos recente. Primeiro, Tim Russert, o bom jornalista da velha-guarda, homem de família, tradições estadunidenses e valores com os quais não me relaciono, mas que, com ele, aprendi a melhor respeitar. Depois morreu George Carlin, comediante, considerado por muitos como o ápice da comédia lógica, aquela que, segundo o colega profissional Bill Maher, “em extrair a comédia se tem um bom discurso e algumas ótimas lições morais”.
Russert acreditava nos valores americanos, acreditava na política, e esperava para o dia em que esta deixasse de ser um jogo para tornar-se a própria essência. Mesmo consciente das artimanhas, da propaganda e da sede por controle que têm governantes, também admirava o processo eleitoral e a democracia dos Estados Unidos. Uma de suas frases favoritas era “what a country!” (“Que país!”). Dizia isso porque ele mesmo cresceu da pobreza em sua cidade de Buffalo e conseguiu chegar a entrevistar Papas e Presidentes.
George Carlin tinha a mesma visão que adotei desde os anos de minha adolescência, e ainda mais quando deixei minha religião. O mundo “público”, o governo, a mídia, os valores populares, a arte popular, são todos meticulosa e caoticamente construídos e artificiais, postos à venda pela necessidade irracional de consumo que a humanidade adquiriu ao longo dos anos, uma evolução até lógica considerando posições mais primitivas. Era o paladino contra eufemismos e o politicamente correto. Não acreditava na política, na mídia, na loteria e nos heróis nacionais. Abriu seu último especial da HBO (seu décimo-quarto) dizendo “foda-se Tiger Woods, foda-se Lance Armstrong, estou cansado que me digam quem tenho de admirar nesse país!”
Uma de suas frases favoritas era: "Chama-se 'sonho-americano' porque a pessoa precisa estar dormindo para acreditar nele."
Voltando às eleições, Colin Powell deve endossar Barack Obama, sendo Powell uma das poucas referências populares de bom senso no partido republicano. McCain ainda não conquistou o explícito apoio da base que elege Bush ao primeiro mandato.
Tenham certeza, no entanto, que a realidade é Kafkiana, e em nome de interesses obscuros cada partido usará todas as possíveis armas para levar o cargo máximo ao fim do dia.
Em troca de e-mails entre vosso blogueiro e John Hemingway, neto de Ernest Hemingway, colunista do Direto da Redação, houve esse acordo ideológico. Para ele, os anos ’70 com todo seu período corrupto trouxeram o fim de Nixon e puniram parte dos responsáveis pelos crimes cometidos contra o povo americano, desde o Vietnã ao escândalo de Watergate. Hoje em dia, nem mesmo isso podemos esperar.
A realidade Kafkiana é que existe o lado esperançoso de Russert, e a crença de que envolver-se no sistema é o único modo de criticá-lo objetivamente. Ao mesmo tempo, existe o lado cínico de Carlin, e a descrença em absolutamente tudo que parte do “mainstream”. Oscilando entre os dois lados, o objetivamente comprometido e o meticulosamente cínico, cria-se a verdadeira análise dessas eleições n’A Escolha do Próximo Porteiro. Espero que seja útil.
RF
Friday, June 20, 2008
Resumo Semanal e Bola pra Frente
Mesmo assim comprometo-me a, pelo menos, fazer o resumo semanal às Sextas-Feiras ou finais de semana, compensando em tamanho e qualidade, se for o caso, a falta de outros textos. A seguir, o resumo:
Tim Russert

Caricatura de Bruno Venancio
Na passada Sexta-Feira 13 a nação perdeu um de seus grandes mitos jornalísticos. Tim Russert, 58, teve o funeral conduzido a partir da Terça-Feira, que contou com a presença do presidente George W. Bush, secretários e ministros, governadores, senadores e representantes do congresso, dezenas de personalidades públicas que preencheriam uma eternidade de mesas-redondas como a do Meet the Press, a qual Russert moderava aos Domingos.
Na Quarta-Feira, 17 de seus mais próximos amigos, como a freira Lucille, que o conhecia desde sua infância como estudante no colégio irlandês-católico na cidade de Buffalo, NY, falaram da vida do moderador e editor executivo das redes NBC. Entre esses estavam Maria Shriver, ex colega de Russert na NBC, Tom Brokaw, Brian Williams (escolhido como substituto temporário de Russert no Meet the Press), a historiadora politica Doris Kearns Goodwin, também amigo e colega Mike Barnicle e o ex governador de NY Mario Cuomo. O Memorial terminou com a forte presença de Luke Russert, 22 anos, filho único do homenageado.
