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Thursday, July 17, 2008

Pesquisas da Semana



Essa semana passa quase em branco, pois além de estudar, meu “cabo” anda defeituoso, e a companhia pior ainda, o que prejudica minha capacidade de me informar e postar em casa (a Internet também é a “cabo”). Para piorar, o pessoal do The Miami Herald misteriosamente parou de entregar o jornal em casa desde Domingo, algo que já havia ocorrido duas vezes, e a terceira é para dar sorte, claro.

Então, ao menos apresentarei as estatísticas semanais. Entre elas, a que mais tenta o círculo de jornalistas políticos é a pesquisa do Gallup dizendo que apenas 43% dos brancos acreditam que o relacionamento entre negros e brancos é estável. 60% dos negros e 67% dos hispanos dizem a mesma coisa. Se você não entendeu o enigma, releia até a ficha cair e comente.

Pela Flórida, estado importante para mim, pois nele vivo, o Pollster.com que declarou uma boa vantagem a Obama há menos de um mês, agora mostra a vitória de McCain pela margem de erro: 45.2-43.3% de Obama.

Nacionalmente, a seguir, os mais importantes institutos e seus resultados:

Gallup: Barack Obama 47-44% de John McCain.

Pollster.com: Barack Obama 46.7-43.4% de John McCain.
Incluindo Ralph Nader e Bob Barr, candidatos independentes: Barack Obama 47.4%; John McCain 38.3%; Bob Barr 2.6%; Ralph Nader 4.2%.

Rasmussen: Barack Obama 44-42% de John McCain.

Poll of Polls (transmitido via CNN) no dia 15 de Julho: Barack Obama 47-42% de John McCain.

Até a next,

RF

Friday, June 20, 2008

Resumo Semanal e Bola pra Frente

A partir da semana que vem, esse bloguista que compartilha aprendizados políticos e culturais das terras do Grande Império, fará o que muitos habitantes desse Grande Império fazem no segundo termo do verão, em Julho: Iniciarei o mais frenético e curto período escolar do ano, esperançosamente meu último até que comece a estudar pelo bacharelado. Meus dias serão excepcionalmente preenchidos por ensinamentos – para mim, muito difíceis – de matemática e biologia, logo sei que terei menos tempo para postar, e menos tempo para analisar.

Mesmo assim comprometo-me a, pelo menos, fazer o resumo semanal às Sextas-Feiras ou finais de semana, compensando em tamanho e qualidade, se for o caso, a falta de outros textos. A seguir, o resumo:


Tim Russert


Caricatura de Bruno Venancio

Na passada Sexta-Feira 13 a nação perdeu um de seus grandes mitos jornalísticos. Tim Russert, 58, teve o funeral conduzido a partir da Terça-Feira, que contou com a presença do presidente George W. Bush, secretários e ministros, governadores, senadores e representantes do congresso, dezenas de personalidades públicas que preencheriam uma eternidade de mesas-redondas como a do Meet the Press, a qual Russert moderava aos Domingos.

Na Quarta-Feira, 17 de seus mais próximos amigos, como a freira Lucille, que o conhecia desde sua infância como estudante no colégio irlandês-católico na cidade de Buffalo, NY, falaram da vida do moderador e editor executivo das redes NBC. Entre esses estavam Maria Shriver, ex colega de Russert na NBC, Tom Brokaw, Brian Williams (escolhido como substituto temporário de Russert no Meet the Press), a historiadora politica Doris Kearns Goodwin, também amigo e colega Mike Barnicle e o ex governador de NY Mario Cuomo. O Memorial terminou com a forte presença de Luke Russert, 22 anos, filho único do homenageado.

No serviço, realizado em Washington, na Igreja da Santa Trindade, os candidatos presidenciais Barack Obama e John McCain sentaram-se lado a lado, a pedido da família. À saída, um arco-íris, e logo uma pequena enchurrada de água, tomaram conta do cenário. Russert deixa o filho Luke e a esposa Maureen Orth, jornalista para a revista Vanity Fair.


"Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. O que o senhor faz?" Lord John Maynard Keynes, ou, Meio ponto a Barack Obama


Obama mudou sua posição ontem, novamente, e desta vez faz um jogo político que, segundo analistas, pode ser vantajoso, mas poderia ter sido abordado diferentemente.

Quando em Novembro de 2007 foi questionado sobre sua posição a respeito do financiamento público das campanhas presidenciais, disse que concordaria lutar por uma reforma no financiamento estimado em 80-85 milhões de dólares caso seu adversário assim desejasse.

