Thursday, June 11, 2009

Debate Publico Numero 1 - Salvem as Baleias!

Canais como o Discovey Channel e Animal Planet não de hoje transmitem uma seleção de documentários que considero excelentes e extremamente didáticos. Em “Deadliest Catch” (A Pesca Letal, em tradução livre), o DC criou um documentário serializado (quase um “reality show”, mas sério, se é que seja possível) sobre frotas de barcos pesqueiros no Alaska em busca da maior quantidade possível de caranguejos, uma competição concreta e real no mercado pesqueiro, valiosa (o potencial de cada barco é arrecadar milhões de dólares no fim de suas expedições) e bastante arriscada. O Animal Planet havia apresentado o outro serializado “Out of the Wild” (algo como “mundo selvagem”), onde pessoas comuns, moradores de cidades grandes, voluntariam-se e são escolhidos para um teste de sobrevivência sério, sem contar com a ajuda externa do “mundo civilizado”, onde correm perigos às vezes mais graves do que outras. DC também nos trouxe os Caçadores de Mitos, programa que adoro assistir regularmente.

A última moda do AP, no entanto, é um programa chamado “Whale Wars” (Guerra das Baleias), onde o grupo ambientalista radical “Sea Shepperd” (Pastor dos Mares), engaja-se em uma guerra infinita contra os pesqueiros japoneses responsáveis pela morte de mais de mil baleias anualmente. A pesca de baleias foi criminalizada pelo código universal ambientalista da ONU, mas como o mundo vive em anarquia global, ninguém reforça a proibição.

Além disso, existe uma saída legal para os japoneses. A pesca comercial foi proibida, mas existe uma cota anual de baleias que podem ser capturadas e mortas em “nome da ciência”, aproximadamente 950 baleias azuis, e outras 200 baleias finlandesas, esta última espécie em extinção.

A embarcação “Sea Shepperd” e seu fundador, Paul Watson, levam um grupo de 20-30 pessoas a navegar pelas gélidas águas da Artáctica em busca dos navios pesqueiros, cargueiros e abastecedores. Procuram uma frota específica, liderada pelo Nishinn Maru, navio cargueiro usado para receber as baleias caçadas e prepará-las para o envio. De modo a enganar os ambientalistas e o mundo em uma batalha midiática, o Nishinn Maru tem estampado em seu casco a palavra “Pesquisa”, e quando filmados pela equipe do “Sea Shepperd”, ostentam placas com dizeres como “estamos pesando o conteúdo intestinal das baleias” ou “estamos medindo suas carcaças”. Sem grandes esforços a equipe do “Sea Shepperd” já filmou o processo de envio da carne da baleia ao mercado japonês que ocorre no Nishinn Maru, entretanto.

Paul Watson foi um dos 11 fundadores do Greenpeace, uma das ONGs ambientalistas mais importantes do século. Por advogar uma postura mais agressiva pela causa ambiental, foi votada por todos os demais membros sua saída do grupo. De fato, o Greenpeace considera suas táticas arriscadas e violentas demais, assim ignorando pedidos de ajuda nos casos em que a visibilidade do “Sea Shepperd” limita sua capacidade de encontrar os “inimigos” pesqueiros.

Watson jamais machuca ou pretende machucar as tripulações dos navios que encontra. Com bolsas de papel repletas de ácido bórico (se não estou enganado, butyric acid traduz-se assim), ácido fétido que impregna as embarcações “inimigas”e dificulta o trabalho dos pescadores, e outras artimanhas parecidas (bolsas de farinha unidas a outro químico que faz dos pisos escorregadios ao explodir, sendo que a farinha dificulta a limpeza do produto), a equipe do “Sea Shepperd” jamais atinge a tripulação, apenas dificulta sua vida marítima.

No entanto, em alguns casos Watson parece arriscar demais a vida de seus voluntários. Alguns destes assumem a responsabilidade de arriscar a própria vida em nome das baleias, mas outros percebem as ordens do capitão e de seu “primeiro-marujo” como contra-produtivas. Ao abordar uma das embarcações pesqueiras, por exemplo, criando assim um conflito diplomático entre a Austrália e o Japão, Watson fez com que dois de seus tripulantes arriscassem encarceiramento em terra japonesa, ou até mesmo na Austália. Representantes do Greenpeace clamam que o episódio atrasou sua batalha em nome da causa.

Outro fator importante na análise do “Sea Shepperd” é que sua embarcação é velha, não contém proteção contra gelo (o que é perigosíssimo quando se trata da Antárctica), e grande parte da população não tem a menor experiência em navegações do tipo. O mini helicóptero que contribui nas buscas quebrou no meio da primeira temporada, e o barco inteiro teve seu motor e uma série de válvulas quebradas ao longo da desgastante viagem. Vale lembrar que dois minutos em águas como essas matam qualquer ser humano, não importa como esteja vestido. E não é que três tripulantes quase morreram congelados em uma das empreitadas? Pois bem, os riscos são reais e severos, e a pesar da grande notoriedade com o programa do DC, são corridos bem antes da descoberta do canal das descobertas.

E você? O que pensa disso? Vale arriscar a própria vida em nome da causa? Vale arriscar a vida de outras pessoas em nome dessa causa? Poderiam faze-lo de modo diferente? A causa ambientalista parece importante a esse ponto? Comente sua opinião, é a única que vale!

RF

13 comments:

Cris said...

Oi, Royzito, quanto tempo, hein, garoto?

Respondendo tuas perguntas finais: Eu poderia abraçar a causa que fosse, mas protegeria minha vida e a de quem me acompanhasse, agora, riscos....viver é um risco, né???

Beijão.

Marcelo F. Carvalho said...

