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Friday, June 20, 2008

Resumo Semanal e Bola pra Frente

A partir da semana que vem, esse bloguista que compartilha aprendizados políticos e culturais das terras do Grande Império, fará o que muitos habitantes desse Grande Império fazem no segundo termo do verão, em Julho: Iniciarei o mais frenético e curto período escolar do ano, esperançosamente meu último até que comece a estudar pelo bacharelado. Meus dias serão excepcionalmente preenchidos por ensinamentos – para mim, muito difíceis – de matemática e biologia, logo sei que terei menos tempo para postar, e menos tempo para analisar.

Mesmo assim comprometo-me a, pelo menos, fazer o resumo semanal às Sextas-Feiras ou finais de semana, compensando em tamanho e qualidade, se for o caso, a falta de outros textos. A seguir, o resumo:


Tim Russert


Caricatura de Bruno Venancio

Na passada Sexta-Feira 13 a nação perdeu um de seus grandes mitos jornalísticos. Tim Russert, 58, teve o funeral conduzido a partir da Terça-Feira, que contou com a presença do presidente George W. Bush, secretários e ministros, governadores, senadores e representantes do congresso, dezenas de personalidades públicas que preencheriam uma eternidade de mesas-redondas como a do Meet the Press, a qual Russert moderava aos Domingos.

Na Quarta-Feira, 17 de seus mais próximos amigos, como a freira Lucille, que o conhecia desde sua infância como estudante no colégio irlandês-católico na cidade de Buffalo, NY, falaram da vida do moderador e editor executivo das redes NBC. Entre esses estavam Maria Shriver, ex colega de Russert na NBC, Tom Brokaw, Brian Williams (escolhido como substituto temporário de Russert no Meet the Press), a historiadora politica Doris Kearns Goodwin, também amigo e colega Mike Barnicle e o ex governador de NY Mario Cuomo. O Memorial terminou com a forte presença de Luke Russert, 22 anos, filho único do homenageado.

No serviço, realizado em Washington, na Igreja da Santa Trindade, os candidatos presidenciais Barack Obama e John McCain sentaram-se lado a lado, a pedido da família. À saída, um arco-íris, e logo uma pequena enchurrada de água, tomaram conta do cenário. Russert deixa o filho Luke e a esposa Maureen Orth, jornalista para a revista Vanity Fair.


"Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. O que o senhor faz?" Lord John Maynard Keynes, ou, Meio ponto a Barack Obama


Obama mudou sua posição ontem, novamente, e desta vez faz um jogo político que, segundo analistas, pode ser vantajoso, mas poderia ter sido abordado diferentemente.

Quando em Novembro de 2007 foi questionado sobre sua posição a respeito do financiamento público das campanhas presidenciais, disse que concordaria lutar por uma reforma no financiamento estimado em 80-85 milhões de dólares caso seu adversário assim desejasse.

O senador pelo Illinois lançou um vídeo no sítio de sua campanha acusando republicanos de destorcerem o sistema do financiamento público a tamanho nível que renega recorrer ao mesmo. Em um e-mail enviado a membros do sítio de Obama, David Plouffe, diretor de sua campanha, diz que os republicanos “têm o dinheiro 527 ” (excessão à regra, introduzida há alguns anos, como método de incorporação de outras verbas para o auxílio nas campanhas presidenciais) e “manipularão o sistema de financiamento público” para arrecadar mais verbas do que o rival. Diz que, apenas em Abril, os republicanos conseguiram levantar 45 milhões de dólares, e que podem tranquilamente ultrapassar os fundos do rival democrata.

Segundo analistas políticos e bloguistas de ambos lados, Obama tem mais a ganhar do que a perder por sua reserva suficientemente avantajada.

Só não vence o ponto completo, porque poderia ter abordado o tema de modo distinto. O fato é que a campanha do democrata é financiada por milhões de indivíduos doando em seu sítio eletrônico, algo que a campanha de McCain não oferece aos seus eleitores.

Indivíduos doando menos de 100 dólares cada trouxeram ao senador democrata uma das maiores margens historicamente conhecidas na arrecadação de verbas populares. Se, ao invés de chorar pela manipulação do partido Republicano - algo discutível visto que, de acordo com as informações públicas, o campo democrata tem colecionado uma vantagem proporcional de 4-1 sobre o candidato republicano - tivesse apenas declarado que mudou sua posição para vencer os republicanos em Novembro e ponto final, sofreria menos na boca de seus críticos.


