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Wednesday, February 06, 2008

Vencedores, Perdedores e Empatados

Às sombras da descomunal Super-Terça-Feira, esse escritor que vos relata do estado quase vermelho da Flórida mal consegue se manter em pé. A jornada assistindo e lendo os artigos desse dia de megas-primárias e “caucuses” me deixou com olheiras e hálito malodoro. Entre números, porcentagens e nomes de estados, qualquer pessoa pode se perder. Até Norman Mailer ficaria confuso, e certamente intrigado pelas novidades de 2008. Liguem-se, pois.

A seguir, uma análise generalizada da situação de democratas e republicanos depois de uma “Super-Tuesday” que deveria ser decisiva, mas deixou algumas respostas em branco.

Antes de anunciar quem venceu qual estado, considerem os seguintes dados.

Número de delegados necessários à vitória

Democratas: 2.025.
Republicanos: 1.191.

Delegados disponíveis nos estados da Super Tuesday

Democratas: 1.678. Mínimo de delagados para a vitória: 840.
Republicanos: 819. Mínimo de delegados para a vitória: 411.


Democratas, os Empatados

Um dos exemplos de como essa “Super-Tuesday” foi diferente de todas as demais é o estado da Califórnia, que concorreu cedo esse ano em comparação ao papel menos importante que tinha ao concorrer mais adiante no calendário em primárias anteriores. Depois da Flórida (que ainda pode contar retroativamente) e a Geórgia, a Califórnia é um dos maiores estados, e mais ricos em delegados. Foi o maior prêmio do 5 de Fevereiro, com 370 delegados em jogo.

Outro interessante aspecto é a posição atual dos dois candidatos democratas em comparação ao recente passado. A previsão era de que Barack Obama venceria mais delegados, e Hillary Clinton levaria mais estados. Contudo, Obama ganha nessas primárias, ao meu ver mais do que Clinton, por levar não só mais delegados, mas também mais estados:


Barack Obama - Total de 765 delegados.

Delegados vencidos na “Super Tuesday”, de acordo com projeções da MSNBC: 596. (O New York Times não conta os delegados até que não haja seleção oficial.)

Estados Vencidos: Alabama, Colorado, Connecticut, Delaware, Geórgia, Idaho, Illinois, Minnesota, Missouri, Nem Mexico (empate técnico por enquanto), North Dakota e Utah.

A maior vitória: A Geórgia, por ser o maior dos estados de Obama, recebe maior importância tanto pelo número de delegados vencidos quanto pelo voto da população sulenha, de grande porcentagem negra.

A maior derrota: O estado da Califórnia pode ser considerado como crucial para Barack Obama, que conseguiu diminuir sua diferença no estado, mas que ainda chegou em um relativamente distante segundo lugar. Contudo, não liderava na maioria das pesquisas, desde que começaram a ser reproduzidas no ano passado.

O estado de Massachussets também fez a campanha de Obama sentir o peso da influência de Clinton, apesar de que não liderava nas pesquisas. O motivo principal é o apoio que recebeu dos locais: John Kerry e Teddy Kennedy, para começar.

A vitória mais emocionante: As primárias de Connecticut manteram-se virtualmente empatadas até mais da metade da contagem dos votos. Ora Obama vencia, ora Clinton, para terminar em apertada vantagem ao senador de Illinois.

A mais óbvia vitória: Illinois, o estado em que é senador, e ao qual chama de “casa” quando nele discursa.


Hillary Clinton - Total de 845 delegados.

Número de delegados vencidos segundo projeções da MSNBC (O New York Times não divulga projeções): 543.

Estados Vencidos: Arizona, Arkansas, Califórnia, Massachussets, New Jersey, New York, Oklahoma e Tennessee.

A maior vitória: A Califórnia, indubitavelmente, dá a Clinton uma boa margem sobre Obama na única categoria que o jovem senador encontra dificuldades: Latino-Americanos. Por motivos sócio-culturais (alguns mais óbvios, outros mais chocantes) os latinos tendem a apoiar Clinton.

Vencer Massachussets foi provar que Obama, mesmo endossado pelos Kennedy e por John Kerry, não conseguiu derrotar Clinton.

A maior derrota: Tendo conseguido os dois estados da “trindade” New York, New Jersey e Connecticut, Clinton viu o último escorregando da ponta de seus dedos, e não conseguiu a coroação final do corredor.

