Thursday, April 26, 2007

Mais masturbações mentais



Já martela das entranhas de meu crânio essa dor e seu consumismo animalesco, enquanto corrói as tripas de meus neurônios e me embriaga em sórdida confusão. Não sei mais sobre o que escrever. Aliás, fizesse uma coletânea de minhas redações, descobriria que a grossura dos capítulos que falassem sobre não saber o que escrever seria hors-concours em paralelo a outras de suas partes. E, lendo a tendência crescente da estruturação da blogoesfera cada vez mais iminente, com regras sendo ditadas e truques à atração de mais leitores – como esses infelizes, como eu, que surrupiam endereços eletrônicos para divulgar o Reação Cultural – parece que me afasto cada vez mais, ao invés de me aproximar, ao que a Internet tem a me oferecer.

Não sei se estou romântico, ou se triste. Estudo, atualmente, o livro “On Liberty” de John S. Mill, padrinho de Bertrand Russel, dois de meus filósofos favoritos. A escola me dá trégua, oficialmente, de hoje ao dia 18 de Junho, quando apenas estudarei uma classe, de Literatura e outros temas culturais (não brinco, esse é o nome do curso). O R.C. continua e, se não fermenta em excesso, já bateu alguns recordes. Os Intensos, ou Individualismo, contudo, confesso que sofre não a ausência de assuntos (aborto, células-tronco, matrimônio entre homossexuais, preconceito, liberdade de expressão, controle de armas etc), datas (nem falei sobre a Páscoa, o dia do Holocausto seguido do dia da Independência israelense, o dia da Terra etc) nem de pensamentos (vide titulo) por minha parte. Eu penso, mas não sei o que escrever. Tudo parece tão mais complexo do que qualquer texto que possa ser escrito aqui, e confesso também ter exaurido minha criatividade momentaneamente no que diz respeito a uma escrita curta e grossa.

Minha vida pessoal, eu bem sei, pouco importa aos leitores da “www” atual. As causas precisam sempre ser compactas para atingir mentes que se distráem em segundos. Ler pelo computador é incômodo e, francamente, já não se pode confiar em nenhuma informação ao cem por cento sem estar presente na hora e local da ocorrência. Já a arte, seja ela o que ela quiser ser, tampouco colabora comigo nos últimos tempos. O que ocorre, acredito, é que estou mesmo ficando velho. Claro, como um bom woodyalleniano ser velho aos 26 requer muita cara de pau. Além de possui-la, trago outras razões. O mundo, tão rápido, diversificado, ágil, mesclado, miscigenado, em constante metamorfose, em constante transcendência, já há muito me faz de bobo e me embriaga em ambivalências e conflitos maiores do que eu, ou do que minha capacidade de sinceramente chegar a alguma conclusão sobre o que é a vida e para que serve esse treco.

Confesso muitas coisas que não posso confessar. Ontem, li a história de 3 mortes banais, de 3 pessoas jovens, por problemas que podiam ser evitados caso a humanidade valorizasse um sistema de saúde coletivo mais do que um automóvel zero quilômetro. Uma redução estomacal que saiu pela culátra… Um aneurisma cerebral (16 anos)… Um apendice estrangulado… Na Virginia, um menino mata mais de 30 e se suicida (se é que se suicidou), e o povo, todos retirados do desenho animado South Park, fiel retrato da realidade da mente humana contemporânea, requer a expulsão imediata de imigrantes ilegais (o menino não era imigrante ilegal) ao invés da proibição à venda indiscriminada (praticamente) de armas de fogo. Depois, ouço que Scharlau encontrou problemas em um conto que relembra os bons tempos dos filmes do faroeste, e ao invés de caboclo, podemos chamar o episódio de “Faroeste Gaúcho”, tchê. Já Pirata conta em sua Zine (com Z maiúsculo) que sua história pirata bem explica suas tendências piratas, e porque a pirataria revela a verdadeira essência do ser, e sua verdadeira tendência social em contexto holístico. O mundo está doente… Sobre o que escrever, se eu mesmo não sei se minhas opiniões originam de uma esquizofrenia aguda, ou se sou tão lúcido que minha parte insana não consegue me compreender, portanto vive em conflito, causando curtos-circuítos em minha psique frenética. O mundo está doente, e eu, em plenas vésperas do mês em que cheguei a esse mundo enfermo, cada dia faço mais parte de sua enfermidade.

