Thursday, September 25, 2008

Antes, Depois

Antes – Enquanto economistas discutiam uma potencial recessão (quatro quartos consecutivos de declínio na bolsa de valores), muitos diziam que a economia estava em seu mais perfeito estado de equilibrio, e que a recessão era apenas paranóia induzida em tempos eleitorais.

Agora – Os mesmos analistas que refutavam a recessão como “chorumelas populares” e “campanha democrata” agora dizem que, caso o Congresso não aprovar 700 bilhões de dólares irrestritos a Henry Paulson, Secretário do Tesouro, o país entrará em uma Depressão.

Antes – George W. Bush pediu ao Congresso, ao Senado e ao povo estadunidense o poder irrestrito sobre as forças armadas, e o passe para iniciar o conflito bélico contra o Iraque sem declarar guerra oficial, e sem a aprovação dos aliados ou das Nações Unidas.

Agora – George W. Bush pede ao Congresso, ao Senado e ao povo estadunidense o poder irrestrito sobre os cofres da nação, que devem ser mais do que esvaziados para outorgar a Paulson a liberdade de investir uma soma temerosa paulatina ou freneticamente para garantir a credibilidade de todos os bancos que se encontram em risco evidente.

Antes – Caso não agíssemos no Iraque, o país de Sadam Hussein obteria armas de destruição em massa que poderiam nos atingir, bem como outros terroristas nos atingiram no 11 de Setembro de 2001.

Agora – Caso não agirmos nos Estados Unidos, milhares de pessoas perderão novos empregos, mais bancos falirão, e será praticamente impossível conseguir empréstimos para pagar moradia ou comprar carros, estudar na faculdade ou ostentar cartões de crédito.

Antes – Mais de um trilhão de dólares investidos no Iraque, na destruição e, depois, na reconstrução da infra-estrutura do país. Mais de um trilhão que não foram investidos em escolas e hospitais públicos, em projetos de auxílio a nações em desenvolvimento, em projetos sociais dos mais variados como os que tanto fazem falta desde que George W. Bush assumiu o poder em 2001.

Agora – Quase um trilhão de dólares investidos em menos de uma semana para resgatar companhias que ofereceram empréstimos atrativos, mas infelizmente impossíveis, à população comum. Quase um trilhão que não será investido nos próximos quatro anos em infra-estrutura local, a tão exigida e desesperadamente necessária.

Antes – Bill Clinton, em 1999, depois de longa deliberação, logrou afroxar as condições a empréstimos e linhas de crédito para que mais pessoas fossem incluídas no financiamento imobiliário e em outras áreas essenciais ao capitalismo pregado nos Estados Unidos.

Agora – Uma porcentagem assombrosa de pessoas deixaram de pagar as hipotecas pendentes, os carros de prestações incompletas, e empréstimos com juros obscuros.

Antes – As pessoas podiam pagar as hipotecas, as prestações dos carros e os empréstimos de juros obscuros.

Agora – As pessoas não mais conseguem fazê-lo, porque Bill Clinton deixou o poder há oito anos, e quem assumiu jamais pareceu preocupado com o futuro, o presente, ou o passado de sua nação.

Antes – George W. Bush era tido como presidente incompetente.

Agora – Há quem diga que seu nome será muito bem lembrado na história mundial.

RF

5 comments:

Marcelo F. Carvalho said...

É realmente impressionante, Roy, mas até para os daqui, gente a milhares de quilômetros de distância, a figura do Bush ficará na lembrança como o pior erro americano.

ZEPOVO said...

Para os americanos que realmente importam, os bem nascidos e a nata da elite, Bush será lembrado com muito carinho para sempre.
A indústria bélica e petrolífera ( o verdadeiro negócio dos Bush) estão contentes e satisfeitas, bushinho fez um ótimo governo, afinal nunca ninguém imaginou petróleo a US$ 120,00 o barril!
Aprovado o pacote de socorro financeiro, Bush terá mais admiradores, repito, do tipo que importa...

Jens said...

A questão é: estes caras merecem confiança? Você compraria um caso usado por Henry Paulson?

Jens said...

Roy:
se possível, dá um tempo na campanha e responda o seguinte: onde vai dar esta merda desta crise econômica? Mais especificamente, nós, os índios, vamos nos ferrar? Em que nível? Sei que não és um analista econômico, mas porra, não sei a quem recorrer aí, direto do front, que possa explicar sem frescura e sem interesses ocultos o que está acontecendo. Estou apavorado, borrado de medo. Portanto, doura a pílula. Diga que dias melhores virão.
Um abraço.

loba said...

Interessante como vc apresentou a história recente! Interessante tb o comentario do zepovo. E faço minhas as curiosidades do sr. jens.
Tá eu sei que nem comentei nada. Mas li muito, viu? E tou saindo pensando na tal "pedra líquida" a que vc se referiu. Por falar nela, existirá um ser humano verdadeiramente honesto? Ou talvez sim... já que a honestidade, como qq outro conceito, pode ser relativo, né?
Beijo mocinho lindinho! Semana deliciosa procê!