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Wednesday, July 30, 2008

Pesquisas Perfidiosas

Quando da época das preliminares antecedendo New Hampshire, Barack Obama via-se com uma boa vantagem nas pesquisas, e Hillary Clinton sabia disso.

Na noite anterior, enquanto respondia perguntas de uma platéia reunida para a assembléia de sua campanha, uma senhora se levantou e perguntou, em poucas palavras: “Como você aguenta o ritmo dessa campanha?” Clinton chorou e se emocionou, mostrando seu lado “humano” (se por humano queremos dizer artístico, é claro) e, supostamente, cancelando o resultado das pesquisas e levando o estado de New Hampshire.

Foi a única vez nas primárias que as pesquisas de praticamente todos os institutos sairam-se completamente erradas. A vantagem diminuída ou a desvantagem cortada são esperados produtos equiparados às respostas colecionadas pelos condutores das estatísticas, mas quando uma vantagem de aproximadamente 5 pontos percentuais torna-se em uma desvantagem de quase 9, algo deu errado na equação.

Por isso, Chuck Todd, analista da MSNBC, pede aos seus âncoras não divulgarem as pesquisas diariamente, mas sim, se possível, apenas uma vez por semana. É óbvio que esse pedido passa inatendido. Mesmo assim, Todd explica que, especialmente esse ano, não se pode confiar no que os institutos proclamam porque a ciência pende ao inexato.

Quando Clinton venceu em New Hampshire, todos se surpreenderam, inclusive o blogueiro que vos relata. Como ainda começava a temporada eleitoral, e apenas aprendi e ainda aprendo à medida das ocorrências, não me aprofundei sobre a discussão que tomou conta da mídia. A revista Times argumentou que a mudança ocorre no eleitor, que já não mais se limita ao que diz nas pesquisas pela grande acessibilidade a informações, por exemplo.

A maioria das pesquisas às vésperas das preliminares conferiu os resultados esperados. Porém, analisando o movimento geral de todos os quadros, percebemos que quanto mais sulista o estado, menos precisas foram as pesquisas. Podemos também concluir, ou ao menos levantar a hipótese, de que o racismo enrustido tenha algo a ver com isso. Ou, talvez, justificamos a perfídia por motivos mais simples. Clinton venceu em New Hampshire, neste caso, porque atraiu a camada feminina entre os indecisos, também caracterizados nas pesquisas, de última hora.

Algo que notei expressadamente em Todd, é que o analista favorece Obama. No passado final de semana, como retratado na postagem anterior, o senador pelo Illinois finalmente mostrou-se 9 pontos acima de seu adversário John McCain segundo o Instituto Gallup. Os condutores realizaram suas pesquisas na Quinta, Sexta e Sábado passados. Para o USA Today, jornal impresso nacional mais popular dos Estados Unidos, um grupo diferente pesquisou a preferência de eleitores registrados, e outro grupo, a preferência de eleitores prováveis.

O resultado da segunda pesquisa incomodou Todd, o que ficou claro com seu conselho: “Não prestem atenção nas pesquisas entre eleitores prováveis!” Afinal, enquanto o Gallup postou em seu sítio uma vitória de Barack Obama de 49-40%, eleitores prováveis, segundo o mesmo Gallup em trabalho separado para o USA Today, preferem John McCain por 47-44% sobre Barack Obama.

Já, entre eleitores registrados, Obama ainda vence, mas por menor margem, 47-43%, diminuindo a diferença entre a pesquisa geral do Gallup e a pesquisa entre eleitores prováveis para o USA Today (12 pontos) para apenas 5 pontos.

Talvez Todd tenha razão em sua análise, mas o mais importante é lembrar que as pesquisas são conduzidas cada vez que a mídia veicula determinadas notícias de impacto. Quanto maior repercussão, mais chance essas notícias têm de influenciar o eleitorado. Porém, justamente pela maior concorrência e acesso popular a diferentes versões midiáticas, muito lixo circula fácil pelas redes sociais. E esse lixo, como em organismos vivos, também influencia a população, quase que diariamente. Logo, pesquisar hoje o que será minha opinião sobre Obama amanhã me parece um tanto quanto surreal. Divertido? Claro, mas talvez nem tão coerente.