A vitória mais emocionante: A Califórnia, sem dúvida alguma, emociona Clinton o suficiente.

A vitória mais óbvia: New York (logo New Jersey), por ser o estado em que foi eleita senadora, e o estado de seu nascimento e sua moradia em juventude.


Republicanos, Vencedores, Perdedores e um Empatado

A maior complicação do lado republicano é a permanência de Mike Huckabee como pré-candidato e dura concorrência. Tendo vencido alguns estados da “Super-Tuesday”, e podendo vencer algum dos que ainda virão em Fevereiro, Março e Maio, Huckabee tira votos de Mitt Romney dos verdadeiros conservadores republicanos, os afiliados, os que não permitem posições duvidosas. Romney, conhecido como “vira-casaca” e desprezado por seu dinheiro e auto-financiamento da campanha, perde o voto de confiança que os mais conservadores temem dar a John McCain por sua oposição aos cortes de impostos de Bush (o único republicano concorrendo a contrariar o corte) e sua posição em relação a uma efetiva política imigratória, negociação que republicanos se recusam a fazer.

Algo posso afirmar de “dedos cheios”, no entanto: Se Ron Paul, por mais que o admire e respeite, permanecer na corrida, algum problema psicológico ele deve ter. Sequer falarei de seus ganhos e perdas. Ele termina como o maior perdedor republicano, tendo conquistado uma projeção de apenas nove delegados.

Já McCain, que poderia ter selado sua vitória na “Super Tuesday”, vê que ainda existe resistência e competição da parte de Romney. Contudo, vencendo a Califórnia, sua nomeação é a mais provável.


John McCain, o Vencedor - Total de 613 delegados.

Número de delegados vencidos segundo o Wall Street Journal: 487.

Estados Vencidos: Arizona, Califórnia, Connecticut, Delaware, Illinois, Missouri, New Jersey, New York e Oklahoma.

A maior vitória: A Califórnia, para os republicanos, é um estado que oferece todos os delegados disponíveis ao vitorioso. Portanto, vencendo a Califórnia McCain garante o papel de grande vencedor das primárias da “Super-Tuesday”.

A maior derrota: Os estados do sul, para McCain, representam maior importância pela essência de seu partido. Estados como Delaware, Illinois, New York e New Jersey, sem contar na Califórnia como potencial “vira-casaca”, são estados azuis, ou seja, democratas, onde em eleições gerais raramente são escolhidos republicanos. Tendo perdido no Alabama, em Arkansas, na Geórgia e em West Virginia, McCain segue sendo um forte candidato, mas não “o candidato” republicano.

A vitória mais emocionante: A Califórnia, bem como para os democratas, carrega o maior peso para os democratas, e pode selar a nomeação de McCain.

A vitória mais óbvia: Para McCain não há vitórias necessariamente óbvias.


Mitt Romney, o Perdedor - Total de 269 delegados.

Número de delagados vencidos segundo o Wall Street Journal: 176.

Estados Vencidos: Colorado, Massachussets, Minnesota, Montana, North Dakota e Utah.

A maior vitória: Romney perdeu a chance de ter uma maior vitória. Nenhum dos estados vencidos tem mais peso do que os estados de Huckabee. Portanto, talvez o fato de ter ganho mais delegados do que Huckabee seja sua maior vitória.

A maior derrota: Nenhuma outra primária significaria tanto para Romney como a de Califórnia, a qual perdeu, o que torna sua nomeação cada vez menos provável.

A vitória mais emocionante: Seria a Califórnia, mas os demais estados sempre o pertenceram, de modo ou outro.

A vitória mais óbvia: Massachussets, estado que seu pai governou e que ele mesmo governou. Não poderia perdê-lo, e não o perdeu.


Mike Huckabee, o Empatado - Total de 190 delegados.

Número de delegados vencidos segundo o Wall Street Journal: 122.

Estados Vencidos: Alabama, Arkansas, Geórgia, Tennessee e West Virginia.

A maior vitória: Vencendo o sul e mantendo-o como sua base, ou seja, a base essencial do partido republicano, Huckabee tem por maior vitória seu maior estado, a Geórgia.

A maior derrota: Huckabee vence a essência do partido republicano, e compete em outros estados, mas perdeu com apenas 1% dos votos ao seu favor no estado conservador de Utah.

