O diretor da campanha do candidato democrata, David Plouffe, foi gentil em me convidar, ao lado de todos os eleitores inscritos em seu campo, a ficar atento à escolha do próximo Vice Porteiro. Ironias à parte, para quem não entende Inglês, a tradução resumida do e-mail é:
“Logo, logo anunciaremos o nome do Vice Presidente de Barack Obama, e vocês serão os primeiros a saber.”
“Dear Roy --
Barack Obama is about to make one of the most important decisions of this campaign -- choosing a running mate.
You have helped build this movement from the bottom up, and Barack wants you to be the first to know his choice.
Be the first to know who Barack selects as his running mate.
Thanks,
David
David Plouffe
Campaign Manager
Obama for America”
Como vocês, leitores mais frequentes, devem ter notado, jamais mencionei os nomes dos potenciais candidatos a esse cargo que sempre traz consigo a dívida e gratidão. Talvez tenha mencionado as especulações em torno de John Edwards, em princípio, logo engolidas pela persistência de Hillary Clinton, mas eram as modas do momento.
Hoje, John Edwards vê-se apedrejado por ter admitido um caso com determinada senhorita em tal e tal dia de 2006, algo negado várias vezes pelo mesmo, mas que não sobreviveria obscuro no ápice das eleições presidenciais.
Hillary Clinton, por sua vez, ainda ameaça – a mídia diz que ela ameaça, não compreendo até que ponto isto seja verdade – ter seu nome incluído para a improvável (impossível) nomeação súbita na Convenção Democrata a iniciar no dia 25 de Agosto. Nenhum será o Vice Presidente de Barack Obama, ao menos não em condições naturais.
Só sei que, agora, com a decisão do campo de Obama de revelar o nome do VP a todos os inscritos em seu sítio eletrônico, vocês serão os segundos a saber assim que eu souber. Estamos?
Olimpíadas, Bush, China, Putin, Rússia e a hipocrisia dos grandes poderes
Antes de mais nada, ressalvo que recomendo os canais da NBC a todos, e por enquanto sou fiel às suas transmissões. Enquanto gemia de medo por não poder assistir a nenhum dos jogos das seleções brasileiras, tanto a programação normal quanto o sítio oferecem 100% das modalidades ao vivo, sem titubear virtualmente, em qualidade proporcional à capacidade de vossas máquinas. Sem contar o alívio de não precisar escutar o Galvão Bueno reclamando das duas horas do desfile das nações (ô, tio brega, esse, visse?).
Entrevistado por Bob Costas, comentarista deportivo renomado nos Estados Unidos, George W. Bush me surpreendeu na noite de Domingo. Não pelo que disse, ou como se expressou, mas por ter aceito participar do programa ao vivo, em sua estadia prolongada (a mais prolongada em uma cidade estrangeira em oito anos) em Beijing.
Bob Costas o pressionou por todos os lados, respeitosamente, claro. Rússia e Geórgia, direitos-humanos, relações diplomáticas com a China, e alguns outros tantos. O Presidente sorria sempre, e comentou o que quis, apenas, copiosamente mencionando a Coréia do Norte e o Irã pela perversão de seus governos.
Nada parece representar melhor a hipocrisia dos grandes poderes do que o sorriso de Bush e sua auto-afirmação como um presidente preocupado com os direitos humanos de nações alheias. Vladimir Putin, que apareceu cochichando com Bush na abertura dos jogos, não parecia nem um pouco ameaçado pelo sorriso do presidente dos Estados Unidos.
“China, bom, Coréia do Norte, mau,” diziam os olhos avoados de George W. “Irã, mau, Rússia, mais ou menos,” repetiam.
No mais, adiante Canarinho olímpica, mesmo assando cão morto valeu assistí-los, e ainda torço para as mulheres, amanhã, contra a Nigéria. Parabéns pelo massacre feminino da Rússia, na praia, valeu Ricardo e Emanuel, adiante; e salva de palmas aos que chegaram e já foram. Brasil contra os cangurús hoje, o que dará? Falemos de esporte.