No serviço, realizado em Washington, na Igreja da Santa Trindade, os candidatos presidenciais Barack Obama e John McCain sentaram-se lado a lado, a pedido da família. À saída, um arco-íris, e logo uma pequena enchurrada de água, tomaram conta do cenário. Russert deixa o filho Luke e a esposa Maureen Orth, jornalista para a revista Vanity Fair.
"Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. O que o senhor faz?" Lord John Maynard Keynes, ou, Meio ponto a Barack Obama
Obama mudou sua posição ontem, novamente, e desta vez faz um jogo político que, segundo analistas, pode ser vantajoso, mas poderia ter sido abordado diferentemente.
Quando em Novembro de 2007 foi questionado sobre sua posição a respeito do financiamento público das campanhas presidenciais, disse que concordaria lutar por uma reforma no financiamento estimado em 80-85 milhões de dólares caso seu adversário assim desejasse.
O senador pelo Illinois lançou um vídeo no sítio de sua campanha acusando republicanos de destorcerem o sistema do financiamento público a tamanho nível que renega recorrer ao mesmo. Em um e-mail enviado a membros do sítio de Obama, David Plouffe, diretor de sua campanha, diz que os republicanos “têm o dinheiro 527 ” (excessão à regra, introduzida há alguns anos, como método de incorporação de outras verbas para o auxílio nas campanhas presidenciais) e “manipularão o sistema de financiamento público” para arrecadar mais verbas do que o rival. Diz que, apenas em Abril, os republicanos conseguiram levantar 45 milhões de dólares, e que podem tranquilamente ultrapassar os fundos do rival democrata.
Segundo analistas políticos e bloguistas de ambos lados, Obama tem mais a ganhar do que a perder por sua reserva suficientemente avantajada.
Só não vence o ponto completo, porque poderia ter abordado o tema de modo distinto. O fato é que a campanha do democrata é financiada por milhões de indivíduos doando em seu sítio eletrônico, algo que a campanha de McCain não oferece aos seus eleitores.
Indivíduos doando menos de 100 dólares cada trouxeram ao senador democrata uma das maiores margens historicamente conhecidas na arrecadação de verbas populares. Se, ao invés de chorar pela manipulação do partido Republicano - algo discutível visto que, de acordo com as informações públicas, o campo democrata tem colecionado uma vantagem proporcional de 4-1 sobre o candidato republicano - tivesse apenas declarado que mudou sua posição para vencer os republicanos em Novembro e ponto final, sofreria menos na boca de seus críticos.
Gallup mostra liderança de Obama estável (Mais um ponto para Obama)
O instituto Quinnipiac mostra que Obama lidera na Flórida, Ohio e Pennsylvania
Nem todos as pesquisas concordam, mas nenhuma desmente o potencial de Barack Obama para as próximas eleições mesmo em estados delicados e discutidos como a Flórida, o duvidado estado da Pennsylvania (pela população de colarinho branco) e o instável Ohio.
Gallup iniciou a semana com um empate técnico entre Obama e McCain, 44-42% para o candidato democrata, mas a margem voltou a favorecer o último, passando a uma vantagem de 4 pontos (46-42%) e logo à última computada na Quarta-Feira 18, 47-42%.
Para o Quinnipiac, Obama lidera na Flórida por 47-43%, em Ohio por 48-42% e em Pennsylvania mantém uma vantagem considerável de 52-40% sobre o senador pelo Arizona.
Para o sítio Pollster.com, John McCain lidera na Flórida por 45.1-42.8%, ainda dentro da margem de erro.
Resultado semanal no quadro político, incluindo os resultados das pesquisas acima, e as polêmicas apresentadas e discutidas nos textos desta semana:
John McCain 3 x 2 ½ Barack Obama
Monday, June 16, 2008
Lembretes e novidades cruciais
Mesmo hollywodiano, o filme “Lions for Lambs” do diretor e ator Robert Redford, contém algumas cenas cruciais para a compreensão básica do significado de determinados movimentos políticos nas grandes capitais do mundo ocidental. Neste caso, fala da Casa Branca, mas bem poderia ser um retrato heterógeno de qualquer outra nação. Na cena em que a personagem de Meryl Streep entrevista o senador encarnado à pele de Tom Cruise, o diretor pinta o retrato da dificuldade de jornalistas a penetrar as mentes dos regentes federais.
