Wednesday, March 19, 2008
A raça de Obama
Wright, por sua vez, criou fama por seus discursos anti-Estados Unidos, como o mais citado por Joe Scarborough do programa Morning Joe da MSNBC, cinco dias após o Onze de Setembro, quando disse que o país merecia o que lhe ocorrera. Outros de seus jargões conhecidos são chamar a nação de KKK da América (uma alusão antipática ao grupo supremacista Ku Klux Klan), dizer “Deus amaldiçoe a América” ao invés de “Deus abençoe a América", e por fim sua infame acusação de que o governo estadunidense teria propositalmente propagado o vírus HIV entre negros.
O pastor mostra-se claramente enraivecido pelos conflitos segregadores das gerações passadas de negros que sofreram a escravidão e a exclusão não só social, mas genética, por demasiados anos, e a ligação afetuosa que tem com Obama lhe criou a maior das controvérsias de sua campanha: Seria Barack Obama racista? Serão suas aspirações anti-patrióticas?
Dias Passados
Jovem e sem passado político a lhe assombrar, rivais fanáticos da direita conservadora procuraram em vão, por muito tempo, e apenas agora encontraram um grande cabelo no mingau de Barack Hussein Obama. Além de fazerem o que agora fiz por pura ilustração, ou seja, citar “Hussein” como instigador de polêmicas, também tentaram revela-lo anti-patriótico quando comprovaram que Obama não leva a mão direita ao peito esquerdo quando ouve o hino dos Estados Unidos. Há uma bela imagem que mostra o contraste dos demais candidatos e o senador de Illinois, enquanto os demais levavam a famigerada mão direita ao peito esquerdo, e ele apenas as deixava entrelaçadas abaixo de sua cintura.
Porém, obviamente isso não foi o suficiente. Logo puderam encontrar nesse pastor a desculpa que sempre quiseram dar para não eleger um negro à Casa Branca. Rush Limbaugh, que continua discursando em sua estação como radialista radical conservador, chama seus ouvintes a votarem por Hillary Clinton “apenas para ver o partido se degladiar e se acabar até Novembro,” mas não desmente sua opinião de que Barack Obama é simplesmente inelegível.
Tive a chance de conversar e ler a opinião não só de bloguistas conservadores, mas de pessoas conservadoras envolvidas com o partido ou com suas ramificações supostamente independentes. Para eles, Obama tampouco é elegível. Por ser filho de estrangeiros, por ter nome árabe e por ser negro, talvez. Porque, em se tratando de seu escasso envolvimento na descomunal história do senado estadunidense, suas atitudes não foram piores do que as de seus rivais partidários, e até melhores em instâncias específicas. Não há um único motivo melhor para não suportar a idéia de tê-lo como presidente.
O Grande Discurso
A única verdadeira história na notícia que unia Obama e seu ex pastor Wright, foi o histórico discurso que o senador deu ontem a centenas, logo milhares, logo milhões de cidadãos e cidadãs norte-americanos. Precisando fazê-lo, seus estrategistas não deixaram dúvidas de que a maior intenção seria criar um espetáculo que expressasse o quanto Obama pode ser presidencial.
Quatro bandeiras à sua esquerda e quatro à direita diante de uma cortina azul semi-celeste-semi-marinho, e o pré-candidato ao pódio, sem as mãos cruzadas ou a coluna torcida, com um olhar sereno, sério, conciso, de palavreado sensato. Poderia ser o “State of the Union Address”, discurso anual do presidente da nação, mas foi basicamente um argumento clássico, que ainda terá repercussões mais sérias do que as que flutúam pelo país.
Não disse que “tinha um sonho”, mas explicou aos incautos, aos inocentes, aos maliciosos e aos ignorantes que existe um ressentimento profundo pelos brancos entre as passadas gerações negras que se propaga nos “barbeiros, nos salões de beleza, ao redor da pia da cozinha e, ocasionalmente, encontram espaço nas igrejas” das gerações mais jovens. Um ódio pelo racismo, pela lei de Jim Crow que segregou colégios públicos no sul do país, pelos espancamentos e pelos linchamentos e pelo terrorismo que negros sofreram desde que, sem escolha, foram trazidos como escravos ao continente.
Disse que esse ressentimento, o qual não sente por ter uma história pessoal distinta, é real, não deve nem pode ser ignorado. Declarou que tinha sido inocente em pensar que a raça não seria um fator importante em sua campanha. A campanha, seguiu Obama, pode resumir-se a conflitos dessa natureza, a suspeitas de que ele simpatize com as ofensivas palavras, jargões e acusações de Wright, mas também pode ser encarada de modo diferente.