RF
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Monday, August 11, 2008
VP, Olimpíadas e George W. Bush
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John Edwards,
Olimpiadas 2008,
Roy Frenkiel,
Vladimir Putin
Friday, May 16, 2008
Colarinho Azul e a Gafe no Knesset
John Edwards
O advogado, senador, ex candidato a vice presidente e ex candidato presidencial, John Edwards, finalmente endossou Barack Obama à nomeação de seu partido.
Dois dias depois, Hillary Clinton já parece realmente conformada com a derrota, e sua campanha apenas pede comprovar que pode chegar ilesa ao final da corrida, e ainda apoiar seu rival à Casa Branca contra o rival de seu partido, John McCain.
Em princípio, o endossamento de Edwards poderia ter vindo antes das primárias de West Virginia, mas talvez pelo fato de que uma vitória no estado predominantemente branco era inevitável a Hillary Clinton, e o senador não pretendia perder crédito em seu apoio, o ato foi contra-pesado. Anunciando no momento em que anunciou (ressalto aqui que Edwards já sabia quem apoiaria há muito tempo), conseguiu pisotear o momento da senadora de New York depois da massiva vitória na passada Terça-Feira.
Além disso, com a chance de disputar seus delegados, Barack Obama finalmente encara a concreta possibilidade de chegar aos indiscutíveis e indisputáveis 2,025 oficiais eleitos, o que garante a nomeação sem a possibilidade da intervenção dos super-delegados. No quadro acima, agora atualizado com mais frequência, leitores já podem notar que Obama tem 1,899 contra 1,719 delegados sobre Clinton, 291 a 274 quando se trata dos “supra-humanos”.
Para refrescar a memória, Edwards foi o candidato e vice-candidato dos “brancos de colarinho-azul”, os trabalhadores, os operários, seus defendidos quando por eles criava fama nas cortes estadunidenses. Finalizando a lista das três principais vantagens de seu endossamento está a possível conquista parcial de uma base antes considerada perdida ao senador de Illinois.
John McCain, George W. Bush e o Knesset
Por ser israelense, quando falo de Israel, de seus 60 anos recém cumpridos, de sua independência e conflitos, o assunto se torna pessoal. Mas mesmo não o sendo, perceber mais essa grotesca gafe do presidente George W. Bush ao discursar no Parlamento de Israel, o Knesset, não seria tão difícil.
Jurando lutar contra os terroristas que assolam a região, Bush comentou que persuadi-los e apazigua-los de que suas ações “sempre estiveram erradas” seria uma tentativa inocente e falida, do mesmo modo que um senador dos Estados Unidos, em 1939, pensou poder persuadir Hitler a não invadir a Polônia.
O ataque óbvio a Barack Obama fora do solo estadunidense demonstra um tanto da arrogância desta administração republicana. John McCain, candidato que tenta claramente ser duas coisas ao mesmo tempo, tanto amigo quanto mui amigo do atual presidente, sabe que não poderia fazer o mesmo tipo de comentários com tanta facilidade diplomática quanto a de uma pessoa completamente desqualificada para conversar com estrangeiros, que pode emitir sons sem sentido e desfilar aos aplausos e ecos de “missão cumprida”, como geralmente faz o senhor presidente.
Bush tentou desmentir o elo de seu comentário ao fato de que Obama tenha declarado - e sempre declare quando confrontado - que conversaria até mesmo com Ahmadinejad ou o líder do Hamas caso fosse necessário, política que republicanos repudiam. O que o presidente disse em suma, é quase uma ilusão auditiva ou racional, já que “conversar” e “apaziguar”, como mencionou Bush, são duas coisas diferentes.
E mesmo tendo razão, já que o senador de Illinois não é só jovem, mas também completamente inexperiente em questões de política externa, como ousa um presidente de uma nação que se auto-entitula nobre e de altos valores morais atacar o rival de seu partido em solo estrangeiro?