O senador pelo Illinois lançou um vídeo no sítio de sua campanha acusando republicanos de destorcerem o sistema do financiamento público a tamanho nível que renega recorrer ao mesmo. Em um e-mail enviado a membros do sítio de Obama, David Plouffe, diretor de sua campanha, diz que os republicanos “têm o dinheiro 527 ” (excessão à regra, introduzida há alguns anos, como método de incorporação de outras verbas para o auxílio nas campanhas presidenciais) e “manipularão o sistema de financiamento público” para arrecadar mais verbas do que o rival. Diz que, apenas em Abril, os republicanos conseguiram levantar 45 milhões de dólares, e que podem tranquilamente ultrapassar os fundos do rival democrata.

Segundo analistas políticos e bloguistas de ambos lados, Obama tem mais a ganhar do que a perder por sua reserva suficientemente avantajada.

Só não vence o ponto completo, porque poderia ter abordado o tema de modo distinto. O fato é que a campanha do democrata é financiada por milhões de indivíduos doando em seu sítio eletrônico, algo que a campanha de McCain não oferece aos seus eleitores.

Indivíduos doando menos de 100 dólares cada trouxeram ao senador democrata uma das maiores margens historicamente conhecidas na arrecadação de verbas populares. Se, ao invés de chorar pela manipulação do partido Republicano - algo discutível visto que, de acordo com as informações públicas, o campo democrata tem colecionado uma vantagem proporcional de 4-1 sobre o candidato republicano - tivesse apenas declarado que mudou sua posição para vencer os republicanos em Novembro e ponto final, sofreria menos na boca de seus críticos.


Gallup mostra liderança de Obama estável (Mais um ponto para Obama)
O instituto Quinnipiac mostra que Obama lidera na Flórida, Ohio e Pennsylvania

Nem todos as pesquisas concordam, mas nenhuma desmente o potencial de Barack Obama para as próximas eleições mesmo em estados delicados e discutidos como a Flórida, o duvidado estado da Pennsylvania (pela população de colarinho branco) e o instável Ohio.

Gallup iniciou a semana com um empate técnico entre Obama e McCain, 44-42% para o candidato democrata, mas a margem voltou a favorecer o último, passando a uma vantagem de 4 pontos (46-42%) e logo à última computada na Quarta-Feira 18, 47-42%.

Para o Quinnipiac, Obama lidera na Flórida por 47-43%, em Ohio por 48-42% e em Pennsylvania mantém uma vantagem considerável de 52-40% sobre o senador pelo Arizona.

Para o sítio Pollster.com, John McCain lidera na Flórida por 45.1-42.8%, ainda dentro da margem de erro.


Resultado semanal no quadro político, incluindo os resultados das pesquisas acima, e as polêmicas apresentadas e discutidas nos textos desta semana:

John McCain 3 x 2 ½ Barack Obama

Thursday, June 19, 2008

E os perdedores são:

A grande mídia atinge a massa com meias idéias superficiais, mas quando acontecimentos podem e são reverberados pela rede eletrônica em minutos, a discussão é levada às comunidades virtuais e aprofundada, explorada, analisada até a exaustão pelos fanáticos de cada partido, e os assíduos independentes intelectuais (ou sem intelecto) da nação.


Barack Obama 0 x 3 John McCain

Barack Obama teve algumas falhas consideráveis nesses últimos dias, cujas repercussões seriam ignoradas pela maioria caso não estivessemos em tempos blogais.

Duas gafes políticas atingirão parte de sua base e serão usadas até Novembro, certamente, apesar de relativamente insignificantes. Particularmente, todavia, penso-as das mais importantes.

Mulheres usando xales islâmicos foram barradas e proibídas de sentar atrás do candidato em um de seus discursos em Michigan. Para que não fizessem parte da filmagem e fotos do evento, voluntários da campanha de Obama agiram rápido, e excluiram dois grupos do movimento de um candidato que se propõe a agir diferentemente: mulheres e muçulmanos. O motivo todos podemos calcular, afinal, uma porcentagem descomunal ainda acredita que Obama seja muçulmano (na casa dos 15-20%), e a campanha do democrata não deseja associá-lo aos mesmos ainda mais, ou outorgar munição ao advsersário. Há dez anos atrás poucos discutiriam essa história, mas a matéria originalmente publicada no The Washington Post ecoou até chegar à grande mídia aos fragmentos, e às comunidades virtuais em minúcias.

