“Mr. McCain said, ‘The whole premise behind Senator Obama’s plans are class warfare — let’s spread the wealth around’.” (The New York Times)
O terceiro e último debate presidencial foi o melhor, segundo analistas. Eu não o vi, confesso. Ao invés disso, assistia a Canarinho caminhando de um lado para outro em um campo grande e esverdeado, aparentemente acompanhando o jogo dos colombianos uns contra os outros, especialmente quando jogadores do mesmo time se cabeceiam ao alto.
Porém, assisti alguns argumentos, logo a reprise de grande parte da discussão entre os candidatos republicano e democrata, e as análises da MSNBC e CNN, além do artigo recente no The New York Times.
A frase que, para mim, resume o que deveras é considerado e tratado como o tema central dessas eleições, a economia, está postada acima.
“McCain disse, ‘Toda a premissa por trás dos planos do Senador Obama é guerra de classes – espalhemos a riqueza [por toda a nação]’.”
Essas palavras me remetem imediatamente à cena que testemunhei ontem quando visitei minha ex professora de escrita criativa, Lisa Shaw, enquanto dizia a um aluno que ele não podia sequestrar a aula falando de propostas econômicas liberais como se tivesse o conhecimento e a experiência necessários para tanto.
“Eu posso concordar contigo,” disse Shaw, “o que não significa que a maioria da nação não discordará de ti, e você não tem o cacife para professar uma teoria econômica, e mesmo se tivesse isso não faria a menor diferença, as pessoas não querem ouvir de ninguém, ‘você pagará pela minha educação, pela minha saúde, pelo meu bem estar mesmo se eu estiver desempregado’. As pessoas querem cuidar da própria vida, de suas propriedades, e ninguém quer saber de ser forçado a contribuir com o resto da sociedade, isso é automaticamente taxado de comunismo.”
Shaw tem razão. O país não elegeria Bush duas vezes caso não tendesse a concordar com esse raciocínio, que não deixa de ser válido, só deixa de ser capitalismo. Mas esse nem é o maior problema. Bush também venceu duas vezes porque, conforme diz Rachel Maddow, democrata e âncora da MSNBC, “o sistema eleitoral é partidário, e os democratas têm duas opções, a primeira é ofender-se e exigir mudanças, a segunda é atuar partidariamente e reformar as leis eleitorais”. Os motivos para descartar novos eleitores multiplicam-se com a aproximação do 4 de Novembro, enquanto cá nos situamos.
Mesmo assim, esse não é o maior problema.
Os chavões atráem a mente de cidadãos comuns. Respondi a Shaw que esse movimento da “direita” do país não é racional, não faz sentido, é baseado em sentimentos. Baseio meu raciocínio no fato de que as pessoas não têm a menor idéia do que o “DOW” significa, mas todos querem que o “DOW” feche em alta, mesmo que o preço da gasolina esteja diretamente ligado a essa alta, e que aumente caso a bolsa começar a lucrar demais. Na mesma nota, há pessoas pedindo o fim do chamado Tributo Mínimo Alternativo, que já foi bloqueado e que pode tornar-se permanente a partir de 2009, mas esse tributo só atinge pessoas que ganham mais de $250 mil dólares anuais, e quem reclama ganha menos de $40 mil.
Ainda acredito, espero que não ilusoriamente, que o país procura, de fato, mudanças concretas em sua filosofia. Também acredito que a força liberal e democrata é crescente, o que significa que há mais pessoas deixando de pensar com o lado esquerdo, e menos deixando de pensar com o lado direito do cérebro.
Contudo, a filosofia central da nação nos últimos anos foi de redistribuição de verbas, sem a menor dúvida, só que “para cima” na pirâmide social. Os poucos ricos ficaram mais ricos, e os muitos pobres ficaram mais pobres. Todos sabem onde a classe média tende a parar nessa roleta russa.