Hoje, quando conversar com os reis do petróleo, seu tom será bem diferente, certamente apaziguador. Claro que os Estados Unidos são amigáveis a Israel, mas também são ao dinheiro, e a crise dos preços da gasolina está quebrando as classes média e baixa do país.
Já McCain, querendo distanciar-se de sua posição há poucos meses quando declarou que o exército estadunidense ficaria no Iraque por 100 anos caso fosse necessário, prometeu a retirada da maioria das tropas do país até o fim de seu primeiro termo, em 2013. De 100 para quatro, o senador republicano passa a oferecer as mesmas datas determinantes que criticou seu rival partidário, Mitt Romney, por assim calcular quando concorriam à nomeação.
Só para “não dizer que não falei das flores”, ou melhor, para não me mostrar tão “liberal”, quero salientar que a hipocrisia existe em ambos partidos, em ambas teorias e ideologias, e os interesses sempre ultrapassam qualquer verdadeiro desejo à mudança, ao menos quando falamos de políticos. Volto a falar do indivíduo solitário, e saliento algo que tenho claro: Quem deve exigir a mudança e trabalhar avidamente pela mesma é o “povo”, ou seja, eu, meus amigos, minha família, meus colegas. Ninguém nos dará nada de bandeja, e quando por nós formos pedir, seria de bom tom pensar nas necessidades alheias, do “meio ambiente” que nos circunda, para não criar maiores desarmonias. O resto é resto, e tenho dito.
RF
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Nazistas
Monday, February 04, 2008
Democratas
O debate dos democratas apresentado pela CNN no Kodak Studios, em Los Angeles, na semana passada, foi a cópia paradoxal do que ocorreu nas semanas anteriores. Se dessa vez os republicanos “tiraram as luvas”, como dizem por aqui, os democratas procuraram uma estratégia mais amigável, e trataram-se todos com muito respeito e total admiração. Digo, todos?
O ponto essencial da campanha, desde o retiro de John Edwards, é conquistar a confiança e o endossamento dos eleitores do advogado. Nas primeiras palavras de Barack Obama isso já tornou-se mais do que evidente. Falando sobre as causas do sulenho de South Carolina, como a pobreza e a luta pela classe média conforme pedido do mesmo, Obama já tentava conquistar os indecisos. Hillary Clinton atrasou-se em meros 90 segundos, mas logo disputou a causa nobre.
“Hillary e Obama só se saíram bem nas campanhas pela fama de uma e o estrelismo do segundo, porque ambos souberam apenas copiar o plano de John Edwards em relação à economia, especialmente em relação à saúde,” diria Paul Krugman, colunista do New York Times, saudoso pela despedida de seu candidato.
A retórica do debate demonstrou inclusive a possibilidade – remota, segundo a maioria dos especialistas – de Obama e Clinton em um mesmo bilhete. Segundo analistas variados, Clinton convidaria Obama, caso eleita, para assumir a vice-presidência, mas em ambos os casos as chances seriam ínfimas, e Obama não parece sequer poder aceitar a parceria porque classificou Clinton como polarizante em sua campanha. Diz que republicanos teriam enorme dificuldade de aceitá-la, e não mente.
Clinton persiste em estar “pronta no primeiro dia”. Obama contra-ataca dizendo que estará “certo” no primeiro dia, uma referência indireta ao voto de confiança que Clinton deu a Bush antes da guerra no Iraque. Um dos votos mais importantes para o então “popular” presidente republicano, que inevitavelmente permitiu o governo dos Estados Unidos a entrar em uma guerra sem uma declaração constitucional e contra a vontade das Nações Unidas.
Krugman também diz, porém, que o plano de Obama para assegurar a saúde de todo o país não seria tão eficiente quanto o plano de Clinton. Ambos estimulam o crescimento do mercado de seguradoras, o mercado da saúde. Apenas o plano de Clinton obrigaria o cidadão comum a ter um seguro de saúde, mas se suas contas funcionarem, todos serão realmente capazes de pagar pelo seguro de sua opção, e ainda ter a escolha de frequentar instituições governamentais. Em realidade, a diferença é mínima, já que ambos pretendem justamente dar o direito de escolha ao cidadão entre planos privados competitivos e seguradoras federais, financiadas através de maiores impostos aos mais abastados, mantendo os cortes tributários do governo de Bush à classe-média.