Além disso, discursando entre judeus no estado da Flórida, Barack Obama mostrou-se favorável a Israel e duro com o movimento palestino. Quem ali esteve, ouviu um candidato moderado procurando expandir sua base à comunidade judaica. O único problema é que Obama sempre se disse neutro e bom observador do conflito médio-oriental. Favorecer a comunidade judaica não ressoa bem comparado à sua atitude supostamente mediadora. Mais um ponto perdido com a comunidade muçulmana, ironias políticas cabíveis apenas em nosso mundo surreal.

Porém, a maior de suas gafes é a corrente acusação de que Obama esteja convencendo diplomatas Iraquianos que, quando promete a retirada das tropas dos Estados Unidos do Iraque em 16 meses, não faz uma promessa literal. Confrontado no programa Morning Joe, o analista político da MSNBC, Harold Ford Jr., ex congressista democrata, tentou explicar o movimento de Obama como responsável e calculado. Se ele prometeu a retirada em 16 meses, apenas o fez caso as circunstâncias permitissem. Porém, como bem argumentou Pat Buchanan, ex postulante à presidência pelo partido republicano e comentarista frequente do programa, tal posição seria aceitável até mesmo pelos padrões republicanos, já que um compromisso aberto à falida guerra iniciada e declarada vencida em 2003 é exatamente o que George Bush propõe, e McCain concorda.

De fato, Obama não pode prometer uma retirada em 16 meses, mas dizer a diplomatas iraquianos: “É de mentirinha, gente.” Em realidade, Obama não pode prometer uma retirada em 16 ou 26 meses, e ponto final.



John McCain 3 x 1 Barack Obama


No placar acima seriam dois para o candidato democrata caso o assunto fosse menos politicamente complicado. Aliás, complicado apenas porque, apesar da era de reverberações virtuais, a população não está majoritariamente armada do conhecimento suficiente para encarar as maiores polêmicas.

Há quase três décadas, o governo instalou uma proibição explicitamente apoiada por representantes políticos e seus campos populares contra a escavação por petróleo nos mares que circundam as costas do país.


John McCain recentemente anunciou seu apoio ao término da proibição igualando-se a George Bush, igualmente requerindo a atitude do congresso e senado, ao menos deixando a critério estadual o interesse por suas próprias costas marítmas. Sua posição em 2000, quando concorreu à nomeação de seu partido contra o atual presidente, era contrária. Essa era a distinção mais acentuada de McCain até o início dessa semana, sua preocupação com o meio ambiente. A preocupação parece ter ido ao ralo depois de rejeitar o financiamento de 2 bilhões de dólares à restauração do Everglades (pantanal) floridiano. Agora, posicionando-se contrario à proibição em tempos de paranóia pública com os altos preços da gasolina, alimentos, e a potencial escalada da inflação, apunhala sua distinção ambiental pelas costas pela segunda vez.

A Flórida, novamente central na disputa à Casa Branca, invadiu a polêmica por ter uma das maiores costas inexploradas, potencialmente abrigando reservas petrolíferas. Charlie Crist, governador do estado que até a semana passada seguia avidamente favorável à proibição, também mudou sua percepção. “Não posso ignorar os bolsos dos floridianos,” disse em entrevista ao The Miami Herald.

Mel Martinez, senador republicano pelo estado que endossou John McCain, juntou-se aos companheiros.

Porém, em tempos de altos preços nos combustíveis e alimentos, os Estados Unidos sofre um dilema complexo, especialmente no relmo político. De acordo com as pesquisas levantadas por institutos como o Departamento de Energia dos EUA, ou o Conselho Petrolífero da Flórida, os riscos ao meio ambiente são mínimos, e mesmo forças naturais dilacerantes como os furacões Katrina e Rita não danificaram as barragens de instalações petrolíferas o suficiente para causar danos significantes.


“Vistam-me devagar, porque tenho pressa.” Napoleão Bonaparte

Significante, porém, é um termo relativo, e organizações ambientais posicionam-se contra o candidato republicano. Antes fosse esse seu maior problema. Além dos ataques do Diretório Democrata Nacional, a base republicana favorável a atitudes seguras ao meio ambiente e obtenção de energia, à qual McCain fazia parte, distancia-se do candidato nesse tema. Os motivos são mais econômicos do que “verdes”,
e nos fazem questionar se em tempos de desespero as melhores alternativas são atitudes desesperadas.

