Showing posts with label Brasil. Show all posts
Showing posts with label Brasil. Show all posts

Friday, December 24, 2010

Retrospectiva 2010 - Parte 2

À frente da humanidade ainda atravessa a delicada e complexa missão de erradicar a violência institucionalizada de suas amostras e decisões de poder. O Presidente Barack Obama, nos Estados Unidos, exerceu seu papel positivista na política da hegemonia militar e escalou o número de tropas enviadas ao Afeganistão. A última conclusão do presidente segundo a Inteligência impecável que possui* aponta as conquistas “democráticas” obtidas contra o Talibã e os mais diversos grupos de mujahadin no Afeganistão, ainda frizando que são conquistas “frágeis”. Não há mais paz no Oriente Médio, é o que interessa. Este autor está cansado de discutir em defesa e contra todos os ângulos e lados desse conflito. Israel coleciona desastres públicos e humanitários com seu cerco à Faixa de Gaza, o que acarretou nos acontecimentos da flotilha pró-Palestina que tentava furá-lo, atacada, abatida e usada internacionalmente contra qualquer espécie de desculpa israelense. A Palestina ganha reconhecimento do Brasil e da Argentina, recentemente, como estado legítimo.Pela paz mundial, contudo, não há evolução. Rússia e República Tcheca ainda brigam como d’antes. A Coreia do Norte ressurge continuamente como o filho de Escarlate trancafiado no porão com seus planos maquiavélicos. Assusta a Coreia do Sul e a semi-onipotente China. Pelo passado militar sangrento, no entanto, a memória não falha. Brasil é acusado de crimes de guerra oficialmente pelas Nações Unidas pelos terríveis e abomináveis acontecimentos durante a Operação Araguaia. São guerras internas, civilizatórias, externas, globais, pessoais, étnicas, ideológicas e religiosas.

Confesso que perdi um pouco de minha “alma” nos seis anos de estadia nos Estados Unidos. Ainda milito pelo que acho certo, mas mais pragmaticamente. Esse pragmatismo, objetivismo quase morto de tão frio, não fazia parte de minha mente sonhadora. Não sei o motivo, nem tenho explicação. Eric Voegelin cunhou a expressão “salto em ser”, o que pode ser definido como uma atitude ou construção individual muito maior do que a pessoa que o fez ou construiu. Não sei se mestres como Albert Einstein, Sigmund Freud, William Shaekspeare, Martin Luther King, John Lenon etc pensavam nesse salto. Não sei se pensavam em ser mais, melhores, maiores mesmo que em seletas qualidades quando tornaram-se grandes. Pessoalmente, antes de 2010 tinha como objetivo ser, e não ter, do melhor. Em 2010 me preparei psicologicamente para criar uma familia, mas não foi somente esse lado materialista que me influenciou. Percebi que, depois dos 30, terminaram as colheres de chá e as pessoas esperam de mim simplesmente tudo o que não esperavam seriamente antes.


Foram guerras e mais guerras em 2010. Guerras contra meu inerente conformismo, por exemplo. Guerras anti-ideológica do princípio ao fim. Guerras com meu estar, guerras com o futuro, guerras com meus próprios ideais, o que enfim, agora em 2010, mais parecem favorecer a calmaria. Guerras contra outros, inclusive outros muito meus, amados e queridos. Guerras desnecessárias… Descobri em 2010 que meu maior desafio nessa vida, minha única chande de “saltar em ser”, é encontrar a tranquilidade, não na ausência de conflitos inevitáveis, mas na ausência de guerras, na ausência do conceito de itjihad muçulmano, na ausência da necessidade constante que tenho de brigar comigo e com todos. Acredito também que, justamente por perder a “alma”, ganhei “armas” psicológicas de reposição de ego. Se perdi a ideologia, ganhei na elasticidade mental. Continuo sabendo menos do que sei saber, sabendo saber menos do que gostaria ou penso que sei, é verdade, mas não consigo mais me prender a uma causa humanitária exclusivista, e considero isso uma grande vantagem. Na resolução, logo, de problemas de cunho emocional e intelectual preciso refinar a raiva, que é em si absolutista e exclusivista. É meu maior desafio aos anos que me restam nessa Terra. Quero, mais do que morrer tranquilo, viver representando uma pessoa tranquila, menos ciumenta e invejosa, mais concentrada e mais benevolente mesmo nas maiores adversidades.