A vitória mais emocionante: Não a considero a mais emocionante, apenas a mais próxima, em West Virginia.

Tuesday, February 05, 2008

Super-Tuesday

(Clique na foto para expandi-la.)


Certamente, a mais importante de minha curta história, e uma das mais significativas Super-Tuesday’s que o país já viveu. Já foi dada parte da largada, e os últimos resultados, os mais importantes, só serão conhecido pelo público na manhã dessa Quarta-Feira.

24 estados decidem, em 43 concursos, quem surrupia a maioria dos delegados e sái à frente na corrida à nomeação presidencial. Desses estados, a Califórnia, cujas urnas só serão contadas depois das 11pm, horário de New York, contém mais delegados em jogo para os democratas, 370, enquanto republicanos ganham apenas 170. A Geórgia, estado de 87 delegados para os democratas e 72 para os republicanos, fecha as urnas o mais cedo, às 7pm.

A principal diferença na maioria dos concursos é que para republicanos 8 estados vencidos fornecem todos os delegados disponíveis, enquanto democratas repartem os delegados em uma fórmula em que candidatos com 15% dos votos no mínimo já recebem uma parcela. Ou seja, enquanto John McCain poderia ganhar 170 delegados na Califórnia por chegar em primeiro lugar, Hillary Clinton repartirá seus 370 delegados com Obama caso vença.

O humor é intenso, a atmosfera grossa, e os candidatos já demonstram claros sinais de exaustão.

Democratas

Hillary Clinton vence em New York, New Jersey, Missouri e Tennessee, e de acordo com apenas uma das pesquisas (Mason-Dixon), na Califórnia. Barack Obama vence claramente em Illinois, e tem alguma folga na Geórgia, mas os seguintes maiores estados são disputados ponto-a-ponto, ilustrando um crescimento nos eleitores de Obama de todas as classes:

Arizona, Alaska, Massachussets e Califórnia (Suffolk University e Field Poll).

New York (Quinnipiac University) e Califórnia (Mason-Dixon), são os únicos estados cujas pesquisas não deixam dúvidas sobre a candidatura de Clinton, mostrando vantagens mais de 10 pontos cada.

Illinois é o único estado cuja vantagem indica a iminente vitória de Obama (Chicago Tribune) por mais de 10 pontos percentuais.

Os demais estados são disputados com um a sete pontos de diferença entre os candidatos. A vitória não será, aparentemente, conhecida nessa Super-Tuesday, mas há estados que cada candidato, ao ganhar, pode ganhar suficiente momento à boca da mídia para levar as primárias do dia 12 de Fevereiro, e logo os demais restantes estados até a Convenção Democrata. A Califórnia é essencialmente esse estado, se existe qualquer outro.

Republicanos

John McCain perde apenas no estado em que Mitt Romney foi governador, Massachussets, por uma grande margem. Nenhum estado é particularmente indeciso, e a permanência de Mike Huckabee prejudica Romney imensamente.

McCain vence por vantagem máxima nos seguintes estados:
Califórnia (Mason-Dixon), New York, Illinois, New Jersey, Missouri e Alaska.

Diferenças de cinco a sete pontos percentuais são encontradas em:

Califórnia (Suffolk University), Geórgia e Tennessee.

De acordo com apenas uma pesquisa (Field Poll), Romney e McCain estão empatados no mais importante estado da Califórnia.

As pesquisas pelo estado do Arizona tornaram-se inconclusas, mas McCain liderava no mês passado.

RF

Friday, February 01, 2008

À espera da “Super-Tuesday” - Republicanos

Antes de completar a postagem do texto “Eu Endosso”, talvez comecei a me levar muito a sério e resolvi dar um tempo. Continuo, ou determino minha posição sobre seu conteúdo na semana que vem. A seguir, os últimos acontecimentos antes da “Super-Tuesday”, o dia em que mais de 20 estados votarão a eleger os candidatos republicanos e democratas.


Republicanos


John McCain venceu a Flórida, mas sua maior vitória foi a desistência de Rudy Giuliani, que anunciou concomitantemente seu apoio ao veterano combatente. No último debate republicano pela CNN na biblioteca presidencial Ronald Reagan, na passada Quarta-Feira, McCain e Mitt Romney, seu principal rival, discutiram agressivamente e deixaram eleitores em dúvida de quem seria o mais justo, o menos sujo e menos mentiroso.

