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Wednesday, August 06, 2008

McCain Vence, mas Segue Perdendo



Tá, tá, os estudos deram tregua por enquanto e, vejam só, com mais tempo em mãos acabo escrevendo menos.

Isso sempre se dá quando tenho mais coisas a resolver fora do espectro acadêmico e dentro de minha vida econômica, porque a “sócio” eu não tenho há muito tempo, e só ando esperando minha Lilith para montar a família log’d’uma vez. Ademais, as campanhas tomaram um rumo tempestuoso antes do verdadeiro início, com pouco conteúdo a debater e muita falsidade divulgada, o que tira um pouco o tesão (respeitoso, claro) de escrever grandes textos.

Agora ao que importa:


Agosto, o Mês do Cão


Conforme previsto pela mídia que causou o previsto, John McCain ganhou alguns pontos com as campanhas negativas das últimas duas semanas. Encontrou-se empatado tecnicamente com Barack Obama em algumas pesquisas, incluindo o próprio Gallup, e chegou a levar vantagem de um ponto – empate do mesmo modo – pela primeira vez segundo o instituto Rasmussen.

Hoje, McCain segue trilhando de 47-43% contra Obama, o que demonstra a estabilidade semanal da ferrenha disputa presidencial.

Quando me dei conta, recentemente, de que faltam menos de três meses para as eleições, compreendi que as pesquisas atuais já não estão distantes da vontade generalizada da população eleitora. Agosto, o Mês do Cão, marca o primeiro verdadeiro período de campanhas intensas para os metros finais da longa corrida.

McCain prometeu em algumas ocasiões que não atacaria a integridade de Obama, apenas abordaria os mais importantes temas para o país, mas não foi bem o que ocorreu. Procurando semear dúvidas em eleitores indecisos ou independentes, talvez tenha conseguido apenas apaziguar o alarde criado em torno da viagem do candidato democrata ao Oriente Médio e à Europa.

Entre esses ataques, alguns tiveram conotações menos sensatas do que as outras. Para o senador do Arizona veterano há 26 anos no Senado, culpar o novato de dois anos neste setor do governo pelos preços crescentes da gasolina soa bastante absurdo. Mas não foi esta a pior propaganda.

O campo de McCain fez de tudo para destruir a imagem de Obama fora do país, desmentir sua popularidade comparando-o a Paris Hilton e Britney Spears. Disseram que Obama prefere vencer as eleições do que a guerra, e prometeram que McCain venceria a guerra, segundo o próprio candidato, “vencendo-a”.

Quando o candidato de etnia mista alertou sua base que seria (e continuamente foi) atacado por ser “diferente”, o campo adversário o acusou de usar sua “raça” como pretexto político à imunidade.

De fato, a vantagem massiva que o democrata tinha em todas as pesquisas se abalou, mas muito pouco. O cão do mês serve, afinal, para ambos lados.


Paris Hilton contra McCain e Obama?


Aparentemente a família Hilton não gostou de ter a filha usada para atacar Barack Obama. O que a campanha republicana pretendeu fazer foi ligar a imagem do rival a celebridades que, como mencionado no texto passado, apenas são famosas por serem famosas, sem nenhum conteúdo a oferecer ao público. “Obama é famoso, mas será que ele está pronto para liderar a nação?”

A mãe de Paris, Kathy, resmungou à mídia que odiou o mal gosto do ataque pessoal. Mas o melhor veio depois.

A filhinha Hilton postou um vídeo no sítio FunnyorDie.com (Seja Engraçado ou Morra, em tradução livre) em que diz que o “candidato mais velho do mundo é realmente o mais velho, mas será que ele tem experiência para liderar a nação?”

Argumentou que McCain, com essa propaganda, endossou a candidatura de Hilton à presidência, e que ela podia até não ter a experiência ou a eloquência dos candidatos respectivos, mas é “quente” (gostosa, vafá).

Ainda por cima indicou que, se McCain quer escavações petrolíferas nas costas marítimas do país e Obama quer aumentar os impostos das companhias petrolíferas e investir na criação de fontes alternativas, ela oferecia uma mistura moderada dos dois planos. “Escavar nas costas marítimas limitadamente com rigorosa supervisão ambiental e investir, por enquanto, em fontes alternativa de energia, resolveria a crise energética do país eficientemente,” diz a famigerada loiraça.

