Showing posts with label General de Gaulle. Show all posts
Showing posts with label General de Gaulle. Show all posts

Friday, January 30, 2009

“O Brasil é o país do futuro. (E sempre será)”

(Frase do escritor Stephen Zweig) - Publicado no BR TV Online (http://www.brtvonline.com/)

Os tempos mudam, sempre, renovando-se e repetindo-se, é verdade, mas também avançando. Não só a tecnologia nos refaz humanos, menos animais do que nossos antepassados, mas principalmente as novas descobertas, os novos estudos, a evolução do pensamento. Tampouco mudam radicalmente. É sempre paulatina, mas real e imediata, a transformação e transmutação de nossa espécie.

Por um lado, Zweig estava certo. O futuro que o Brasil tem e o que quer representar é tão vagaroso que, às vezes, passa desapercebido. A seriedade do povo brasileiro não transparece a todos os olhares, e para quem vem de fora, há algo de selvagem no comportamento tupiniquim. Só que, como em tudo, os maiores defeitos encarceram-se nos olhos de quem enxerga, e não na visão em si.

Vivendo um mês em Belo Horizonte, descobri que a genialidade brasileira é ímpar, tanto quanto a necessidade das galhofas, da vida social e da cerveja de botequim. Os maiores poetas eram e ainda são boemios, mas não só falo de poetas, escritores, intelectuais ou, pios, pseudo-intelectuais mascarados por trás de seus anos acadêmicos. O que vi nesse mês me demonstra o quanto podem, como povo, como raça, como nação, revirar as disparidades sociais e mazelas mentais que o Brasil, como muitos países mundo afora, ainda carrega em fardo às costas.

O homenageado há duas semanas, Dr. Frenkiel, tem uma frase que acredito mais do que apropriada para expressar o que quero: “Quando dão de comer a um brasileiro, ninguém segura.” Acrescento, “quando dão o que ler também”, e quando escrevo “o que ler”, refiro-me não só à Bíblia, mas livros literários, ficção científica e didáticos, especialmente.

Por quatro semanas, a cada uma delas conhecia alguém que se formara ou se formava. O porteiro do prédio do psiquiatra que se formara em agronomia. A clínica geral que se formara no interior de Minas Gerais. A senhora que estudou metalurgia, e acabou desenvolvendo métodos de redução do rejeito em energia nuclear em 95 por cento. O senhor que fez-se advogado. O editor de jornalões que sabe mais sobre o holocausto do que eu ou qualquer um de meus parentes judeus, sendo ele tudo, menos judeu. A maestra pianista, reconhecida nacionalmente. A repórter que virou editora geral em alguns poucos anos. O pequeno gênio que sabe muito tanto de informática quanto de música e mal chegou à puberdade. O quase cirurgião, amante de Sylvester Stalone. Nenhuma dessas formações pode ser ajeitada. Ou você aprende, ou não é, e acabou.



Não faltou genialidade. Não me pareceu que o Brasil precisasse de nós, imigrantes formados em terras estrangeiras, para tocar o próprio país adiante. Claro que também observei corrupção e violência, desigualdade e burocracias desnecessárias, mas o movimento do Brasil é, mais do que nunca, para frente. E o Brasil tem uma vantagem única: Mete-se em tudo, é temperado por tudo, fala sobre tudo, é a terra, de fato, de todos os santos e demônios, de todas as santas e putas, de todos os curandeiros e feiticeiros, reais ou imaginários. Pegam o jazz e fazem a bossa-nova. Fazem caipirinha da vodka e limonada.

Confesso estar encantado, mas a partir destas últimas férias, aposto no Brasil. Se eu fosse você, apostaria também. Chega de “sempre será”.

RF

ERRATA:

C. de Mendonça:

"A frase do Stephen Zweig é somente "o Brasil é o país do futuro". A frase "O Brasil é o país do futuro, e sempre será", foi popularizada pelo arrogante de Gaulle quand o Brasil se negou a formar com a França um terceiro bloco durante a guerra fria, mas tem origem bem anterior, na década de vinte.

A frase original popularizada por Stephan Zweig surgiu como uma variante do bordão ufanista "Brasil, gigante adormecido": este gigante acordaria no futuro, quando então seu potencial seria realizado.

A origem está contida no próprio Hino Nacional ("Gigante [...] deitado [...] em berço esplêndido"). Durante a década de vinte, quando a letra do Hino Nacional foi comprada por Epitácio Pessoa, os brasileiros que eram contra a letra salientaram que a letra diz na verdade "Gigante [...] deitado ETERNAMENTE em berço esplêndido". Nas ruas o povo comentava que o "Brasil é um gigante adormecido - e sempre será". Os diplomatas norte-americanos, sem entender a autocrítica típica dos brasileiros, quando informados do porque de tanta discussão contra a letra do hino, trouxeram algo que era privativo da discussão interna nacional para o ambiente diplomático. Desde então tem havido nos meios diplomáticos este dizer de mau gosto afirmando que "o Brazil é o país do futuro - e sempre será". Fiz esta pesquisa em 1999, quando o preconceituoso Geoffrey Colvin afirmou "'Brazil is the country of the future and always will be'--that line is at least 80 years old, which just shows how true it is." (link). Desde então estou esperando a oportunidade de jogar isso na cara dele."