Enquanto isso, Mike Huckabee, o eterno terceiro lugar, mas que por ter vencido em Iowa surrupia alguns delegados, disputava pela proporção do tempo reservado aos dois principais pré-candidatos. Ron Paul mal teve deixas, e o que diz não é levado a sério pela maioria de seus companheiros partidários ou dos eleitores republicanos.

O que é uma pena, considerando que ele é o único que tem coragem de dizer que a guerra foi em vão, atacando-a tanto pelo sangue jorrado em vão quanto pela desastrosa política externa da administração de Bush, e ainda comprovando que os gastos exuberantes dessa guerra sem nenhuma vasão diplomática levaram o país à falência. É o único que não culpa os últimos míseros dois anos do congresso democrata pela iminente recessão, que não existe para pessoas como Romney, McCain ou Huckabee, mas que existe para as classes média e baixa. Sabe que o governo duplo de Bush, especialmente a insitência pela guerra, são os maiores responsáveis da falência econômica e da inabilidade de ter solucionado efetivamente a situação de milhares de pessoas em Louisiana e New Orleans à época do furacão Katrina.

McCain acusou Romney de constantemente mudar suas posições adaptando-as a interesses políticos. A principal acusação foi compará-lo a um democrata quando supostamente admitiu o estabelecimento de datas específicas para o recúo do exército estadunidense do Iraque. No entanto, Romney jamais teve essa posição, apesar de ter sido mais ameno ou até indefinido quando era governador do estado de Massachussets. Jamais disse que favoreceria o estabelecimento de datas ao recúo das tropas. Ron Paul, quando questionado, disse que a discussão era “boba”, “quem disse o que e quando não importa, deveríamos estar discutindo política externa, e por que os Estados Unidos deve ser a polícia do mundo?”

Romney acusou McCain, que trafega com seu ônibus denominado (algo como) “Expresso da Sinceridade”, de não ser nada sincero. McCain disse que o país precisa de líderes, não de gerentes. Romney disse que chamar um governador de gerente era desrespeitoso. Politicamente, a posição de McCain em relação ao Iraque ganha parte da base republicana mais interessada na guerra. Romney vence os mais interessados em uma política econômica conservadora, logo Huckabee, que ainda concorre e realmente tem chances de causar algum estrondo, rouba eleitores da base de Romney por ser mais conservador em relação a cargas tributárias, concordando com Ron Paul que o IRS, ou o departamento federal do fisco, deve ser desmontado e um novo sistema instalado para outorgar ao povo maior poder sobre a própria renda.

McCain foi um dos únicos republicanos contrários aos cortes de impostos propostos por Bush no vapor de seus mandatos. Disse que jamais o país cortara impostos em época de guerra. No entanto, sua proposta para apazigüar os mais conservadores é cortar impostos assim que entrar na Casa Branca.

McCain também será daqui em diante conhecido como o candidato que admitiu que o exército dos Estados Unidos pode ficar no Iraque “por cem anos, o quanto necessário para sairmos vitoriosos”. Todos os candidatos, menos Paul, dizem que a situação no Iraque tem melhorado.

Para o bloguista que vos reporta, não sei quais noticiários eles têm visto e lido para assim concluir.

Endossaram: Arnold Schwarznegger e Rudy Giuliani a John McCain.
Não concorre: Rudy Giualini.

RF

Sunday, January 27, 2008

South Carolina é de Obama

Barack Obama vence a preliminar de South Carolina nesse passado Sábado, com uma vantagem de 55-27 por cento dos votos computados nas urnas de todos os condados e distritos do estado.

Uma vitória por 28 por cento representa um importante incentivo à campanha da crescente celebridade espelhada à face de um jovem e determinado Obama. Hillary Clinton, que tentou cortar a vantagem de seu principal oponente, não conseguiu apelar à população negra da região, compartilhando menos de 20 por cento do apoio da mesma com John Edwards, que terminou em um distante terceiro lugar, e cujas esperanças à nomeação são praticamente nulas.