O mundo vem rompendo com as antigas hegemonias. Quiçá em nenhuma outra área esta afirmação faz mais sentido do que no mundo esportivo. A Copa do Mundo realizou-se na África. Houve pequenos problemas (grandes, mas pequenos para quem está acostumado a conviver com maiores níveis de iniquidade social), como furtos e incidentes isolados, mas todo o temor do mundo “civilizado” não se confirmou. Não houve necessidade de colete à prova de balas, apesar do episódio trágico em Janeiro, quando radicais separatistas em Luanda, Angola, dispararam contra jogadores da Seleção Nacional do Togo deixando um morto (motorista) e nove feridos, incluindo dois jogadores. O evento mais assistido do planeta foi um sucesso relativo em termos de infra-estrutura, mas no contexto da exposição do Sul Global, da África nada menos, ao Norte Global, o sucesso é absoluto. Os Estados Unidos, já tendo perdido a hospedagem da Copa de 2014 para o Brasil, perdeu a oportunidade de realizar os jogos em 2018 e 2022 para Rússia e Qatar, respectivamente. No páreo também estavam Portugal e Espanha, antigas colonizadoras imperiais. A Espanha, aliás, que entrou para o clube seleto e elitista de vencedores de copas de mundo em 2010. O Brasil, grande hegemonia, já se despede da competição nas quartas de final há oito anos. No ramo dos clubes, o TP Mazembe, clube modesto do Congo, derrubou o Internacional de Porto Alegre para disputar a final contra o Internazzionale de Milão. Apesar de vice-campeão, entrou para história realizando algo anteriormente tido como impensável**.

Sorte no esporte, azar no amor? Entendo hoje que toda história só se define depois de completa e em 2010 minha história romântica de quatro anos terminou fazendo-se inteira. Todos os segmentos insólitos de minha personalidade adquiridos ou refinados no contexto do relacionamento hoje fazem sentido enquanto então padeciam do obscurecimento natural na iminência. Tenho a dizer sobre isto: É o que mais consome minha mente cotidiana. É o evento singular mais importante de minha história. É a maior transição de hegemonia egocêntrica que passo sempre que passo por essas fases.

Nunca conseguirei, acho, entender como é possível sentir e deixar de sentir, ter importância e deixar de ter importância na vida das pessoas que amamos. Se já é ultra-complexo quando se trata de nossa familia, infinitamente mais quando se trata de estranhos, e quando há sexo envolvido bota complexo nisso. Como a anedota que gosto de contar quando falo no assunto. Meu pai e tio foram ao Instituto Butantã de pesquisas biomédicas com meu irmão mais velho a mostrar-lhe cobras e outros répteis. Um dos profissionais ali presentes explicou ao grupo de homens do clã Frenkiel que estava prestes a realizar uma cirurgia “bipenal” em uma cobra. “Bipenal?” Perguntou meu tio, o médico psiquiatra. “Sim, as cobras tem dois pênis, é a operação de dissecar e examinar suas genitálias. Bi-penal, pois…” Abismado, meu pai disse a meu tio: “Nascer cobra nesse papo de carma budista eu to fora, guri.” Titio perguntou o motivo, ao que papai respondeu: “Se um pênis já dá todo esse trabalho, imagine dois!”


Espero que a associação sexual não ofusque o romantismo (para mim só contribui). É a coisa mais complexa do mundo relacionar-se com outros seres humanos, como diria o personagem “Dexter” da série estadunidense da Showtime. Só acrescentei que é especialmente complexa quando há sexo envolvido. Assim enlaço outro apelo a 2011, que a amargura que espeta meu peito enquanto ainda tento esquecer esse amor se dissipe e se torne doçura em minha busca ao crescimento.


Por hora, boas festas a todos e todas; paz, amor, carinho, muito carinho, companhia, amizade e dinheiro, sim, dinheiro que nunca é o problema, só a solução.