“Dessa vez,” declarou Obama, “queremos falar sobre as escolas que se desmoronam e roubam o futuro de crianças negras e crianças brancas e crianças asiáticas e crianças hispanas e crianças nativo-americanas. Dessa vez queremos rejeitar o cinismo que nos diz que essas crianças não podem aprender; que essas crianças que não se parecem conosco são problema de outrem. As crianças da América não são essas crianças, elas são nossas crianças, e nós não as permitiremos decair na economia do século 21. Não dessa vez.”
Para Obama, a grandeza dos Estados Unidos é que o país pode mudar, o que não se pode dizer, francamente, de todos os demais. Concordo com ele, mesmo que estejamos tão distantes do ideal.
Enquanto isso, em Israel
John McCain foi calorosamente recebido em uma viagem que seguiu do Iraque e tende a continuar pelo continente europeu. Sem visitar comunidades palestinas, McCain esteve presente em uma simbólica cerimônia no Museu do Holocausto Yad Vashem, em Jerusalém. Quase chorando, disse que estava “profundamente movido. Nunca mais,” clamou.
O “nunca mais” e o encontro diplomático entre isralenses e representantes alemães simboliza o paralelo internacional do que ocorre nos Estados Unidos. As divisões raciais, étnicas e sociais estão sempre presentes em nossas vidas, estejamos onde estivermos. Talvez na ausência de negros ou brancos em uma determinada região não exista o racismo, mas logo existe o machismo, o feminismo, o judaísmo, e as centenas de divisões religiosas que infelizmente contribúem na levedura do conflito.
McCain não ganha muito com sua viagem. Seu posicionamento em questões médio-orientais é explícito, e quiçá o menos imprevisível de todos os candidatos. Se há quem questione sua lealdade ao lado “certo” do conflito, há quem apóie acordos unilaterais com Israel. Pois, há de tudo nesse mundo.
Chorou por um “nunca mais” enquanto em seu próprio país o mesmo ódio que motivou Hitler contra judeus ainda se perpetua em conflitos raciais agora expostos e extra-expostos por Barack Obama. O ódio que leva a simpatizantes de seu partido que, segundo estudos psicológicos tende a atrair separatistas sulistas, a rejeitarem a menor opção de que um presidente negro os represente. O ódio comunitário que levou Rudy Giuliani a admitir sua inabilidade de atrair negros e sua postura aberta de sequer fazer campanhas em suas comunidades.
Finalizando com Mike Huckabee,
Que apareceu no programa Morning Joe e declarou que “nós precisamos dar um desconto a pessoas que vem do sul ou filhos de gerações passadas do sul do país,” pois seu ódio é real e ainda vivo em suas memórias. Afinal, esses são os filhos dos ex vizinhos de Rosa Parks. São aqueles que choraram a morte de Martin Luther King quando acompanharam seu caixão no sombrio dia de seu funeral. Esses são os segregados, os separados e os excluídos de todas as formas e maneiras que possam vocês imaginar.
Barack Obama me convenceu com seu discurso. Pretende ainda dar mais dois sobre o Iraque, política externa e a economia, hoje e amanhã. Vence em praticamente todos os ângulos nesta corrida à nomeação. O cronômetro a Pennsylvania corre solto, e a Novembro, paulatino. A raça de Obama vem se comprovando dia-a-dia.
RF
Wednesday, February 13, 2008
"É o eleitorado, estúpido"
Não foram primárias simbólicas, e se Hillary Clinton já estava preocupada depois das vitórias de seu rival no final de semana, agora pode estar se arrependendo de não ter feito melhores campanhas nos estados de Virginia, D.C. e Maryland. Barack Obama venceu as três primárias por vinte pontos percentuais no mínimo em cada. Já era vitorioso em Maryland antes das urnas fecharem. De acordo com qualquer veículo, Obama vence por aproximadamente 100 delegados (sem contar super-delegados) a mais do que Clinton.
Outra vantagem ganha por Obama foi comprovar que pode conquistar todas as classes do eleitorado. Nos últimos sete estados, especialmente os três que elegeram ontem o nomeado democrata, o senador por Illinois venceu entre negros, brancos, acadêmicos e ativistas, além de ter vencido entre as mulheres em Virginia, uma das bases mais fortes de Clinton. Também consta nas pesquisas eleitorais de ontem que um número considerável de independentes e até republicanos votaram por Obama.
Michigan & Florida - Delegados Perdidos?
Al Sharpton, reverendo e ativista político pela causa dos negros nos Estados Unidos, declarou-se neutro, mas disse ontem na MSNBC que permanece neutro para questionar o processo eleitoral sem vínculos. Pode até ser tarde para mudar as regras do jogo no que diz respeito aos super-delegados, mas Sharpton disse que não admitiria ver as regras mudadas no que se refere à Flórida e a Michigan.