Certa ela está, e aparentemente, mais do que qualquer dos candidatos. O The Washington Post publicou um artigo na primeira página do jornal que desmentia a eficiência de ambos planos, o que contribuiu ao argumento inegável de Paris Hilton.

Acho que devo mudar meu voto:

“Loira Gringa à Presidência!”


Bush e o Império


Pela segunda vez em 2008 um livro é publicado procurando comprovar as artimanhas maliciosas de George Bush, Dick Cheney e Donald Rumsfeld na malfadada guerra do Iraque.

Há pouco, Scott McLellan, ex secretário de imprensa da Casa Branca, acusou o presidente de forçar propagandas enganosas ao público para “vender” a guerra, e de amenizar a influência da imprensa da Casa Branca, que permaneceu muda e passiva durante as ocorrências fabricadas à época. Agora, o ganhador do Pulitzer Prize Ron Suskind escreve um livro que revela fontes cristalinas sobre as variadas fraudes cometidas pela administração em 2003, e ainda antes.

Bem como McLellan, Suskind já sofre pelas calúnias oficiais. O escritor traz fontes que providenciaram informações sobre cartas e relatórios forjados por superiores à CIA para comprovar fatos que, supostamente, já eram conhecidos pela inteligência estadunidense, como a ausência de armas nucleares no Iraque, e a desconexão entre o grupo terrorista Al-Qaeda e o governo de Sadam Hussein.

Infelizmente, essas mesmas fontes já desmentiram, em grande parte, o que relataram a Suskind. Se nada ocorrer com o presidente e sua administração como ocorreu com Richard Nixon pelo escândalo de Watergate, direi que a inteligência de Cheney é a maior responsável. O vice-presidente disse que Watergate foi uma falha, não pela espionagem ilegal, pela pressão política e pelo uso de agências federais como o FBI e a CIA para modelar e influenciar o governo e a opinião pública, mas sim por ter sido informado em demasia, assim não podendo estabelecer plausível negação quando foi confrontado pelos investigadores que o levaram ao impeachment.

Por essas e outras, jamais quereremos um republicano de volta à Casa Branca.

RF

Friday, July 11, 2008

Fechando a Semana

Para Barack Obama a semana poderia ter terminado melhor. Uma das maiores controvérsias da administração de George W. Bush são as leis relacionadas à quarta emenda constitucional, que proíbe o governo de acessar informações privadas de seus cidadãos sem mandatos explícitos e completa exposição de todos os detalhes e motivos da busca.

O FISA (Foreign Surveilance Intelligence Act) foi criado em 1978 com o intuito de alargar o poder do governo na contra-inteligência estrangeira, podendo assim grampear telefones e acessar informações privadas, como extratos bancários e outras contas cotidianas, sem a necessidade da burocracia implementada para proteger o indivíduo do poder governamental.

Não acredito na santidade da constituição, mas acredito que a idéia da burocracia advenha da consciência primária, básica, até mesmo primitiva, de que quem no poder está, o poder pode abusar, e quem não tem poder é o abusado, no caso, a população comum.

Desde o 11 de Setembro, Bush elevou o poder do FISA, permitindo o acesso de dados privados de indivíduos considerados “suspeitos”, o que em muitos casos, mais do que se imagina, significou cavar no quintal de pessoas totalmente inocentes e desnexadas à famigerada Guerra contra o Terror. Melhor dizendo, o governo dos Estados Unidos aterrorizou sua população.

Esse terror fez com que muitos inocentados processassem companhias de celulares pela disponibilização de seus dados e contas a agências investigativas federais. Bush e sua base conservadora sabiam que FISA perderia algumas batalhas, mas não poderia perder a guerra antes de seu retiro do cargo.

Permitir processos civis a companhias de celulares, e aumentar a fiscalização burocrática dos agentes federais faria com que o público soubesse de inúmeros casos de investigações e dinheiro público gasto na espionagem de indivíduos inocentes– bem como sabe dos inocentes detidos em Guantánamo Bay graças à vitória do Congresso e Senado democratas de viabilizar maiores recursos legais aos prisioneiros da baía cubana.

Ontem o Senado tinha a chance de domar o poder do FISA e da administração de Bush através de um voto que bloquearia a proibição do processo civil a companhias que cooperassem com agentes federais ao acesso de dados privados. Também exigiria maiores restrições e procedimentos burocráticos tanto para trazer à tona os erros da administração quanto para evitar futuros enganos.