Forte abrax,

RF

*Só não previniu a tentativa do atentado do homem bomba-cueca nigeriano, no início do ano, apesar dos repetidos avisos do pai sobre a alinhação ideológica do filho; ou o ingresso penetra do casal Salahi no jantar presidencial icônico ao fim de 2009; e mais recentemente ajudou a não fazer nada contra a exposição ao ridículo imposta por Julian Assange, criador do Wikileaks, entre outras excelentes façanhas similares, isso contando apenas os últimos 14 meses.


**Há muitos outros eventos e modalidades a discorrer quando se trata de esporte, inclusive, para mim, modalidades antes tidas como chatas, como o Baseball. No entanto, nem é uma questão de espaço, mas de preferência pessoal da modalidade, e da importância política paralela que a Copa do Mundo representa nesse contexto.

Friday, October 02, 2009

E mais sobre a globalidade do Brasil

Apertem os cintos, porque o texto é brabo.

Primeiro ítem em voga:
A importância de Honduras e do papel brasileiro

O interessante é que, não importa qual das teorias sigamos, a importância de Honduras, em si, jamais é descartada. Como veremos brevemente adiante, nem mesmo os neo-realistas com suas teorias de jogos de poder descartam o papel de estados mais fracos, muito menos o papel de estados mais fortes entre os mais fracos.

Segundo Kenneth Waltz, há duas maneiras de evitar conflitos militares, ou ao menos postergá-los. A primeira é pertencer a um grupo de países que dançam com as hegemonias. A segunda é pertencer ao grupo que se opõe à hegemonia. Pela primeira, o estado que se associa a hegemonias pode até ficar no seu canto, não se mexer muito por si (externamente), mas ainda precisa fazer por si domesticamente o máximo possível. Pela segunda, nenhum país que quer segurança no grupo de opositores pode mesmo “ficar sossegado” em seu cantinho do globo. Vide a Coreia do Norte, que mesmo isolada do resto do mundo precisa latir para não ser prontamente atacada pelas hegemonias globais.

O Brasil, atualmente, dança com hegemonias. Ficando “quietinho” não assusta nem incomoda ninguém. O problema é que nenhuma nação tem mais recursos naturais e uma indústria avançada o suficiente como o Brasil na América Latina, e em grande parte, no resto do Sul Global (países em desenvolvimento). Isso naturalmente atrai a atenção dos países que se contra-balançam às hegemonias, e desperta o interesse das hegemonias e seus aliados.

A analogia que uso é simples e tosca: O Brasil não tem escolha. Como um escravo livre que acaba de comprar sua primeira propriedade, pode seguir recebendo visitas importantes com o comportamento de escravos, ou pode evoluir e passar a recebê-las como gente livre. A implicação é simples. Se o Brasil não se comporta como gente livre, será seguidamente estuprado, violado, roubado e saqueado não só por seus viscondes e barões, mas também por viscondes e barões alheios.

Assumindo a responsabilidade, apesar de atrair mais atenção, agora atrai uma atenção mais protetora do próprio território: Sim, nosso quintal é rico e nosso povo é pobre, mas é nosso quintal. E nós nos sentamos na mesa de pernas e boca fechadas na hora de mastigar, e nós podemos exercer a função de proprietários na comunidade, e nós podemos dar asilo a alguns pobres necessitados. E, melhor do que isso, agora sabemos que nosso povo precisa enriquecer como o quintal.


Resultado: Aumentam as visitas e diminuem os estupros e saqueamentos. Todo país tem o dever de atuar internacionalmente de acordo com suas obrigações. A responsabilidade aumenta a complexidade dos problemas. A negligência causa a destruição da infra-estrutura internacional de um país, e os riscos de um país circulando o planeta “como uma folha ao vento” são incalculáveis.

A importância do Brasil como um país que policia e contribui em seu terreno aumenta muito independentemente da postura teórica assumida. Seja qual for a realidade por trás do teatro internacional, o Brasil passa a ser visto como defensor da democracia, e atua conforme a diplomacia internacional dita. Nesse caso, não só não é relegado ao esgoto do planeta, como compra ações na casa da Dinda das hegemonias.

