Tuesday, April 22, 2008

Conforme for Pennsylvania, assim segue a nação


Hoje sim, voltamos às primárias, e chego ao meu escritório do “trabalho que liberta”* ainda mais cedo, com a cuca fresca, para falar antes de mais nada sobre a importância de Pennsylvania na escolha do próximo porteiro.

Já abrindo a primeira página do The New York Times vemos no que a mídia escolhe focar-se antes da abertura das urnas, que se deu às 7AM horário de New York, fechando às 8PM. A idade, segundo a matéria, é fator importante pela segregação criada entre eleitores jovens (geralmente votando por Barack Obama, 46 anos) e eleitores mais maduros (que tendem a eleger Hillary Clinton, 60 anos).

Porém, além da idade e da análise demográfica dos eleitores do estado, a atitude de ambas campanhas e suas promessas futuristas liberais, isso sem contar nas regras diretas do jogo, são o que mais e melhor contam.


A Atitude


“If you can’t stand the heat, get out of the kitchen.” (Harry S. Truman).

Truman dizia: “Se você não aguenta o calor, sáia da cozinha!”

Barack Obama passou a maior parte das últimas duas a três semanas defendendo-se dos ataques de Hillary Clinton em questões indiretas à política de ambos candidatos. Nesse caso, pelo desastroso empenho da campanha de Clinton, que não conseguiu vender a imagem da candidata como gostaria e selar a nomeação depois da “Super-Tuesday” de 4 de Março, a ex-primeira-dama sabe que precisa danificar a imagem do senador de Illinois para receber a simpatia dos ainda incalculáveis super-delegados.

Só esperamos o Super-Homem para salvar o planeta Terra das garras do mal. A corrida realmente tornou-se cada vez mais super.

Como Obama vem declarando em seus últimos discursos e aparições públicas, o povo americano está cansado de testemunhar a atitude de candidatos “jogando pilhas de pratos da pia da cozinha” um n’outro/a. Mas a resposta de Clinton foi a frase de Truman: “Cái fora, Obama, você é muito delicado para uma verdadeira campanha.”

Os escândalos (nada escandalosos) de Obama com o Rev. Wright, seus comentários indelicados sobre a gravidez e sua análise da amargura de trabalhadores da classe média obreira estadunidense serviram de isca para que Clinton mirasse e acertasse alguns socos. Em dez dias, o instituto da Gallup revela que Obama tem parcialmente decaído na opinião pública nacional. Mesmo assim, amanheceu vencendo por 7% (49-42%) da senadora de New York, enquanto ontem vencia por 2%, e há oito dias vencia por 11%.

Portanto, já se sabe que a tática não funcionou conforme o esperado, mesmo Clinton capitalizando nos erros de seu rival. Tentou lucrar com o pior desempenho de Barack Obama em todos os debates, pela NBC na semana passada, mas nem isso foi substancial.

Atacado por questões mais pessoais, Obama não conseguiu se expressar confortavelmente. Seu maior fantasma, ao menos nos olhos de quem vos relata, foi dizer que não aceita dinheiro de executivos do petróleo, algo ilegal para todos os candidatos, algo que nenhum candidato poderia, nem se quisesse, aceitar. Esse sim foi um lapso severo, e somado aos outros, retirou-lhe um pouco do terreno. Por esse lapso, viu-se obrigado a “perdoar” os lapsos severos de Hillary Clinton como seu relato fantástico sobre a Bósnia.

Mesmo assim, Obama ainda leva a vantagem.


Política das Promessas


A economia e a saúde dos Estados Unidos requerem uma filosofia diferente, segundo a maioria da população. A guerra no Iraque também, mas sobre ela poderiamos escrever livros completos antes de sequer simplificar em jargões a verdadeira responsabilidade de nossos governantes.

Tanto Barack Obama quanto Hillary Clinton providenciam e relatam como salvariam os Estados Unidos da miséria. Ambos são a favor do corte de impostos proporcional, estímulos governamentais, e universalizar a saúde do país.

Ao fim de cada dia, eleitores e eleitoras escolhem mais pela aparência e pela moral dos candidatos do que por sua política. É realista dizer que o movimento Republicano está mais fraco do que nunca. É também até sensato dizer que pouco pode acontecer para que a Casa Branca seja administrada por John McCain, ainda mais pelo último resultado da própria Gallup sobre a popularidade de George W. Bush, de apenas 28% de satisfação publica contra 69% de pessoas ditas insatisfeitas com sua presidência. Esse é, simplesmente, o número mais baixo já gravado por uma pesquisa da Gallup nesse quesito.

