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Thursday, August 28, 2008
A Noite que Convenceu
A noite que selou a nomeação de Barack Obama à presidência por unanimidade, e a vice-presidência de Joe Biden, finalmente convenceu o eleitorado democrata, e talvez até tenha despertado a curiosidade dos menos adeptos a trabalhar intensamente pela eleição de seu candidato.
Bill Clinton
Se Hillary Clinton cumpriu seu dever com notável dificuldade na noite de Terça-Feira, seu marido, o ex presidente Bill Clinton, o único democrata desde Jimmy Carter, discursou com veemência e serenidade.
O quadro pintado pela mídia era de quase desespero. O clã clintoniano estava magoado, e de fato sentia-se magoado tanto antes quanto depois das primárias. Porém, duvidar da união partidária a essas alturas do campeonato quiçá seja mais um desejo não realizado dos jornalistas da MSNBC, CNN e Fox News, porque, todos sabemos, a intriga sempre vende.
O que Clinton disse ontem convenceu pelo conteúdo e pela forma que foi dito. O carinho que expressou por seu partido, por sua esposa e, principalmente, por Obama, comoveu a todos os delegados, fanáticos e simpatizantes. Democratas esperam que o efeito aos eleitores indecisos ali presentes tenha sido o mesmo.
A favor do ex presidente esteve a conotação histórica do dia: A nomeação oficial de um candidato afro-descendente a um dos principais partidos dos Estados Unidos. Um candidato que, segundo indicações explícitas, tem tudo para liderar a nação a partir de 2009.
Apesar de ovacionado em pé pela platéia alucinada, Clinton foi rápido no gatilho a mencionar que a convenção era de Obama, e citou seu nome outras 14 vezes. Quando, no meio do discurso, o público gritou o jargão “sim, nós podemos” copiosamente, o ex presidente os interrompeu dizendo: “Sim, ele pode, mas primeiro precisamos elegê-lo”.
Como recentemente descrito por aqui nos últimos textos, a antipatia entre o senador por Illinois e o ex presidente tornou-se contundente quando perguntaram a Clinton se Obama teria o necessário para guiar as forças armadas. A resposta foi fria, distanciada, algo como “ninguém está preparado” para o cargo antes de assumi-lo.
Ontem, Bill Clinton disse também ter sido criticado pela inexperiência, por neófito, quando concorria contra Bob Dole. A história de seus oito anos, relativamente prósperos ao país, comprova a insignificância dos detalhes corrompidos em ataques partidários.
Comentaristas, âncoras e analistas políticos adoram baseball, aparentemente, pois todos clamaram que, dessa vez, o clã clintoniano mandou a bola “para fora do parque, cruzando o estacionamento, pousando perto dos prédios do outro lado da rua do estádio”.
A Chamada
O costume é permitir o voto de todos os delegados de todos os estados presentes na convenção. Há três meses, muitos ainda temiam que esse voto, o final e oficial, decidiria o nome do próximo candidato presidencial do partido Democrata.
Contudo, a chamada de ontem foi apenas espetáculo. Entre todos os cenários possíveis, o aqui comentado resultou concreto.
Os estados antecedendo New York passaram o direito ao voto até chegarem no mesmo, e Hillary Clinton pediu aos seus delegados, e a todos os demais delegados, que as regras convencionais fossem suspensas, e que Barack Obama fosse nomeado à presidência po unanimidade.
Historicamente, é a primeira vez que um afro-descendente luta com concretas chances pelo cargo mais poderoso da nação.
A aceitação e o discurso de Joe Biden
Nomeado à vice-presidência na mesma noite, o senador Joe Biden foi apresentado por seu filho, chefe judiciário de Delaware, Beau Biden.
Narrando sua tragetória comovente, desde a perda de sua filha e esposa ao novo casamento e suas raízes, e seu trajeto histórico no senado estadunidense, Biden aproveitou a ocasião para fortalecer o partido ainda mais.
Anunciando que ele é “realmente amigo de John McCain, e colega no senado,” disse também que discorda de sua política e pediu aos eleitores de seu partido que fizessem de tudo para enviar a mensagem à Casa Branca.
Confiou a Obama o título de lider sábio, e disse que o país precisa mais de liderança calculada do que de “um bom soldado”. O heroísmo de McCain, se depender dos democratas, não valerá nada nesse jogo.
Obama ainda surpreendeu os telejornais, delegados e eleitores ali presentes quando dirigiu-se ao Pepsi Centre a aparecer no palco ao lado de seu vice-presidente.
Disse pouco, e aparentou beijar a boca da esposa de Biden, e ao clamar pela família, mencionou o nome do senador, seu filho Beau, e “Mama Biden”. O vexame, contudo, mal foi explorado pelos sérios comentaristas, ainda empolgados com o acontecimento ao melhor estilo “show-business”.
As pesquisas de Quarta-Feira demonstravam a primeira liderança do senador pelo Arizona nas pesquisas do Gallup, por 46-44% sobre Barack Obama. Amanheceram na Quinta-Feira com a vantagem devolvida ao candidato democrata, 46-45% sobre John McCain.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Beau Biden,
Bill Clinton,
Colorado,
Denver,
Hillary Clinton,
Jimmy Carter,
Joe Biden,
John McCain,
Mama Biden,
MSNBC,
Pepsi Centre
Wednesday, August 27, 2008
Barack Obama, Hillary Disse:
Disse poucas vezes, na verdade. O nome de Barack Obama foi pouco mencionado nos 23 minutos discursados pela senadora de NY, Hillary Clinton.
Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.
Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.
O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.
Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.
Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?
Joe Biden
Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.
Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.
O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.
Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.
Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.
Mas não são esses os ataques mais preocupantes.
O espectro de Hillary Clinton
Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.
As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.
Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.
Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.
Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.
RF
Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.
Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.
O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.
Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.
Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?
Joe Biden
Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.
Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.
O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.
Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.
Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.
Mas não são esses os ataques mais preocupantes.
O espectro de Hillary Clinton
Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.
As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.
Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.
Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.
Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Bill Clinton,
Denver,
Hillary Clinton,
John McCain,
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