Segundo ítem em voga:
Olimpíadas no RJ?

Quando postar o texto a decisão já estará dada. Sendo a cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2016 ou não, o Rio de Janeiro, domesticamente, não é a melhor cidade para a tarefa. A corrupção brasileira é, desafortunada e instrinsecamente, institucionalizada. Políticos ficarão muito mais gordos com os super-faturamentos absurdos.

Cidades como Fortaleza, Natal e Salvador fariam mais sentido em nível doméstico. A melhora na infra-estrutura dessas cidades, e o fato de que os jogos colocariam-nas no mapa internacionalmente, poderia, potencialmente, “mudar” a cara do Brasil.

Outro grande problema de sediar Olimpíadas no Brasil é, como diz Juca Kfouri em coluna ao UOL, a “falta de política esportiva” no país. Esse, aliás, no contexto do Comitê Olímpico Internacional, é o ponto principal à rejeição da cidade maravilhosa, ou qualquer outra cidade brasileira.

Contudo, o Brasil está crescendo e, em grande parte, porque outros países e suas importâncias estão diminuindo. Isso significa, segundo Charles F. Doran, por exemplo, que o país em si não tem escolha. Está sendo “empurrado” à posição de hegemonia, e a cada ano que passa esse processo é mais rápido e contundente. Não me espantaria se chegássemos à conclusão de que Stephen Zweig estava errado, e o Brasil deixou de ser o país do futuro eterno e passou a ser o país do presente. Finalmente...

Nesse sentido, há duas frontes que o estado enfrenta em direção ao desenvolvimento:

1 – A interna. O Brasil precisa rechear o crescimento, se não estoura. Os níveis de analfabetismo, mortalidade infantil, desemprego, ruralismo básico, criminalidade, coronelismo, corrupção e escassez infra-estrutural precisam começar a decair dramaticamente, ou as fronteiras largas nada mais apaziguarão a inevitável destruição brasileira.

2 – A externa. Já crescendo apesar de si próprio, o Brasil não pode fingir que a conversa não é com ele. O locutor se irrita se ignorado. O desafiado ataca se não teme o desafiador. O dono do clube multa o membro que não participa da manutenção do mesmo. Sendo que o Brasil está sendo “empurrado”, é melhor que comece a correr.

Analogia: Como um pão, a terra tupiniquim passa a fermentar e expandir pelo calor do forno, um calor externo. Caso não for recheado, ou sua consistência estiver comprometida por falta de farinha ou água, o fermento estoura. Caso o calor seja extremo e ninguém tirar o pão do forno, o pão queima. Retirando cedo demais, o pão murcha.

Portanto, apesar de todos os problemas precisamos saber distinguir entre relações domésticas e internacionais. Uma complementa e influencia a outra, mas ainda assim são duas frontes distintas, e seria ilógico dizer que melhorar a situação em uma delas seria piorar a situação na outra.

Portanto, meu voto é pelo Rio de Janeiro.

(Chicago fora, RJ e Madrid ainda em jogo. Falta pouco...)



RF

Friday, September 25, 2009

Ponto para o Brasil

A crise hondurenha mostra cada vez mais dentes em fúria. Desde a deposição do presidente Manuel Zelaya, Honduras volta a enfrentar um novo capítulo sangrento em sua história, e mais um capítulo sangrento da história Latino-Americana escreve-se nas paredes da embaixada brasileira.

Para os depositores, a ameaça de tornarem-se foragidos. Para a população, a desesperança de tornar-se súdita de um governo foragido. Caso sejam (e provavelmente deveriam ser) condenados por transgredir direitos humanos em seu país, agirão exatamente de acordo com o que diziam temer ao depor Zelaya. A justificativa do semi coup d’etat foi clara: Medo de que Zelaya consiga emendar a constituição hondurenha a favor de sua reeleição e permanência no poder.

Não que os medos dos opositores não seja real. Hugo Chavez, controversamente, logrou permanecer no poder através de emendas similares. Zelaya nega, obviamente, que tivesse essa intenção, mas a suspeita de seus opositores pode ser, em si, explicada. O que não é inexplicável, mas tampouco lógico, foi a deposição abrupta e apressada do presidente, que conseguiu retornar ao país depois de encontrar refúgio na Costa Rica.