Gallup mostra liderança de Obama estável (Mais um ponto para Obama)
O instituto Quinnipiac mostra que Obama lidera na Flórida, Ohio e Pennsylvania

Nem todos as pesquisas concordam, mas nenhuma desmente o potencial de Barack Obama para as próximas eleições mesmo em estados delicados e discutidos como a Flórida, o duvidado estado da Pennsylvania (pela população de colarinho branco) e o instável Ohio.

Gallup iniciou a semana com um empate técnico entre Obama e McCain, 44-42% para o candidato democrata, mas a margem voltou a favorecer o último, passando a uma vantagem de 4 pontos (46-42%) e logo à última computada na Quarta-Feira 18, 47-42%.

Para o Quinnipiac, Obama lidera na Flórida por 47-43%, em Ohio por 48-42% e em Pennsylvania mantém uma vantagem considerável de 52-40% sobre o senador pelo Arizona.

Para o sítio Pollster.com, John McCain lidera na Flórida por 45.1-42.8%, ainda dentro da margem de erro.


Resultado semanal no quadro político, incluindo os resultados das pesquisas acima, e as polêmicas apresentadas e discutidas nos textos desta semana:

John McCain 3 x 2 ½ Barack Obama

Monday, May 05, 2008

North Carolina e Indiana

Barack Obama venceu, neste Sábado, na colonizada ilha de Guam, mas por uma margem de apenas sete votos (não por cento, 7 votos individuais), o que atrasa a divisão dos poucos delegados disponíveis nestas primárias “simbólicas”.

Amanhã, no entanto, a disputa é novamente levada a um grande estado, North Carolina, e outro menor, mas não menos importante, Indiana. Bem como em Pennsylvania, super-delegados democratas esperam encontrar indicações mais claras de que um dos dois pré-candidatos pode ser em sã e limpa consciência o nomeado/a nomeada oficial do partido.

Bem como em Pennsylvania, que tinha Hillary Clinton como grande favorita, North Carolina está praticamente assegurada a Obama. As pesquisas indicam uma vantagem de 8% ao senador de Illinois, enquanto mostram 8% ainda indecisos. Em Indiana, Clinton e Obama encontram-se com 45% dos votos cada.

Há quem diga - não de hoje, mas já há algum tempo - que a disputa precisa ser definida para não prejudicar a união interna do partido. As chances de que seja resolvida nas primárias de amanhã são pequenas, no entanto.

Enquanto isso, o país se entrega sorrateiramente a um desastre econômico que pesa mais à classe média da nação, mesmo que o crescimento otimista de 0.6% possa favorecer aos que já estavam no topo. Nada novo, apenas mais do mesmo. O problema do “mais do mesmo” é que nossos problemas sim, são os mesmos, mas nossa tecnologia e experiência diplomática parecem mais avançadas do que a atitude estagnada desse governo.

O presidente George W. Bush tem agora o menor nível de aprovação popular da história do Gallup Poll. Essa fama prejudica John McCain, que não tem se distanciado das promessas republicanas, que diverge muito pouco da filosofia do atual presidente, que não foi - e ainda encontra problemas para ser - aceito em sua própria base, que precisa do presidente para reconquistá-la, mas que já não é o ás pensado em 2000, e sim, mostra-se adepto à filosofia washingtoniana de fazer e dizer absolutamente tudo para ser eleito.

Portanto, pergunto-me inocentemente se existe realmente a menor chance da eleição de um republicano em Novembro. Gostaria de acreditar pia e cegamente que esta não chega a hipótese, de tão absurda a idéia. Infelizmente, a política torna o reto, torto, e o torto, obtuso.

Por isso e por tantas outras canso-me de ouvir pessoas contra a guerra, reclamando da injustiça que testemunham diariamente, falando de economia, falando do orçamento escolar, hospitalar e rodoviário, mas dizendo-se contra a “política”. “Odeio política!”

É esse pensamento que, em teoria, Obama posicionou-se contrário desde o início de sua campanha. É esse seu posicionamento quando diz que seus adversários jogam com as promessas utópicas da salvação e a glória ao povo, mesmo que Hillary Clinton queira mais governo, e John McCain menos governo influenciando a oferta de serviços essenciais à população.