Obama venceu entre praticamente todas espécies de eleitores, de todas as classes, de praticamente todas as idades. Venceu duas vezes mais representantes do que seus dois rivais. Antecipando a massiva luta que tomará conta de 22 estados (para os republicanos, 24) no dia cinco de Fevereiro, a campanha dos pré-candidatos democratas esquenta a cada hora.

Há previsões, contudo, de que para os democratas não haverá decisão garantida até a Convenção Democrata em Agosto. Ainda há disputas no dia quatro de Março, onde a maioria dos “delegates”, ou representantes governamentais (ainda encontro melhor termo, prometo) poderiam ser selecionados. Contudo, a previsão de alguns analistas favorece um empate que só será desequilibrado em Agosto.

Essa pode justamente ser a função de Edwards, que ainda persiste em sua corrida apesar de ter perdido em seu próprio estado, South Carolina, nesse Sábado. O advogado sulista já retém representantes em suas colocações de Janeiro, e caso siga conquistando mais votos nos demais estados, pode negociar seu apoio e coroar Clinton ou Obama em troca de uma posição no governo de qualquer um de seus colegas partidários.


Raça


A mídia explode poucos ditos de Bill Clinton, que parece ter tropeçado com a longa lingua em suas campanhas passionais em prol de sua esposa.

Resumidamente, os Clinton têm mencionado a raça de Obama com segundas intenções de acordo com os corriqueiros analistas. Consecutivamente tendo dito que era uma honra o partido Democrata oferecer um candidato afro-americano para presidente
após décadas de segregação racial, Bill conseguiu o que queria através das estações jornalísticas.

Em South Carolina, o fator “raça” certamente tornou-se importante, mas acabou contrariando as intenções dos Clinton - pelo menos em South Carolina. Contudo, apenas uma média de 10 por cento dos eleitores brancos do estado elegeram Obama, e a campanha para “mencionar inocentemente” a raça do senador de Illinois pode funcionar, especialmente elevando a simpatia de mulheres por Hillary Clinton.
Isso deve prolongar o dilema de mulheres negras a formar uma posição consolidada pelo candidato que melhor as representa.


Flórida



Republicanos deverão disputar uma das mais acirradas disputas na antecipada preliminar da Flórida nesta Terça-Feira.

Para os democratas, todavia, Flórida não conta para nada exceto incentivo popular, como não contou a decisão de Michigan, onde apenas Hillary Clinton teve o nome no bilhete às urnas.

Do lado republicano, Mitt Romney e John McCain, que começaram a trocar desaforos (mostrando, finalmente, o lado sinistro de McCain) abertos cada qual atacando o calcanhar de Aquiles do adversário, disputam a primeira colocação empatados na maioria das pesquisas. O terceiro lugar pode ir a Rudy Giuliani, mas Mike Huckabee ainda tem dois dias para encurtar a vantagem do ex-prefeito de New York.

PS: Na semana passada, D. Kucinich finalmente decidiu abandonar a corrida presidencial. Oficalmente, apenas Barack Obama, Hillary Clinton e John Edwards concorrem à nomeação.

RF

Saturday, January 26, 2008

Nhac! Debates 2

OPINE (Clique aqui)



Debate republicano na Flórida pela MSNBC.


Atitude


Ao contrário da atitude demarcada pelos democratas em seu mais do que caloroso debate em South Carolina, onde a decisão será computada neste Sábado, os republicanos resolveram demonstrar que seu partido é unido, e portanto comportaram-se galantes uns com os outros.

Vale lembrar que dos últimos quatro presidentes dos Estados Unidos, três foram republicanos e apenas George W.H. Bush fracassou na reeleição ao perder contra o único democrata, Bill Clinton, a vencer em quase três décadas.

Geralmente, um candidato republicano é universalmente apoiado pelos demais, mas nessas eleições, pelo menos três têm concretas chances de retomar o apoio do partido: John McCain, Mitt Romney (cujo nome real é Milton Willard Romney, assustador) e Mike Huckabee.

O tema de maior vigor no debate foi a economia, como era o esperado. Por esse lado, melhor saiu-se Romney, que parece falar o idioma “dólarês”.


Giuliani


Por decidir realizar sua campanha diretamente no estado da Flórida, ignorando assim os momentos ganhos pelos ooutros três candidatos nos menores estados, cada qual vencendo um pouco mais de sua base, Giuliani compete pelo terceiro lugar enquanto poderia - e deveria - ser o mais popular entre os concorrentes.