Independente de qualquer formação política, a história Latino-Americana de ditaduras militares (tanto de direita quanto de esquerda) e de democracia ou escassa ou conturbada na região não é melhorada nem reformada pela crise atual. Com a emergência de países de orientação anti-capitalista/socialista como a Venezuela e a Bolívia, o território comprimido pode muito bem se tornar um barril de pólvora de pavio curto. Some-se a isso a revolta de opositores do governo de Zelaya e uma deposição militar, e temos uma receita quase infalível a uma bomba atômico-orgânica.

Portanto, a posição que Brasil assumiu nesse conflito serve de exemplo à condução hegemônica de suas relações intra-continentais. Muitos criticam o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, por abster-se de uma posição mais rigorosa. Poderiamos, quiçá, justificar essa ausência na liderança de algumas maneiras. Uma delas, talvez a mais nebulosa, seria a relutância do presidente em assumir qualquer espécie de partido com um governo potencialmente esquerdista, como o de Zelaya. Outra, porque no momento a crise econômica mundial e a inter-dependência acirrada no mercado global; duas guerras nas quais os EUA estão presentes e afundados no Oriente Médio; problemas domésticos, incluindo a reforma no sistema de saúde do país; são todos fatores que impedem um envolvimento maior com países menos importantes no cenário global como Honduras.

Mas, finalmente, como diria Charles F. Doran, o sistema unipolar-multi-polar permite que o Brasil funcione como extensão dos Estados Unidos na América Latina. Segundo especialistas em relações internacionais, esta é a função da terra tupiniquim, estando ela pronta ou não para assumi-la. E esteve. Pronta, digo. Assumiu majestosamente sua função hegemônica a partir do momento que permitiu e concordou em abrigar Manuel Zelaya em sua embaixada em Honduras. Podemos argumentar que o Brasil nunca pensou arriscar-se com a empreitada. Afinal, o repúdio internacional já parecia obviamente delineado contra o agressor à democracia, no caso a oposição de Zelaya. Nesse mesmo tom, porém, argumento que justamente por não querer contrariar o movimento internacional, o Ministério de Relações Exteriores da administração de Luiz Inácio Lula da Silva encaixa-se, cada vez, no jogo dos maiores.

O papel da pressão brasileira ao Conselho de Segurança da ONU, agora presidido pelos Estados Unidos, foi e está sendo ainda fundamental no desenvolvimento das negociações. Roberto Micheletti e sua administração temporária podem realmente ser considerados transgressores, e fica claro que isso não seria positivo para a população hondurenha, ao mesmo tempo que a postura totalitária de sua administração precisa ser enfrentada e resolvida. Em poucas palavras, a possibilidade de uma guerra existe, mas a maior possibilidade, infelizmente, é que Honduras caia em um período incerto de ditadura militar. Brasil, nesse sentido, conseguiu atrasar o processo, ajudar a expor a gravidade do problema (tendo sua embaixada cercada e a eletricidade temporariamente cortada ajudaram muito), e contribuir para que as negociações possam ocorrer com o tempo e espaço necessários. A popularidade de Lula não prejudicou nem um pouco.

Já membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) podem tomar a situação de modo um pouco mais pessoal. Com a presença rotativa de México e Costa-Rica, únicos países no Conselho com os quais Honduras mantém relações diplomáticas, o Conselho ainda pode ter menores interesses em “atacar” Honduras com sanções e restrições a Micheletti e seu governo. Já a OEA, com maiores conflitos de interesse dentro da instituição, pode demandar essas sanções, e no intuito de resolver a crise, piorá-la.

Apesar da escuridão agora enfrentada e da incerteza de um potencial sucesso brasileiro nas negociações, o Brasil e o governo Lula marcam muitos pontos no ciclo de super-potências e dão mais um passo adiante na conquista dos direitos de jogar com os maiores. A importância e relevância de instituições será discutida no próximo texto, mas por hora, fica aqui minha opinião registrada: O Brasil está de parabéns.