Como introduzido no texto passado, a tema do corte dos impostos sobre a gasolina que desejam similarmente Clinton e McCain pode ajudar a vida de trabalhadores, que pagariam uma média de 15 centavos a menos por galão, isso sem contar em um provável reajuste das grandes companhias, como a Exxon Mobile, para reconquistar o direito a esses 15 centavos.


Obama diz que esse é um plano de falsas esperanças. Enquanto McCain sabe que o dinheiro será retirado dos fundos rodoviários, negligenciando estradas e pontes como a de Minnesota, desabada há um ano, mas pretende fingir que há como evitá-lo. Clinton quer que o dinheiro seja retirado das margens de lucro excessivo das grandes companhias.

O senador de Illinois diz que sua solução não é realista, e que apenas com o alívio em impostos ou enviando um cheque de mil dólares (como o feito agora em Maio, com a distribuição de um cheque de 600 dólares a pessoas com salários de menos de 75 mil anuais) a trabalhadores que não conseguem comprar alimentos ou gasolina com a inflação vigente.

Ao mesmo tempo, Clinton planeja demandar uma investigação (como as feitas a cada dois anos, mas com direcionamento distinto) direcionada a especuladores que forçam aumentos aos preços do barril de petróleo sem nem mesmo pertencer à indústria.

Por isso não peço que Clinton desapareça. Sua imagem garante que essas questões sejam exploradas com a fibra que reconhecem em seu caráter. Só não sei se, como presidente, não se assemelhe em fibra contra outras importantes soluções sociais.

Porém, todos realmente desejamos saber quem será esse/essa nosso/nossa nomeado/nomeada. Mais do que isso, queremos ter certeza de que é o melhor para vencer a Casa Branca. Pelo número de delegados, porcentagem do voto popular e número de estados vencidos, sem contar na vitória de quase todos os “caucuses”, pode ser que o partido simplesmente procura desculpas para não candidatar Obama.

Não que estejam necessariamente errados. Imaginem um reinado de Bush III nos Estados Unidos em 2009... Isso requer estômago, e sabedoria partidária para não permitir que ocorra sob hipótese nenhuma. Amanhã veremos outro capítulo da novela mais importante ao país. Que vença o melhor.

RF

Wednesday, April 23, 2008

Deu Clinton, e de knock-out

Uma vitória de 10 pontos percentuais manteria Hillary Clinton viva, e seus argumentos de seguir concorrendo à nomeação de seu partido ainda mais lógicos. Uma vitória de 10 pontos exatos percentuais foi a que a manteve viva, de fato, na primária de Pennsylvania.

Halém Souza bem lembrou em um comentário do texto anterior que, segundo pesquisas recentes, a credibilidade de Clinton sofreu grande abalo pelas patetadas de sua campanha. Há pouco mais de mês, a senadora de New York era tida como confiável por aproximadamente 54% da população democrata. Nas recentes pesquisas, esse número decaiu para aproximadamente 34-36%.

Perdão, mas esse ”spin” não ousarei fazer, nem gostaria que alguém acreditasse que há algo de ruim em sua vitória local. Claro que campanhistas de Barack Obama dirão que o estado é um dos mais “velhos”, de demografia de idosos, cristãos e classe operária elevada, um dos terrenos que sua rival vencia a mais de 20 pontos na virada do ano passado, e que o senador conseguiu diminuir dramaticamente.

Ainda assim a vitória de Clinton é inegável. Obama gastou três vezes mais do que sua concorrente, e o tempo dedicado a discursos e campanhas em palanques de todo o estado foi igualmente dividido. Nas últimas pesquisas diversas, perdia por apenas 4-6%, mas os indecisos sempre contam, além de que o “Poll of Polls” (Enquete das Enquetes) já ditava uma margem de 9% de diferença.

Caso a margem fosse realmente de 9%, Obama dificultaria ainda mais a vida da senadora. Esse 1% representa aproximadamente 30-50 mil votos, o que cortaria a disparidade de 200 mil contados a favor de Clinton para 150 mil.

Em seu discurso, a senadora disse o que todos já estão cansados de saber, alguns até fastidiados. Ela não irá a lugar algum sem perder entre os super-delegados, e seu maior argumento é o de conquistar em bom peso o voto de estados-chave nas próximas eleições gerais, os grandes estados, como Pennsylvania.