O grupo de Clinton deseja que ambos estados tenham seus delegados contados a seu favor, mesmo depois do compromisso democrata de não posicionar seus delegados na Flórida ou em Michigan, e mesmo depois de assumido o compromisso entre os candidatos de não realizar suas campanhas nos dois grandes estados. Além disso, em Michigan apenas o nome de Hillary Clinton constava no bilhete. Não havia chance alguma de que os demais candidatos vencessem. E, se há alguma lógica nessa punição eleitoral, era justamente pelo fato dos dois estados serem grandes e importantes demais para tão pouco tempo de campanha democrata.
Minha escolha
Sinceramente, decidi que votaria em Obama, caso tivesse essa oportunidade, a partir do momento que Clinton gargalhou em júbilo por sua vitória na Flórida. De acordo com as pesquisas, uma das maiores influências no estado foram os votos antecipados, onde muitas pessoas aproveitaram a oportunidade de enviar o nome escolhido às urnas antes da data planejada, o chamado “voto dos ausentes”. Isso significa que Obama poderia ter vencido ou diminuído a margem de Clinton, assim vencendo maior número de delegados, caso tivesse investido em campanhas locais. Clinton tentou puxar a si um mérito que não tinha, uma jogada explicitamente política, sem o menor cunho social, e sua exigência pela contagem desses delegados me parece um truque sujo, incabível a alguém que pretende a liderança da nação.
Apenas escrevo esses últimos dois parágrafos para ilustrar o nó em minha cabeça quando chega o momento da decisão. Quem seria o melhor presidente? Pois, no momento, Barack Obama pode não ser a melhor opção, mas é a opção do povo. Outro motivo de minha escolha é baseada além da Supertuesday, após suas últimas vitórias expressivas, depois de perceber que a população realmente pode eleger um candidato menos convencional, menos politizado, menos polarizado.
Conquistando a confiança de eleitores independentes e até mesmo confortando republicanos que não vêem em McCain uma opção lógica à nomeação de seu partido, Obama também demonstra que pode trabalhar melhor com os republicanos, algo que Clinton jamais fez e nem poderia, por ser talvez a figura mais odiada do partido na última década.
A espera de um milagre
Pelos republicanos, Mike Huckabee poderia ter vencido em Virginia e levado os 63 delegados (60 delegados e 3 super-delegados) que o estado outorga exclusivamente ao vencedor. Mas não venceu, e John McCain acabou tirando as últimas esperanças de Huckabee, que apesar de tudo ainda não percebeu-se completamente derrotado. E alguém poderia me explicar o que Ron Paul ainda faz na corrida eleitoral? O que esse processo esconde? Há algo bizarro nisso tudo, pelo menos para o bloguista que vos relata de Miami.
Os verbos do profeta
O fato é que Barack Obama, em seu discurso em El Paso, Texas, causou ao âncora Chris Mathews da MSNBC um sentimento que “sobe pelas pernas”, de acordo com as palavras ditas pelo próprio. Não senti o mesmo que Mathews, infelizmente, mas percebi que o jovem pré-candidato procura transcender das primárias e já começa a atacar a política de McCain, respeitosamente. Outra percepção pessoal é a de que os discursos democratas, especialmente os de Obama, visam consolidar uma base populista, e baseiam-se estritamente em conflitos e injustiças sociais. Os candidatos do partido republicano falam em dinheiro, em trabalho, e em produção, além dos valores morais que querem empurrar goela abaixo da nada indefesa população.
Woman is the nigger of the world
Há um certo fator na opção por Obama que me incomoda. Se John Lennon estava certo e “a mulher é a negra do mundo”, seu protesto pode até fazer sentido. Há mais pessoas concordando eleger um negro do que uma mulher? A grande realidade é que não creio que alguém tenha essa resposta, mas seria algo triste.
Clinton is a Clinton is a Clinton
Mas Clinton ainda é uma Clinton, e sua campanha ainda me parece extremamente “Washingtoniana”. Isso apenas me fez concluir que, se a população está disposta a candidatar Obama mesmo que esse corra o perigo de se perder entre os ataques sujos dos republicanos que ainda virão às vésperas das eleições gerais, é porque realmente está disposta a ver algo novo na Casa Branca.
Não é Obama... É o eleitorado, estúpido.
RF
Wednesday, February 06, 2008
Vencedores, Perdedores e Empatados
A seguir, uma análise generalizada da situação de democratas e republicanos depois de uma “Super-Tuesday” que deveria ser decisiva, mas deixou algumas respostas em branco.
Antes de anunciar quem venceu qual estado, considerem os seguintes dados.
Número de delegados necessários à vitória
Democratas: 2.025.
Republicanos: 1.191.
Delegados disponíveis nos estados da Super Tuesday
Democratas: 1.678. Mínimo de delagados para a vitória: 840.
Republicanos: 819. Mínimo de delegados para a vitória: 411.