Barack Obama juntou-se à maioria, e os republicanos decaptaram os esforços democratas. Conseguiram garantir a imunidade dos atos inconstitucionais do FISA, e a prosperidade da administração atual. Isso é suficiente para causar grandes desilusões quanto às últimas duvidosas posições de Obama, desde o início das campanhas às eleições gerais.

Senadores como Hillary Clinton, de NY, Joe Biden, de Delaware, Christopher Dodd, de Connecticut, e muitos outros próximos conhedidos das primárias democratas juntaram-se à minoria e perderam. Obama juntou-se à maioria e, para muitos observadores dessa histórica campanha, perdeu também. Afinal, em recente passado prometeu lutar pela quarta emenda constitucional, destruir o inescrupuloso poder do FISA, e construir um governo que estadunidenses possam realmente chamar de “livre”. No fim do dia, o centralizado Obama votou contra suas palavras, e colocou em dúvida, novamente, sua integridade política.


Vitória Democrata

Para a sorte do partido, Ted Kennedy surpreendeu o Senado com sua aparição enquanto votavam contra a implementação de cortes salariais a médicos atendentes do programa chamado Medicare, específico a idosos do país.

Paul Krugman explica o nascimento do conflito em 2003, com a administração atual gastando 17% a mais com o Medicare através do uso de seguradoras intermediárias para cobrir os serviços à populaçãp idosa, ao invés de remunerá-los diretamente. O resumo, contudo, é que com o corte de aproximadamente 10% nos salários de médicos atendentes do Medicare, muitos não continuariam no plano, e a privatização do seguro estadual veria-se ainda mais provável, algo que democratas consideram um engano, já que seguradoras privadas selecionam os mais saudáveis entre os idosos, e negam serviço aos que realmente mais precisam.

Antes de mais nada, o teatro: Ted Kennedy, recentemente diagnosticado de câncer no cérebro, apareceu e clamou que a lei o afetava pessoalmente, já que, como idoso, Kennedy também faz parte da faixa etária beneficiada pelo Medicare. Assim sendo, e aos aplausos de um Senado lotado (todos os senadores estiveram presentes menos John McCain), os democratas conseguiram bloquear o corte planejado pelos republicanos.


Placar final e Gallup

O Gallup fecha com a vitória de Barack Obama por 1% a mais do que a média da semana: 46-43%.

O placar final aqui d’A Escolha do Próximo Porteiro para a semana é:

Barack Obama 4 x 1 John McCain

Thursday, July 10, 2008

Olho no Lance!

Barack Obama 1 x 0 John McCain

Foi nem bola na trave, mas golaço mesmo, com categoria. Talvez as pesquisas ainda não reflitam os acontecimentos dessa semana, porém foi uma “semanassa” para Barack Obama. No primeiro jogo, sua decisão de aceitar a nomeação pelo partido Democrata diante de 75 mil espectadores driblou a zaga da campanha de McCain, tirou o goleiro com corte seco, de futebol de salão, e estancou a bola no fundo da rede como Romário. Gênio da grande área é pouca coisa.


Barack Obama 2 x 0 John McCain

Em uma semana de contradições aparentes, a campanha de Obama precisou esclarecer alguns pontos marcantes para o país a nível social a partir da Terça-Feira, destinada à comunidade latino-americana e ao tema da imigração.

Nesse tema, Obama e McCain tem virtualmente a mesma posição, com a pequena diferença de que o senador pelo Arizona, que lutou para a regulamentação imigratória em 2007, infelizmente escorrida ralo abaixo devido a má formatação de sua proposta, que apoiou a legalização dos indocumentados residentes no país há cinco ou mais anos, agora passa a defender maior segurança nas fronteiras antes de mais nada.

Segundo analistas políticos, McCain faz o caminho inverso. Enquanto suas propostas nas preliminares eram centralizadas (maior apoio a leis ambientais, maior apoio à reforma imigratória e, no passado, contrário aos cortes tributários de George Bush), em sua campanha às eleições gerais o republicano apela mais à sua base e esquiva-se à direita.