Isso me lembra as eleições forjadas de Ehud Barack contra Biniamin Netaniahu quando vivi em Israel. Às vésperas das eleições, a âncora duramente questionou o ex Primeiro Ministro de Israel sobre seu iludido otimismo, visto que todas as pesquisas indicavam uma vantagem massiva a Netaniahu. Foi tão dura, que repetiu um clipe humorístico editado por sua equipe demonstrando quantas vezes Barack dissera, ao longo dos meses de sua campanha, que sabia que os eleitores estavam com ele, no fundo. Além disso, o interrompeu para anunciar o próximo capítulo de uma série transmitida no mesmo canal. Barack insistia: “A única pesquisa que me interessa é a que ocorrerá amanhã, nas urnas.” Pelo menos nessa frase, concordei com ele.

No dia seguinte, Netaniahu venceu as eleições. A âncora se desculpou pela suposta “grosseria” da noite anterior, e logo depois sumiu do mapa (tanto que não consigo encontrar nenhuma matéria que fale sobre isso na rede imediata).

Apenas as pesquisas do dia 4 de Novembro, as eleições, determinarão quem será o próximo presidente. Em um arco geral, no entanto, desconsiderar o Gallup e todos os competentes institutos que conduzem as pesquisas populares mesmo em Julho, me parece um tanto quanto radical. Sigamos Aristóteles, pois, e caminhemos pelo meio.
RF

Monday, July 28, 2008

E Obama sobe...



Abrindo a semana, apenas alerto à mudança do quadro acima, indicando que, de acordo com o instituto Gallup baseado em pesquisas conduzidas durante o fnal de semana (Quinta, Sexta e Sabado), Barack Obama finalmente abriu boa vantagem sobre John McCain, 49-40%.

Boa semana a todos!

RF

Thursday, July 17, 2008

Pesquisas da Semana



Essa semana passa quase em branco, pois além de estudar, meu “cabo” anda defeituoso, e a companhia pior ainda, o que prejudica minha capacidade de me informar e postar em casa (a Internet também é a “cabo”). Para piorar, o pessoal do The Miami Herald misteriosamente parou de entregar o jornal em casa desde Domingo, algo que já havia ocorrido duas vezes, e a terceira é para dar sorte, claro.

Então, ao menos apresentarei as estatísticas semanais. Entre elas, a que mais tenta o círculo de jornalistas políticos é a pesquisa do Gallup dizendo que apenas 43% dos brancos acreditam que o relacionamento entre negros e brancos é estável. 60% dos negros e 67% dos hispanos dizem a mesma coisa. Se você não entendeu o enigma, releia até a ficha cair e comente.

Pela Flórida, estado importante para mim, pois nele vivo, o Pollster.com que declarou uma boa vantagem a Obama há menos de um mês, agora mostra a vitória de McCain pela margem de erro: 45.2-43.3% de Obama.

Nacionalmente, a seguir, os mais importantes institutos e seus resultados:

Gallup: Barack Obama 47-44% de John McCain.

Pollster.com: Barack Obama 46.7-43.4% de John McCain.
Incluindo Ralph Nader e Bob Barr, candidatos independentes: Barack Obama 47.4%; John McCain 38.3%; Bob Barr 2.6%; Ralph Nader 4.2%.

Rasmussen: Barack Obama 44-42% de John McCain.

Poll of Polls (transmitido via CNN) no dia 15 de Julho: Barack Obama 47-42% de John McCain.

Até a next,

RF

Thursday, June 26, 2008

Pesquisas, Coréia do Norte e Irã

De acordo com as últimas pesquisas encaminhadas ao Instituto Gallup, Barack Obama e John McCain encontram-se empatados em 45% nacionalmente.