Atualmente, sem o endossamento de Edwards, nas primárias e “caucuses” da Super-Terça-Feira que amanhece amanhã Obama e Clinton encontram-se virtualmente empatados, com porcentagens suficientes de indecisos para causar uma reviravolta. Na última “Pesquisa das Pesquisas” apresentada pela CNN, Clinton lidera por apenas três pontos, enquanto a margem de erro é de mais ou menos três por cento.
Obama venceria em mais estados, mas Clinton vence mais delegados. A disputa parece realmente ter apenas começado. A verdade, no entanto, saberemos apenas na noite desta Super Tuesday, dia 5 de Fevereiro.
RF
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
CNN,
Hillary Clinton,
John Edwards,
Kodak Studios
Friday, January 25, 2008
Nhac! Debates
OPINE (Clique aqui)
A seguir, mordidas dos debates republicano e democrata. Semana que vem conclúo a carta “Ao Artista Choroso.”
Debate Democrata em South Carolina pela CNN
Hillary Clinton versus Barack Obama
A briga, que tinha se apaziguado por alguns dias, se intensifica como nunca. Obama e Clinton passam uma boa parte do debate atacando um ao outro. Entre os principais ataques de ambos estão:
Barack Obama não teria postado no sítio eletrônico de sua campanha a comprovação de que pode pagar pelos serviços que promete oferecer. Desde descontos nos impostos de pessoas que ganhem determinadas somas anuais, a devoluções de até $500 dólares para combater a iminente recessão estão detalhados em suas promessas.
Hillary Clinton clama vigilar pelas mesmas mudanças que Obama oferece, ou ainda melhores. No entanto, é um exemplo de democrata que apoiou a Bush à época que antecedeu a invasão ao Iraque, ou tampouco conquistou muito no senado pelo lado democrata contra os interesses da atual administração. Obama lembra que “enquanto ele já lutava pelos direitos civis da classe média, ela representava o Wal-Mart entre seus maiores empresários.”
Hillary retrucou que, enquanto ela batalhava por melhores condições à classe média como primeira dama e logo independentemente, Obama trabalhava para outro dos ricos e poderosos que tanto critica. Nenhum dos dois está exatamente correto, conforme dizem comentaristas de ambas CNN e MSNBC.
Clinton critica a Obama por seus mais de cem votos “nulos” nas legislações representando seu estado de Illinois. Quando o senador diz apenas “presente” e não “sim ou não”, seu voto é considerado neutro. Obama respondeu que das mais de quatro mil votações, Clinton decidiu pegar apenas cem e destacá-las como maus exemplos. Afinal, entre as reformas que deveriam ser passadas, estavam por exemplo a maior proteção a víimas de abusos sexuais, e que quando ele votou apenas “presente” era para forçar uma nova análise da proposta.
Clinton também criticou a Obama por elogiar as idéias do partido republicano. Seu marido já tinha dito que Obama queria ser como Ronald Reagan em suas próprias palavras, uma proibição entre os democratas. Obama se defendeu dizendo que jamais tinha dito que gostava das idéias, apenas que a base republicana as tinha, e que eram consolidadas, e que ele queria ser como Reagan no sentido de unir ambos partidos republicano e democrata para um governo bi-partidário. Um comercial de rádio repetiu a crítica em nome de Hillary Clinton por vinte-e-quatro horas, depois retirado pelo “mal-entendido” que apenas culminou em uma maior repercussão nacional, fazendo valer a idéia de que, certamente, os Clinton fariam de tudo para se elegerem.