Aqui sim, consta o maior problema. As pessoas votam contra seus interesses econômicos, conforme disse Barack Obama há alguns meses atrás. Apóaim-se nas armas (emenda constitucional defendida por republicanos), e em outros temas moralistas como, justamente, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. As classes menos abastadas, menos educadas, e mais centradas geograficamente, o que as distancia de imigrantes e variações culturais e os aproxima da base tradicional da nação, votam constantemente a favor de cortes tributários que jamais os beneficiarão.
Por que isso ocorre?
Posso opinar, mas eu, também, não tenho cacife para determinar uma circunstância, portanto julgue-o quem quiser, como quiser, de acordo com seus próprios critérios.
Para mim, isso é baseado em uma guerra que tornou-se não só entre a esquerda e a direita, mas entre uma filosofia que é basicamente socialista, e outra que não passa de pseudo-capitalista. Esclarecendo, e para quem me conhece isso pode ser evidente, discordo da premissa socialista que dá ao estado a autoridade sobre os projetos de desenvolvimento social. Porém, mesmo entre os esquerdistas intelectuais mais extremos, o indivíduo de menor poder está mais propenso a receber atenção social do que seu oposto. Já entre o clássico direitista, o estado é o demônio (concordo, em grande parte), o dinheiro a “mim” pertence, mas desse dinheiro nada nasce, nada cresce, nada se reproduz para a sociedade que não empregos muitas vezes medíocres com sub-salários, sub-benefícios e sub-futuro.
Há exceções, e assim sendo, mais do que se imagina. A maioria, contudo, comporta-se além do capitalismo de Adam Smith. O máximo ao qual conseguem agarrar-se é a economia de Ronald Reagan, que projetava prosperidade às classes menos abastadas através do fortalecimento das mais abastadas. Apesar de não sermos árvores, acredito que a metáfora é válida. Seria como fortalecer a árvore pelas folhas. Ninguém, contudo, quer efetivamente dar do seu dinheiro a investir em projetos sociais necessários, mesmo que concordem com a importância dos mesmos, e odeiem pagar impostos.
Assim sendo, como poderemos chegar ao século 21 sem a mentalidade do século 18? Continuaremos discutindo sobre o preço de nossa civilização, atribuindo culpas, farpas e pizzas a outros que não nós mesmos. Continuaremos pensando que o dízimo apazigua nossas culpas. Esse sim é o maior problema: Quando a sociedade é contra a redistribuição de verbas aos mais necessitados, mas favorece fervorosamente o redistribuição de verbas aos que causam grande parte das necessidades.
Obama, para mim, vence apenas por comparecer ao debate. Ainda assim, não representa a solução evolucionista necessária.
RF
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Thursday, October 16, 2008
Nosso Maior Problema
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
CNN,
John McCain,
Lisa Shaw,
MSNBC,
Rachel Maddow,
Ronald Reagan presidential library,
The New York Times
Thursday, September 04, 2008
O que acontece na América?
Falo, obviamente, da América do Norte, do apelido carinhoso dado aos Estados Unidos, que apenas recentemente começam a aprender onde a Argentina fica no mapa, e que não é uma capital brasileira.
As últimas duas semanas de convenções foram mais pesadas, ideologicamente, do que toda a estação preliminar. Além dos debates, polêmicas e tiros tortos, o furacão Gustav atrasou o primeiro dia da reunião republicana, e a tempestade tropical Hannah ameaçava a Flórida até desviar-se para o norte. Atrás dela, o furacão Ike cresce em intensidade e pode atingir meu estado na próxima Segunda-Feira com a fúria de categoria 4, a mais intensa na escala.
Furacões e política interligam-se como mãos a luvas. John Hagee, influente pastor evangélico que polemicamente endossou John McCain ao início de 2008, afirmara há três anos que o furacão Katrina, devastante ao estado de Louisiana, especialmente na cidade de New Orleans, foi um castigo divino. Poucos anos depois, Gustav atingiu Louisiana e Minnesota novamente, mas antes disso o furacão Fay, que já havia beijado meu quintal como tempestade tropical, deixou destruição e medo em seu rastro pelo norte da Flórida até morrer perto de Minnesota.