Outras pesquisas:

Pollster.com: Barack Obama – 48%
John McCain – 41.5%

Rasmussen: Barack Obama – 46%
John McCain – 41%



Universidade de Quinnipiac:
Obama vence a McCain nos seguintes estados vermelhos ou instáveis:

- Colorado: 49-44%
- Michigan: 48-42%
- Minnesota: 54-37%
- Wisconsin: 59-37%


Vale lembrar que ainda é cedo para determinar o verdadeiro humor da nação, mas pela primeira vez em duas semanas o Gallup mostra Obama empatado com McCain.


Opinião

George W. Bush declarou à nação, nesta manhã de Quinta-Feira, que graças a esforços diplomáticos bem sucedidos, a Coréia do Norte finalmente abrirá as portas de suas usinas nucleares e mostrará o desenvolvimento de seus projetos nucleares.

Bush mudou sua posição em relação à Coréia após incluí-la, no início de seu mandato, ao que chamava de Eixo do Mal, entre Iraque, Irã e Coréia do Norte. Agora, pretende retirar o nome do país comunista de sua infame lista, bastando revisar alguns poucos detalhes.

Uma das discussões mais intensas entre Obama e McCain, atualmente, é o posicionamento do democrata em relação à diplomacia pretendida para lidar com os inimigos dos Estados Unidos. O senador republicano pelo Arizona parece ainda mais rigoroso do que Bush quando diz que se negará a negociar com o Irã sem condições prévias.

O atual presidente, com a ajuda de seus emissários e o pesado martelo da China, retratou tal política e atingiu seu objetivo com a Coréia do Norte. Irã, contudo, continua no mesmo Eixo fantástico da liga de Bush.

Esse caminho escolhido pela administração atual advém da impopularidade do presidente, o maior índice desde o nascimento do Gallup, e pela série de comprovações escandalosas de que seu governo tenha agido contra a constituição e a lei em múltiplas ocasiões. Provou-se verdadeira a famigerada “liga-da-justiça”, por exemplo, liderada por Alberto Gonzales e uma série de outros juízes contratados por motivos estritamente políticos, investigada há aproximadamente dois anos por demissões suspeitosas e rejeições de candidatos "democratas" ou "neutros" aos cargos. O comitê nomeado à investigação do 11 de Setembro também concluiu que Bush guiou o exército e a nação a uma guerra por falsos motivos e falsa inteligência. Para piorar, Scott Mcclellan, ex assessor de imprensa da Casa Branca, publicou um livro revelando que foi propositalmente usado para vender a guerra à nação.

Ainda assim, o Irã permanece fechado para os Estados Unidos, e a diplomacia descartada não contribui à sua abertura. A diferença entre a Coréia do Norte e o pequeno país médio-oriental é clara: A Coréia do Norte sofre pressão da China, enquanto nenhum outro país no Oriente Médio realmente influencia as decisões do Primeiro Ministro iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Porém, francamente, se o exército dos Estados Unidos sofre com o Iraque, imaginem o quanto sofreria com a Coréia do Norte caso a diplomacia fosse totalmente rejeitada. O mesmo pode dizer-se do Irã, já que as tropas estão intensamente comprometidas no Iraque e Afeganistão. Se estivermos mesmo certos, e as intenções da administração atual sejam estritamente petrolíferas, o Irã não foi atacado antes por não ser tão importante nesse sentido.

O motivo da teimosia de Bush e da fúria de John McCain (que já brincou rimando “bomb-bomb-bomb, bomb-bomb Iran” com ritmo de rock n’ roll) contra a abertura de negociações diplomáticas com o Irã, me parece, é favorecer o estado de Israel e todos que apoiariam McCain sobre Obama nessas eleições, além da inevitável propagação de medo entre estadunidenses.

É fatídico, porém, que Bush finalmente começou a jogar bola com a opinião pública. Enquanto David Kucinich, ex candidato à nomeação presidencial democrata, já demandou através do senado o impeachment de Bush, e os escândalos abafados pelo congresso e senado republicanos finalmente jorram à tona, conservadores perderam em base, em caráter, e em intensidade.

Hoje por hoje, soam cada vez mais distantes da Casa Branca. Talvez Obama não seja o melhor candidato, e ainda seja político, mas nestas eleições temos alguém a não eleger. Esse alguém é John McCain.