Democratas, os Empatados
Um dos exemplos de como essa “Super-Tuesday” foi diferente de todas as demais é o estado da Califórnia, que concorreu cedo esse ano em comparação ao papel menos importante que tinha ao concorrer mais adiante no calendário em primárias anteriores. Depois da Flórida (que ainda pode contar retroativamente) e a Geórgia, a Califórnia é um dos maiores estados, e mais ricos em delegados. Foi o maior prêmio do 5 de Fevereiro, com 370 delegados em jogo.
Outro interessante aspecto é a posição atual dos dois candidatos democratas em comparação ao recente passado. A previsão era de que Barack Obama venceria mais delegados, e Hillary Clinton levaria mais estados. Contudo, Obama ganha nessas primárias, ao meu ver mais do que Clinton, por levar não só mais delegados, mas também mais estados:
Barack Obama - Total de 765 delegados.
Delegados vencidos na “Super Tuesday”, de acordo com projeções da MSNBC: 596. (O New York Times não conta os delegados até que não haja seleção oficial.)
Estados Vencidos: Alabama, Colorado, Connecticut, Delaware, Geórgia, Idaho, Illinois, Minnesota, Missouri, Nem Mexico (empate técnico por enquanto), North Dakota e Utah.
A maior vitória: A Geórgia, por ser o maior dos estados de Obama, recebe maior importância tanto pelo número de delegados vencidos quanto pelo voto da população sulenha, de grande porcentagem negra.
A maior derrota: O estado da Califórnia pode ser considerado como crucial para Barack Obama, que conseguiu diminuir sua diferença no estado, mas que ainda chegou em um relativamente distante segundo lugar. Contudo, não liderava na maioria das pesquisas, desde que começaram a ser reproduzidas no ano passado.
O estado de Massachussets também fez a campanha de Obama sentir o peso da influência de Clinton, apesar de que não liderava nas pesquisas. O motivo principal é o apoio que recebeu dos locais: John Kerry e Teddy Kennedy, para começar.
A vitória mais emocionante: As primárias de Connecticut manteram-se virtualmente empatadas até mais da metade da contagem dos votos. Ora Obama vencia, ora Clinton, para terminar em apertada vantagem ao senador de Illinois.
A mais óbvia vitória: Illinois, o estado em que é senador, e ao qual chama de “casa” quando nele discursa.
Hillary Clinton - Total de 845 delegados.
Número de delegados vencidos segundo projeções da MSNBC (O New York Times não divulga projeções): 543.
Estados Vencidos: Arizona, Arkansas, Califórnia, Massachussets, New Jersey, New York, Oklahoma e Tennessee.
A maior vitória: A Califórnia, indubitavelmente, dá a Clinton uma boa margem sobre Obama na única categoria que o jovem senador encontra dificuldades: Latino-Americanos. Por motivos sócio-culturais (alguns mais óbvios, outros mais chocantes) os latinos tendem a apoiar Clinton.
Vencer Massachussets foi provar que Obama, mesmo endossado pelos Kennedy e por John Kerry, não conseguiu derrotar Clinton.
A maior derrota: Tendo conseguido os dois estados da “trindade” New York, New Jersey e Connecticut, Clinton viu o último escorregando da ponta de seus dedos, e não conseguiu a coroação final do corredor.
A vitória mais emocionante: A Califórnia, sem dúvida alguma, emociona Clinton o suficiente.
A vitória mais óbvia: New York (logo New Jersey), por ser o estado em que foi eleita senadora, e o estado de seu nascimento e sua moradia em juventude.
Republicanos, Vencedores, Perdedores e um Empatado
A maior complicação do lado republicano é a permanência de Mike Huckabee como pré-candidato e dura concorrência. Tendo vencido alguns estados da “Super-Tuesday”, e podendo vencer algum dos que ainda virão em Fevereiro, Março e Maio, Huckabee tira votos de Mitt Romney dos verdadeiros conservadores republicanos, os afiliados, os que não permitem posições duvidosas. Romney, conhecido como “vira-casaca” e desprezado por seu dinheiro e auto-financiamento da campanha, perde o voto de confiança que os mais conservadores temem dar a John McCain por sua oposição aos cortes de impostos de Bush (o único republicano concorrendo a contrariar o corte) e sua posição em relação a uma efetiva política imigratória, negociação que republicanos se recusam a fazer.
Algo posso afirmar de “dedos cheios”, no entanto: Se Ron Paul, por mais que o admire e respeite, permanecer na corrida, algum problema psicológico ele deve ter. Sequer falarei de seus ganhos e perdas. Ele termina como o maior perdedor republicano, tendo conquistado uma projeção de apenas nove delegados.
Já McCain, que poderia ter selado sua vitória na “Super Tuesday”, vê que ainda existe resistência e competição da parte de Romney. Contudo, vencendo a Califórnia, sua nomeação é a mais provável.
John McCain, o Vencedor - Total de 613 delegados.
Número de delegados vencidos segundo o Wall Street Journal: 487.