Se furacões são castigos divinos, esse Deus está zangado com as regiões mais conservadoras da nação. Eu, ateu, cético e agnóstico, jamais diria isso. O clima não se importa com as aberrações humanas. O clima nada sente, pensa ou enxerga.
Mas a analogia é inevitável. Como não-eleitor, minha análise tem a mesma importância que o peso de uma pulga a um quilo de arroz. Mesmo assim, por sentir-me eterno estrangeiro, alheio à essência de qualquer cultura inserida em contexto regional, às vezes procuro observar como quem aproxima a retina ao bico d’um miscroscópio, não só de fora, mas distante da realidade decorrente.
Pois, vejo que o partido Republicano mantém o contexto nacionalista que lhe conferiu popularidade mesmo depois da revolução social dos anos sessenta, nos Estados Unidos. Não se trata de mero patriotismo, saudar a pátria com atos dóceis e torcer pela mesma em qualquer evento competitivo, seja ele esportivo ou bélico. É peça insubstituível da psique nacional:
Para esses, ser estadunidense significa pertencer à maior potência internacional desde a Grã-Bretanha colonialista.
Republicanos ostentam a bandeira da superioridade com fé e pilares emocionais. Seus valores, especialmente descritos na noite de Quarta-Feira no palco da Convenção Republicana em St. Paul, Minnesota, no Xcel Center, partem estritamente da crença religiosa e dicotômica em que a “liberdade” existe quando servimos interesses dogmáticos, supersticiosos e imaginários.
Alguém como eu jamais seria presidente de lugar nenhum. Salvo talvez em Israel, para o bem da verdade, já que o número de ateus em meu país natal é considerável se comparado a outros pontos geográficos do planeta azul. Quantas sociedades elegeriam um presidente ateu ainda mantendo a autonomia de seu povo e a legitimidade das eleições?
Quem negaria que, o fato de Deus estar ao lado dos tradicionalistas republicanos até hoje, foi o que, provavelmente, mais os ajudou?
Segundo Meg Whitman, ex empresária da grande companhia E-Bay, que se retirou da liderança empresarial para assumir a campanha de John McCain, republicanos lutam por menos governo e mais poder econômico popular. Afirma que estadunidenses jamais chegarão à liberdade com o aumento tributário prometido por Barack Obama.
Novamente, republicanos clamam o tradicionalismo capitalista, a força dos mercados, confiança nas atitudes individuais à construção de vizinhanças, comunidades e, eventualmente, cidades inteiras.
George Bush, quando discursou via satélite pela nomeação de McCain na Terça-Feira, disse que o “Hanoi Hilton” (quando McCain foi prisioneiro de guerra) que abrigou o candidato conservador o preparou para qualquer desafio, incluindo o que o presidente chamou de “esquerda raivosa”.
Essa esquerda à qual Bush se refere é o partido Democrata e sua base cada vez maior por todos os estados. Raivosa porque, justamente, as vizinhanças, comunidades e cidades mais abastadas até funcionam em seu próprio núcleo, mas as menos abastadas não sobrevivem a fase da vizinhança.
Assim começa minha pessoal análise sobre a convenção em St. Paul. Em primeiro lugar, a aqui famigerada “Reaganomics”, economia de Ronald Reagan (*O capital lucrado pelos mais ricos escorre aos mais pobres, assim fazendo com que, quanto maior o lucro, mais capital sobre aos mais pobres), não pareceu funcionar em nenhuma nação capitalista. Ou seja, quanto mais ricos são os poucos primeiros por cento da nação, mais pobres são os outros por cento.
Isso não significa que quanto mais indústrias, mais companhias, mais serviços inseridos no mercado, não haja de fato mais empregos e benefícios, mas sim, o fato de que trinta a sessenta mil pessoas de uma população de 300 milhões de habitantes ostente quase a metade de toda fortuna nacional, prejudica de um modo ou outro os outros 98%. Quanto mais corrupta a sociedade, piores apuros assolam esses 98%.