RF

Tuesday, June 24, 2008

Curtas, enquanto ainda há tempo


Etanol, o Próximo Porteiro e o Brasil

Não sou perito nesse assunto, portanto, não fingirei saber esclarece-lo melhor do que outros capacitados, incluindo meus leitores e leitoras. O etanol, no entanto, faz parte de uma das polêmicas centrais, essenciais à escolha do Próximo Porteiro. Caso haja quem saiba, declare-se que ouviremos todos.

Nos Estados Unidos o etanol é majoritariamente produzido por fazendeiros que se encontram em alguns pontos específicos do país, especialmente no estado de Iowa. É extraído do milho, mas de acordo com uma matéria do The Miami Herald dessa passada Segunda-Feira, o etanol brasileiro, extraído da cana-de-açúcar, pode produzir até oito vezes mais energia do que o produzido na América do Norte.

John McCain propõe a expansão do mercado em acordos com o Brasil para abrir as portas estadunidenses ao combustível produzido na terra tropical.

Barack Obama propõe aumentar as tarifas à importação do combustível brasileiro, e estimular a produção interna do ethanol.

O The New York Times sugere que Obama tenha contatos e ligações com os fazendeiros locais, o que o torna parcial a favorecê-los. Também menciona algumas das desvantagens mais importantes em barrar a importação do Brasil e estimular a produção interna do etanol. A crise alimentícia com a escassez de milho e de seus derivados torna-se ainda mais complicada, a falta aumenta, fazendeiros enriquecem, mas a fome finalmente surge na boca do povo, ou assim pinta a imagem o pintor conforme desejar. Pela eficiência da produção do ethanol extraído da cana-de-açúcar comparado à ineficiência do produzido nos Estados Unidos, surge mais um argumento favorecendo a expansão do mercado.

Mesmo assim, procurando a independência de importações e demandas internacionais, ambos candidatos precisarão focar-se nesse tema, crucial ao próximo mandato, ou ignorá-lo, como fez George Bush. Nem todos contrários ao aumento da produção interna do etanol favorecem a John McCain. Muitos dizem que o ethanol não é o caminho, simplesmente. O aumento de usinas nucleares e a industrialização de carros que suportem mais litros por quilômetro também estão em pauta, e o mesmo pode se dizer da opção de se escavar nas costas do país por petróleo em alto mar, tendo menor potencial e mais risco do que outras alternativas.

Entrevistado pelo Morning Joe, o colunista Tom Friedman diz que é necessário desestimular a população a comprar e usar a gasolina, ao mesmo tempo que faz-se necessário castrar os lucros das companhias petrolíferas. Todos concordam, no entanto, que a geração de energia independente é um dos maiores desafios do país, e cairá nas mãos do Próximo Porteiro, em todo seu limitado poder.


South Florida e a População Hispana

De acordo com o instituto Zogby de pesquisas, Barack Obama lidera no Sul da Flórida por 16 pontos percentuais, com uma margem suficiente de indecisos para virar o resultado com a aproximação das eleições.

A notícia, porém, é excelente para Obama, que conquista cada vez mais a população hispana, base que mais favorecia a senadora por New York, Hillary Clinton, e que agora passa a aderir, lentamente, ao campo do nomeado candidato democrata.


Gallup

O entusiasmo dos eleitores decaiu depois das primárias, mas estamos antes das Convenções e a escolha dos vice-presidentes de cada partido, muito tempo para declarar que os resultados signifiquem mais do que o desinteresse natural que as pessoas têm pelo mundo, quando preocupam-se com as próprias vidas. A ficha ainda deve cair, e perceberão novamente que “suas vidas” ao mundo pertencem.

No entanto, Barack Obama segue estável liderando por 4 pontos percentuais (46-42%) com uma margem de erro de três pontos percentuais.


Cheap Shots

Porrada neles e nelas! Os rumores e as falsidades sempre corrompem a política. Mas, pensando bem, se fosse aqui reportar todas as asneiras da grande e pequena mídia nos irrelevantes detalhes que vendem estas eleições, não falaria nunca, talvez conforme o desejado e esperado por nossos governantes, do que realmente importa.