Primeiro, porque os resultados podem ser vistos apenas em uma década ou mais, e o benefício prometido é imediato, doce ilusão. Analistas dizem que a atitude pode favorecer a economia nacional no futuro, mas, novamente, essa não é a melhor promessa energética, que compete com a instalação de uzinas nucleares e a propagação de combustíveis alternativos. Depois, os custos podem ser mais altos do que os benefícios, tanto em tempo quanto em potencial quantidade de reservas, e a demanda crescente da China e da Índia causará uma fome competitiva no mercado que não pode ser saciada com centavos.

Ao fim, eleitores decidirão o rumo da nação, mas as diferenças entre os candidatos parecem desaparecer ao longo do tempo, ao menos a curto prazo, mais do que se destacam.

RF

Monday, June 16, 2008

Lembretes e novidades cruciais



Mesmo hollywodiano, o filme “Lions for Lambs” do diretor e ator Robert Redford, contém algumas cenas cruciais para a compreensão básica do significado de determinados movimentos políticos nas grandes capitais do mundo ocidental. Neste caso, fala da Casa Branca, mas bem poderia ser um retrato heterógeno de qualquer outra nação. Na cena em que a personagem de Meryl Streep entrevista o senador encarnado à pele de Tom Cruise, o diretor pinta o retrato da dificuldade de jornalistas a penetrar as mentes dos regentes federais.

Experiente, a repórter sabia que o senador apenas intensificava suas ações oficiais com a intenção de uma futura candidatura à presidência. Porém, ao término da cena, o senador se vira à repórter e diz o que ela já sabia que diria em resposta à sua pergunta: “Não tenho a menor intenção de concorrer à presidência.”

Muitos políticos mudam o rumo, ou aderem a uma corrente em prol de futuros políticos promissores, mas poucos admitem a mera idéia de concorrer à Sala Oval. Tim Russert tinha essa característica vulgar de fazer essa pergunta de “900 métodos diferentes” (palavras de James Carville, assessor da campanha de Hillary Clinton esse ano, quando preparava a senadora por NY à entrevista no Meet the Press há dois anos):

“Você tem interesse de se candidatar à presidência?”

Pois, Hillary Clinton e John McCain jamais admitiram suas intenções quando, à época, apenas mexiam pauzinhos no Senado a elevar-lhes a popularidade. Nesta mesma época, Clinton disse que não tinha a menor intenção de se candidatar à nomeação Democrata, e McCain disse “Tim, você saberá aqui antes.” Já Barack Obama, quando questionado pelo leão:

“É justo dizer que você ao menos pensa em se candidatar à presidência?” Obama respondeu:
“É justo, sim.” Abrupta e seriamente.

Nesse mesmo estilo, questionado por Russert no passado, McCain admitira em duas distintas ocasiões que não tinha experiência política quanto lhe sobrava experiência militar. Confrontado mais recentemente no programa Meet the Press, o senador pelo Arizona teve de “explicar” o que “pensou” estar dizendo à época, já que atualmente postula ao cargo mais poderoso do ocidente.

Talvez Russert não possa mais contribuir com suas análises e apurações, contatos e respeito no mercado jornalístico e no mundo político, mas suas contribuições até o auge das primárias democratas e o início da corrida presidencial mais importante desde Al Gore e George Bush, com um jovem senador de Illinois de raízes Africanas concorrendo à Casa Branca contra uma lenda bélica estadunidense, são essenciais e não devem ser esquecidas.



Gallup

Usando das pesquisas do instituto mais confiado dos Estados Unidos, percebemos que McCain está virtualmente empatado com Barack Obama desde o 15 de Junho, com o senador por Illinois vencendo por 44-42% do senador pelo Arizona.

Uma pesquisa recente da Gallup demonstra que a percepção nacional da expectativa a quem será o próximo presidente dos Estados Unidos favorece Barack Obama. 52-41% das pessoas entrevistadas, com a margem clássica de erro de três pontos percentuais, prevêem que Obama derrotará seu rival republicano em Novembro.


Lieberman

Joe Lieberman começa a causar problemas ao senador Barack Obama com a comunidade judaica da Flórida. Amigo e companheiro de McCain, o famoso “vira-casacas” do partido Democrata, que trocou de partido e credenciou-se Independente com a intenção de permanecer no Senado em 2006, Lieberman faz dos poucos assuntos em que diverge com a candidato democrata seu tema central quando fala com o grupo que mais influencia desde os primeiros dias de sua vida política. A guerra no Iraque, a postura liberal de Obama a respeito do Irã e de outros países inimigos dos Estados Unidos, preocupam judeus e criam uma resistência cultural à sua aceitação, mesmo entre os democratas.