A importância desse raciocínio simplista e um pouco óbvio é providenciar o equilibrio ao argumento conservador que favorece o mercado livre e o capitalismo condicional. Quando republicanos falam de corte de impostos, segundo pesquisas que levantei para saber de minhas próprias rendas mensais, o que omitem é que esses cortes apenas beneficiarão quem ganha o suficiente para isentar-se pelas brechas da constituição tributária.
Ou melhor, eu, que ganho menos de 30 mil dólares anuais, não pagarei sequer um centavo a menos em meu imposto de renda. Talvez alguns produtos sáiam razoavelmente mais baratos se seus tributos forem cortados, como a gasolina, mas nada que proporcionalmente se compare ao que pessoas já abastadas e estáveis financeiramente evitarão gastar com os cortes prometidos pelos republicanos. Isso se deve ao fato de que, com meus ganhos, pago apenas as taxas mínimas, que são iguais a todos, apenas variando em proporção ao salário.
Se minha renda incluísse lucros de companhias pequenas, médias ou multi-nacionais, sem contar em outras populares fundações econômicas baseadas na bolsa de valores, poderia escolher, em diversos casos, como e quanto pagaria ao IRS, economizando milhares de dólares sob uma administração conservadora.
A liberdade que Sarah Palin prometeu em seu discurso vice-presidencial na noite de Quarta-Feira jamais pertencerá à minha realidade, porque os duzentos dólares quinzenais que desembolso aos governos federal e estadual, serão sempre duzentos dólares enquanto meu salário não se tornar mais atraente.
Então, quando Rudy Giuliani, ex prefeito de Nova York, grita aos quatro ventos que há “boas mudanças e más mudanças”, o que omite é que a população local sofre com a ausência de mudanças concretas na filosofia estadunidense enquanto a mesma evoluiu e mudou muito nas últimas cinco décadas.
Qualquer mudança será bem vinda em princípio, e republicanos representam a tradição teísta que credulamente apóia o famoso “deus dará”, o mesmo raciocínio que, elevado à menor potência, produz pérolas como a afirmação do pastor John Hagee sobre furacões e a fúria divina.
Nesse meio tempo, pergunto-me sobre qual liberdade discursou Whitman, se republicanos são a favor de restrições individuais como a liberdade do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, o direito à opção do aborto, às mulheres, e a inclusão obrigatória do absurdo argumento teísta denominado “Design Inteligente” no currículo científico escolar.
São contra o dispêndio tributário, mas a favor de uma guerra multi-trilionária que até hoje não melhorou a segurança internacional. São contra restrições mercantis, mas a favor do Ato Patriota que, resumidamente, elimina direitos de privacidade ao indivíduo estadunidense, seja ele cidadão ou residente legal.
Republicanos clamam que democratas restringem a liberdade do mercado livre, e insentivam a libertinagem no comportamento social. Assim, o mercado deve ser cada vez mais livre, e a população cada vez mais restrita. Perdão, amigos republicanos de todos os credos e cores, mas para mim ocorre justamente o oposto: Libertinagem no mercado, e restrições individuais ameaçadoras.
Depois de oito anos de Bush, quatro anos de Bush Senior e outros oito anos de Reagan, a matemática não bate. O conservadorismo não só parece deixar de funcionar, mas a nação começa a abrir mais os olhos. No dia 4 de Novembro saberemos quão espertos estamos todos, e espero que sejamos, enfim, mais espertos do que George W. Bush.
RF
As últimas duas semanas de convenções foram mais pesadas, ideologicamente, do que toda a estação preliminar. Além dos debates, polêmicas e tiros tortos, o furacão Gustav atrasou o primeiro dia da reunião republicana, e a tempestade tropical Hannah ameaçava a Flórida até desviar-se para o norte. Atrás dela, o furacão Ike cresce em intensidade e pode atingir meu estado na próxima Segunda-Feira com a fúria de categoria 4, a mais intensa na escala.