Bola pra frente, rapêizi!

RF

Friday, June 20, 2008

Resumo Semanal e Bola pra Frente

A partir da semana que vem, esse bloguista que compartilha aprendizados políticos e culturais das terras do Grande Império, fará o que muitos habitantes desse Grande Império fazem no segundo termo do verão, em Julho: Iniciarei o mais frenético e curto período escolar do ano, esperançosamente meu último até que comece a estudar pelo bacharelado. Meus dias serão excepcionalmente preenchidos por ensinamentos – para mim, muito difíceis – de matemática e biologia, logo sei que terei menos tempo para postar, e menos tempo para analisar.

Mesmo assim comprometo-me a, pelo menos, fazer o resumo semanal às Sextas-Feiras ou finais de semana, compensando em tamanho e qualidade, se for o caso, a falta de outros textos. A seguir, o resumo:


Tim Russert


Caricatura de Bruno Venancio

Na passada Sexta-Feira 13 a nação perdeu um de seus grandes mitos jornalísticos. Tim Russert, 58, teve o funeral conduzido a partir da Terça-Feira, que contou com a presença do presidente George W. Bush, secretários e ministros, governadores, senadores e representantes do congresso, dezenas de personalidades públicas que preencheriam uma eternidade de mesas-redondas como a do Meet the Press, a qual Russert moderava aos Domingos.

Na Quarta-Feira, 17 de seus mais próximos amigos, como a freira Lucille, que o conhecia desde sua infância como estudante no colégio irlandês-católico na cidade de Buffalo, NY, falaram da vida do moderador e editor executivo das redes NBC. Entre esses estavam Maria Shriver, ex colega de Russert na NBC, Tom Brokaw, Brian Williams (escolhido como substituto temporário de Russert no Meet the Press), a historiadora politica Doris Kearns Goodwin, também amigo e colega Mike Barnicle e o ex governador de NY Mario Cuomo. O Memorial terminou com a forte presença de Luke Russert, 22 anos, filho único do homenageado.

No serviço, realizado em Washington, na Igreja da Santa Trindade, os candidatos presidenciais Barack Obama e John McCain sentaram-se lado a lado, a pedido da família. À saída, um arco-íris, e logo uma pequena enchurrada de água, tomaram conta do cenário. Russert deixa o filho Luke e a esposa Maureen Orth, jornalista para a revista Vanity Fair.


"Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. O que o senhor faz?" Lord John Maynard Keynes, ou, Meio ponto a Barack Obama


Obama mudou sua posição ontem, novamente, e desta vez faz um jogo político que, segundo analistas, pode ser vantajoso, mas poderia ter sido abordado diferentemente.

Quando em Novembro de 2007 foi questionado sobre sua posição a respeito do financiamento público das campanhas presidenciais, disse que concordaria lutar por uma reforma no financiamento estimado em 80-85 milhões de dólares caso seu adversário assim desejasse.

O senador pelo Illinois lançou um vídeo no sítio de sua campanha acusando republicanos de destorcerem o sistema do financiamento público a tamanho nível que renega recorrer ao mesmo. Em um e-mail enviado a membros do sítio de Obama, David Plouffe, diretor de sua campanha, diz que os republicanos “têm o dinheiro 527 ” (excessão à regra, introduzida há alguns anos, como método de incorporação de outras verbas para o auxílio nas campanhas presidenciais) e “manipularão o sistema de financiamento público” para arrecadar mais verbas do que o rival. Diz que, apenas em Abril, os republicanos conseguiram levantar 45 milhões de dólares, e que podem tranquilamente ultrapassar os fundos do rival democrata.

Segundo analistas políticos e bloguistas de ambos lados, Obama tem mais a ganhar do que a perder por sua reserva suficientemente avantajada.

Só não vence o ponto completo, porque poderia ter abordado o tema de modo distinto. O fato é que a campanha do democrata é financiada por milhões de indivíduos doando em seu sítio eletrônico, algo que a campanha de McCain não oferece aos seus eleitores.