Giuliani foi tão simpático quanto os demais. Não recebeu ataques graves, e quando os candidatos questionaram-se em turnos no segmento do debate, Romney apenas perguntou detalhes amenos sobre transações mercantis com a China, ao que Giualini deliberou com dois pés nas costas.

Sua simpatia poderia ajudá-lo mais, caso todos não tivessem se comportado como gêmeos idênticos. Usou seu passado como prefeito de New York para globalizar suas qualidades, e repetidamente disse que, conforme feito em seu estado à época de uma ruptura econômica e crise social, faria com o país em maior escala.

Enquanto todos os candidatos chamavam-se pelos primeiros nomes, Romney decidiu usar o nome “Prefeito” para direcionar-se a Giuliani copiosamente.


Romney


O robotizado, de pele bem tratada, o que veste ternos de $1000 e um corte de cabelo de não menos de $900 foi mais cortês com seus rivais dessa vez. Quase explicitamente desgostado por seus colegas partidários, Romney precisa apelar melhor aos republicanos.

Teve maiores dificuldades para expressar suas discordâncias e contraditórias mudanças em variadas posições quando representou seu estado no congresso. O refraseamento das idéias favorece o jogo político deste mega-empresário, que acredita na mediação entre os colossos das multi-nacionais e o povo.

O corte de impostos que favorece, como favoreceu aos cortes feitos por Bush, são gerais, supostamente iguais para toda a nação. No entanto, eleitores precisam compreender que a matemática de Romney pode ser distinta. Afinal, diz ele, os Estados Unidos são apenas um, e não dois, como dizem historiadores e críticos sociais preocupados com a crescente exclusão das classes menos abastadas desde o início da história do país.


McCain


Talvez o mais equilibrado entre os candidatos, apesar de ainda precisar responder por sua rejeição do modelo tributário incentivado por Bush, e alguns outros dilemas importantes, como sua posição liberal em relação a leis imigratórias.

No entanto, seu crescimento nas pesquisas indica que sua experiência em Washington e seu sentimento bélico por ser um conhecido herói de guerra parecem indicar que McCain sobe a capturar o eleitorado republicano.


Huckabee


De acordo com alguns críticos, Huckabee se saiu bem quando tratou de um tema aparentemente ignorado pelos eleitores, uma melhora nas estradas do país, mais especificamente na Flórida. Giuliani chegou a mencionar seu projeto em relação à I-95, uma das maiores estradas dos Estados Unidos, cuja maioria da população da Flórida usa diariamente, incluindo o escritor que vos relata, mas apenas Huckabee falou do tema a um nível nacional.

Disse algo como “não é certo que as pessoas cheguem tarde aos seus serviços, ou que não possam ver suas filhas indo ao ensaio de balé ou seus filhos ao jogo de futebol americano.”

No mais, confirmou sua posição em prol de uma emenda na Constituição a proibir abortos e matrimônios entre pessoas do mesmo sexo em definitivo, assim “acabando com o dilema corrente entre diferentes estados do país.”

Também posicionou-se como defensor dos pobres, fracos e oprimidos.


A Guerra no Iraque


Aqui, apenas Ron Paul, o sinistro candidato republicano radical, disse o que a maioria dos democratas gostaria de ouvir. Quando questionado a respeito da valia da guerra, Paul disse que foi um esforço inútil. “Nós jamais devemos começar uma guerra sem motivo algum.” Seus programas, em grande parte, seriam pagos com a economia decisiva de sua política no que atualmente se gasta com a guerra.

Os demais candidatos disseram em côro que a guerra era correta e justificável.

McCain chegou a mencionar armas de destruição em massa e a presença do grupo extremista Al-Qaeda. Há tempos sabemos que jamais houve armas de destruição em massa no Iraque, e uma recente entrevista com um dos agentes a investigar Sadam Hussein antes de sua execução no fim de 2005 comprova que Sadam blefara a respeito de seus projetos nucleares, e que apenas manteve a máscara com receios de uma iminente invasão iraniana. Outros estudos confirmam que Al-Qaeda, além de ser a menor preocupação no grande esquema do conflito iraquiano, apenas surgiu no país depois do ataque dos Estados Unidos e o refúgio do ex-ditador Hussein.