Na Terça-Feira, enquanto Obama falava sobre a necessidade de aprender novos idiomas para o próprio desenvolvimento econômico e cultural da nação, a necessidade de manter-se bem informado, bem educado, e de suportar o núcleo familiar, McCain discursava propostas mercantis, econômicas, salientava a guerra no Iraque e Afeganistão, tudo menos direcionar as palavras diretamente a quem ao redor dele se encontrava.

Obama ainda conseguiu cativar sorrisos quando disse aos jovens da população negra que eles provavelmente não jogariam na NBA. “Vocês provavelmente são bem piores do que vocês imaginam, e provavelmente vocês não serão jogadores de basquete profissionais. Provavelmente vocês nem sabem ‘rappear’ tão bem, e talvez algum de vocês será um ‘rapper’ profissional, mas não a maioria. Vocês precisam é estudar.”

O senador por Illinois pediu aos homens da comunidade negra a não abandonar famílias, a prover e providenciar, e a educar suas crianças, entendendo ser esta uma crise social que atinge a população negra em grandes proporções. Isto rende o próximo gol.


Barack Obama 3 x 0 John McCain

Nessa o goleiro do campo de McCain foi desavisado, tipo o cruzeirense contra o artilheiro galo, voltando ao gol e ainda de costas. Foi golaço mesmo assim.

O Pastor Jesse Jackson, controversa figura política, lider e ativista civil pelos direitos da população afro-descendente nos Estados Unidos, foi entrevistado pela Fox News ontem à tarde, e enquanto pensava estar nos comerciais, de microfone desligado, cochichou ao companheiro entrevistado ao seu lado:

“(Barack) fica esnobando a população negra... Quero cortar o saco dele... Barack... Barack fica esnobando a população negra.”

Antes mesmo da Fox News usar o que gravou contra Obama, clamando algo que republicanos têm suado para fazer “grudar” à imagem do democrata, seu elitismo, Jackson pediu desculpas públicas, e foi repudiado por seu próprio filho.

Por fim, o que ocorreu foi a divulgação e propagação de um debate essencial a segmentos negros e brancos do país.

Falar sobre o abandono paterno, algo que estatisticamente afeta mais as classes pobres da população, tornou-se mais importante do que o elitismo de Obama. Representantes republicanos têm sido atacados pela esquerda e pela direita com a pergunta: “Que elitismo é esse? Por que vocês não falam sobre o núcleo familiar das comunidades mais pobres do país? Por que vocês se esquivam do assunto, de modo elitista, e clamam que o elitismo está do lado de quem não ignora os temas das comunidades mais pobres do país?”


Barack Obama 4 x 0 John McCain

Já esse, se os americanos conseguirem o que querem com o “soccer” (futebol), valeria dois pontos. Como repudio essa babaca idéia de atribuir pontos imaginários a um só gol, dou-lhe apenas um golzinho que completa o sorvete de chocolate com a cereja ao topo.

Em uma de suas assembléias abertas dessa semana, McCain conseguiu, através de seus assistentes, encontrar alguém da platéia que potencialmente questionaria suas posições políticas em demasia. Retirou-a do recinto na marra. Quem era essa pessoa e que informações mantinha, não sei por não ter me fixado na notícia.

Ontem, no entanto, em outra assembléia (McCain reúne pessoas em um estádio fechado e responde perguntas abertamente) um veterano levantou excelentes questões em relação ao “recorde perfeito de votos pró-veteranos” que o republicano clama ter. Mencionando apenas alguns de seus votos, comprovou com específicos números e datas que o senador se opôs à extensão de benefícios de seguros de saúde aos veteranos que retornavam do Iraque e do Afeganistão desde 2003 até 2007.

O senador pelo Arizona se irritou, vangloriou-se por receber o apoio de todas as organizações de veteranos existentes, e criticou Jim Webb (senador democrata) por opôr-se a outros votos apoiados por McCain. Por fim, defensivamente disse ao veterano: “Talvez as organizações que me condecoram como o melhor político a favor de suas causas não saibam algo que você sabe.”

Paul Rieckhoff, diretor executivo da organização Veteranos da América no Iraque e no Afeganistão, diz que sua associação não o apóia. Atribui a ele apenas 20% dos votos que verdadeiramente favoreceram veteranos, e 80%, surpreendentemente, a Barack Obama. Além disso, cita outras organizações que não apóaim McCain, apesar de respeitarem seu serviço pessoal no Vietnã.

