Monday, June 29, 2009

Debate Público Número Dois: "Who's Bad"?

Parece que é a época do ano. Ano passado, de Junho a Agosto morreram Tim Russert (analista político da MSNBC e NBC) e George Carlin, comediante favorito do blogueiro. Esse ano, na mesma temporada, morrem Ed Macmahon (que frequentemente “apresentava” o Tonight Show com Johnny Carson, também recentemente falecido), Farah Fawcett (a “anja” dos Estados Unidos) e Michael Jackson.

Sobre Michael Jackson há muito a dizer. Muito mesmo. Recomendo a leitura da Zine do Pirata, onde o próprio opina sobre a qualidade musical de um de seus ídolos. Discordo dele apenas em um “detalhe”: Para mim Thriller foi um dos melhores álbuns da música contemporânea desde a explosão tecnológica da comunicação de massas. E, além disso, a música They don’t care about us, de meados dos anos 90 (video-clip, inclusive, filmado exclusivamente no Brasil), é minha favorita entre as suas, o que prova que sua carreira não “morreu” há tanto tempo assim.

O video-clip de Thriller revolucionou a indústria. Fred Astaire, o maior dançarino do início do cinema americano, morreu invejando os movimentos impossíveis de MJ.

Acredito que o tema onde a imprensa menos mostra conduta ética e mais prova a ineficiência da incorporação absoluta do jornalismo social é quando trata de celebridades. O sensacionalismo que jornais como The New York Times evitam em qualquer outro artigo faz-se presente e estridente quando tratam de celebridades. Britney Spears, Anne Nichole Smith e outros já sofreram o “bafo de enxofre” que a midia às vezes exala. No entanto, acredito que ninguém tenha sofrido mais, e tão constantemente, quanto Jackson.

Se foi ou não pedófilo acredito que nunca teremos certeza. Há evidências para os dois lados, tanto com a perseguição midiática quanto com sua conduta (infantil, excêntrica, tendo sido abusado pelo pai em sua infância). Portanto, uma de minhas filosofias de vida é separar o gênio de sua pessoa caso ainda queira admirar a arte de anti-semitas, racistas, assassinos, pedófilos ou pedantes, maniacos-depressivos ou ninfomaniacos.

À Sexta-Feira assisti um especial de Bill Maher (comediante e apresentador de seu próprio show na HBO) entrevistando a Billy Bob Thornton, ator de Bad Santa, Armaggedon, The Astroaut Farmer, Monster’s Ball e Slingblade. Thornton tem também uma banda que leva seu nome, tocando e cantando canções de clássica relevância cultural aos Estados Unidos, e há alguns meses saiu no Youtube em uma entrevista a um radioalista canadense que terminou embaraçosa para ambos, quando o radioalista brincou com a validade da música do artista.

Voltando a Bill Maher, no programa Thornton mostrou sua paixão pela música e levantou uma questão que podemos discutir aqui em debate público número dois. Se você pudesse fazer uma lista das bandas e cantores/as que serão lembrados de hoje em 100 anos, quantos nomes encontraria pertencentes às décadas de 80, 90 e a atual? Thornton perguntou isso a uma amiga, e a maioria das pessoas que ela citava tiveram o início de sua carreira nos anos 40, 50 e 60. Um desses artistas citados pela “amiga” foi Michael Jackson, ao que Thornton respondeu: “Errada de novo, Jackson começou em 1969 com os Jackson 5”.

Jackson, no entanto, pode ser uma das últimas lendas da época em que o rádio revolucionou (e estragou, em parte) a indústria de gravadoras de discos. Penso em artistas dessa época que ainda vivem, e realmente não encontro ninguém (nem Ringo Starr e Paul McArtney) que despertasse tanto interesse público e que despertará tanto luto no dia de sua morte. Indubitavelmente, sendo quem fosse, exposto como fosse pela imprensa sangrenta e sedenta por celebridades, foi um dos últimos grandes mestres da popularidade universal (ao lado de Elvis Presley, Frank Sinatra e pouquíssimos outros).

Penso na pergunta de Thornton e já discuti o tema com pessoas que viveram os anos 70, por exemplo, e tiveram o privilégio de acompanhar os anos “dourados” de Jackson, e o surgimento e sucesso das bandas dos anos 50 e 60. Minha resposta final? Depende a quem perguntemos, a memória servirá melhor a gregos do que troianos, ou vice-versa. E, justamente pela propagação da comunicação de massas e pelas diversidades e variedades que encontramos no mundo artístico moderno, acredito que será difícil ou impossível alguém chegar ao mesmo patamar de fama, já que o excesso e a diversidade em excesso (o que acredito ser algo positivo mais do que negativo) realmente atrapalham a adoração universal, e hoje em dia o mundo é cada vez mais individualista.

E vocês? O que pensam disso? Podem citar o nome de ao menos 10 bandas e/ou cantores/as que serão lembrados e louvados de hoje em 100 anos? Qual é a extenção da influência da explosão tecnológica da comunicação de massas no século XX no gosto popular musical? Quais artistas dos últimos 100 anos vocês mais lembram?

RF

14 comments:

Priscila said...

Acho que fora o sensacionalismo e os escandâlos, Michael é um ícone de época, algo como um ser mítico e imortal.
Sua música ficará como herança aos pobres mortais.

Jens said...

Oi Roy.
Gosto do legado do MJ, independente das suas idiossincracias. Me agrada especialmente o que produziu quando ainda não era branco nem triste.
Quem será lembrado daqui a 100 anos? Sei lá. Cá entre nós, nem me interessa, já estarei morto.
Os artistas que mais conheço, e sobre os quais poderia opinar com um pouco (bem pouco) de conhecimento, são brasileiros. No entanto, como se sabe, o povo que vive abaixo da linha do Equador tem memória curta. Assim, me calo.

