Thursday, January 17, 2008

Huckabee e uma Constituição Religiosa

Em uma de suas campanhas recentes a um grupo de conservadores religiosos, Huckabee declarou que a Constituição é mais fácil de ser mudada do que a palavra escrita de Deus, a bíblia, e de que ele era a favor de emendas que outros candidatos não eram, que transformariam a Constituição em um documento baseado em valores morais que um deus, não o deus de todos, no máximo judeo-cristão, é dito ter ditato.

Huckabee tem cara de bonzinho, veste-se como bonzinho e campanha com um olhar pio, bonzinho. Como conservador, é reconhecido por alguns republicanos como liberal demais. E logo chega essa notícia que a mídia expõe – escolhendo expôr, como faz com qualquer matéria, porque poderiam ignorar a pequena passagem de sua campanha enquanto Huckabee trabalha e já trabalhou em vários estados – mostrando um candidato ansioso por consolidar uma base evangélico-cristã de eleitores simpatizantes.

Quando fala de emendas, as principais são:

- Jamais permitir que o estado pague por abortos, e criminalizar o procedimento.
- Jamais permitir que pessoas do mesmo sexo se casem.

Claro que, para muitos, um estado protestante, batista, católico ou judaico cairia muito bem. Mas não cairia bem para outros muitos. Se me perguntarem a qual lado pende a maioria, não saberia dizer. Aqui, uma boa porcentagem não elegeria um presidente ateu. Já, se pensarmos em potenciais eleitores de presidentes radicalmente conservadores, aí o escritor aqui queda confuso e não sabe o que dizer.

Se a CNN e a MSNBC tiverem seus planos concretizados, essa mensagem de Huckabee deve danificar sua campanha. Para mim, melhor que seja aberto em relação a suas intenções desde o princípio. Romney é conhecido atualmente como um vira-casaca e bom jogador de interesses políticos. Já foi contra, logo a favor, logo contra, logo a favor e agora contra outra vez a legitimação do aborto. A mídia também usa isso contra o “mormon”, nascido em Michigan e vitorioso nas preliminares desta semana.

Para nós, que queremos ver Estados Unidos em melhor forma; para nós os liberais, o acontecimento dessas eleições traz à tona o sentimento de que a Casa Branca pode voltar a evoluir. Huckabee é um dos candidatos que não acreditam em evolução, e com orgulho. Diz que a teoria de Darwin, como tantos, é “apenas” uma teoria. Mas o pior dessa discussão filosófica a transformar a Constituição país a que se baseie nas leis de um deus, que deus é esse, e quem disse que deus disse isso, e se meu deus disser outra coisa? Para nós, que estamos cansados de ver crenças pesando contra a lógica, e que acreditamos em menos conservadorismo e maior liberdade social (o que necessariamente indica melhoras lógicas e coerentes na vida da população), estas eleições chegam como um possível alívio ao governo de George W. Bush.

Huckabee certamente não é candidato que se escolha. McCain tem valores similares, mas ainda
diverge em algumas vertentes. O mais liberal dos conservadores, ao meu ver, é Rudy Giuliani, que se arrisca fazendo campanha no grandioso estado da Flórida.

O jogo dos poderes continua e aquece. Já ouvimos maiores absurdos, e esperamos ouvir menos desses e um pouco mais de coerência nas campanhas. O presidente, afinal, é presidente de todos os estados, e nem todos são South Carolina, que hospedará as próximas preliminares nesse Sábado. Que vença o melhor...

RF

1 comment:

Halem Souza (Quelemém) said...

Roy, mas e se uma onda ultraconservadora começar a crescer na eleição dos EUA? Concordo que um candidato ateu teria pouquíssimas chances, mas um pastor com cara de bonzinho, quem sabe. Mas, ao que parece, os republicanos estão a reboque nessas eleições, não é?

Huckabee parece preencher uma lacuna importante para certa fatia do eleitorado norte-americano, aquela que nos filmes passados aqui, faz questão de jantar juntos, em família, no dia de ação de graças. Estou errado?

E aproveito para dizer que essa sua cobertura da eleição dos EUA está imperdível. Um abraço.