Friday, May 16, 2008

Colarinho Azul e a Gafe no Knesset



John Edwards


O advogado, senador, ex candidato a vice presidente e ex candidato presidencial, John Edwards, finalmente endossou Barack Obama à nomeação de seu partido.

Dois dias depois, Hillary Clinton já parece realmente conformada com a derrota, e sua campanha apenas pede comprovar que pode chegar ilesa ao final da corrida, e ainda apoiar seu rival à Casa Branca contra o rival de seu partido, John McCain.

Em princípio, o endossamento de Edwards poderia ter vindo antes das primárias de West Virginia, mas talvez pelo fato de que uma vitória no estado predominantemente branco era inevitável a Hillary Clinton, e o senador não pretendia perder crédito em seu apoio, o ato foi contra-pesado. Anunciando no momento em que anunciou (ressalto aqui que Edwards já sabia quem apoiaria há muito tempo), conseguiu pisotear o momento da senadora de New York depois da massiva vitória na passada Terça-Feira.

Além disso, com a chance de disputar seus delegados, Barack Obama finalmente encara a concreta possibilidade de chegar aos indiscutíveis e indisputáveis 2,025 oficiais eleitos, o que garante a nomeação sem a possibilidade da intervenção dos super-delegados. No quadro acima, agora atualizado com mais frequência, leitores já podem notar que Obama tem 1,899 contra 1,719 delegados sobre Clinton, 291 a 274 quando se trata dos “supra-humanos”.

Para refrescar a memória, Edwards foi o candidato e vice-candidato dos “brancos de colarinho-azul”, os trabalhadores, os operários, seus defendidos quando por eles criava fama nas cortes estadunidenses. Finalizando a lista das três principais vantagens de seu endossamento está a possível conquista parcial de uma base antes considerada perdida ao senador de Illinois.


John McCain, George W. Bush e o Knesset

Por ser israelense, quando falo de Israel, de seus 60 anos recém cumpridos, de sua independência e conflitos, o assunto se torna pessoal. Mas mesmo não o sendo, perceber mais essa grotesca gafe do presidente George W. Bush ao discursar no Parlamento de Israel, o Knesset, não seria tão difícil.

Jurando lutar contra os terroristas que assolam a região, Bush comentou que persuadi-los e apazigua-los de que suas ações “sempre estiveram erradas” seria uma tentativa inocente e falida, do mesmo modo que um senador dos Estados Unidos, em 1939, pensou poder persuadir Hitler a não invadir a Polônia.

O ataque óbvio a Barack Obama fora do solo estadunidense demonstra um tanto da arrogância desta administração republicana. John McCain, candidato que tenta claramente ser duas coisas ao mesmo tempo, tanto amigo quanto mui amigo do atual presidente, sabe que não poderia fazer o mesmo tipo de comentários com tanta facilidade diplomática quanto a de uma pessoa completamente desqualificada para conversar com estrangeiros, que pode emitir sons sem sentido e desfilar aos aplausos e ecos de “missão cumprida”, como geralmente faz o senhor presidente.

Bush tentou desmentir o elo de seu comentário ao fato de que Obama tenha declarado - e sempre declare quando confrontado - que conversaria até mesmo com Ahmadinejad ou o líder do Hamas caso fosse necessário, política que republicanos repudiam. O que o presidente disse em suma, é quase uma ilusão auditiva ou racional, já que “conversar” e “apaziguar”, como mencionou Bush, são duas coisas diferentes.

E mesmo tendo razão, já que o senador de Illinois não é só jovem, mas também completamente inexperiente em questões de política externa, como ousa um presidente de uma nação que se auto-entitula nobre e de altos valores morais atacar o rival de seu partido em solo estrangeiro?

Hoje, quando conversar com os reis do petróleo, seu tom será bem diferente, certamente apaziguador. Claro que os Estados Unidos são amigáveis a Israel, mas também são ao dinheiro, e a crise dos preços da gasolina está quebrando as classes média e baixa do país.

Já McCain, querendo distanciar-se de sua posição há poucos meses quando declarou que o exército estadunidense ficaria no Iraque por 100 anos caso fosse necessário, prometeu a retirada da maioria das tropas do país até o fim de seu primeiro termo, em 2013. De 100 para quatro, o senador republicano passa a oferecer as mesmas datas determinantes que criticou seu rival partidário, Mitt Romney, por assim calcular quando concorriam à nomeação.

Só para “não dizer que não falei das flores”, ou melhor, para não me mostrar tão “liberal”, quero salientar que a hipocrisia existe em ambos partidos, em ambas teorias e ideologias, e os interesses sempre ultrapassam qualquer verdadeiro desejo à mudança, ao menos quando falamos de políticos. Volto a falar do indivíduo solitário, e saliento algo que tenho claro: Quem deve exigir a mudança e trabalhar avidamente pela mesma é o “povo”, ou seja, eu, meus amigos, minha família, meus colegas. Ninguém nos dará nada de bandeja, e quando por nós formos pedir, seria de bom tom pensar nas necessidades alheias, do “meio ambiente” que nos circunda, para não criar maiores desarmonias. O resto é resto, e tenho dito.

RF






3 comments:

sandra camurça said...

Tou um pouco atrasada, né? Feliz aniversário, menino! Um beijo.

Jens said...

Talvez Obama seja ingênuo, mas alguém tem que tentar colocar um pouco racionalidade nesta contenda sem fim entre judeus e arábes. Uma luta inglória, talvez. Mas vale tentar. Vai que uma luz se acenda e ilumine as trevas do radicalismo...

P_. said...

Roy, me explica uma coisa: pq a Hillary perdeu tanto nos estados?
Beijo!! :)