Um abraço.

Roy Frenkiel said...

E dai? Nao pode ser brasileiro? rss Aiai. Enfim.

Grazzie,

RF

Lilith said...

MADONNA! SEM DÚVIDA!

Roy Frenkiel said...

Sim! E acho tambem que Nirvana, Guns n' Roses, diria ate que Legiao Urbana, Engenheiros, Capital Inicial, Ira etc. Madonna certamente sera lembrada tb e causaria tanto luto quanto se tivesse morrido agora. Nao tinha pensado nisso.

Te amo!

RF

Lilith said...

Também te amo!
Madonna não vai tão cedo. Curiosamente, ela estudou a Cabala e encontrou Jesus... rs
Beijo!

Cris said...

Oi, Royzito,

Concordo com a tua amada: Madonna.

Olha, fofo teu comentário corinthiano, viu?

Beijo

Jens said...

Com a Madonna, concordo. Mas Engenheiros, Capital Inicial, Ira. Hummm... Acho que o uisque era falsificado, Roy.
Mas tudo bem, já que a bola continua picando, vou chutar: Francisco Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, ROberto Carlos, Milton Nascimento e Tim Maia. Hoje, ainda vivos (à exceção do síndico Tim), são pouco lembrados, mas existe a possibilidade (otimista) que as próximas gerações sejam mais sensíveis.
Ah, Elis Regina também tá na minha lista.

Abraço.

Marcelo F. Carvalho said...

Billy Holliday ainda é lembrada! Hendrix também! Acho que beatles será por outros muitos anos... Mas vivos? Madonna talvez cause a mesma comoção (se morrer como o M.J: envolto em mistério momentâneo) e viverá, musicalmente, mais cem... Talvez.

Roy Frenkiel said...

Entao Jens, acho que voce ja meteu ai uma lista boa de pessoas que serao lembradas de hoje em cem anos, e nao sei se so pelo Brasil. Por exemplo, Os Mutantes tem uma legiao de fas gringos incrivel. Sei que nao eh das maiores, mas certamente eh das melhores que ha, ainda retendo os vinis e levando aos shows que a "nova" trupe fez por aqui ha alguns anos (alias, o melhor show que ja fui desde que me mudei para os EUA).

Mas mesmo assim, vejamos:
Caetano Veloso: 1965 (acompanhando Bethania ao substituir Nara Leao, quando fez o show "Opiniao", e logo lancando seu primeiro "single").

Chico Buarque de Hollanda: 1965 (lancou seu primeiro "single" ja com as cancoes "Pedro Pedreiro" e "Carnaval").

Gilberto Gil: 1962 (O preto que a mae de Caetano dizia que ele gostava e chamava pra ouvir e ver, gravando o primeiro compacto em 1962).

Roberto Carlos: Jovem Guarda, 1961 (lancando o primeiro LP "Louco por Voce", apesar de ja ter algum sucesso com Erasmo Carlos e Tim Maia no grupo Sputniks em 1957)

Milton Nascimento: Apesar de ja ter sua semi-fama iniciada com o grupos W's Boys e Sambacana, gravou o primeiro compacto em 1967.

Tim Maia: Comecou a estourar loco com o sucesso dos Sputniks (Roberto e Erasmo Carlos) em 1957.

Eu ate incluiria algumas figuras excepcionais porque chegaram aos gringos com forca: Tom Jobim (1954, oficialmente), Vinicius de Moraes (1927, oficialmente com "Loura ou Morena" com os irmaos Tapajos) e o grande Dorival Caymmi (que ja comecava nos anos 30 e chegou a cantar com Frank Sinatra). Ha Bebel Gilberto, Cartola, Gonzaguinha etc, que acredito que o Brasil ainda se lembrara em algum ou outro nicho.

Ja as bandas mais modernas, creio que apesar de "falsificado" ainda conseguiram criar algo novo e brasileiro, sendo que o rock nacional, apesar de batidas similares, nao eh exatamente o mesmo que o o internacional. Por exemplo, prefiro o hip-hop brasileiro ao estadunidense, hoje em dia. Cassia Eller, Cazuza, tambem sao outras importantes vozes ao Brasil, surgindo e crescendo em outras epocas.

Bruno Venancio said...

Roy.....genial o texto rapz!
abraços e sucesso sempre!!!

Luma said...

A Nasa enviou para o espaço "Across the universe" dos Beatles. Não foi à toa! Não sei como se lembrarão de MJ daqui 10 anos. Eu gostaria que a música não fosse tão dissecada, no sentido da destruíção das raízes musicais e que o Brasil valorizasse mais os nossos 'gênios' como Heitor Villa-lobos e Tom Jobim. Não que não valorizem, mas que fosse incluídos em sala de aula, como parte da formação cultural. Entre as interpretes: Elis Regina, lógico! Que fará aniversário dia 14.
Música americana, vários! Não sei porque falam mal da música americana, certamente, aqueles que não entendem de música. Já falei no blogue sobre MJ e Elvis, falta falar de Frank Sinatra. Sim, eu mandaria uma canção dele para o espaço, ele era "A voz" e certamente a melhor voz de todas as vozes, seria o meu eleito. Ele foi contra 'todos' em uma época que os produtores e cantores apostavam no rock, pois era o início de tudo. Frank Sinatra, o traidor do rock! Beijus

Roy Frenkiel said...

Concordo, Luma. Mas ai tb entra a questao da elitizacao da cultura, como existe "high" e "low" cultures. Nao que eu duvide da superioridade artistica desses genios, mas precisamos "explicar" porque ela existe.

abraxao

RF

josue mendonca said...

Acho que lembraria mais fortemente de Legião Urbana, porque fez parte de minha adolescência..