Sunday, January 18, 2009

Não Sei


O excesso de deuses e deidades sempre abalou a região do Oriente Médio, mas é a disputa de poderes e egos que gera a guerra, qualquer guerra, em nome de nomes inexistentes ou objetivos obscuros.


Não é a primeira vez que sinto vergonha dos ataques israelenses, e não é a primeira vez que me vejo defendendo o direito de defesa de Israel. Contraditório? Como tudo nesse mundo. Por isso quando perguntam a meu tio se ele é racista, sua resposta é feita a minha: Racista não, apenas abomino toda a humanidade.


Mas o engraçado é que quando ocorreram os ataques tribais em Darfur, Somália, poucos repórteres em todo o mundo reportavam o genocídio. Quando se trata de Israel, todos estão ansiosos a dar seus pitacos, todos se fazem protetores da paz, e nobres acima de tudo, mascarando um ódio, ressentimento explícito contra o país sionista. Por que? Não sei a resposta, a base da irregularidade lógica, da total falta de despeito, às vezes, com a própria situação em nossos próprios países. Todos tornam-se espertos no Oriente Médio. Todos clamam que Israel é o nazista (como se fossem os nazistas os piores inimigos dos judeus nos últimos dois mil anos).


Nem preciso dizer que cansei. Cansei, pois Israel não faz propagandas ao resto do mundo. Quando Israel diz que realizará um cessar-fogo unilateral, mas não procede por ataques do Hamas, como devo me sentir? O que devo pensar? Quando matam três filhas de um dos maiores defensores da paz no mundo, erradicado no Oriente Médio e de raízes árabes, o que ele deve sentir? Não sei, e gostaria muito de ter as respostas na ponta da lingua.


Pessoalmente, fiz minha parte. Para não precisar usar a desculpa esfarrapada de que seguia ordens, fugi do serviço militar em Israel. Mesmo assim, ainda sou israelense, amo aquele pais, seus habitantes, e nada, jamais, tive ou tenho contra o direito de existência da Palestina. O que devemos fazer? O que devemos pensar? Como podemos reagir? Não sei. Não sei mesmo. Sei que o mundo se torna cada vez mais estreito, e as amizades cada vez mais escassas.

A vontade que tenho é de me desligar, para sempre, dessa nação, do Oriente Médio, pedir uma bomba atômica para o fim dos dois povos, ou pedir que haja paz incondicional. Não sei qual dos dois é mais absurdo. Simplesmente, não sei.

Volto a Miami no dia 26. A partir de lá, verei o que se passa em minha vida.


RF

1 comment:

Priscila said...

Roy

Deixar de dizer o que sente, o que pensa é anular-se por completo, temos o direiro único de expressão, de vontade e vc sempre exerceu o seu com maestria.
Meu beijo e minha amizade irrestrita sempre.

Pri