Estados Vencidos: Arizona, Califórnia, Connecticut, Delaware, Illinois, Missouri, New Jersey, New York e Oklahoma.
A maior vitória: A Califórnia, para os republicanos, é um estado que oferece todos os delegados disponíveis ao vitorioso. Portanto, vencendo a Califórnia McCain garante o papel de grande vencedor das primárias da “Super-Tuesday”.
A maior derrota: Os estados do sul, para McCain, representam maior importância pela essência de seu partido. Estados como Delaware, Illinois, New York e New Jersey, sem contar na Califórnia como potencial “vira-casaca”, são estados azuis, ou seja, democratas, onde em eleições gerais raramente são escolhidos republicanos. Tendo perdido no Alabama, em Arkansas, na Geórgia e em West Virginia, McCain segue sendo um forte candidato, mas não “o candidato” republicano.
A vitória mais emocionante: A Califórnia, bem como para os democratas, carrega o maior peso para os democratas, e pode selar a nomeação de McCain.
A vitória mais óbvia: Para McCain não há vitórias necessariamente óbvias.
Mitt Romney, o Perdedor - Total de 269 delegados.
Número de delagados vencidos segundo o Wall Street Journal: 176.
Estados Vencidos: Colorado, Massachussets, Minnesota, Montana, North Dakota e Utah.
A maior vitória: Romney perdeu a chance de ter uma maior vitória. Nenhum dos estados vencidos tem mais peso do que os estados de Huckabee. Portanto, talvez o fato de ter ganho mais delegados do que Huckabee seja sua maior vitória.
A maior derrota: Nenhuma outra primária significaria tanto para Romney como a de Califórnia, a qual perdeu, o que torna sua nomeação cada vez menos provável.
A vitória mais emocionante: Seria a Califórnia, mas os demais estados sempre o pertenceram, de modo ou outro.
A vitória mais óbvia: Massachussets, estado que seu pai governou e que ele mesmo governou. Não poderia perdê-lo, e não o perdeu.
Mike Huckabee, o Empatado - Total de 190 delegados.
Número de delegados vencidos segundo o Wall Street Journal: 122.
Estados Vencidos: Alabama, Arkansas, Geórgia, Tennessee e West Virginia.
A maior vitória: Vencendo o sul e mantendo-o como sua base, ou seja, a base essencial do partido republicano, Huckabee tem por maior vitória seu maior estado, a Geórgia.
A maior derrota: Huckabee vence a essência do partido republicano, e compete em outros estados, mas perdeu com apenas 1% dos votos ao seu favor no estado conservador de Utah.
A vitória mais emocionante: Não a considero a mais emocionante, apenas a mais próxima, em West Virginia.
Tuesday, February 05, 2008
Super-Tuesday
(Clique na foto para expandi-la.)Certamente, a mais importante de minha curta história, e uma das mais significativas Super-Tuesday’s que o país já viveu. Já foi dada parte da largada, e os últimos resultados, os mais importantes, só serão conhecido pelo público na manhã dessa Quarta-Feira.
24 estados decidem, em 43 concursos, quem surrupia a maioria dos delegados e sái à frente na corrida à nomeação presidencial. Desses estados, a Califórnia, cujas urnas só serão contadas depois das 11pm, horário de New York, contém mais delegados em jogo para os democratas, 370, enquanto republicanos ganham apenas 170. A Geórgia, estado de 87 delegados para os democratas e 72 para os republicanos, fecha as urnas o mais cedo, às 7pm.
A principal diferença na maioria dos concursos é que para republicanos 8 estados vencidos fornecem todos os delegados disponíveis, enquanto democratas repartem os delegados em uma fórmula em que candidatos com 15% dos votos no mínimo já recebem uma parcela. Ou seja, enquanto John McCain poderia ganhar 170 delegados na Califórnia por chegar em primeiro lugar, Hillary Clinton repartirá seus 370 delegados com Obama caso vença.
O humor é intenso, a atmosfera grossa, e os candidatos já demonstram claros sinais de exaustão.
Democratas
Hillary Clinton vence em New York, New Jersey, Missouri e Tennessee, e de acordo com apenas uma das pesquisas (Mason-Dixon), na Califórnia. Barack Obama vence claramente em Illinois, e tem alguma folga na Geórgia, mas os seguintes maiores estados são disputados ponto-a-ponto, ilustrando um crescimento nos eleitores de Obama de todas as classes:
Arizona, Alaska, Massachussets e Califórnia (Suffolk University e Field Poll).
New York (Quinnipiac University) e Califórnia (Mason-Dixon), são os únicos estados cujas pesquisas não deixam dúvidas sobre a candidatura de Clinton, mostrando vantagens mais de 10 pontos cada.
Illinois é o único estado cuja vantagem indica a iminente vitória de Obama (Chicago Tribune) por mais de 10 pontos percentuais.