O Fator “Bill Clinton”
Quando queremos que alguém se acalme nos Estados Unidos, dizemos: “Chill, dude,” ou “fica frio, cara.” A mensagem de analístas políticos a Bill Clinton é “Chill, Bill.” Hillary não precisa de seu marido para vencer essas eleições, mas certamente ele pode beneficiá-la, e todos parecem concordar que os Clinton fariam de tudo para se elegerem. Enquanto Obama faz questão de mencionar a Bill, assim dando entender que não tem medo do ex-popular presidente estadunidense, Hillary discretamente apenas diz que “ambos temos esposos cometidos, Barack.” Mas Michelle, a esposa de Obama, jamais atacou Hillay Clinton e muito menos disse inverdades.
John Edwards
Decidiu ser mais discreto, assim recebendo menos tempo do que seus colegas, mas também ganhando maior credibilidade por não ter se envolvido na briga pessoal entre os dois políticos. Também decidiu questionar Obama por suas mais de 100 votações “nulas.” De acordo com simpatizantes e jornalistas, o consenso é de que Edwards teria vencido o debate, mas ganho muito pouco com o mesmo.
Respostas Sinceras?
Isso já ocorrera no debate anterior, em New Hampshire, quando perguntaram aos candidatos alternadamente qual seria seu maior defeito.
Obama foi o primeiro, e disse que tinha problemas sérios para organizar seus papéis, e que pedia aos seus acessores e estagiários que só lhe entregassem documentos necessários dois minutos antes de que os precise usar.
Edwards disse que seu maior defeito era a fraqueza para lutar pelos pobres, e sua sensibilidade pelos esforços da classe média. Mas que defeito nobre!
Clinton disse que seu maior defeito era a impaciência para causar mudanças.
Obama depois brincou em uma de suas convenções e retrucou: “Se eu fosse o último, diria que meu maior defeito era ajudar as velinhas a atravessar a rua.”
Em South Carolina, a pergunta foi: Por que Martin Luther King, se vivo estivesse, os apoiaria?
Edwards disse que o apoiaria porque por toda sua vida profissional tem lutado pelas classes média e baixa, e que também lutava contra as injustiças sociais.
Obama disse que King não apoiaria ninguém, mas responsabilizaria o governante por seus feitos, e clamaria para que seus seguidores fizessem o mesmo.
Clinton disse, contudo, que King apoiava políticos e fazia lobby para os mesmos. E se tivesse que apoiar um dos três, ela já comprovou em seus anos ao lado de Bill que sempre lutou pelos direitos humanos.
Será que Obama ainda não aprendeu como se joga esse jogo?
Amanhã, mordidas sobre o espetacular (e bota espetacular nisso) debate republicano a meia hora de minha casa, em Boca Raton, na Flórida, nesta Quinta passada Feira.
A seguir, mordidas dos debates republicano e democrata. Semana que vem conclúo a carta “Ao Artista Choroso.”
Debate Democrata em South Carolina pela CNN
Hillary Clinton versus Barack Obama
A briga, que tinha se apaziguado por alguns dias, se intensifica como nunca. Obama e Clinton passam uma boa parte do debate atacando um ao outro. Entre os principais ataques de ambos estão:
Barack Obama não teria postado no sítio eletrônico de sua campanha a comprovação de que pode pagar pelos serviços que promete oferecer. Desde descontos nos impostos de pessoas que ganhem determinadas somas anuais, a devoluções de até $500 dólares para combater a iminente recessão estão detalhados em suas promessas.
Hillary Clinton clama vigilar pelas mesmas mudanças que Obama oferece, ou ainda melhores. No entanto, é um exemplo de democrata que apoiou a Bush à época que antecedeu a invasão ao Iraque, ou tampouco conquistou muito no senado pelo lado democrata contra os interesses da atual administração. Obama lembra que “enquanto ele já lutava pelos direitos civis da classe média, ela representava o Wal-Mart entre seus maiores empresários.”
Hillary retrucou que, enquanto ela batalhava por melhores condições à classe média como primeira dama e logo independentemente, Obama trabalhava para outro dos ricos e poderosos que tanto critica. Nenhum dos dois está exatamente correto, conforme dizem comentaristas de ambas CNN e MSNBC.