Furacões e política interligam-se como mãos a luvas. John Hagee, influente pastor evangélico que polemicamente endossou John McCain ao início de 2008, afirmara há três anos que o furacão Katrina, devastante ao estado de Louisiana, especialmente na cidade de New Orleans, foi um castigo divino. Poucos anos depois, Gustav atingiu Louisiana e Minnesota novamente, mas antes disso o furacão Fay, que já havia beijado meu quintal como tempestade tropical, deixou destruição e medo em seu rastro pelo norte da Flórida até morrer perto de Minnesota.
Se furacões são castigos divinos, esse Deus está zangado com as regiões mais conservadoras da nação. Eu, ateu, cético e agnóstico, jamais diria isso. O clima não se importa com as aberrações humanas. O clima nada sente, pensa ou enxerga.
Mas a analogia é inevitável. Como não-eleitor, minha análise tem a mesma importância que o peso de uma pulga a um quilo de arroz. Mesmo assim, por sentir-me eterno estrangeiro, alheio à essência de qualquer cultura inserida em contexto regional, às vezes procuro observar como quem aproxima a retina ao bico d’um miscroscópio, não só de fora, mas distante da realidade decorrente.
Pois, vejo que o partido Republicano mantém o contexto nacionalista que lhe conferiu popularidade mesmo depois da revolução social dos anos sessenta, nos Estados Unidos. Não se trata de mero patriotismo, saudar a pátria com atos dóceis e torcer pela mesma em qualquer evento competitivo, seja ele esportivo ou bélico. É peça insubstituível da psique nacional:
Para esses, ser estadunidense significa pertencer à maior potência internacional desde a Grã-Bretanha colonialista.
Republicanos ostentam a bandeira da superioridade com fé e pilares emocionais. Seus valores, especialmente descritos na noite de Quarta-Feira no palco da Convenção Republicana em St. Paul, Minnesota, no Xcel Center, partem estritamente da crença religiosa e dicotômica em que a “liberdade” existe quando servimos interesses dogmáticos, supersticiosos e imaginários.
Alguém como eu jamais seria presidente de lugar nenhum. Salvo talvez em Israel, para o bem da verdade, já que o número de ateus em meu país natal é considerável se comparado a outros pontos geográficos do planeta azul. Quantas sociedades elegeriam um presidente ateu ainda mantendo a autonomia de seu povo e a legitimidade das eleições?
Quem negaria que, o fato de Deus estar ao lado dos tradicionalistas republicanos até hoje, foi o que, provavelmente, mais os ajudou?
Segundo Meg Whitman, ex empresária da grande companhia E-Bay, que se retirou da liderança empresarial para assumir a campanha de John McCain, republicanos lutam por menos governo e mais poder econômico popular. Afirma que estadunidenses jamais chegarão à liberdade com o aumento tributário prometido por Barack Obama.
Novamente, republicanos clamam o tradicionalismo capitalista, a força dos mercados, confiança nas atitudes individuais à construção de vizinhanças, comunidades e, eventualmente, cidades inteiras.
George Bush, quando discursou via satélite pela nomeação de McCain na Terça-Feira, disse que o “Hanoi Hilton” (quando McCain foi prisioneiro de guerra) que abrigou o candidato conservador o preparou para qualquer desafio, incluindo o que o presidente chamou de “esquerda raivosa”.
Essa esquerda à qual Bush se refere é o partido Democrata e sua base cada vez maior por todos os estados. Raivosa porque, justamente, as vizinhanças, comunidades e cidades mais abastadas até funcionam em seu próprio núcleo, mas as menos abastadas não sobrevivem a fase da vizinhança.
Assim começa minha pessoal análise sobre a convenção em St. Paul. Em primeiro lugar, a aqui famigerada “Reaganomics”, economia de Ronald Reagan (*O capital lucrado pelos mais ricos escorre aos mais pobres, assim fazendo com que, quanto maior o lucro, mais capital sobre aos mais pobres), não pareceu funcionar em nenhuma nação capitalista. Ou seja, quanto mais ricos são os poucos primeiros por cento da nação, mais pobres são os outros por cento.