A semana, pois, foi totalmente parcial a Barack Obama.

RF

Wednesday, July 09, 2008

Dois Lados

Por Um Lado

A estrela está com Barack Obama. Celebridade quase instantânea, o senador democrata por Illinois decidiu na Segunda Feira que não aceitaria a nomeação no edifício destinado à Convenção Democrata em Agosto. Em seu último dia, Obama pretende retirar-se do Pepsi Center e dirigir-se ao Invesco Field em Mile High, onde poderá discursar para mais de 76 mil espectadores.

Isso só é concebível porque Obama encontrou um status que políticos poucas vezes encontram sem culpa por parte da consciência pública. Como o comediante Robert Wool ensina em seu programa universitário, todo político é uma celebridade, e todo presidente a mais popular de seu período. No entanto, poucos foram os presidentes que causavam desmaios na platéia histérica, ou assediados por pedidos inusitados de autógrafos a cada reles aparição pública.

George Bush, por exemplo, foi filmado descendo de seu helicóptero em Washington, guiado pelos seus agentes secretos, guarda nacional e o exército, dando “tchauzinho” a dois pedestres incautos que, por vez, fingiram nem ter visto, assim deixando o presidente no clássico vácuo.

Já Barack Obama emula a imagem de John F. Kennedy, e não tem medo de atrair fanáticos ao seu abraço público, especialmente no contexto destas eleições de 2008. John McCain jamais faria o mesmo, ainda não assegurado aos olhos de alguns dos mais conservadores companheiros partidários, e certamente desprovido do menor status estelar. Aceitará o discurso como tradicionalmente ocorre em sua própria Convenção Republicana em Setembro.

O senador pelo Arizona ainda deve aprender a discursar, lidar com a tela eletrônica contendo os pontos e vírgulas de seus discursos públicos, e ajeitar sua imagem, suas risadas desnexadas e o tom de sua voz. Obama domina o palco como se tivesse sido treinado por William Shaekspeare.


Por Outro Lado

Seguindo o raciocínio do texto passado, parte do posicionamento de Obama parece contraditório ao que o candidato democrata demonstrou quando começou as campanhas preliminares, o que acarreta um avalanche de argumentos intensos contra o candidato, e acaba desafiando a originalidade do senador.

John McCain e seu campo exploram sua aproximação a decisões de indivíduos altamente criticados pelos liberais, como o juíz Antonin Scalia, conservador ferrenho, cuja posição foi recentemente honrada no efeito da legalização do porte de armas, e desafiada quando a Suprema Corte decidiu que a pena de morte de estupradores de crianças era considerada inconstitucional. Obama posicionou-se contrário à última decisão da Suprema Corte, e favorável à primeira. Faz alguma amizade com a Associação Nacional dos Rifles, o que o campo republicano explora e expressa como uma perfídia à tradição liberal.

Para o democrata, no entanto, não há contradição. Seu campo encontra respostas – boas respostas – para absolutamente tudo. Primeiro, porque Obama já se dizia contrário à pena de morte “salvo em alguns raros casos”. Imitando ao ex candidato à presidência pelo partido republicano e analista político da MSNBC, Pat Buchanan, “quem diria, o estupro de crianças é um desses raros casos”. Respostas similares foram dadas ao caso do direito ao porte de armas, e até mesmo à retirada das tropas do Iraque. Quanto a esse último dilema, o campo de Obama ferrenhamente defendeu a retirada graduativa em 16 meses, mas admitiu que a situação local e as sugestões dos comandantes militares no Iraque pesarão em sua decisão final.

Outra “coincidência” que pesa a seu favor, é que o Conselheiro de Segurança Iraquiano, Mouwaffak al-Rubaie, exigiu em voz oficial que os Estados Unidos, chamados de “tropas estrangeiras”, abandonem ou estabeleçam datas claras ao abandono do país o mais rápido possível.


Gallup

Talvez esse seja o motivo que John McCain siga perdendo nas pesquisas de Julho como Richard Nixon perdia contra Hubert Humphrey em Julho de 1968, eleições vencidas pelo corrupto presidente republicano.

Barack Obama vence por 46-44% de John McCain de acordo com pesquisas postadas no dia 7 de Julho.