Os demais estados são disputados com um a sete pontos de diferença entre os candidatos. A vitória não será, aparentemente, conhecida nessa Super-Tuesday, mas há estados que cada candidato, ao ganhar, pode ganhar suficiente momento à boca da mídia para levar as primárias do dia 12 de Fevereiro, e logo os demais restantes estados até a Convenção Democrata. A Califórnia é essencialmente esse estado, se existe qualquer outro.
Republicanos
John McCain perde apenas no estado em que Mitt Romney foi governador, Massachussets, por uma grande margem. Nenhum estado é particularmente indeciso, e a permanência de Mike Huckabee prejudica Romney imensamente.
McCain vence por vantagem máxima nos seguintes estados:
Califórnia (Mason-Dixon), New York, Illinois, New Jersey, Missouri e Alaska.
Diferenças de cinco a sete pontos percentuais são encontradas em:
Califórnia (Suffolk University), Geórgia e Tennessee.
De acordo com apenas uma pesquisa (Field Poll), Romney e McCain estão empatados no mais importante estado da Califórnia.
As pesquisas pelo estado do Arizona tornaram-se inconclusas, mas McCain liderava no mês passado.
RF
Friday, February 01, 2008
À espera da “Super-Tuesday” - Republicanos
Republicanos
John McCain venceu a Flórida, mas sua maior vitória foi a desistência de Rudy Giuliani, que anunciou concomitantemente seu apoio ao veterano combatente. No último debate republicano pela CNN na biblioteca presidencial Ronald Reagan, na passada Quarta-Feira, McCain e Mitt Romney, seu principal rival, discutiram agressivamente e deixaram eleitores em dúvida de quem seria o mais justo, o menos sujo e menos mentiroso.
Enquanto isso, Mike Huckabee, o eterno terceiro lugar, mas que por ter vencido em Iowa surrupia alguns delegados, disputava pela proporção do tempo reservado aos dois principais pré-candidatos. Ron Paul mal teve deixas, e o que diz não é levado a sério pela maioria de seus companheiros partidários ou dos eleitores republicanos.
O que é uma pena, considerando que ele é o único que tem coragem de dizer que a guerra foi em vão, atacando-a tanto pelo sangue jorrado em vão quanto pela desastrosa política externa da administração de Bush, e ainda comprovando que os gastos exuberantes dessa guerra sem nenhuma vasão diplomática levaram o país à falência. É o único que não culpa os últimos míseros dois anos do congresso democrata pela iminente recessão, que não existe para pessoas como Romney, McCain ou Huckabee, mas que existe para as classes média e baixa. Sabe que o governo duplo de Bush, especialmente a insitência pela guerra, são os maiores responsáveis da falência econômica e da inabilidade de ter solucionado efetivamente a situação de milhares de pessoas em Louisiana e New Orleans à época do furacão Katrina.
McCain acusou Romney de constantemente mudar suas posições adaptando-as a interesses políticos. A principal acusação foi compará-lo a um democrata quando supostamente admitiu o estabelecimento de datas específicas para o recúo do exército estadunidense do Iraque. No entanto, Romney jamais teve essa posição, apesar de ter sido mais ameno ou até indefinido quando era governador do estado de Massachussets. Jamais disse que favoreceria o estabelecimento de datas ao recúo das tropas. Ron Paul, quando questionado, disse que a discussão era “boba”, “quem disse o que e quando não importa, deveríamos estar discutindo política externa, e por que os Estados Unidos deve ser a polícia do mundo?”
Romney acusou McCain, que trafega com seu ônibus denominado (algo como) “Expresso da Sinceridade”, de não ser nada sincero. McCain disse que o país precisa de líderes, não de gerentes. Romney disse que chamar um governador de gerente era desrespeitoso. Politicamente, a posição de McCain em relação ao Iraque ganha parte da base republicana mais interessada na guerra. Romney vence os mais interessados em uma política econômica conservadora, logo Huckabee, que ainda concorre e realmente tem chances de causar algum estrondo, rouba eleitores da base de Romney por ser mais conservador em relação a cargas tributárias, concordando com Ron Paul que o IRS, ou o departamento federal do fisco, deve ser desmontado e um novo sistema instalado para outorgar ao povo maior poder sobre a própria renda.
McCain foi um dos únicos republicanos contrários aos cortes de impostos propostos por Bush no vapor de seus mandatos. Disse que jamais o país cortara impostos em época de guerra. No entanto, sua proposta para apazigüar os mais conservadores é cortar impostos assim que entrar na Casa Branca.
McCain também será daqui em diante conhecido como o candidato que admitiu que o exército dos Estados Unidos pode ficar no Iraque “por cem anos, o quanto necessário para sairmos vitoriosos”. Todos os candidatos, menos Paul, dizem que a situação no Iraque tem melhorado.