Indivíduos doando menos de 100 dólares cada trouxeram ao senador democrata uma das maiores margens historicamente conhecidas na arrecadação de verbas populares. Se, ao invés de chorar pela manipulação do partido Republicano - algo discutível visto que, de acordo com as informações públicas, o campo democrata tem colecionado uma vantagem proporcional de 4-1 sobre o candidato republicano - tivesse apenas declarado que mudou sua posição para vencer os republicanos em Novembro e ponto final, sofreria menos na boca de seus críticos.


Gallup mostra liderança de Obama estável (Mais um ponto para Obama)
O instituto Quinnipiac mostra que Obama lidera na Flórida, Ohio e Pennsylvania

Nem todos as pesquisas concordam, mas nenhuma desmente o potencial de Barack Obama para as próximas eleições mesmo em estados delicados e discutidos como a Flórida, o duvidado estado da Pennsylvania (pela população de colarinho branco) e o instável Ohio.

Gallup iniciou a semana com um empate técnico entre Obama e McCain, 44-42% para o candidato democrata, mas a margem voltou a favorecer o último, passando a uma vantagem de 4 pontos (46-42%) e logo à última computada na Quarta-Feira 18, 47-42%.

Para o Quinnipiac, Obama lidera na Flórida por 47-43%, em Ohio por 48-42% e em Pennsylvania mantém uma vantagem considerável de 52-40% sobre o senador pelo Arizona.

Para o sítio Pollster.com, John McCain lidera na Flórida por 45.1-42.8%, ainda dentro da margem de erro.


Resultado semanal no quadro político, incluindo os resultados das pesquisas acima, e as polêmicas apresentadas e discutidas nos textos desta semana:

John McCain 3 x 2 ½ Barack Obama

Tuesday, April 22, 2008

Conforme for Pennsylvania, assim segue a nação


Hoje sim, voltamos às primárias, e chego ao meu escritório do “trabalho que liberta”* ainda mais cedo, com a cuca fresca, para falar antes de mais nada sobre a importância de Pennsylvania na escolha do próximo porteiro.

Já abrindo a primeira página do The New York Times vemos no que a mídia escolhe focar-se antes da abertura das urnas, que se deu às 7AM horário de New York, fechando às 8PM. A idade, segundo a matéria, é fator importante pela segregação criada entre eleitores jovens (geralmente votando por Barack Obama, 46 anos) e eleitores mais maduros (que tendem a eleger Hillary Clinton, 60 anos).

Porém, além da idade e da análise demográfica dos eleitores do estado, a atitude de ambas campanhas e suas promessas futuristas liberais, isso sem contar nas regras diretas do jogo, são o que mais e melhor contam.


A Atitude


“If you can’t stand the heat, get out of the kitchen.” (Harry S. Truman).

Truman dizia: “Se você não aguenta o calor, sáia da cozinha!”

Barack Obama passou a maior parte das últimas duas a três semanas defendendo-se dos ataques de Hillary Clinton em questões indiretas à política de ambos candidatos. Nesse caso, pelo desastroso empenho da campanha de Clinton, que não conseguiu vender a imagem da candidata como gostaria e selar a nomeação depois da “Super-Tuesday” de 4 de Março, a ex-primeira-dama sabe que precisa danificar a imagem do senador de Illinois para receber a simpatia dos ainda incalculáveis super-delegados.

Só esperamos o Super-Homem para salvar o planeta Terra das garras do mal. A corrida realmente tornou-se cada vez mais super.

Como Obama vem declarando em seus últimos discursos e aparições públicas, o povo americano está cansado de testemunhar a atitude de candidatos “jogando pilhas de pratos da pia da cozinha” um n’outro/a. Mas a resposta de Clinton foi a frase de Truman: “Cái fora, Obama, você é muito delicado para uma verdadeira campanha.”