Experiente, a repórter sabia que o senador apenas intensificava suas ações oficiais com a intenção de uma futura candidatura à presidência. Porém, ao término da cena, o senador se vira à repórter e diz o que ela já sabia que diria em resposta à sua pergunta: “Não tenho a menor intenção de concorrer à presidência.”
Muitos políticos mudam o rumo, ou aderem a uma corrente em prol de futuros políticos promissores, mas poucos admitem a mera idéia de concorrer à Sala Oval. Tim Russert tinha essa característica vulgar de fazer essa pergunta de “900 métodos diferentes” (palavras de James Carville, assessor da campanha de Hillary Clinton esse ano, quando preparava a senadora por NY à entrevista no Meet the Press há dois anos):
“Você tem interesse de se candidatar à presidência?”
Pois, Hillary Clinton e John McCain jamais admitiram suas intenções quando, à época, apenas mexiam pauzinhos no Senado a elevar-lhes a popularidade. Nesta mesma época, Clinton disse que não tinha a menor intenção de se candidatar à nomeação Democrata, e McCain disse “Tim, você saberá aqui antes.” Já Barack Obama, quando questionado pelo leão:
“É justo dizer que você ao menos pensa em se candidatar à presidência?” Obama respondeu:
“É justo, sim.” Abrupta e seriamente.
Nesse mesmo estilo, questionado por Russert no passado, McCain admitira em duas distintas ocasiões que não tinha experiência política quanto lhe sobrava experiência militar. Confrontado mais recentemente no programa Meet the Press, o senador pelo Arizona teve de “explicar” o que “pensou” estar dizendo à época, já que atualmente postula ao cargo mais poderoso do ocidente.
Talvez Russert não possa mais contribuir com suas análises e apurações, contatos e respeito no mercado jornalístico e no mundo político, mas suas contribuições até o auge das primárias democratas e o início da corrida presidencial mais importante desde Al Gore e George Bush, com um jovem senador de Illinois de raízes Africanas concorrendo à Casa Branca contra uma lenda bélica estadunidense, são essenciais e não devem ser esquecidas.
Gallup
Usando das pesquisas do instituto mais confiado dos Estados Unidos, percebemos que McCain está virtualmente empatado com Barack Obama desde o 15 de Junho, com o senador por Illinois vencendo por 44-42% do senador pelo Arizona.
Uma pesquisa recente da Gallup demonstra que a percepção nacional da expectativa a quem será o próximo presidente dos Estados Unidos favorece Barack Obama. 52-41% das pessoas entrevistadas, com a margem clássica de erro de três pontos percentuais, prevêem que Obama derrotará seu rival republicano em Novembro.
Lieberman
Joe Lieberman começa a causar problemas ao senador Barack Obama com a comunidade judaica da Flórida. Amigo e companheiro de McCain, o famoso “vira-casacas” do partido Democrata, que trocou de partido e credenciou-se Independente com a intenção de permanecer no Senado em 2006, Lieberman faz dos poucos assuntos em que diverge com a candidato democrata seu tema central quando fala com o grupo que mais influencia desde os primeiros dias de sua vida política. A guerra no Iraque, a postura liberal de Obama a respeito do Irã e de outros países inimigos dos Estados Unidos, preocupam judeus e criam uma resistência cultural à sua aceitação, mesmo entre os democratas.
McCain insiste que quer uma campanha limpa, ou a mais limpa possível, e Liberman desmente os bem fundados “rumores” do campo de Obama de que tenha intenções de prejudicar o candidato rival.
Flórida
Enquanto isso, representantes do campo de Obama recrutam voluntários em toda a extensão da Flórida, conquistando a maioria desses de cidades universitárias, como Gainsville, há menos de três horas de North Miami.
Trabalhando pelo apoio da comunidade judaica, o campo democrata sabe que esse será seu maior desafio em um estado chave às eleições presidenciais do dia 4 de Novembro.
RF
Saturday, June 14, 2008
There Goes My Hero - Texto ao Dia dos Pais (Nos EUA)
Friday, June 13, 2008
In Memoriam - Tim Russert

Hoje de manhã assisti Tim Russert ao vivo (analista político, executivo, chefe editorial politico do quartel general da NBC, em Washington, e moderador do programa Meet the Press, comentarista central da MSNBC) e seus sempre pertinentes comentários. No final de semana, a mamis me chamava, dizendo que jamais perdesse seu programa no dia do discurso de Hillary Clinton. Na tarde desta Sexta Feira 13, aos 58 anos, Russert teve um infarto e faleceu pouco depois. Fará falta, mas acontecimentos como esse servem para lembrar-nos da fragilidade de todas as vidas.
Adeus, Tim...
RF