Que sinuca-de-bico, Roy! Difícil responder! Acho que a Cris foi muito sábia nas palavras e na conclusão e, na falta de construção própria, vou com ela nessa certeza: protegeria a minha vida e a dos meus, mas viver não é correr riscos?
_________________________
Abraço forte!

Roy Frenkiel said...

A pergunta do debate, que nao tinha sido bem escrita, desculpem, eh se ESSA causa vale a pena. Se voce "ama" algo e se arrisca, isso pode ser bom pra voce. Mas eu nao quero saber disso, ou seja, isso eh meio obvio, nao precisamos pensar pra isso. Na verdade trata-se de uma questao etica que tem implicancias maiores: A anarquia global explicita nas transacoes maritimas, por exemplo. O fato de que o Tratado Antarctico, que dita que nenhum exercito pode reforcar as leis ou pressionar grupos e individuos na Antarctica, corre grandes riscos de ser transgredido sem que ninguem saiba disso. O mesmo poderia acontecer na escavacao de petroleo.

No geral, ha muitas causas que as pessoas podem aderir, a maioria involvendo SERES HUMANOS. Nao seriam essas causas mais produtivas pra TODOS? Nao eh sobre isso que esse pessoal poderia pensar?

abraxao

RF

rouxinol de Bernardim said...

Meu caro Roy:

Veja se conhece a personagem focada no meu novo post em

www.amarjunqueira.blogspot.com

Jens said...

Oi Roy.
Impressionante (de uma forma positiva) que ainda existam pessoas dispostas a dar a vida por uma causa que consideram nobre. Aparentemente, a utopia sobrevive em alguns bolsões humanistas.
Em relação ao caso específico, pessoalmente não arriscaria a minha vida para salvar as baleias. Se fosse para combater a fome na África e eu tivesse 30 anos menos, talvez...
Um abraço.

Ana Luz said...

a briga pela causa depende do seu idealismo, dos seus principios!
mta gente diz que é contra a caça de baleias, mas adoraaaaaa uma carne de baleia qdo lhe convém.
ou seja, depende do seu grau de idealismo sobre aquela causa.
eu admiro muito essas pessoas que lutam com a vida por esses motivos e acho que é tudo muito válido. ninguém ali estava sendo enganado e sabia dos riscos que corria!
gostaria de ter mais atitude assim!

quem sabe um dia?
pois principios e idéias é o que não falta.

Marcelo F. Carvalho said...

Concordo contigo, Roy, mas lendo sobre o que certas ONGs andam fazendo na selva amazônica (e outros "grotões"), fico me perguntando até que ponto a causa humanitária também não pode virar num imenso engodo de ideais em causa própria de (como diria o Pirata) $inha mídia.
_____________________________
Há espaço para tudo e todos. Biko, M. L. King, entre outros iluminados humanistas deram um bom pontapé, mas parece que a humanidade anda meio perdida em relação a ela mesma...
O Halem postou algo semana retrasada sobre o livro Lavoura Arcaica que nos fala do distanciamento com o próximo. Acho que é isso: estamos mais distantes de nós. Paradoxo, mas é o que acho.
_________________________
Abraço forte!

anin said...

Qdo se tem verdadeiro ideal, abraça-se uma causa. E isso implica em correr riscos. E é justo que assim seja.
(Vc é sempre tao sério?)

Roy Frenkiel said...

HM... Sim rs

josue mendonca said...

Roy,
que bom que está voltando a escrever aqui.

acho que voce tem muito a acrescentar à blogosfera..

abraço

Lola said...
This comment has been removed by the author.
Lola said...

ROY,

TE PEÇO MIL DESCULPAS POR NÃO PODER VIR AQUI ANTES, NEM PARA DAR UMA EXPLICAÇÃO. MAS, ESTOU FINALIZANDO PENDÊNCIAS.LOGO VOLTO! GOSTEI DO ASSUNTO, MAS, ALGO ME DIZIA QUE ESSA POSTAGEM NÃO IA FICAR EM..."SALVEM AS BALEIAS!" :).
VOLTO PARA COMENTAR NESSA POSTAGEM E EM OUTRAS!
BEIJO.

Deborah said...

Oi Roy,

Essa causa é SIM justa.
Devemos lutar por todos de humanos a animais, é mais nobre lutar por um humano do que um animal? Isso se chama andropocentrismo. Amar meu cachorrinho e comer um outro animal morto? Isso se chama especismo.
Eu morreria por baleias, acho MUITO foda a atitude dessas pessoas. E olha só o novo "barco" deles:

http://www.anda.jor.br/?p=7337

Sendo vegan eu já contribuo bastante contra a exploração animal e humana, caso não saiba a pecuária é uma das campeãs em trabalho escravo no Brasil.

A primeira razão para crer que aniamis são "secundários na escala de interesses relevantes" é que os animais não são sencientes.

"Descartes afirmava que os animais não são nada além de autômatos, ou robôs, criados por Deus. Segundo ele, os animais não têm almas, que são essenciais para a consciência, portanto eles não podem ter a experiência da dor e do prazer, nem qualquer outra sensação ou emoção. Descartes também interpretou o fato de os animais não usarem linguagem verbal ou linguagem de sinais como uma indicação de que eles não têm consciência. Se Descartes estivesse correto, falar sobre os animais terem interesses seria tão insensato quanto falar sobre os relógios terem interesses, e seria absurdo dizer que temos alguma obrigação moral ou legal para com os animais. "*

E respondendo a clássica: Porque você não vai ajudar as crianças com fome?:
http://vista-se.com.br/site/por-que-nao-vao-ajudar-criancas-com-fome

*Trecho que colei aqui: http://gato-negro.org/content/view/96/48/