Clinton critica a Obama por seus mais de cem votos “nulos” nas legislações representando seu estado de Illinois. Quando o senador diz apenas “presente” e não “sim ou não”, seu voto é considerado neutro. Obama respondeu que das mais de quatro mil votações, Clinton decidiu pegar apenas cem e destacá-las como maus exemplos. Afinal, entre as reformas que deveriam ser passadas, estavam por exemplo a maior proteção a víimas de abusos sexuais, e que quando ele votou apenas “presente” era para forçar uma nova análise da proposta.
Clinton também criticou a Obama por elogiar as idéias do partido republicano. Seu marido já tinha dito que Obama queria ser como Ronald Reagan em suas próprias palavras, uma proibição entre os democratas. Obama se defendeu dizendo que jamais tinha dito que gostava das idéias, apenas que a base republicana as tinha, e que eram consolidadas, e que ele queria ser como Reagan no sentido de unir ambos partidos republicano e democrata para um governo bi-partidário. Um comercial de rádio repetiu a crítica em nome de Hillary Clinton por vinte-e-quatro horas, depois retirado pelo “mal-entendido” que apenas culminou em uma maior repercussão nacional, fazendo valer a idéia de que, certamente, os Clinton fariam de tudo para se elegerem.
O Fator “Bill Clinton”
Quando queremos que alguém se acalme nos Estados Unidos, dizemos: “Chill, dude,” ou “fica frio, cara.” A mensagem de analístas políticos a Bill Clinton é “Chill, Bill.” Hillary não precisa de seu marido para vencer essas eleições, mas certamente ele pode beneficiá-la, e todos parecem concordar que os Clinton fariam de tudo para se elegerem. Enquanto Obama faz questão de mencionar a Bill, assim dando entender que não tem medo do ex-popular presidente estadunidense, Hillary discretamente apenas diz que “ambos temos esposos cometidos, Barack.” Mas Michelle, a esposa de Obama, jamais atacou Hillay Clinton e muito menos disse inverdades.
John Edwards
Decidiu ser mais discreto, assim recebendo menos tempo do que seus colegas, mas também ganhando maior credibilidade por não ter se envolvido na briga pessoal entre os dois políticos. Também decidiu questionar Obama por suas mais de 100 votações “nulas.” De acordo com simpatizantes e jornalistas, o consenso é de que Edwards teria vencido o debate, mas ganho muito pouco com o mesmo.
Respostas Sinceras?
Isso já ocorrera no debate anterior, em New Hampshire, quando perguntaram aos candidatos alternadamente qual seria seu maior defeito.
Obama foi o primeiro, e disse que tinha problemas sérios para organizar seus papéis, e que pedia aos seus acessores e estagiários que só lhe entregassem documentos necessários dois minutos antes de que os precise usar.
Edwards disse que seu maior defeito era a fraqueza para lutar pelos pobres, e sua sensibilidade pelos esforços da classe média. Mas que defeito nobre!
Clinton disse que seu maior defeito era a impaciência para causar mudanças.
Obama depois brincou em uma de suas convenções e retrucou: “Se eu fosse o último, diria que meu maior defeito era ajudar as velinhas a atravessar a rua.”
Em South Carolina, a pergunta foi: Por que Martin Luther King, se vivo estivesse, os apoiaria?
Edwards disse que o apoiaria porque por toda sua vida profissional tem lutado pelas classes média e baixa, e que também lutava contra as injustiças sociais.
Obama disse que King não apoiaria ninguém, mas responsabilizaria o governante por seus feitos, e clamaria para que seus seguidores fizessem o mesmo.
Clinton disse, contudo, que King apoiava políticos e fazia lobby para os mesmos. E se tivesse que apoiar um dos três, ela já comprovou em seus anos ao lado de Bill que sempre lutou pelos direitos humanos.
Será que Obama ainda não aprendeu como se joga esse jogo?
Amanhã, mordidas sobre o espetacular (e bota espetacular nisso) debate republicano a meia hora de minha casa, em Boca Raton, na Flórida, nesta Quinta passada Feira.
Essas Palavras Vos Trazem
Barack Obama,
Bill Clinton,
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