RF

Friday, January 30, 2009

“O Brasil é o país do futuro. (E sempre será)”

(Frase do escritor Stephen Zweig) - Publicado no BR TV Online (http://www.brtvonline.com/)

Os tempos mudam, sempre, renovando-se e repetindo-se, é verdade, mas também avançando. Não só a tecnologia nos refaz humanos, menos animais do que nossos antepassados, mas principalmente as novas descobertas, os novos estudos, a evolução do pensamento. Tampouco mudam radicalmente. É sempre paulatina, mas real e imediata, a transformação e transmutação de nossa espécie.

Por um lado, Zweig estava certo. O futuro que o Brasil tem e o que quer representar é tão vagaroso que, às vezes, passa desapercebido. A seriedade do povo brasileiro não transparece a todos os olhares, e para quem vem de fora, há algo de selvagem no comportamento tupiniquim. Só que, como em tudo, os maiores defeitos encarceram-se nos olhos de quem enxerga, e não na visão em si.

Vivendo um mês em Belo Horizonte, descobri que a genialidade brasileira é ímpar, tanto quanto a necessidade das galhofas, da vida social e da cerveja de botequim. Os maiores poetas eram e ainda são boemios, mas não só falo de poetas, escritores, intelectuais ou, pios, pseudo-intelectuais mascarados por trás de seus anos acadêmicos. O que vi nesse mês me demonstra o quanto podem, como povo, como raça, como nação, revirar as disparidades sociais e mazelas mentais que o Brasil, como muitos países mundo afora, ainda carrega em fardo às costas.

O homenageado há duas semanas, Dr. Frenkiel, tem uma frase que acredito mais do que apropriada para expressar o que quero: “Quando dão de comer a um brasileiro, ninguém segura.” Acrescento, “quando dão o que ler também”, e quando escrevo “o que ler”, refiro-me não só à Bíblia, mas livros literários, ficção científica e didáticos, especialmente.

Por quatro semanas, a cada uma delas conhecia alguém que se formara ou se formava. O porteiro do prédio do psiquiatra que se formara em agronomia. A clínica geral que se formara no interior de Minas Gerais. A senhora que estudou metalurgia, e acabou desenvolvendo métodos de redução do rejeito em energia nuclear em 95 por cento. O senhor que fez-se advogado. O editor de jornalões que sabe mais sobre o holocausto do que eu ou qualquer um de meus parentes judeus, sendo ele tudo, menos judeu. A maestra pianista, reconhecida nacionalmente. A repórter que virou editora geral em alguns poucos anos. O pequeno gênio que sabe muito tanto de informática quanto de música e mal chegou à puberdade. O quase cirurgião, amante de Sylvester Stalone. Nenhuma dessas formações pode ser ajeitada. Ou você aprende, ou não é, e acabou.



Não faltou genialidade. Não me pareceu que o Brasil precisasse de nós, imigrantes formados em terras estrangeiras, para tocar o próprio país adiante. Claro que também observei corrupção e violência, desigualdade e burocracias desnecessárias, mas o movimento do Brasil é, mais do que nunca, para frente. E o Brasil tem uma vantagem única: Mete-se em tudo, é temperado por tudo, fala sobre tudo, é a terra, de fato, de todos os santos e demônios, de todas as santas e putas, de todos os curandeiros e feiticeiros, reais ou imaginários. Pegam o jazz e fazem a bossa-nova. Fazem caipirinha da vodka e limonada.

Confesso estar encantado, mas a partir destas últimas férias, aposto no Brasil. Se eu fosse você, apostaria também. Chega de “sempre será”.

RF

ERRATA:

C. de Mendonça:

"A frase do Stephen Zweig é somente "o Brasil é o país do futuro". A frase "O Brasil é o país do futuro, e sempre será", foi popularizada pelo arrogante de Gaulle quand o Brasil se negou a formar com a França um terceiro bloco durante a guerra fria, mas tem origem bem anterior, na década de vinte.

A frase original popularizada por Stephan Zweig surgiu como uma variante do bordão ufanista "Brasil, gigante adormecido": este gigante acordaria no futuro, quando então seu potencial seria realizado.