RF

Monday, June 30, 2008

A raiz do Blog: Duas Perspectivas



Não houve resumo da semana passada pela frenese que já se instala em minha vida de estudante. Porém, com as pesquisas postadas à Quinta-Feira acredito que o mais importante foi coberto. Também trouxe os dois importantes temas do acordo entre a Coréia do Norte e a administração de George W. Bush, e etanól e sua relação com os dois candidatos presidenciais, John McCain e Barack Obama.

O que não mencionei foi o encontro orquestrado entre Hillary Clinton e Obama na cidade de Unity, Illinois, que acelerou um processo já iniciado ao fim das primárias: a atração da base de Clinton ao atual nomeado democrata. Depois das desgastantes primárias, a jogada é mostrar que houve uma genuína reconciliação, e que o partido permanece unido.

Não cansarei meus leitores com contos furados de meus mortos ídolos, ainda mais gringos, nem sempre apreciados por outras nações, mas quero mencionar por quais perspectivas oscilo. Em Junho que se vai morreram dois de meus heróis, um deles mais, outro menos recente. Primeiro, Tim Russert, o bom jornalista da velha-guarda, homem de família, tradições estadunidenses e valores com os quais não me relaciono, mas que, com ele, aprendi a melhor respeitar. Depois morreu George Carlin, comediante, considerado por muitos como o ápice da comédia lógica, aquela que, segundo o colega profissional Bill Maher, “em extrair a comédia se tem um bom discurso e algumas ótimas lições morais”.

Russert acreditava nos valores americanos, acreditava na política, e esperava para o dia em que esta deixasse de ser um jogo para tornar-se a própria essência. Mesmo consciente das artimanhas, da propaganda e da sede por controle que têm governantes, também admirava o processo eleitoral e a democracia dos Estados Unidos. Uma de suas frases favoritas era “what a country!” (“Que país!”). Dizia isso porque ele mesmo cresceu da pobreza em sua cidade de Buffalo e conseguiu chegar a entrevistar Papas e Presidentes.

George Carlin tinha a mesma visão que adotei desde os anos de minha adolescência, e ainda mais quando deixei minha religião. O mundo “público”, o governo, a mídia, os valores populares, a arte popular, são todos meticulosa e caoticamente construídos e artificiais, postos à venda pela necessidade irracional de consumo que a humanidade adquiriu ao longo dos anos, uma evolução até lógica considerando posições mais primitivas. Era o paladino contra eufemismos e o politicamente correto. Não acreditava na política, na mídia, na loteria e nos heróis nacionais. Abriu seu último especial da HBO (seu décimo-quarto) dizendo “foda-se Tiger Woods, foda-se Lance Armstrong, estou cansado que me digam quem tenho de admirar nesse país!”

Uma de suas frases favoritas era: "Chama-se 'sonho-americano' porque a pessoa precisa estar dormindo para acreditar nele."

Voltando às eleições, Colin Powell deve endossar Barack Obama, sendo Powell uma das poucas referências populares de bom senso no partido republicano. McCain ainda não conquistou o explícito apoio da base que elege Bush ao primeiro mandato.

Tenham certeza, no entanto, que a realidade é Kafkiana, e em nome de interesses obscuros cada partido usará todas as possíveis armas para levar o cargo máximo ao fim do dia.

Em troca de e-mails entre vosso blogueiro e John Hemingway, neto de Ernest Hemingway, colunista do Direto da Redação, houve esse acordo ideológico. Para ele, os anos ’70 com todo seu período corrupto trouxeram o fim de Nixon e puniram parte dos responsáveis pelos crimes cometidos contra o povo americano, desde o Vietnã ao escândalo de Watergate. Hoje em dia, nem mesmo isso podemos esperar.

A realidade Kafkiana é que existe o lado esperançoso de Russert, e a crença de que envolver-se no sistema é o único modo de criticá-lo objetivamente. Ao mesmo tempo, existe o lado cínico de Carlin, e a descrença em absolutamente tudo que parte do “mainstream”. Oscilando entre os dois lados, o objetivamente comprometido e o meticulosamente cínico, cria-se a verdadeira análise dessas eleições n’A Escolha do Próximo Porteiro. Espero que seja útil.

RF

Thursday, June 26, 2008

Pesquisas, Coréia do Norte e Irã

De acordo com as últimas pesquisas encaminhadas ao Instituto Gallup, Barack Obama e John McCain encontram-se empatados em 45% nacionalmente.