Isso não significa que quanto mais indústrias, mais companhias, mais serviços inseridos no mercado, não haja de fato mais empregos e benefícios, mas sim, o fato de que trinta a sessenta mil pessoas de uma população de 300 milhões de habitantes ostente quase a metade de toda fortuna nacional, prejudica de um modo ou outro os outros 98%. Quanto mais corrupta a sociedade, piores apuros assolam esses 98%.
A importância desse raciocínio simplista e um pouco óbvio é providenciar o equilibrio ao argumento conservador que favorece o mercado livre e o capitalismo condicional. Quando republicanos falam de corte de impostos, segundo pesquisas que levantei para saber de minhas próprias rendas mensais, o que omitem é que esses cortes apenas beneficiarão quem ganha o suficiente para isentar-se pelas brechas da constituição tributária.
Ou melhor, eu, que ganho menos de 30 mil dólares anuais, não pagarei sequer um centavo a menos em meu imposto de renda. Talvez alguns produtos sáiam razoavelmente mais baratos se seus tributos forem cortados, como a gasolina, mas nada que proporcionalmente se compare ao que pessoas já abastadas e estáveis financeiramente evitarão gastar com os cortes prometidos pelos republicanos. Isso se deve ao fato de que, com meus ganhos, pago apenas as taxas mínimas, que são iguais a todos, apenas variando em proporção ao salário.
Se minha renda incluísse lucros de companhias pequenas, médias ou multi-nacionais, sem contar em outras populares fundações econômicas baseadas na bolsa de valores, poderia escolher, em diversos casos, como e quanto pagaria ao IRS, economizando milhares de dólares sob uma administração conservadora.
A liberdade que Sarah Palin prometeu em seu discurso vice-presidencial na noite de Quarta-Feira jamais pertencerá à minha realidade, porque os duzentos dólares quinzenais que desembolso aos governos federal e estadual, serão sempre duzentos dólares enquanto meu salário não se tornar mais atraente.
Então, quando Rudy Giuliani, ex prefeito de Nova York, grita aos quatro ventos que há “boas mudanças e más mudanças”, o que omite é que a população local sofre com a ausência de mudanças concretas na filosofia estadunidense enquanto a mesma evoluiu e mudou muito nas últimas cinco décadas.
Qualquer mudança será bem vinda em princípio, e republicanos representam a tradição teísta que credulamente apóia o famoso “deus dará”, o mesmo raciocínio que, elevado à menor potência, produz pérolas como a afirmação do pastor John Hagee sobre furacões e a fúria divina.
Nesse meio tempo, pergunto-me sobre qual liberdade discursou Whitman, se republicanos são a favor de restrições individuais como a liberdade do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo, o direito à opção do aborto, às mulheres, e a inclusão obrigatória do absurdo argumento teísta denominado “Design Inteligente” no currículo científico escolar.
São contra o dispêndio tributário, mas a favor de uma guerra multi-trilionária que até hoje não melhorou a segurança internacional. São contra restrições mercantis, mas a favor do Ato Patriota que, resumidamente, elimina direitos de privacidade ao indivíduo estadunidense, seja ele cidadão ou residente legal.
Republicanos clamam que democratas restringem a liberdade do mercado livre, e insentivam a libertinagem no comportamento social. Assim, o mercado deve ser cada vez mais livre, e a população cada vez mais restrita. Perdão, amigos republicanos de todos os credos e cores, mas para mim ocorre justamente o oposto: Libertinagem no mercado, e restrições individuais ameaçadoras.
Depois de oito anos de Bush, quatro anos de Bush Senior e outros oito anos de Reagan, a matemática não bate. O conservadorismo não só parece deixar de funcionar, mas a nação começa a abrir mais os olhos. No dia 4 de Novembro saberemos quão espertos estamos todos, e espero que sejamos, enfim, mais espertos do que George W. Bush.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
George H.W. Bush,
George W. Bush,
John Hagee,
John McCain,
Minnesota,
Ronald Reagan presidential library,
Rudy Giuliani,
Sarah Palin,
St. Paul
Friday, February 01, 2008
À espera da “Super-Tuesday” - Republicanos
Antes de completar a postagem do texto “Eu Endosso”, talvez comecei a me levar muito a sério e resolvi dar um tempo. Continuo, ou determino minha posição sobre seu conteúdo na semana que vem. A seguir, os últimos acontecimentos antes da “Super-Tuesday”, o dia em que mais de 20 estados votarão a eleger os candidatos republicanos e democratas.