Giuliani, apesar da extrema simpatia, disse algo que também provocou simpatia da parte de Huckabee. Firmemente relatou que sempre foi a favor da guerra no Iraque, e que, ao contrário de Hillary Clinton, que apoiou a decisão de Bush à época, mas que hoje em dia responde ao resultado das pesquisas populares, ele jamais cederia às pesquisas e à opinião pública. Do mesmo modo que ignorou os menores estados e um debate direcionado a assuntos da comunidade negra (o mesmo fizeram Romney e McCain), disse que políticos e governantes devem saber ler as pesquisas, mas nunca podem permitir que elas os pressionem. Ou seja, aparentemente o público serve apenas para elegê-lo, e nem se sabe até que ponto a democracia eleitoral nos Estados Unidos realmente funciona, de qualquer maneira.

Huckabee concordou, solenemente, com o ponto de Giualini em relação às pesquisas. Aliás, essa é uma das principais críticas a Hillary Clinton, a predileta rival dos republicanos, que enlouqueceriam caso fosse Obama seu maior oponente.


Brincadeirinhas


Chuck Norris apóia Mike Huckabee, e disse há pouco que John McCain envelheceria em uma proporção de três para um, logo terminaria seu mandato aos 84 anos, e que ele tinha medo de que batesse as bielas antes do término de seu termo (para rimar). Quando o apresentador da MSNBC perguntou a Huckabee o que pensava desse comentário, Huckabee respondeu algo assim:

“Eu não discordei dele na hora, mas é porque ele estava do meu lado. Você não discorda do Chuck Norris quando ele está a dois palmos da sua cara.”

Para o deleite de todos, risos e aplausos, Huckabee admitiu: “A mãe dele é a prova viva de que ele chega longe.” Aos 95 anos de idade, a mãe de McCain já tinha sido usada antes na campanha, na própria defesa do pré-candidato quando disse que a enviaria para ter umas palavras com Norris depois do comentário rude. Dessa vez, no debate desta Quinta, somente disse: “O Silvester Stalone, que recentemente passou a apoiar minha candidatura, terá umas palavrinhas com esse tal de Chuck Norris.”

Fred Thompson já desistiu da corrida, mas Hollywood, minha gente, Hollywood é aqui.

RF

Monday, January 21, 2008

E agora o “what”?

OPINEM (Cliquem aqui)

Republicanos:



Contando com a vitória de John McCain no determinante estado de South Carolina, onde foi determinado o candidato preferencial desde Reagan, no início dos anos ’80; e contando com a vitória de Mitt Romney no estado de Nevada, se pouco sabemos, sabemos que o partido encontra dificuldades em sua escolha, e que essas dificuldades tendem a favorecer um eleitorado pronto para mudar a Casa Branca.

A base do eleitorado de McCain é de independentes, democratas simpatizantes e republicanos moderados.

A base de Romney é composta predominantemente de conservadores econômicos e donos de grandes empresas, empresários em geral.

A base de Huckabee é feita de conservadores morais e evangélicos.

No momento, nem há o que lamentar. Giuliani optou por tentar ludibriar apenas a Flórida no dia 29 de Janeiro (ao invés do comum 4 de Março) e ignorar os menores estados, entre eles perdendo o nem tão pequeno Michigan. Não vence na Flórida mesmo tendo-a apenas para si nas últimas duas e mais semanas.

Se South Carolina é tradicionalmente importante há quase trinta anos na escolha do candidato, a Flórida é mais do que essencial nessas atuais circunstâncias de empate em trindade. Nem Duncan Hunter nem Ron Paul tiveram, em alguma ocasião, a menor chance. Se Fred Thompson pensava crescer, seus pensamentos já desaparecem, e nem tão lentamente. Precisava vencer em South Carolina, seu estado natal, mas foi esmagado. E Giuliani, que ainda tem esperanças em New York e New Jersey, enfrenta grandes dificuldades de manter seu nome vivo no estado de minha residência, o decisivo floridiano.

John McCain parece liderar nas pesquisas, mas os três candidatos principais têm grandes chances de vencer no dia 29.


Democratas:


A Flórida apenas pode contar como “injeção de moral” aos democratas. Por não terem representantes em risco, e por punirem o estado pela antecipação das preliminares, não fizeram campanha na região e não perdem muito, tecnicamente. Uma vitória na Flórida, contudo, pode causar uma explosão de popularidade que dure ao dia 5 de Fevereiro, quando 22 estados elegerão seus prediletos. Caso ainda não houver decisão (e isso vale aos republicanos também), no dia 4 de Março votarão Ohio e Texas, os últimos dois estados.