McCain insiste que quer uma campanha limpa, ou a mais limpa possível, e Liberman desmente os bem fundados “rumores” do campo de Obama de que tenha intenções de prejudicar o candidato rival.


Flórida

Enquanto isso, representantes do campo de Obama recrutam voluntários em toda a extensão da Flórida, conquistando a maioria desses de cidades universitárias, como Gainsville, há menos de três horas de North Miami.

Trabalhando pelo apoio da comunidade judaica, o campo democrata sabe que esse será seu maior desafio em um estado chave às eleições presidenciais do dia 4 de Novembro.



RF

Tuesday, March 18, 2008

Sideline

Lá no BRTV Online, meu texto sobre impostos, seus cortes, suas perdas, e os únicos ganhadores. Quentinho e fresquinho, esperando por você.

Abrax,

RF

Wednesday, January 30, 2008

McCain, Coroado

John McCain, o ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, venceu Mitt Romney ontem por aproximadamente cinco pontos percentuais (36-31) na essencial preliminar republicana da Flórida.

As preliminares da Flórida, geralmente mantidas em Março e antecipadas esse ano para o 29 de Janeiro, sempre decidiram quem seria o candidato republicano nomeado. Para os democratas, a decisão do estado sulista também foi sempre de bom peso para a nomeação final do partido. A penalização deveu-se justamente pelo fato de que a temporada dos “caucuses” e preliminares, à escolha do próximo candidato presidencial de cada partido, não deveria ter início até o 5 de Fevereiro.

Nesse ano, apenas os republicanos venceram seus representantes - ou a metade do que normalmente venceriam. Democratas se comprometeram a não trazer suas campanhas ao estado, e o partido retirou seus representantes do jogo fazendo com que o voto apenas constasse como um concurso de popularidade. Portanto, a vitória de Hillary Clinton por aproximadamente 51-33 por cento contra Barack Obama, não deveria valer absolutamente nada.


Republicanos


John McCain perdeu em número de eleitores sócio-conservadores, mas venceu em todas as camadas de republicanos auto-denominados “moderados”. Também venceu na comunidade latina, com o apoio do prefeito de Miami, Mel Martinez, e o governador da Flórida, Charlie Crist. Levou a maioria do voto dos veteranos de guerra, e o voto dos idosos. Em quase todos os ângulos vistos, McCain surrupiou o estado da Flórida. Até mesmo em evangélicos, o pré-candidato republicano conseguiu sair-se na frente de seu maior rival, Mitt Romney, mesmo que por apenas um ponto percentual.

Rudy Giualini, que atuou sozinho em suas campanhas na Flórida enquanto os demais candidatos se preocupavam com as menores preliminares e “caucuses”, chegou em um distante terceiro lugar seguido de Mike Huckabee. Sua campanha foi de tamanho fracasso, que fontes confiáveis já anunciaram o que se espera da tarde de hoje:
Giuliani deve anunciar sua desistência da corrida à presidência na Biblioteca de Ronald Reagan, onde ocorrerá o debate republicano hoje, transmitido pela CNN. Não só isso, como aparentemente tem tudo para endossar McCain em sua campanha, o que outorgaria ao mesmo um poder ainda maior do que a vitória no mais controverso e complexo estado para o GOP.

Mike Huckabee, que enquanto concorre rouba votos de Mitt Romney e facilita a eleição de McCain, pode decidir, segundo analistas políticos, dependendo de seus resultados na da Super Terça-Feira (dia em que 22 estados manterão “caucuses” e preliminares), ingressar no bilhete de McCain como vice-presidente. Ao que tudo indica, McCain foi coroado, e será o próximo candidato à presidência pelo partido republicano.

A curiosidade é que McCain não prometeu melhores ou mais empregos, e sim uma recessão. “Prometeu” mais guerras, dizendo que os conflitos apenas começaram, e na disputa contra Romney, um empresário de renome, disse que não entendia muito sobre economia, que esse não era seu forte. Mesmo assim, aparentemente, depois do fracasso de Rudy Giualini, que há um ano atrás era o mais elegível dos republicanos, McCain tornou-se o único a atrair uma boa base de apoio de seu partido.


Democratas


Hillary vence, mas não recebe representantes à calculadora do vitorioso. No entanto, desde o final de semana, enquanto Bill Clinton fazia campanhas no estado em seu nome, Hillary decidiu que lutará para que sua vitória conte, e que seus representantes sejam trazidos de volta à Flórida.