Republicanos
John McCain venceu a Flórida, mas sua maior vitória foi a desistência de Rudy Giuliani, que anunciou concomitantemente seu apoio ao veterano combatente. No último debate republicano pela CNN na biblioteca presidencial Ronald Reagan, na passada Quarta-Feira, McCain e Mitt Romney, seu principal rival, discutiram agressivamente e deixaram eleitores em dúvida de quem seria o mais justo, o menos sujo e menos mentiroso.
Enquanto isso, Mike Huckabee, o eterno terceiro lugar, mas que por ter vencido em Iowa surrupia alguns delegados, disputava pela proporção do tempo reservado aos dois principais pré-candidatos. Ron Paul mal teve deixas, e o que diz não é levado a sério pela maioria de seus companheiros partidários ou dos eleitores republicanos.
O que é uma pena, considerando que ele é o único que tem coragem de dizer que a guerra foi em vão, atacando-a tanto pelo sangue jorrado em vão quanto pela desastrosa política externa da administração de Bush, e ainda comprovando que os gastos exuberantes dessa guerra sem nenhuma vasão diplomática levaram o país à falência. É o único que não culpa os últimos míseros dois anos do congresso democrata pela iminente recessão, que não existe para pessoas como Romney, McCain ou Huckabee, mas que existe para as classes média e baixa. Sabe que o governo duplo de Bush, especialmente a insitência pela guerra, são os maiores responsáveis da falência econômica e da inabilidade de ter solucionado efetivamente a situação de milhares de pessoas em Louisiana e New Orleans à época do furacão Katrina.
McCain acusou Romney de constantemente mudar suas posições adaptando-as a interesses políticos. A principal acusação foi compará-lo a um democrata quando supostamente admitiu o estabelecimento de datas específicas para o recúo do exército estadunidense do Iraque. No entanto, Romney jamais teve essa posição, apesar de ter sido mais ameno ou até indefinido quando era governador do estado de Massachussets. Jamais disse que favoreceria o estabelecimento de datas ao recúo das tropas. Ron Paul, quando questionado, disse que a discussão era “boba”, “quem disse o que e quando não importa, deveríamos estar discutindo política externa, e por que os Estados Unidos deve ser a polícia do mundo?”
Romney acusou McCain, que trafega com seu ônibus denominado (algo como) “Expresso da Sinceridade”, de não ser nada sincero. McCain disse que o país precisa de líderes, não de gerentes. Romney disse que chamar um governador de gerente era desrespeitoso. Politicamente, a posição de McCain em relação ao Iraque ganha parte da base republicana mais interessada na guerra. Romney vence os mais interessados em uma política econômica conservadora, logo Huckabee, que ainda concorre e realmente tem chances de causar algum estrondo, rouba eleitores da base de Romney por ser mais conservador em relação a cargas tributárias, concordando com Ron Paul que o IRS, ou o departamento federal do fisco, deve ser desmontado e um novo sistema instalado para outorgar ao povo maior poder sobre a própria renda.
McCain foi um dos únicos republicanos contrários aos cortes de impostos propostos por Bush no vapor de seus mandatos. Disse que jamais o país cortara impostos em época de guerra. No entanto, sua proposta para apazigüar os mais conservadores é cortar impostos assim que entrar na Casa Branca.
McCain também será daqui em diante conhecido como o candidato que admitiu que o exército dos Estados Unidos pode ficar no Iraque “por cem anos, o quanto necessário para sairmos vitoriosos”. Todos os candidatos, menos Paul, dizem que a situação no Iraque tem melhorado.
Para o bloguista que vos reporta, não sei quais noticiários eles têm visto e lido para assim concluir.