Para o bloguista que vos reporta, não sei quais noticiários eles têm visto e lido para assim concluir.
Endossaram: Arnold Schwarznegger e Rudy Giuliani a John McCain.
Não concorre: Rudy Giualini.
RF
Saturday, January 26, 2008
Nhac! Debates 2
Vale lembrar que dos últimos quatro presidentes dos Estados Unidos, três foram republicanos e apenas George W.H. Bush fracassou na reeleição ao perder contra o único democrata, Bill Clinton, a vencer em quase três décadas.
Geralmente, um candidato republicano é universalmente apoiado pelos demais, mas nessas eleições, pelo menos três têm concretas chances de retomar o apoio do partido: John McCain, Mitt Romney (cujo nome real é Milton Willard Romney, assustador) e Mike Huckabee.
O tema de maior vigor no debate foi a economia, como era o esperado. Por esse lado, melhor saiu-se Romney, que parece falar o idioma “dólarês”.
Giuliani foi tão simpático quanto os demais. Não recebeu ataques graves, e quando os candidatos questionaram-se em turnos no segmento do debate, Romney apenas perguntou detalhes amenos sobre transações mercantis com a China, ao que Giualini deliberou com dois pés nas costas.
Sua simpatia poderia ajudá-lo mais, caso todos não tivessem se comportado como gêmeos idênticos. Usou seu passado como prefeito de New York para globalizar suas qualidades, e repetidamente disse que, conforme feito em seu estado à época de uma ruptura econômica e crise social, faria com o país em maior escala.
Enquanto todos os candidatos chamavam-se pelos primeiros nomes, Romney decidiu usar o nome “Prefeito” para direcionar-se a Giuliani copiosamente.
Teve maiores dificuldades para expressar suas discordâncias e contraditórias mudanças em variadas posições quando representou seu estado no congresso. O refraseamento das idéias favorece o jogo político deste mega-empresário, que acredita na mediação entre os colossos das multi-nacionais e o povo.
O corte de impostos que favorece, como favoreceu aos cortes feitos por Bush, são gerais, supostamente iguais para toda a nação. No entanto, eleitores precisam compreender que a matemática de Romney pode ser distinta. Afinal, diz ele, os Estados Unidos são apenas um, e não dois, como dizem historiadores e críticos sociais preocupados com a crescente exclusão das classes menos abastadas desde o início da história do país.
No entanto, seu crescimento nas pesquisas indica que sua experiência em Washington e seu sentimento bélico por ser um conhecido herói de guerra parecem indicar que McCain sobe a capturar o eleitorado republicano.
Disse algo como “não é certo que as pessoas cheguem tarde aos seus serviços, ou que não possam ver suas filhas indo ao ensaio de balé ou seus filhos ao jogo de futebol americano.”
No mais, confirmou sua posição em prol de uma emenda na Constituição a proibir abortos e matrimônios entre pessoas do mesmo sexo em definitivo, assim “acabando com o dilema corrente entre diferentes estados do país.”
Também posicionou-se como defensor dos pobres, fracos e oprimidos.
Os demais candidatos disseram em côro que a guerra era correta e justificável.
McCain chegou a mencionar armas de destruição em massa e a presença do grupo extremista Al-Qaeda. Há tempos sabemos que jamais houve armas de destruição em massa no Iraque, e uma recente entrevista com um dos agentes a investigar Sadam Hussein antes de sua execução no fim de 2005 comprova que Sadam blefara a respeito de seus projetos nucleares, e que apenas manteve a máscara com receios de uma iminente invasão iraniana. Outros estudos confirmam que Al-Qaeda, além de ser a menor preocupação no grande esquema do conflito iraquiano, apenas surgiu no país depois do ataque dos Estados Unidos e o refúgio do ex-ditador Hussein.
Giuliani, apesar da extrema simpatia, disse algo que também provocou simpatia da parte de Huckabee. Firmemente relatou que sempre foi a favor da guerra no Iraque, e que, ao contrário de Hillary Clinton, que apoiou a decisão de Bush à época, mas que hoje em dia responde ao resultado das pesquisas populares, ele jamais cederia às pesquisas e à opinião pública. Do mesmo modo que ignorou os menores estados e um debate direcionado a assuntos da comunidade negra (o mesmo fizeram Romney e McCain), disse que políticos e governantes devem saber ler as pesquisas, mas nunca podem permitir que elas os pressionem. Ou seja, aparentemente o público serve apenas para elegê-lo, e nem se sabe até que ponto a democracia eleitoral nos Estados Unidos realmente funciona, de qualquer maneira.
Huckabee concordou, solenemente, com o ponto de Giualini em relação às pesquisas. Aliás, essa é uma das principais críticas a Hillary Clinton, a predileta rival dos republicanos, que enlouqueceriam caso fosse Obama seu maior oponente.
