Friday, July 20, 2007

Tudo e Nada



… E vejo que os ossos se cansam,
Os olhos se pesam,
As sombras se alastram,
E os rostos se presam…

… Vejo que o anseio é rouco,
Que o passeio é pouco,
Que o caminho é louco,
Que o espaço é ôco…

… Ejo que as estrelas luzem
E as serpentinas morrem
E os calores somem
E os horrores sobem…

… Jo que vou-me depressa
Atrás de uma pressa
À sorte adversa,
Ou mentida promessa…

… O tudo é o nada descontínuo
Em corpos atravessados,
Nos ossos esmiuçados
Dos rostos amedrontados…
O tudo é o nada repentino…

RF


2 comments:

Halem Souza (Quelemém) said...

Ah, garoto! Gostei do efeito de "desaparecimento" gradual da palavra, nesse teu poema "Tudo e nada". Refletir sobre a forma, além da "mensagem" que se transmite, parece ser uma das preocupações da poesia de hoje em dia.

Mas quero aproveitar e falar da postagem anterior: cara, fiquei chocado! Quer dizer que seus colegas não conseguiram perceber uma lição patente da crõnica do T. C. Bambarra? Quê isso? E mais, criticar Garcia Márquez por amizade como Fidel? Mas ele é antes de tudo um escritor! Critique-se primeiro os seus livros! Cara, aberrante...

E mais (sem querer abusar da sua paciência): essa fixação do norte-americano e de outras gentes pelo munda afora pelo $inhô Mercado (como diz o Pirata) e pelo "american dream", além provocar toda essa frustração, tá acabando como o planeta. Aguarde, daqui umas três semanas, o que eu vou escrever sobre isso, ao falar dos livros Contraponto e Admirável mundo novo, ambos do A. Huxley. Grande abraço.

Taís Luso de Carvalho said...

Oi, Roy, gostei demais deste texto: mostra nosso momento atual, mas com aquela magia da poesia.
Bjs
Taís