Wednesday, August 27, 2008

Barack Obama, Hillary Disse:

Disse poucas vezes, na verdade. O nome de Barack Obama foi pouco mencionado nos 23 minutos discursados pela senadora de NY, Hillary Clinton.

Foi concisa, econômica, e apesar de eficiente ao completar o objetivo em pouco tempo, nada emotiva. Pediu aos seus eleitores que finalmente saltassem ao barco de seu ex rival preliminar, reforçou sua candidatura ao endossá-lo pela segunda vez em grande escala, mas não conseguiu expressar a alegria que os verdadeiros eleitores de Obama demonstram.

Bill Clinton deve discursar na noite de Quarta-Feira, evento altamente esperado para analizar hostilidades potenciais.

O tema de ontem foi a reconstrução da economia nos Estados Unidos, e entre as pautas estava a saúde universal, dilema que Clinton abraçou desde seus tempos como primeira dama.

Ainda resta saber se seu nome estará no bilhete da convenção à recontagem de seus delegados, algo já bastante improvável. O clima democrata é de união, faltando pouco mais de dois meses para o dia D.

Hoje à noite, Joe Biden, nascido em Pennsylvania e filho político de Delaware, falará ao público da convenção no Pepsi Centre, em Denver, Colorado. E, quem é o vice presidente?


Joe Biden

Como menciona Eliakim Araújo em seu sítio Direto da Redação, o nomeado à vice-presidência, Joe Biden, dá-se perfeitamente ao cargo. Talvez seja a escolha mais segura, mais monótona, menos polêmica entre os conhecidos candidatos, mas proporciona tantas ou mais vantagens ao bilhete quanto os outros possíveis políticos.

Biden é um político legítimo, sem riquezas acumuladas de negócios familiares, e uma de suas qualidades e defeitos é a exposição de suas opiniões sem pensar duas vezes, como quando disse que Barack Obama “era o primeiro negro inteligente, eloquente, e de aparência impecável” a candidatar-se à presidência. O contexto de seus ditos, é claro, pode ser abrangido à comparação entre Obama e outros candidatos passados, como Jesse Jackson ou Al Sharpton, ambos lideres de comunidades afro-descendentes, polêmicos e ruidosos, como é a maioria dos lideres sociais. Sentir a adversidade racial em seus ditos é mais fácil do que o contrário.

O senador do pequeno estado de Delaware desde 1972, reeleito ao cargo cinco vezes, iniciou a carreira aos 29 anos, e juramentou-se senador enquanto visitava os dois filhos gravemente feridos no acidente que matou sua esposa e filha de três anos às vésperas do Natal. Hoje, em um discurso direcionado à delegação de Delaware, Biden emocionou-se quando comparou sua escolha à vice-presidência e os anos de serviço ao estado: “São incomparáveis,” disse em melhores palavras.

Quando visitamos sua biografia no senado, Biden não deixa de ser político, e nesse caso, democrata. Porém, leiam com o ceticismo que desejarem: Sou cético e morrerei cético, assim creio.

Tem uma das vozes mais respeitadas no senado sobre política externa, e traz isso ao bilhete somado aos seus anos de experiência, ambos ataques fáceis para abutres republicanos contra o relativo novato Barack Obama.

Mas não são esses os ataques mais preocupantes.


O espectro de Hillary Clinton


Não adianta chamar exorcista, o estrago que Hillary Clinton causou, está causado.

As últimas propagandas políticas do senador pelo Arizona, John McCain, trazem palavras da furiosa postulante. Em uma delas figura a gravação de Clinton dizendo: “Sei que McCain tem experiência para trazer à Casa Branca, e eu tenho experiência. Barack Obama tem um discurso dado em 2002”. Ai! Doeu até em mim, diz o cético.

Obviamente, Clinton já contra-atacou e, no discurso dado ontem aproximadamente às 10:30 PM, horário de Miami,disse que era amiga e colega de McCain, mas que o país “não podia aturar mais quatro anos do que teve nos últimos oito”.

Quiçá a senadora seja menos pró Obama do que anti McCain, e conforme disseram 76% dos participantes da pesquisa conduzida pela MSNBC, Clinton prefere proteger seu futuro político a genuinamente contribuir à candidatura do senador por Illinois.

Estou curioso para saber e divulgar o que dirão as pesquisas depois das convenções. E eu, que achava que isso aqui estava frio demais.

RF

3 comments:

sandra camurça said...

Olá,
vim pra te dizer que meu pai me contou uma história parecida com a tua quando foi a Colômbia ;-)
beijos

Regina Ramão said...

Obrigada por me apresentar em primeira mão o Sr. Biden.

Adorei a "sou cético e morrerei cético, assim 'creio'". Tu te pareces muito comigo, guri!

bjo
Re

Jens said...

Hi, Roy.
Seguinte, de profissional para profissional: ducaralho as duas últimas reportagens. Você está pronto e acabado, embrulhado pra presente. Bem que o Mino Carta podia passar por aqui. Mestre Mailer deve estar contente, lá no Inferno (definitivamente, Mailer não foi para o Céu). Nem me preocupo em ler os sites tradicionais ou os jornalões. Igualmente me abstenho de me informar sobre as eleições americanas pela TV. O essencial está aqui, no teu brilhante exercídio de jornalismo analítico, qe]ue consegue ser isento e parcial ao mesmo tempo. Parabéns!
Um abraço.
PS: a Marisinha gozou lendo os dois últimos posts. Disse que tens futuro e mandou um beijo molhado nas breubas.