Cheers,

RF

5 comments:

Pirata Z said...

Taí, sobrinho, escreveu - e bem - sobre o vírus que infecta todos nós, escrevedores: a falta de assunto. Se te servir de alívio, até o Vaerissimo (justo quem) já se valeu da falta de assunto para ter, ahnn..., assunto.
Estás bem acompanhado.
Baita abraço

Jens said...

RF:
Pra quem não sabe o que escrever, até que fostes bastante prolixo.
***
Velho aos 26 anos? Pô nessa época em estava fervilhando no mundo do sexo, das drogas e do roquenrrol (o tempo bom não volta mais, saudade!). Se estás velho eu já morri e se esqueceram de me avisar.
***
Lord Bertrand Russel? Mais uma admiração que temos em comum (hummm..., parece coisa de viado. Perdão, viados).
***
Depois do verão senegalesco, quando não fui uma única vez à praia (maldito mundo capitalista), chuva e frio no horizonte. Quero a primavera, já!
***
Abraço.

Nana de Freitas said...

Calma, querido... Segundo a lei natural das cousas, depois da bonança vem sempre a tempestade. Beijo.

Halem Souza (Quelemém) said...

Sei, não. Sempre há assunto, eu acho. A questão, penso, é ficar preocupado se o assunto desperta ou não o interesse dos outros.

No meu início "blogal" ficava pensando: "Será que alguém vai ler isso?". Fiquei seis meses escrevendo e nenhum sinal de que aquilo chegava a alguém. Depois desencanei. Não sou profissional; não pago as contas com isso. Escrevo o que der na telha e se alguem ler, tanto melhor.

Mas concordo com o Combatente Jens: pra alguém sem assunto, você até que escreveu bastante. Um abraço e pau na máquina!

R.C said...

Tio Pirata, cada dia mais o senhor e um heroi pro eu. Obrigado pela companhia que me destes, mas ainda acho que Verissimo teria mais assunto do que eu :P

Jens, estou ficando velho, cara! haha Quando digo isso, minha irma, a mana Maya, especialmente se indigna e diz que nos somos jovens, criancas e tudo aquilo que voce conhece. Concordo com ela, mas acho que o que eu sinto e a consciencia de que nao sou mais tao jovem assim. Chegam aquelas coisas incomodas que quando eu era crianca, fazia sem pensar nem sentir, que agora se sentem, e a percepcao de que mamae e papai nao mais nos podem ajudar, e a consciencia de que daqui pra frente o mundo que eu ja carregava se faz apenas mais e mais e mais pesado... E foda... Quanto a Russel, fico contente de compartilharmos um desses herois. Leia Mill, Jens, voce vai adorar igualmente.

E Nana de Freitas me honra, amora de via mea. Ora essa, do jeito que voce poe as coisas, ate a tempestade eu anseio sentir.

Halem, voce tem razao, mas nao e so isso. Em sinceridade, significa apemas que eu nao sei se vale a pena escrever sobre o que eu penso. Alem de eu ler pessoas escrevendo melhor do que eu poderia em alguns aspectos, sinto que o que eu tenho a dizer ainda e muito geral, sem enormes detalhes, apenas uma linha de pensamento que pra mim soa obvia, mas que talvez ainda nao seja bem vista, ou talvez nunca seja bem vista por sua generalizacao.

E isso...

Aos abrax e agradecimentos profundos a todos que me visitam nesse espaco,

RF