“Eu não discordei dele na hora, mas é porque ele estava do meu lado. Você não discorda do Chuck Norris quando ele está a dois palmos da sua cara.”
Para o deleite de todos, risos e aplausos, Huckabee admitiu: “A mãe dele é a prova viva de que ele chega longe.” Aos 95 anos de idade, a mãe de McCain já tinha sido usada antes na campanha, na própria defesa do pré-candidato quando disse que a enviaria para ter umas palavras com Norris depois do comentário rude. Dessa vez, no debate desta Quinta, somente disse: “O Silvester Stalone, que recentemente passou a apoiar minha candidatura, terá umas palavrinhas com esse tal de Chuck Norris.”
Fred Thompson já desistiu da corrida, mas Hollywood, minha gente, Hollywood é aqui.
RF
Monday, January 21, 2008
E agora o “what”?
OPINEM (Cliquem aqui)
Republicanos:
Contando com a vitória de John McCain no determinante estado de South Carolina, onde foi determinado o candidato preferencial desde Reagan, no início dos anos ’80; e contando com a vitória de Mitt Romney no estado de Nevada, se pouco sabemos, sabemos que o partido encontra dificuldades em sua escolha, e que essas dificuldades tendem a favorecer um eleitorado pronto para mudar a Casa Branca.
A base do eleitorado de McCain é de independentes, democratas simpatizantes e republicanos moderados.
A base de Romney é composta predominantemente de conservadores econômicos e donos de grandes empresas, empresários em geral.
A base de Huckabee é feita de conservadores morais e evangélicos.
No momento, nem há o que lamentar. Giuliani optou por tentar ludibriar apenas a Flórida no dia 29 de Janeiro (ao invés do comum 4 de Março) e ignorar os menores estados, entre eles perdendo o nem tão pequeno Michigan. Não vence na Flórida mesmo tendo-a apenas para si nas últimas duas e mais semanas.
Se South Carolina é tradicionalmente importante há quase trinta anos na escolha do candidato, a Flórida é mais do que essencial nessas atuais circunstâncias de empate em trindade. Nem Duncan Hunter nem Ron Paul tiveram, em alguma ocasião, a menor chance. Se Fred Thompson pensava crescer, seus pensamentos já desaparecem, e nem tão lentamente. Precisava vencer em South Carolina, seu estado natal, mas foi esmagado. E Giuliani, que ainda tem esperanças em New York e New Jersey, enfrenta grandes dificuldades de manter seu nome vivo no estado de minha residência, o decisivo floridiano.
John McCain parece liderar nas pesquisas, mas os três candidatos principais têm grandes chances de vencer no dia 29.
Democratas:
A Flórida apenas pode contar como “injeção de moral” aos democratas. Por não terem representantes em risco, e por punirem o estado pela antecipação das preliminares, não fizeram campanha na região e não perdem muito, tecnicamente. Uma vitória na Flórida, contudo, pode causar uma explosão de popularidade que dure ao dia 5 de Fevereiro, quando 22 estados elegerão seus prediletos. Caso ainda não houver decisão (e isso vale aos republicanos também), no dia 4 de Março votarão Ohio e Texas, os últimos dois estados.
No entanto, a preliminar de South Carolina aos democratas será no Sábado seguinte, e do mesmo modo que Clinton venceu em Nevada, Obama precisa vencer em South Carolina para manter seu momento. John Edwards chega constamente em terceiro, o que torna sua campanha cada dia mais frágil. Ainda assim, tem um poder enrustido e já comentado. Pode ser o coroador entre os dois candidatos, assim que decidir quem irá apoiar. Ainda há especulações em torno de sua possível candidatura a vice-presidente, nesse caso de Obama, com quem parece ter maior afinidade.
Mas a popularidade de Clinton e sua intensificada força nas pesquisas refletindo os esforços de sua campanha e sua nova demonstração fluente de emoções e pensamentos humanos, faz com que ela ainda seja a grande concorrente. A boa notícia é que Clinton, ao menos de acordo com os dados atuais, seria a melhor representante democrata em 2008, e nenhum republicano tem cacife para enfrentá-la. Mas os dados mudam diariamente.
Anotem na agenda: Sábado, dia 26 de Janeiro, preliminar democrata em South Carolina.
Curiosidades Democráticas:
Circula um anúncio errôneo por parte da mídia que Barack Obama, apesar de ter perdido contra Hillary Clinton no estado de Nevada, teria ganho mais representantes governamentais, ou “delegates”. Isso dependeria da divisão de representantes baseada no momento, mas em realidade, apenas no dia 19 de Abril, quando haverá a oficial repartição de representantes, será possível decidir quem verdadeiramente venceu.
O número de “delegates” é o que determina o vitorioso, não a porcentagem de votos contados, já que condados variam demograficamente, e podem ser mais ou menos influentes quando vencidos ou perdidos.