Outras pesquisas:

Pollster.com: Barack Obama – 48%
John McCain – 41.5%

Rasmussen: Barack Obama – 46%
John McCain – 41%



Universidade de Quinnipiac:
Obama vence a McCain nos seguintes estados vermelhos ou instáveis:

- Colorado: 49-44%
- Michigan: 48-42%
- Minnesota: 54-37%
- Wisconsin: 59-37%


Vale lembrar que ainda é cedo para determinar o verdadeiro humor da nação, mas pela primeira vez em duas semanas o Gallup mostra Obama empatado com McCain.


Opinião

George W. Bush declarou à nação, nesta manhã de Quinta-Feira, que graças a esforços diplomáticos bem sucedidos, a Coréia do Norte finalmente abrirá as portas de suas usinas nucleares e mostrará o desenvolvimento de seus projetos nucleares.

Bush mudou sua posição em relação à Coréia após incluí-la, no início de seu mandato, ao que chamava de Eixo do Mal, entre Iraque, Irã e Coréia do Norte. Agora, pretende retirar o nome do país comunista de sua infame lista, bastando revisar alguns poucos detalhes.

Uma das discussões mais intensas entre Obama e McCain, atualmente, é o posicionamento do democrata em relação à diplomacia pretendida para lidar com os inimigos dos Estados Unidos. O senador republicano pelo Arizona parece ainda mais rigoroso do que Bush quando diz que se negará a negociar com o Irã sem condições prévias.

O atual presidente, com a ajuda de seus emissários e o pesado martelo da China, retratou tal política e atingiu seu objetivo com a Coréia do Norte. Irã, contudo, continua no mesmo Eixo fantástico da liga de Bush.

Esse caminho escolhido pela administração atual advém da impopularidade do presidente, o maior índice desde o nascimento do Gallup, e pela série de comprovações escandalosas de que seu governo tenha agido contra a constituição e a lei em múltiplas ocasiões. Provou-se verdadeira a famigerada “liga-da-justiça”, por exemplo, liderada por Alberto Gonzales e uma série de outros juízes contratados por motivos estritamente políticos, investigada há aproximadamente dois anos por demissões suspeitosas e rejeições de candidatos "democratas" ou "neutros" aos cargos. O comitê nomeado à investigação do 11 de Setembro também concluiu que Bush guiou o exército e a nação a uma guerra por falsos motivos e falsa inteligência. Para piorar, Scott Mcclellan, ex assessor de imprensa da Casa Branca, publicou um livro revelando que foi propositalmente usado para vender a guerra à nação.

Ainda assim, o Irã permanece fechado para os Estados Unidos, e a diplomacia descartada não contribui à sua abertura. A diferença entre a Coréia do Norte e o pequeno país médio-oriental é clara: A Coréia do Norte sofre pressão da China, enquanto nenhum outro país no Oriente Médio realmente influencia as decisões do Primeiro Ministro iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

Porém, francamente, se o exército dos Estados Unidos sofre com o Iraque, imaginem o quanto sofreria com a Coréia do Norte caso a diplomacia fosse totalmente rejeitada. O mesmo pode dizer-se do Irã, já que as tropas estão intensamente comprometidas no Iraque e Afeganistão. Se estivermos mesmo certos, e as intenções da administração atual sejam estritamente petrolíferas, o Irã não foi atacado antes por não ser tão importante nesse sentido.

O motivo da teimosia de Bush e da fúria de John McCain (que já brincou rimando “bomb-bomb-bomb, bomb-bomb Iran” com ritmo de rock n’ roll) contra a abertura de negociações diplomáticas com o Irã, me parece, é favorecer o estado de Israel e todos que apoiariam McCain sobre Obama nessas eleições, além da inevitável propagação de medo entre estadunidenses.

É fatídico, porém, que Bush finalmente começou a jogar bola com a opinião pública. Enquanto David Kucinich, ex candidato à nomeação presidencial democrata, já demandou através do senado o impeachment de Bush, e os escândalos abafados pelo congresso e senado republicanos finalmente jorram à tona, conservadores perderam em base, em caráter, e em intensidade.

Hoje por hoje, soam cada vez mais distantes da Casa Branca. Talvez Obama não seja o melhor candidato, e ainda seja político, mas nestas eleições temos alguém a não eleger. Esse alguém é John McCain.

RF