Esse “momento” vencido gera o impulso necessário para que não só siga no páreo, mas também continue atacando Obama e procurando ressalvar seus defeitos e suas inseguranças, fraquezas e inexperiência para mostrar-se mais viável do que o candidato pop. O senador de Illinois ainda vence em pesquisas nacionais, ontem fechado em 50% a 40% contra Clinton.


200,000 Léguas


Como dito no texto anterior, o voto popular é o único fator que ainda pode favorecer Hillary Clinton. Antes de Pennsylvania, perdia por aproximadamente 500 mil votos. Assim, adquirindo 200 mil votos atualmente, precisa de aproximadamente mais 300 mil para ao menos igualar-se a Obama nesse quesito.

Bem como a primária que ocorreu ontem, as próximas também têm grande previsibilidade. Seguindo a lógica das pesquisas atuais, 100 mil votos estão garantidos nas próximas primárias para a senadora, e outros 200 mil podem pesar para qualquer lado.

Grande exemplo disso é Puerto Rico, o país que pertence aos Estados Unidos, o “estado” estrangeiro desta nação. Geralmente, a alienada população de Puerto Rico elege de acordo com o endossamento do governador. Nesse caso, a nação deveria votar por Barack Obama, mas o governador, Anibal Acevedo Vila, vê-se investigado com 12 de seus associados por corrupção na arrecadação de verbas por sua campanha. As primárias regionais outorgam aos candidatos 63 delegados, e a margem da vitória de Clinton pode ser limitada aos 20 mil votos, ou estrapolada aos 80 mil.

Para vencer, Barack Obama apenas precisa vencer as primárias que parecem pesar a seu lado. North Carolina e Indiana, no dia 6 de Maio, podem trazer seu momento avassalador de volta, e mesmo perdendo em Indiana, estado bem disputado, vencendo a previsível North Carolina ainda estaria no curso certo.

Isso se deve ao número proporcionalmente superior do senador de Illinois em delegados, apesar de ter perdido virtualmente 1 super-delegado a mais na primária de Pennsylvania. Clinton não tem, praticamente, nenhuma chance de superar Obama nessa contagem, e a decisão dos super-delegados tende a avaliar esse número com o mesmo rigor que observa o voto popular.

O resultado, sem nenhum “spin”, ainda é a grande frase que mamãe sempre disse e ainda diz: Amanhacerá e veremos. Nada é definido. Nem em duas semanas, nem em dois meses, saberemos exatamente quem será o nomeado democrata. E John McCain? Amanhecerá e veremos.

RF



Tuesday, April 22, 2008

Conforme for Pennsylvania, assim segue a nação


Hoje sim, voltamos às primárias, e chego ao meu escritório do “trabalho que liberta”* ainda mais cedo, com a cuca fresca, para falar antes de mais nada sobre a importância de Pennsylvania na escolha do próximo porteiro.

Já abrindo a primeira página do The New York Times vemos no que a mídia escolhe focar-se antes da abertura das urnas, que se deu às 7AM horário de New York, fechando às 8PM. A idade, segundo a matéria, é fator importante pela segregação criada entre eleitores jovens (geralmente votando por Barack Obama, 46 anos) e eleitores mais maduros (que tendem a eleger Hillary Clinton, 60 anos).

Porém, além da idade e da análise demográfica dos eleitores do estado, a atitude de ambas campanhas e suas promessas futuristas liberais, isso sem contar nas regras diretas do jogo, são o que mais e melhor contam.


A Atitude


“If you can’t stand the heat, get out of the kitchen.” (Harry S. Truman).

Truman dizia: “Se você não aguenta o calor, sáia da cozinha!”

Barack Obama passou a maior parte das últimas duas a três semanas defendendo-se dos ataques de Hillary Clinton em questões indiretas à política de ambos candidatos. Nesse caso, pelo desastroso empenho da campanha de Clinton, que não conseguiu vender a imagem da candidata como gostaria e selar a nomeação depois da “Super-Tuesday” de 4 de Março, a ex-primeira-dama sabe que precisa danificar a imagem do senador de Illinois para receber a simpatia dos ainda incalculáveis super-delegados.

Só esperamos o Super-Homem para salvar o planeta Terra das garras do mal. A corrida realmente tornou-se cada vez mais super.

Como Obama vem declarando em seus últimos discursos e aparições públicas, o povo americano está cansado de testemunhar a atitude de candidatos “jogando pilhas de pratos da pia da cozinha” um n’outro/a. Mas a resposta de Clinton foi a frase de Truman: “Cái fora, Obama, você é muito delicado para uma verdadeira campanha.”