As promessas futuristas em toda sua glória resumem-se à experiência de Clinton e sua capacidade de lutar, contra a inexperiência eloquente de Obama, que realmente tem se mostrado inadepto em lidar com os ataques mais pessoais, o que pode ser bem ou mal visto, mas que tem perigos iminentes em uma eleição geral que se aproxima rapidamente.


As Regras do Jogo


Obama vence em número de delegados, e uma consistente quantidade de super-delegados desistiu de apoiar Clinton em seu nome. O senador há apenas 3 anos também vence em número de votos contados, o voto popular.

Nesse sistema de repartição dos delegados oficias de cada estado, Obama venceria proporcionalmente menos delegados do que Clinton, mas não deixa de recebê-los tendo a mínima porcentagem dos votos (15%). Ou seja, caso a senadora vença por apenas 5 pontos, algo plausível mesmo com a pequena queda da popularidade de Obama, ainda não conseguirá passar seu rival em delegados, e seria complicada sua vitória no voto popular. Teria de surrupiar as urnas, em grande verdade, vencer por mais de 10 pontos, e somente assim conseguiria dar a volta.

Atualmente, em Pennsylvania, o mesmo Obama que perdia por 20 ou mais pontos há poucos meses, hoje apenas perde por uma variedade de 5-6%. O veredito tornar-se-á público depois das 8PM horário de New York.

Mesmo perdendo, contudo, Clinton deve permanecer na corrida. As primárias e “caucuses” voltam ao ritmo mais frenético, antecipando a decisão final. Enquanto isso, do outro lado da rua, John McCain trafega solitário.

RF

* Mensagem escrita em uma plaquinha dependurada nos campos de trabalho forçado da Alemanha Nazista como fonte inspiracional aos judeus escravos.

5 comments:

Halem Souza said...
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Halem Souza said...

Roy, na sua opinião, Obama não se dá bem com ataques pessoais por uma questão de personalidade ou por que essa é uma falha de seus assessores?

E no domingo ouvi (sem prestar muita atenção, infelizmente) a respeito de uma pesquisa que dizia que boa parte dos norte-americanos não acredita na honestidade de Hilary Clinton. Isso saiu por aí mesmo? Um abraço.

P.S. O comentário anterior apagado foi meu mesmo. É porque a redação havia ficado confusa.

R.C said...
This comment has been removed by the author.
R.C said...

Halem, entao vamos por partes, isso da pra um texto a parte.

Para mim, Obama nao se da bem em ataques pessoais porque nao tem experiencia. No entanto, digamos que a politica que eu e voce queremos existisse: Por que um politico precisa saber se defender em ataques pessoais quando a natureza dos mesmos eh abstrata? Vejamos o caso do Rev. Wright. Nesse caso, por ser uma questao concreta, ele abordou com sua posicao moral, politica, o tema. No entanto, com o abstratismo dos comentarios sobre os "amargurados" da classe media operaria, a retorica dos ataques nao lhe caiu bem. Mas se os eleitores se preocupassem com o carater da pessoa e menos com o fraseamento de suas posicoes reais, naturalmente ele nao precisaria se defender. Sarkozy, por exemplo, o PM da Franca, quando eh atacado pessoalmente, manda o pessoal literalmente tomarr no cuh. Ou seja, isso nao eh o que mais importa para os franceses, mas aqui eh o pais do showbizz.

Quanto a Hillary, sim, voce tem toda a razao. Ao fim da semana passada saiu a pesquisa que mostra que Hillary Clinton, antes com 54-56% de credibilidade, agora tem menos de 35%. Pelas mentiras explicitas, por sua atitude na busca dos delegados de Florida e Michigan, por suas lagrimas de crocodilo, o pessoal nao esta mais comprando o charme clintoniano.

PS: Michael Moore, o documentarista, anunciou hoje que endossa Barack Obama.

abraxao!

RF

Tânia said...

Roy, lendo os jornais e assistindo a CNN aqui Pensivânia deu Hilary...Assim estão noticiando...

Fazia tempos que eu não acompanhava uma eleição nivelada tão por baixo...rssssssss...

Beijos e com saudades