Os escândalos (nada escandalosos) de Obama com o Rev. Wright, seus comentários indelicados sobre a gravidez e sua análise da amargura de trabalhadores da classe média obreira estadunidense serviram de isca para que Clinton mirasse e acertasse alguns socos. Em dez dias, o instituto da Gallup revela que Obama tem parcialmente decaído na opinião pública nacional. Mesmo assim, amanheceu vencendo por 7% (49-42%) da senadora de New York, enquanto ontem vencia por 2%, e há oito dias vencia por 11%.

Portanto, já se sabe que a tática não funcionou conforme o esperado, mesmo Clinton capitalizando nos erros de seu rival. Tentou lucrar com o pior desempenho de Barack Obama em todos os debates, pela NBC na semana passada, mas nem isso foi substancial.

Atacado por questões mais pessoais, Obama não conseguiu se expressar confortavelmente. Seu maior fantasma, ao menos nos olhos de quem vos relata, foi dizer que não aceita dinheiro de executivos do petróleo, algo ilegal para todos os candidatos, algo que nenhum candidato poderia, nem se quisesse, aceitar. Esse sim foi um lapso severo, e somado aos outros, retirou-lhe um pouco do terreno. Por esse lapso, viu-se obrigado a “perdoar” os lapsos severos de Hillary Clinton como seu relato fantástico sobre a Bósnia.

Mesmo assim, Obama ainda leva a vantagem.


Política das Promessas


A economia e a saúde dos Estados Unidos requerem uma filosofia diferente, segundo a maioria da população. A guerra no Iraque também, mas sobre ela poderiamos escrever livros completos antes de sequer simplificar em jargões a verdadeira responsabilidade de nossos governantes.

Tanto Barack Obama quanto Hillary Clinton providenciam e relatam como salvariam os Estados Unidos da miséria. Ambos são a favor do corte de impostos proporcional, estímulos governamentais, e universalizar a saúde do país.

Ao fim de cada dia, eleitores e eleitoras escolhem mais pela aparência e pela moral dos candidatos do que por sua política. É realista dizer que o movimento Republicano está mais fraco do que nunca. É também até sensato dizer que pouco pode acontecer para que a Casa Branca seja administrada por John McCain, ainda mais pelo último resultado da própria Gallup sobre a popularidade de George W. Bush, de apenas 28% de satisfação publica contra 69% de pessoas ditas insatisfeitas com sua presidência. Esse é, simplesmente, o número mais baixo já gravado por uma pesquisa da Gallup nesse quesito.

As promessas futuristas em toda sua glória resumem-se à experiência de Clinton e sua capacidade de lutar, contra a inexperiência eloquente de Obama, que realmente tem se mostrado inadepto em lidar com os ataques mais pessoais, o que pode ser bem ou mal visto, mas que tem perigos iminentes em uma eleição geral que se aproxima rapidamente.


As Regras do Jogo


Obama vence em número de delegados, e uma consistente quantidade de super-delegados desistiu de apoiar Clinton em seu nome. O senador há apenas 3 anos também vence em número de votos contados, o voto popular.

Nesse sistema de repartição dos delegados oficias de cada estado, Obama venceria proporcionalmente menos delegados do que Clinton, mas não deixa de recebê-los tendo a mínima porcentagem dos votos (15%). Ou seja, caso a senadora vença por apenas 5 pontos, algo plausível mesmo com a pequena queda da popularidade de Obama, ainda não conseguirá passar seu rival em delegados, e seria complicada sua vitória no voto popular. Teria de surrupiar as urnas, em grande verdade, vencer por mais de 10 pontos, e somente assim conseguiria dar a volta.

Atualmente, em Pennsylvania, o mesmo Obama que perdia por 20 ou mais pontos há poucos meses, hoje apenas perde por uma variedade de 5-6%. O veredito tornar-se-á público depois das 8PM horário de New York.

Mesmo perdendo, contudo, Clinton deve permanecer na corrida. As primárias e “caucuses” voltam ao ritmo mais frenético, antecipando a decisão final. Enquanto isso, do outro lado da rua, John McCain trafega solitário.

RF

* Mensagem escrita em uma plaquinha dependurada nos campos de trabalho forçado da Alemanha Nazista como fonte inspiracional aos judeus escravos.