Os escândalos (nada escandalosos) de Obama com o Rev. Wright, seus comentários indelicados sobre a gravidez e sua análise da amargura de trabalhadores da classe média obreira estadunidense serviram de isca para que Clinton mirasse e acertasse alguns socos. Em dez dias, o instituto da Gallup revela que Obama tem parcialmente decaído na opinião pública nacional. Mesmo assim, amanheceu vencendo por 7% (49-42%) da senadora de New York, enquanto ontem vencia por 2%, e há oito dias vencia por 11%.

Portanto, já se sabe que a tática não funcionou conforme o esperado, mesmo Clinton capitalizando nos erros de seu rival. Tentou lucrar com o pior desempenho de Barack Obama em todos os debates, pela NBC na semana passada, mas nem isso foi substancial.

Atacado por questões mais pessoais, Obama não conseguiu se expressar confortavelmente. Seu maior fantasma, ao menos nos olhos de quem vos relata, foi dizer que não aceita dinheiro de executivos do petróleo, algo ilegal para todos os candidatos, algo que nenhum candidato poderia, nem se quisesse, aceitar. Esse sim foi um lapso severo, e somado aos outros, retirou-lhe um pouco do terreno. Por esse lapso, viu-se obrigado a “perdoar” os lapsos severos de Hillary Clinton como seu relato fantástico sobre a Bósnia.

Mesmo assim, Obama ainda leva a vantagem.


Política das Promessas


A economia e a saúde dos Estados Unidos requerem uma filosofia diferente, segundo a maioria da população. A guerra no Iraque também, mas sobre ela poderiamos escrever livros completos antes de sequer simplificar em jargões a verdadeira responsabilidade de nossos governantes.

Tanto Barack Obama quanto Hillary Clinton providenciam e relatam como salvariam os Estados Unidos da miséria. Ambos são a favor do corte de impostos proporcional, estímulos governamentais, e universalizar a saúde do país.

Ao fim de cada dia, eleitores e eleitoras escolhem mais pela aparência e pela moral dos candidatos do que por sua política. É realista dizer que o movimento Republicano está mais fraco do que nunca. É também até sensato dizer que pouco pode acontecer para que a Casa Branca seja administrada por John McCain, ainda mais pelo último resultado da própria Gallup sobre a popularidade de George W. Bush, de apenas 28% de satisfação publica contra 69% de pessoas ditas insatisfeitas com sua presidência. Esse é, simplesmente, o número mais baixo já gravado por uma pesquisa da Gallup nesse quesito.

As promessas futuristas em toda sua glória resumem-se à experiência de Clinton e sua capacidade de lutar, contra a inexperiência eloquente de Obama, que realmente tem se mostrado inadepto em lidar com os ataques mais pessoais, o que pode ser bem ou mal visto, mas que tem perigos iminentes em uma eleição geral que se aproxima rapidamente.


As Regras do Jogo


Obama vence em número de delegados, e uma consistente quantidade de super-delegados desistiu de apoiar Clinton em seu nome. O senador há apenas 3 anos também vence em número de votos contados, o voto popular.

Nesse sistema de repartição dos delegados oficias de cada estado, Obama venceria proporcionalmente menos delegados do que Clinton, mas não deixa de recebê-los tendo a mínima porcentagem dos votos (15%). Ou seja, caso a senadora vença por apenas 5 pontos, algo plausível mesmo com a pequena queda da popularidade de Obama, ainda não conseguirá passar seu rival em delegados, e seria complicada sua vitória no voto popular. Teria de surrupiar as urnas, em grande verdade, vencer por mais de 10 pontos, e somente assim conseguiria dar a volta.

Atualmente, em Pennsylvania, o mesmo Obama que perdia por 20 ou mais pontos há poucos meses, hoje apenas perde por uma variedade de 5-6%. O veredito tornar-se-á público depois das 8PM horário de New York.

Mesmo perdendo, contudo, Clinton deve permanecer na corrida. As primárias e “caucuses” voltam ao ritmo mais frenético, antecipando a decisão final. Enquanto isso, do outro lado da rua, John McCain trafega solitário.

RF

* Mensagem escrita em uma plaquinha dependurada nos campos de trabalho forçado da Alemanha Nazista como fonte inspiracional aos judeus escravos.