A origem está contida no próprio Hino Nacional ("Gigante [...] deitado [...] em berço esplêndido"). Durante a década de vinte, quando a letra do Hino Nacional foi comprada por Epitácio Pessoa, os brasileiros que eram contra a letra salientaram que a letra diz na verdade "Gigante [...] deitado ETERNAMENTE em berço esplêndido". Nas ruas o povo comentava que o "Brasil é um gigante adormecido - e sempre será". Os diplomatas norte-americanos, sem entender a autocrítica típica dos brasileiros, quando informados do porque de tanta discussão contra a letra do hino, trouxeram algo que era privativo da discussão interna nacional para o ambiente diplomático. Desde então tem havido nos meios diplomáticos este dizer de mau gosto afirmando que "o Brazil é o país do futuro - e sempre será". Fiz esta pesquisa em 1999, quando o preconceituoso Geoffrey Colvin afirmou "'Brazil is the country of the future and always will be'--that line is at least 80 years old, which just shows how true it is." (link). Desde então estou esperando a oportunidade de jogar isso na cara dele."

Wednesday, July 02, 2008

Barack Obama, mais um político

Já vos contei que me afiliei à campanha de Barack Obama? Também doei 15 dólares de meu suado salário à sua campanha, já que meu voto é proibido, sendo eu apenas residente, e ainda não cidadão, dos Estados Unidos.

Por que vos conto? Dois motivos:

1 – Geralmente, quem aqui me visita é brasileiro e vive no Brasil, o que automaticamente significa das duas, uma: Ou você não se importa com a política local, logo quem eu favorecer fará pouca diferenca; ou você se importa com a política, no geral, e gostaria de ler uma análise objetiva da situação. Como acredito que a total imparcialidade seja produto da imaginação popular, avisando de minha parcialidade evito maiores confusões.

2 – Para o texto que agora decorre, me é pessoalmente importante não ser confundido com um hipócrita.

Quando das eleições de 2005 no Brasil, alinhei-me atrás de ninguém, e era o único, jovem ou velho, profissional ou amador, que escrevia contra Lula e, ao mesmo tempo, apoiava sua reeleição. O teor principal de meus textos, à época, era “o Brasil não pode apoiar-se na escolha do menos pior”. Ainda penso assim, e agora devo admitir que penso assim também sobre Barack Obama.

Algumas de suas atitudes me encantaram, como a forma menos hostil de atacar seus rivais, a maior honestidade nas respostas, e sua predisposição jovial, algo que Collor também demonstrou, se muito não me engano. Algumas de suas promessas fizeram sentido em Dezembro de 2007, mas hoje já significam resultados eleitorais distintos.

Obama pedia a retirada gradual das tropas estadunidenses do Iraque em 16 meses, algo hoje em dia controverso, já que a situação no país demonstra melhoras devido à escalada de tropas de George Bush ao ano passado. Era a favor de uma reforma no método de arrecadação de fundos a campanhas, prometendo realizá-la durante esta disputa, mas logo tirou o corpo fora quando melhor lhe coube. Além disso, ainda dá sinais de inconsistência quanto a sua política externa (a favor de Israel e radicalmente contra o Irã enquanto fala com judeus, mas mais diplomático quando fala para o público; contra o NAFTA de Bill Clinton, mas assegurando o Canadá que o “contra” é apenas política e retórica; entre outros casos).

Conforme escreveu Arianna Huffington, do The Huffington Post, Obama está trilhando o natural caminho político de centralizar-se. Estrategicamente falando, isso é necessário em diferentes níveis para conquistar fragmentos das bases adversárias. Lula, que era de esquerda, o fez durante 8 anos de governo, não apenas em sua campanha. McCain também construiu uma história desviada ao centro quando o tema é meio-ambiente, reforma imigratória, e procedimentos interrogatórios considerados torturosos, realizados em prisões como a de Guantánamo Bay.

O problema, segundo Huffington, é que os vitoriosos, geralmente, são os candidatos com ideologias salientadas e firmes posições. Obama parece estar se movimentando erroneamente à direita, para cair de costas no centro, ambas posições descartáveis estrategicamente.