Barack Obama, que perdeu com uma margem de 17-18 por cento em um estado que não visitou e no qual não fez campanha, diz que a vitória não significa nada, e que esse era o acordo de todos os pré-candidatos e o partido Democrata.

John Edwards continua seguindo seu próprio curso, e se continua, seus motivos não são uma possível candidatura, mas sim continuar equilibrando os votos de seus adversários, e poder garantir alguma posição na futura administração presidencial em troca de seu apoio.

Na Quinta-Feira, a CNN hospedará o debate democrata no Kodak Studio, em Los Angeles. Na próxima Terça-Feira, 22 estados escolherão seus candidatos republicano e democrata.

RF

Sunday, January 27, 2008

South Carolina é de Obama

Barack Obama vence a preliminar de South Carolina nesse passado Sábado, com uma vantagem de 55-27 por cento dos votos computados nas urnas de todos os condados e distritos do estado.

Uma vitória por 28 por cento representa um importante incentivo à campanha da crescente celebridade espelhada à face de um jovem e determinado Obama. Hillary Clinton, que tentou cortar a vantagem de seu principal oponente, não conseguiu apelar à população negra da região, compartilhando menos de 20 por cento do apoio da mesma com John Edwards, que terminou em um distante terceiro lugar, e cujas esperanças à nomeação são praticamente nulas.

Obama venceu entre praticamente todas espécies de eleitores, de todas as classes, de praticamente todas as idades. Venceu duas vezes mais representantes do que seus dois rivais. Antecipando a massiva luta que tomará conta de 22 estados (para os republicanos, 24) no dia cinco de Fevereiro, a campanha dos pré-candidatos democratas esquenta a cada hora.

Há previsões, contudo, de que para os democratas não haverá decisão garantida até a Convenção Democrata em Agosto. Ainda há disputas no dia quatro de Março, onde a maioria dos “delegates”, ou representantes governamentais (ainda encontro melhor termo, prometo) poderiam ser selecionados. Contudo, a previsão de alguns analistas favorece um empate que só será desequilibrado em Agosto.

Essa pode justamente ser a função de Edwards, que ainda persiste em sua corrida apesar de ter perdido em seu próprio estado, South Carolina, nesse Sábado. O advogado sulista já retém representantes em suas colocações de Janeiro, e caso siga conquistando mais votos nos demais estados, pode negociar seu apoio e coroar Clinton ou Obama em troca de uma posição no governo de qualquer um de seus colegas partidários.


Raça


A mídia explode poucos ditos de Bill Clinton, que parece ter tropeçado com a longa lingua em suas campanhas passionais em prol de sua esposa.

Resumidamente, os Clinton têm mencionado a raça de Obama com segundas intenções de acordo com os corriqueiros analistas. Consecutivamente tendo dito que era uma honra o partido Democrata oferecer um candidato afro-americano para presidente
após décadas de segregação racial, Bill conseguiu o que queria através das estações jornalísticas.

Em South Carolina, o fator “raça” certamente tornou-se importante, mas acabou contrariando as intenções dos Clinton - pelo menos em South Carolina. Contudo, apenas uma média de 10 por cento dos eleitores brancos do estado elegeram Obama, e a campanha para “mencionar inocentemente” a raça do senador de Illinois pode funcionar, especialmente elevando a simpatia de mulheres por Hillary Clinton.
Isso deve prolongar o dilema de mulheres negras a formar uma posição consolidada pelo candidato que melhor as representa.


Flórida



Republicanos deverão disputar uma das mais acirradas disputas na antecipada preliminar da Flórida nesta Terça-Feira.

Para os democratas, todavia, Flórida não conta para nada exceto incentivo popular, como não contou a decisão de Michigan, onde apenas Hillary Clinton teve o nome no bilhete às urnas.

Do lado republicano, Mitt Romney e John McCain, que começaram a trocar desaforos (mostrando, finalmente, o lado sinistro de McCain) abertos cada qual atacando o calcanhar de Aquiles do adversário, disputam a primeira colocação empatados na maioria das pesquisas. O terceiro lugar pode ir a Rudy Giuliani, mas Mike Huckabee ainda tem dois dias para encurtar a vantagem do ex-prefeito de New York.

PS: Na semana passada, D. Kucinich finalmente decidiu abandonar a corrida presidencial. Oficalmente, apenas Barack Obama, Hillary Clinton e John Edwards concorrem à nomeação.