No entanto, a preliminar de South Carolina aos democratas será no Sábado seguinte, e do mesmo modo que Clinton venceu em Nevada, Obama precisa vencer em South Carolina para manter seu momento. John Edwards chega constamente em terceiro, o que torna sua campanha cada dia mais frágil. Ainda assim, tem um poder enrustido e já comentado. Pode ser o coroador entre os dois candidatos, assim que decidir quem irá apoiar. Ainda há especulações em torno de sua possível candidatura a vice-presidente, nesse caso de Obama, com quem parece ter maior afinidade.

Mas a popularidade de Clinton e sua intensificada força nas pesquisas refletindo os esforços de sua campanha e sua nova demonstração fluente de emoções e pensamentos humanos, faz com que ela ainda seja a grande concorrente. A boa notícia é que Clinton, ao menos de acordo com os dados atuais, seria a melhor representante democrata em 2008, e nenhum republicano tem cacife para enfrentá-la. Mas os dados mudam diariamente.

Anotem na agenda: Sábado, dia 26 de Janeiro, preliminar democrata em South Carolina.


Curiosidades Democráticas:


Circula um anúncio errôneo por parte da mídia que Barack Obama, apesar de ter perdido contra Hillary Clinton no estado de Nevada, teria ganho mais representantes governamentais, ou “delegates”. Isso dependeria da divisão de representantes baseada no momento, mas em realidade, apenas no dia 19 de Abril, quando haverá a oficial repartição de representantes, será possível decidir quem verdadeiramente venceu.

O número de “delegates” é o que determina o vitorioso, não a porcentagem de votos contados, já que condados variam demograficamente, e podem ser mais ou menos influentes quando vencidos ou perdidos.

De acordo com a atual divisão de representantes, Obama teria 13-12 representantes comparado a Clinton, ou seja, um “delegate” a mais.

Wednesday, January 16, 2008

Correções e Vitorioso em Michigan

No texto anterior, escrevi que Nevada será o estado da próxima preliminar, mas me enganei. A próxima preliminar, também apenas republicana, será no Sábado em South Carolina, ao lado “caucus” misto que será em Nevada, estado da pecaminosa cidade de Las Vegas. Democratas votam em South Carolina na semana que vem.

John McCain, senador do Arizona, liderava na maioria das pesquisas, mas eleitores conservadores não se identificaram com McCain em assuntos como a imigração e o pessimismo (realismo?) do candidato mais maduro em relação aos empregos (automobilísticos, em grande parte) perdidos no estado de Michigan.

Mitt Romney, que precisava vencer, venceu de fato, e por uma grande margem. Isso significa não só que eleitores republicanos preferem o “mormon”, mas evangelistas – influente grupo conservador nos Estados Unidos – também preferem votar em um candidato de diferente religião. Acreditar em um deus, portanto, é ainda essencial para um potencial presidente do país.

Independentes e democratas também votaram, mas ao contrário do Michigan que elegeu McCain contra George Bush, dessa vez votaram em minoria, e não pesaram tanto quanto pesariam a McCain. De acordo com o analista político da CNN, William Schneider, independentes ainda votaram em McCain, mas no fim, o estado natal de Mitt Romney acrescentado ao histórico de seu pai como governador e o atrito de McCain em alguns assuntos vitais com o forte grupo conservador do partido foram os fatores mais importantes na vitória do milionário de Michigan.

Hillary Clinton ficou com mais de 50% dos votos do estado, com pouco mais ou menos de 50% de pessoas descomprometidas pela ausência nas urnas dos nomes de Barack Obama e John Edwards. Os persistentes e insistentes e até mesmo irritantes Mike Gravel e David Kucinich também levaram de seus votos, mas nenhum representante governamental foi ganho pela punição – ao meu ver ilógica – do partido Democrata pelas eleições antecipadas. Os republicanos apenas retiraram metade de seus representantes do estado.

Por hoje é só. A seguir, a saga do “Artista Chorão” em três partes, e a análise da corrida que segue em South Carolina para o pessoal do GOP (Partido Republicano).

RF