Monday, March 24, 2008

Curta-Metragem-Cerebral

David Mamet, um dos mais famosos roteiristas norte-americanos renegou seu liberalismo dizendo não mais ser um “liberal de cérebro morto”.

Assim escreve Jonah Goldberg em um artigo de Opinião da manhã de hoje no The Miami Herald. Claramente conservador, Goldberg usa em Mamet o exemplo de como esquerdistas supostamente desvinculam intelecto a qualquer pessoa que decida pelo caminho do conservadorismo.

Pode estar certo, o colunista, como também pode estar certo Mamet em sua decisão. Similar à mesma, ou assim me ocorre, parece ser a de Lula quando disse a Antônio Ermírio: “Se você conhecer uma pessoa muito idosa esquerdista, é porque ele está com problema. Se conhecer uma pessoa muito nova de direita, também está com problema. Então, quando a gente tem 60 anos, Antônio Ermírio, é a idade do ponto de equilíbrio, em que a gente não é nem um nem outro, a gente se transforma no caminho do meio, aquele caminho que precisa ser seguido pela sociedade”, (dito extraído do blog Bahia de Fato).

Mamet disse que se informou antes da decisão. Leu Milton Friedman, Thomas Sowell, Paul Johnson e Shelby Steele, entre outros. O argumento que Goldberg escolhe apresentar pelo roteirista é simples: “Ele percebeu que o governo pode ser incompetente, corporações às vezes miópicas e o exército imperfeito,” mas isso não significa que o governo seja o mal personificado, corporações misógenas e o exército uma espécie de quartel general das maldades. Ambos podem estar certos.

Por ter mudado seu prisma político, já há quem o critique. A isso, o roteirista responde: “Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião. E você, faz o quê?” Novamente, ele pode estar certo, e certamente criticá-lo ou dizer que sua mudança é voltar ao quadrado, à caixa lacrada do pensamento unilateral me parece menos nobre e inteligente do que o necessário para debater um escritor experiente.

A moral dessa “curta” é que Mamet pode estar certo, e Goldberg também, em muitos pontos. O pensamento “liberal” ou “conservador” pouco diz a respeito de indivíduos. Em contraste, as atitudes e filosofias em seus mais minuciosos detalhes são os únicos critérios de verdadeira avaliação individual.

Portanto, de nada adianta Goldberg utilizar-se das conclusões pessoais de Mamet para demonizar o outro lado, como segue em sua coluna: “Clooney (George, o ator) declarou há alguns meses: ‘Sim, eu sou um liberal, e estou cansado de que o termo seja considerado ruim, eu não sei de uma ocasião na história em que liberais estiveram no lado errado de temas sociais.’”

Goldberg apenas refuta o comentário de Clooney como conservadores clamam que liberais fazem, e vice-versa. “Ah, sim, aí vemos um excelente conhecimento histórico à mostra!” Não oferece um contra-argumento, não refuta a lógica do ator, e de fato, questionando-me, não me lembro, ao menos nos Estados Unidos, qual foi a última vez que liberais estiveram no lado oposto de mudanças sociais benéficas, desde o movimento civil ao feminismo, a outros direitos morais e sociais.

Em tempos pré-eleitorais e de retóricas campanhistas, o povo vê-se fadado a perseguir o próprio rabo se não compreender porque decide que X ou Y possa ser melhor do que seu rival quando chegar à Casa Branca. “Liberais” ou “esquerdistas”, “conservadores” ou “direitistas”, não refletem o que o eleitor comum e a eleitora bem-informada pretendem para a própria família, os próprios filhos, o próprio país. Isso vai além da literatura e do sofismo. Isso faz parte da consciência civil, da vida real, dos problemas concretos, do dia-a-dia alucinado que nos permite sair do quadrado, da caixa unilateral que rege a mentalidade de outros ditadores, que nunca são os nossos.

RF

(Breve PS: Barack Obama já se recuperou segundo as pesquisas do instituto Gallup, e lidera Hillary Clinton 48-45%.)