RF

Monday, January 21, 2008

E agora o “what”?

OPINEM (Cliquem aqui)

Republicanos:



Contando com a vitória de John McCain no determinante estado de South Carolina, onde foi determinado o candidato preferencial desde Reagan, no início dos anos ’80; e contando com a vitória de Mitt Romney no estado de Nevada, se pouco sabemos, sabemos que o partido encontra dificuldades em sua escolha, e que essas dificuldades tendem a favorecer um eleitorado pronto para mudar a Casa Branca.

A base do eleitorado de McCain é de independentes, democratas simpatizantes e republicanos moderados.

A base de Romney é composta predominantemente de conservadores econômicos e donos de grandes empresas, empresários em geral.

A base de Huckabee é feita de conservadores morais e evangélicos.

No momento, nem há o que lamentar. Giuliani optou por tentar ludibriar apenas a Flórida no dia 29 de Janeiro (ao invés do comum 4 de Março) e ignorar os menores estados, entre eles perdendo o nem tão pequeno Michigan. Não vence na Flórida mesmo tendo-a apenas para si nas últimas duas e mais semanas.

Se South Carolina é tradicionalmente importante há quase trinta anos na escolha do candidato, a Flórida é mais do que essencial nessas atuais circunstâncias de empate em trindade. Nem Duncan Hunter nem Ron Paul tiveram, em alguma ocasião, a menor chance. Se Fred Thompson pensava crescer, seus pensamentos já desaparecem, e nem tão lentamente. Precisava vencer em South Carolina, seu estado natal, mas foi esmagado. E Giuliani, que ainda tem esperanças em New York e New Jersey, enfrenta grandes dificuldades de manter seu nome vivo no estado de minha residência, o decisivo floridiano.

John McCain parece liderar nas pesquisas, mas os três candidatos principais têm grandes chances de vencer no dia 29.


Democratas:


A Flórida apenas pode contar como “injeção de moral” aos democratas. Por não terem representantes em risco, e por punirem o estado pela antecipação das preliminares, não fizeram campanha na região e não perdem muito, tecnicamente. Uma vitória na Flórida, contudo, pode causar uma explosão de popularidade que dure ao dia 5 de Fevereiro, quando 22 estados elegerão seus prediletos. Caso ainda não houver decisão (e isso vale aos republicanos também), no dia 4 de Março votarão Ohio e Texas, os últimos dois estados.

No entanto, a preliminar de South Carolina aos democratas será no Sábado seguinte, e do mesmo modo que Clinton venceu em Nevada, Obama precisa vencer em South Carolina para manter seu momento. John Edwards chega constamente em terceiro, o que torna sua campanha cada dia mais frágil. Ainda assim, tem um poder enrustido e já comentado. Pode ser o coroador entre os dois candidatos, assim que decidir quem irá apoiar. Ainda há especulações em torno de sua possível candidatura a vice-presidente, nesse caso de Obama, com quem parece ter maior afinidade.

Mas a popularidade de Clinton e sua intensificada força nas pesquisas refletindo os esforços de sua campanha e sua nova demonstração fluente de emoções e pensamentos humanos, faz com que ela ainda seja a grande concorrente. A boa notícia é que Clinton, ao menos de acordo com os dados atuais, seria a melhor representante democrata em 2008, e nenhum republicano tem cacife para enfrentá-la. Mas os dados mudam diariamente.

Anotem na agenda: Sábado, dia 26 de Janeiro, preliminar democrata em South Carolina.


Curiosidades Democráticas:


Circula um anúncio errôneo por parte da mídia que Barack Obama, apesar de ter perdido contra Hillary Clinton no estado de Nevada, teria ganho mais representantes governamentais, ou “delegates”. Isso dependeria da divisão de representantes baseada no momento, mas em realidade, apenas no dia 19 de Abril, quando haverá a oficial repartição de representantes, será possível decidir quem verdadeiramente venceu.

O número de “delegates” é o que determina o vitorioso, não a porcentagem de votos contados, já que condados variam demograficamente, e podem ser mais ou menos influentes quando vencidos ou perdidos.

De acordo com a atual divisão de representantes, Obama teria 13-12 representantes comparado a Clinton, ou seja, um “delegate” a mais.

Tuesday, January 15, 2008

Efeito Michigan e Florida

Que de Comum

O que o estado da Flórida e o estado de Michigan têm em comum? Essa é uma pergunta à qual todos os que acompanham o movimento político atual têm a resposta.

