Friday, October 10, 2008

“A economia esmaga a raça”.

Por Bruno Venancio


“A crise corrente começou com a explosão da “bolha imobiliária”, que levou a uma grande quantidade de hipotecas não pagas, logo a grandes perdas de muitas instituições financeiras. O choque incicial criou efeitos secundários, enquanto a falta de capital fez com que bancos se retirassem do mercado, levando a declínios ainda maiores nos preços das propriedades, o que originou mais perdas, e assim por diante – um circulo vicioso de “desvalorização”.

A queda livre acelerou depois [do fracasso] de Lehman. Mercados monetários, já em problemas, efetivamente se fecharam – uma das frases circulando atualmente é que as únicas coisas que as pessoas querem comprar agora são notas do Tesouro e garrafas de água.

A resposta a essa queda livre da parte dos dois grandes poderes do mundo – os Estados Unidos, em um lado, e as 15 nações que usam o Euro, do outro lado – foi terrivelmente inadequada.”

Assim explica Paul Krugman, em sua coluna de hoje no The New York Times. Depois de explicar que os líderes dos Estados Unidos, incluindo Henry Paulson, secretário do Tesouro, falharam em formular um plano conciso e intelectualmente são para reafirmar a economia da nação, ao mesmo tempo ajudando a evitar um colapso mundial da bolsa de valores, Krugman afirma que um novo plano de resgate deve ser concluído nesse fim de semana.

“Por que nesse fim de semana? Porque ocorrem dois grandes encontros em Washington: um encontro com os principais oficiais financeiros de grandes nações desenvolvidas, na Sexta Feira; e logo o anual encontro do Banco Mundial/Fundo Monetário Internacional ao Sábado e Domingo. Se esses encontros terminarem sem ao menos um acordo em princípio a um resgate global – se todos forem para a casa com nada mais do que vagos pensamentos de que eles pretendem continuar controlando a situação – a oportunidade de ouro terá sido perdida, e a queda livre pode facilmente piorar.

O que deve ser feito? Os Estados Unidos e a Europa devem dizer, ‘Sim, Primeiro Ministro.’ O plano Inglês (injetar 50 bilhões de euros no mercado) não é perfeito, mas existe o acordo geral entre economistas que [o plano] oferece de longe o melhor cenário disponível para um resgate abrangente.

E o tempo de agir é agora. Você pode pensar que as coisas não podem piorar – mas elas podem, e se nada for feito nos próximos dias, elas vão piorar.”

Sei que transcrevi e traduzi quase toda a coluna de Krugman, mas para quem ainda queria, aqui, uma melhor explicação sobre a atual situação econômica, o encontra melhor nas palavras de Krugman.

Tendo dito isto, passo ao que mais me vale.

Pela segunda vez consecutiva na semana que ainda passa, Barack Obama vence John McCain nas pesquisas do Gallup por 11 pontos percentuais (52-41%). Resultado este que inclui pesquisas conluídas ontem, depois do segundo debate presidencial, e após uma semana inteira de ataques ao caráter de Obama por associação.

Em um “townhall” (vide explicação no sidebar do blogue), McCain foi confrontado por um eleitor que o implorou (literalmente) a levantar a associação do pastor Jeremiah Wright, o ex terrorista doméstico William Ayers e qualquer outra pessoa suspeita na vida do candidato democrata, no próximo e último debate a ser conduzido entre os principais candidatos à presidência.

Faltando 25 dias para o 4 de Novembro, a campanha de McCain, consciente de que perde quando o assunto é economia, desviou-se do tema para tentar plantar a semente da dúvida em eleitores independentes ou indecisos. Por enquanto, o plano não só não funciona como passa a levantar questões sobre McCain e sua vice, Sarah Palin, que sem isso não teriam levantado.

Joe Biden, vice-presidente no bilhete democrata, disse a uma platéia de sua base que “McCain não teve a coragem de olhar nos olhos de Obama e atacá-lo por Wright ou Ayers [no segundo debate],” e concluiu, “de onde eu venho, se você tem algo a me dizer, diga olhando nos meus olhos!”

As associações de Palin ao Partido Separatista do Alaska, incluindo seu auxílio como prefeita e governadora outorgando certos cargos a oficiais da organização que, segundo diversas fontes, tornou-se antro de racistas e xenófobos de todos os estados do país, emergem enquanto Palin tornou-se ícone da separação partidária que assola o país há décadas. Segundo o conservador David Brooks, Palin representa a explícita divisão, rancor e ressentimento entre as classe mais e menos “educadas”. Seu orgulho caipira, em outras palavras, poderia ajudar o candidato republicano em outras eleições, talvez há alguns muitos anos atrás.

Meu palpite:

Sarah Palin não só não ajudou a McCain, mas é o principal motivo de sua queda nas pesquisas. O fator racial ainda deve ser analisado, mas por enquanto Obama parece vencer apesar de qualquer racismo. Esse é o moto de nossos dias: “A economia esmaga a raça”.

RF

9 comments:

Dani said...

Roy,
Concordo com a sua visão sobre a Sarah Palin. Acho que agora que a empolgação pela novidade passou, ela mais atrapalha que ajuda a difícil candidatura do McCai. Depois depois do Bush, acho que os Republicanos não ganhariam a eleição nem se a chapa fosse Madre Teresa e Dalai Lama.
Vi esta piadinha e achei que você fosse gostar:
Explicando a crise .... para leigos

Para quem não entendeu, ou não sabe bem o que é que gerou a crise americana, segue breve relato econômico ...

É assim:

O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbuns, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o 'pindura' dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB's, CDO's, CCD's, UTI's, OVNI's, SOS's, CDF's, etc ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem as operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu ).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbos da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E aí, toda a cadeia sifu.

Facil de entender, né?

Bjs

Roy Frenkiel said...

rss Ja conhecia essa. Falando nisso, Dani, se souber de algum emprego viavel nos EUA, da um toque. Falo 4 idiomas, sou expert no Word, Excell, PP, Access e Quantum (aviacao). Tenho anos de experiencia em relacoes publicas e gerenciais. Hehehe

bjx

Roy

Dani said...

Depois me mande seu email. Pode ser em qualquer lugar?
Bjs

CRIS said...

Entendí a crise. Piada didática, essa.

Beijo, lindo.

Jens said...

Hi, Roy.
Estes dias li uma matéria (não sei onde) afirmando que as eleições podem não acontecer, em razão de um dispositivo constitucional que permitiria ao Junior continuar no poder, alegando questão de segurança nacional (no caso, segurança econômica). Se comenta isto aí? A informação procede ou é boato?
Um abraço.

Roy Frenkiel said...

Boato. Ou melhor, merda de touro.

;-)

abraxao

RF

sandra camurça said...

Adorei a charge! Quanto ao texto... bem, tu entede, né querido? não dá pra ficar lendo em lan house. mas sei do teu talento e sensibilidade.
beijos.

Jens said...

Paul Krugman ganhou o Nobel de economia. Você está bebendo na fonte certa.
Um abraço.

Roy Frenkiel said...

:-D Falei o mesmo a minha Lilith! Foda eh aquele que reconhece os fodas, ne nao? hehehehe