Procurando aumentar sua base de eleitores evangélicos, Obama declarou ontem que nomeará um comitê para delinear “Iniciativas Baseadas na Fé” à nação. Para um candidato liberal, esse talvez seja o maior e mais bizarro dos erros. Liberais-Democratas são famosos por persistir, em todos os dilemas sócio-morais, na separação entre o estado e a religião. Assim, que diabos seriam “Iniciativas Baseadas na Fé”, ou carinhosamente apelidadas “F.B.I.”?

Adiante, McCain explorou uma das importantes decisões judiciais da semana passada para atacar Obama. À semana passada, a Suprema Corte decidiu que o estupro de crianças não poderia acarretar a pena de morte. Obama, que se disse contrário à pena máxima salvo em raros casos, diz-se contrário a essa decisão. McCain diz que Obama critica a corte conservadora de Bush, mas que, nesse caso, quando a corte delibera uma decisão democrata, o senador pelo Illinois repentinamente discorda da mesma, relembrando ao populacho que o candidato democrata apenas diz o que melhor seria visto pela maioria dos eleitores.

A conclusão é o título desse texto: Barack Obama é apenas mais um político, e John Fitzgerald Kennedy o era também, como Bill Clinton ou Jimmy Carter, dos piores aos melhores. Porém, base a base, comparemos Obama a McCain e deixemos claro porque meu voto iria para o democrata:

1 – Oriente Médio: McCain não duvida, nossos inimigos estão no Oriente Médio e são os mesmos inimigos de Israel. Obama foi visto como anti-sionista, e a campanha de Clinton conseguiu ligá-lo a dois pastores anti-semitas da comunidade afro-americana. Enquanto o som do baile foi indicado pelo republicano, o democrata fez só dançar, e acabou posicionando-se, perante a comunidade judaica, como um bom “americano”, tentando acalmar a insegurança de uma base essencial ao estado da Flórida e New York. Errado, acredito que seja. Necessário, talvez, mas será mesmo que estamos tão carentes de mentira e hipocrisia que precisamos mais dela para confiar em algum candidato?

2 – Enquanto McCain virtualmente não se importa com os recursos usados pelos EUA para “estabilizar” o Iraque, Obama ao menos pertence à base que o pressionará a fazer o melhor possível guiando uma retirada paulatina dentro do contexto atual. Enquanto McCain parte da base acusada de entrar no Iraque pelo petróleo (algo que se concretiza ainda mais com a possibilidade do retorno das companhias petrolíferas do país ao Iraque), Obama parte da base que deseja satisfazer a opinião pública mundial e acabar com o conflito o quanto antes.

3 – Economicamente falando, ambos partidos protegem seus interesses, e se alguém o faz mais, esse alguém é provavelmente republicano, racicínio de democrata, olhem lá. A esperança é que, seja quem for, assuma reformar o NAFTA para prejudicar menos o mundo e ajudar mais a própria população estadunidense.

4 – Quanto às famigeradas “F.B.I.”, traço um paralelo ao comentário de Carlson Tucker da MSNBC: “Se o assunto for segurança nacional, McCain vence só pela natureza do argumento.”

Se o assunto for iniciativas baseadas em morais religiosas, os republicanos sempre perderão. McCain é contra o aborto, contra o casamento entre homossexuais e não me espantaria que seu vice fosse alguém como Mike Huckabee, que procura reformar a constituição para adaptá-la ao Novo Testamento protestante. Ponto final.

Esse gigantesco texto já faz o resumo da semana. O Gallup de hoje mostra Obama com 47-42% de McCain.

Até a next,

RF

Tuesday, July 31, 2007

Brasil al Iraq?



O Brasil e o Iraque, no BRTV Online. Clique aqui, e leia meu novo artigo.

Abraxões,

RF

Thursday, May 31, 2007

Auto-Estima e Cinema



Minha gente, gente que não é minha, mas que me têm, sei não…

Olhai aqui, d’onde saiu publicada uma nova matéria.

O que acham? Sei não, sei não.

Acompanhem no BRTV Online, clicando aqui,
Auto-Estima e Cinema!