Wednesday, September 29, 2010

Se - If

Se soubesse se saber, saberia se saber ou se sentir. Se esquecer ou se ignorar-se, se o respaldo se reflete em si ou se remete a outros seres, saberia saber-se também. Se não, se entenderia por si seu próprio ser sem ser, e se sim, pelo sim se atenderia sem a menor hesitação.

Me arrefece esse “se” se me permite, já que se basta-se em permitir-me já sinto-me melhor. Me queima se se consome e se desaparece-se sem fazer-se mais que aparição. Me cansa se me arremata e se assim engole-se como se engole o gole da cachaça. Meu espontâneo devaneia. Se sonha-se, são seus sonhos seus. Se me sonha, sonha-me seus sonhos como meus.

Se aqui encostando-se se encarna-me, imaginem-me encostado em seu encosto. Se me encanta, encantaria-se comigo? Se me espanta, espanto-me sem si. Se, portanto, sentir-se eu, ei de sentir-me seu.

Se o tempo se expande; se o espaço sideral se rende ao surreal de seus sentidos paradoxais; se a tela branca preenche-se em meus dedos preenchendo-me os vazios; “se” que me tormenta, “se” sedento das águas das tormentas; “se” eu amanhã “ser” eu amanhã “me” eu amanhã não sei.

Se manda, se abre, se tem, se tema, sem tema nem trema, se bem que simplesmente não sei.

Se hoje novamente, “se” novamente, “se” todos os dias, ei de perder-me em razão. Se sigo sem saber-me ou saber se se sabe ei de perder a razão, ou há a razão de perder-se se assim desejar-se perdida. “Se” tempo, temporário, certamente. Se tempo se entende por tempo, vagaroso ou aos relampejos, sem causa. Se talvez, seria mais lógico. Sem se sim ou se não. E sem mais enrolação.

RF

4 comments:

Meneau (o insuportável) said...

Eu não saquei "o lance" (perdão, sou um completo imbecil). Passei para retribuir as visitas feitas. Voltarei sempre.

sandra camurça said...

Gostei de tanto "se", querido Roy.
Ah se a vida sesse mais repleta de enrolações royfrenkielianas!
Beijo no nariz

Vais said...

Olá Roy,
GOSTEI! GOSTEI!
um abraço

Fátima said...

" Se " eu estivesse no mundo fictício de George Orwell
e "se" fosse 1984, eu estaria mais jovem.
E " se " as pessoas não tivessem memória curta, elas " se " lembrariam de coisas importantes no mundo atual e tomariam melhores decisões.
Mas esse " se " é muito confuso no Ministério da Verdade.
Altera e confunde.
"Se" fosse 1984 eu diria que o uso desse "se" seria crimidéia (crime de idéia em novilíngua).
E quem o usasse seria capturado pela Polícia do Pensamento.
"Se"fosse 1984.
Mas não é, né?
Portanto, mande bala no "se".

RF