Hoje, Michigan vota a escolher, por sua vez, qual candidato melhor representa cada partido. Disse “cada” partido? Pois é justamente aí que está enterrado o cão. Michigan geralmente não vota tão cedo, e a preliminar da Flórida é comumente realizada em Março. O partido Democrata resolveu então punir ambos estados por antecipar o processo, retirando potenciais representantes governamentais, o que basicamente torna ambas preliminares “café-com-leite” para candidatos democratas.

De modo parecido ao que ocorre nas próprias eleições presidenciais adiante neste ano, o candidato vitorioso é o que, ao ganhar mais votos em distritos, prefeituras e condados, vence um número específico de potenciais representantes, que aumenta de acordo com a demografia da região e eventualmente torna o candidato mais influente. Sem os chamados “delegates”, o partido Democrata não acresce nem perde absolutamente nada em Michigan, nem na Flórida nessas eleições.

Contudo, a corrida apertada, sem folga alguma, entre dois candidatos democratas e ao menos três republicanos, faz com que cada estado conte. Talvez Rudy Giuliani, ex-prefeito de New York, não pense assim e faz sua campanha apenas na Flórida - estilo similar ao que fez em sua cidade, não procurando votos da comunidade negra dizendo que sabia não ter a menor chance com os mesmos – ignorando os menores estados. Não consigo enxergar essa estratégia sem escrever que Giuliani considera menores estados “menos importantes.” Mas, isso já é uma equação que justamente por sua escolha, ainda jaz irrelevante.

Na Flórida, os nomes de todos os candidatos democratas estarão nas urnas, e eleitores democratas já sinalizam o intuito de eleger, valendo ou não, o candidato predileto. Em Michigan, apenas o nome de Clinton se encontra nas urnas, o que diz pouco, se é que diz alguma coisa, seja qual for o resultado.

Portanto, apenas republicanos têm a arriscar nas preliminares de hoje. De acordo com o último resultado do “Poll of Polls”, ou “pesquisa das pesquisas”, divulgado ontem na CNN, John McCain vence como já venceu, concretamente, em Michigan. Mike Huckabee e Mitt Romney parecem desempatados a favor de Huckabee. E o que isso quer dizer a quem, como eu, apenas espia de longe?

Dinheiro, pra que dinheiro?

Romney foi a pessoa que mais investiu em suas campanhas. Michigan é seu estado natal, mas conforme argumenta McCain, seu adversário saiu daquela terra “praticamente quando nasceu.”

McCain traz uma campanha que admite que os empregos da indústria automobilística de Michigan jamais voltarão (globalização + multinacionais = empresas que se mudam para onde melhor convém, e levam os impostos que traziam e os empregos que geravam consigo) ao estado, mas que novos investimentos devem trazer melhor prosperidade à região de grande massa trabalhadora. Romney diz que se preocupa pessoalmente por Michigan, e que não admite o pessimismo de seu rival. Realismo contra pessimismo... Entendem porque aqui também é “show-business”?

Mas Romney perdeu em Iowa, e perdeu em New Hampshire, e se venceu no quase insignificante “caucus” em Wyoming, a vitória significa justamente isso, insignificante. Isso põe a situação de Romney, segundo analistas políticos da mídia “mainstream”, em delicados lençóis. Caso perca em Michigan, o “primeiro grande estado” das preliminares, perde o incentivo do momento, a popularidade que a mídia oferece a quem é dissecado por suas luzes. E se perde tamanho incentivo, alguém que já não era conhecido e que não poupou esforços econômicos para sê-lo, chega à Flórida com muito dinheiro gasto e poucos resultados a mostrar.

Aqui vemos outro ponto em comum entre a republicana preliminar de Michigan e a republicana preliminar da Flórida. Para os republicanos, representantes governamentais estão em jogo. Para os democratas, o mesmo incentivo que Romney não pode perder em Michigan se quiser vencer a Flórida, pode elevar o nome dos candidatos a concorrer em 22 estados (24 para republicanos) no dia 5 de Fevereiro, a “Super Terça-Feira.”

Next comes Next

Neste final de semana(South Carolina escolherá seus representantes republicanos. Concomitante, o "caucus" de Nevada deve escolher o preferido de cada partido, e logo chegará a Flórida no dia 29 desse mês. Democratas concorrem em South Carolina no final de semana seguinte.

RF

Friday, October 19, 2007

Mahuma



A Cantiga do Imigrante, no Achei USA. Clique aqui se quiser acompanhar.

Abrax e bom fimdi,

RF