Endossaram: Arnold Schwarznegger e Rudy Giuliani a John McCain.
Não concorre: Rudy Giualini.
RF
Republicanos
John McCain venceu a Flórida, mas sua maior vitória foi a desistência de Rudy Giuliani, que anunciou concomitantemente seu apoio ao veterano combatente. No último debate republicano pela CNN na biblioteca presidencial Ronald Reagan, na passada Quarta-Feira, McCain e Mitt Romney, seu principal rival, discutiram agressivamente e deixaram eleitores em dúvida de quem seria o mais justo, o menos sujo e menos mentiroso.
Enquanto isso, Mike Huckabee, o eterno terceiro lugar, mas que por ter vencido em Iowa surrupia alguns delegados, disputava pela proporção do tempo reservado aos dois principais pré-candidatos. Ron Paul mal teve deixas, e o que diz não é levado a sério pela maioria de seus companheiros partidários ou dos eleitores republicanos.
O que é uma pena, considerando que ele é o único que tem coragem de dizer que a guerra foi em vão, atacando-a tanto pelo sangue jorrado em vão quanto pela desastrosa política externa da administração de Bush, e ainda comprovando que os gastos exuberantes dessa guerra sem nenhuma vasão diplomática levaram o país à falência. É o único que não culpa os últimos míseros dois anos do congresso democrata pela iminente recessão, que não existe para pessoas como Romney, McCain ou Huckabee, mas que existe para as classes média e baixa. Sabe que o governo duplo de Bush, especialmente a insitência pela guerra, são os maiores responsáveis da falência econômica e da inabilidade de ter solucionado efetivamente a situação de milhares de pessoas em Louisiana e New Orleans à época do furacão Katrina.
McCain acusou Romney de constantemente mudar suas posições adaptando-as a interesses políticos. A principal acusação foi compará-lo a um democrata quando supostamente admitiu o estabelecimento de datas específicas para o recúo do exército estadunidense do Iraque. No entanto, Romney jamais teve essa posição, apesar de ter sido mais ameno ou até indefinido quando era governador do estado de Massachussets. Jamais disse que favoreceria o estabelecimento de datas ao recúo das tropas. Ron Paul, quando questionado, disse que a discussão era “boba”, “quem disse o que e quando não importa, deveríamos estar discutindo política externa, e por que os Estados Unidos deve ser a polícia do mundo?”
Romney acusou McCain, que trafega com seu ônibus denominado (algo como) “Expresso da Sinceridade”, de não ser nada sincero. McCain disse que o país precisa de líderes, não de gerentes. Romney disse que chamar um governador de gerente era desrespeitoso. Politicamente, a posição de McCain em relação ao Iraque ganha parte da base republicana mais interessada na guerra. Romney vence os mais interessados em uma política econômica conservadora, logo Huckabee, que ainda concorre e realmente tem chances de causar algum estrondo, rouba eleitores da base de Romney por ser mais conservador em relação a cargas tributárias, concordando com Ron Paul que o IRS, ou o departamento federal do fisco, deve ser desmontado e um novo sistema instalado para outorgar ao povo maior poder sobre a própria renda.
McCain foi um dos únicos republicanos contrários aos cortes de impostos propostos por Bush no vapor de seus mandatos. Disse que jamais o país cortara impostos em época de guerra. No entanto, sua proposta para apazigüar os mais conservadores é cortar impostos assim que entrar na Casa Branca.
McCain também será daqui em diante conhecido como o candidato que admitiu que o exército dos Estados Unidos pode ficar no Iraque “por cem anos, o quanto necessário para sairmos vitoriosos”. Todos os candidatos, menos Paul, dizem que a situação no Iraque tem melhorado.
Para o bloguista que vos reporta, não sei quais noticiários eles têm visto e lido para assim concluir.
Endossaram: Arnold Schwarznegger e Rudy Giuliani a John McCain.
Não concorre: Rudy Giualini.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
CNN,
John McCain,
Mike Huckabee,
Mitt Romney,
Ron Paul,
Ronald Reagan presidential library,
Roy Frenkiel
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