Friday, March 09, 2007

O Segredo de Minha Irmã

Quarta Parte

“Tenho um segredo...” Janaína disse, finalmente. Quase caí da poltrona, desperto ainda agora mais pelo peso leve de suas palavras diretas. Tinha um segredo, sempre teve, seus olhos me diziam, seus gestos me contavam, mas ela nunca abrira a boca a desvendar nada a respeito disso. Justo agora, após ausência desmedida, ela que não me via e me estranhava como sempre, chegara a revelar segredos? Lembrava-me que meus desencontros com Jurandir estavam também escondidos de sua consciência. Talvez ela soubesse com quem me metera, mas nunca lhe disse o motivo. Ao invés de querer saber dos meus âmagos, abria-me os dela? Meu coração palpitou mais forte, salpicando algumas batidas com alegria, outras com a severidade que tomava conta do momento especial.


Entre o odor das relvas da madrugada de nossa cidade, saía a beber com meus amigos desde ainda menino, dezesseis, quinze anos de idade. Janaína não aprovava. Nunca havia aprovado, mesmo que eu lhe confessasse, sem medo de que ela re-contasse nossas travessuras dissimuladas à mãe. Nessas épocas nem tão remotas de minha adolescência, confiei em Janaína mais do que poderia confiar em outrém. Sussurrava meus segredos quando, ao me aproximar do quintal, próximo à porta dos fundos usada no perpetuar de minhas fugas obscuras, minha irmã me esperava, preocupada. Mamãe sempre dormia, e eu me certificava de que o início de minhas aventuras só se desse depois de que mamãe adormecesse. Mas, Janaína não. Não aprovava, não dormia, mas tampouco me proibía, pois não era esta sua função naquela casa.

Quando me disse de seu segredo, ali, em hora de desespero e açoite familiar, talvez um desespero silencioso, mas ainda desesperado, pensei: “Voltamos aos velhos tempos... Há esperança no desespero... Há esperança...” E não me enganei, apesar de ainda ter de pagar pelo corpo fechado às pragas rogadas. Janaína não sabia, ou ao menos jamais dera a entender que soubesse de minhas tramas ao Doutor Jurandir, Seu Jurandir e seu irmão gêmeo, Coronéis.

O que fora feito por mim, senhoras e senhores leitores, foi feito sem remorso, nem qualquer dor. Foi feito com prazer e com doses intensas de orgasmos múltiplos, porque na satisfação de nossas mágoas, no despejo acertado de nossos rancores, nós homens também sabemos gozar como faz uma mulher. Foi feito, digo mais, em uma dessas madrugadas fugidas, às quais me acostumara desde adolescente a percorrer com’um bicho solto, balbuciando “foda-ses” obtusos às leis humanas.

Contudo, não se revida o que não foi dado. Os Coronéis me deram motivo, me deram razão. Ainda que nesta razão, à loucura me fizeram entregue, qualquer pessoa com sangue quente a correr pelas veias faria o mesmo. Tu não farias?

Então baste a ladainha. Veja bem que, certo desses dias, o velho Jurandir entrou em casa sem precisar bater, como sempre fez, pegou minha mãe pelos braços já flácidos da boa idade, e pediu que fizesse a barra de sua calça. Na pegada, marcou sua pele. Pediu sem jeito, como de costume. Pediu em ares de soberba e grosserias. Quando a mãe Úrsula perguntou onde estaria a calça, Jurandir, bêbado como no rotineiro, disse que a vestia. Janaína lavava roupas, pendurava calcinhas, passava cuecas... A clientela era escassa, não esperávamos ninguém, e o dia já se preparava a desembocar no sereno. Eu, que apenas cuidava das economias e despesas, observei, sem querer, o motim sexual de Jurandir. Violou, primeiro, os lábios de minha mãe. Depois pediu que ela os usasse em outras partes de seu corpo sujo. Fez com que se ajoelhasse, e eu apenas observava o motim sexual de Jurandir. Arrancou seu cinto negro, fétido do couro molhado, e abaixou as calças. “Faz a barra!” Gritou. E eu acompanhava, sem querer, o motim sexual de Jurandir.

7 comments:

Lilith said...

Como diz seu tio (rs), clap, clap, clap! Bj

Jens said...

PQP! Bonita a escrita.
Tá cada vez melhor. Sinto cheiro de sangue e morte.

Anonymous said...

Idiotice do Lula achar que o Brasil deve explicações aos nossos visinhos, Como o Ditador Hugo Chávez, Bolívia e a Falsa Argentina.
No propósito de se explicar junto ao seu Comandante o Ditador Hugo Chávez, Lula marca viagem para Venezuela. Lula e sua equipe, juntamente com o PT devem estar se explicando junto ao comandante maior deles: O DITADOR HUGO CHAVEZ. Tanto o Lula, Sua Equipe e o PT estão preocupados em esclarecer para o Ditador Hugo Chavez que Bush só passou pelo Brasil, mas que Lula, PT e Equipe do Governo deve mesmo obediência é só a Ele : DITADOR HUGO CHAVEZ. Isso é ridículo, um País na dimensão do Brasil, ficar se justificando junto a Ditadores como esse Hugo Chavez. Maria Feitosa Estagiária 21 Anos Rio-Brasil VAI LULINHA, VAI PEDIR A BENÇA AO DITADOR HUGO CHÁVEZ VAI !!

Maria Feitosa
21 anos Estagiária.

P.S. O Brasil em parceria com os USA pode se tornar uma potência na área de energia renovável.
Mas isso pode e estará causando inveja dos países visinhos, nos quais podaram melar esta grande oportunidade que o Brasil tem para se destacar no mundo.

Jens said...

Até onde eu sei, ditadores não são eleitos pelo povo.
Até onde sei Hugo Chavez foi eleito e reeleito pelo povo, apesar da contrariedade dos canalhas da direita (que cincluve tentaram derrubá-lo do poder através de um golpe de estado frustrado (uma "barriga" monumental da Veja, que até hoje não se desculpou com seus leitores néscios e pascácios - com o perdão a redundância).
No meu tempo, os jovens eram mais esclarecidos e solidários.
Pobre mundo que possui uma juventude assim.
(Desculpe, Roy. Mas sandices me irritam ao extremo).
Jens, bagual, mas de esquerda.

Pirata Z said...

O teor me fez lembrar do Bilac, quando disse: "Sarças de fogo".
Aquele abraço

pri said...

eita-eita-eita

tô me perdendo aqui

não consigo achar a saída...risos

R.C said...

Nao entendi o que Chavez, a esquerda e a negociacao da OPEP/Etanol tem a ver com minha cronica hahaha Mas valeu, todo debate eh saudavel ;-)

Jens, vc eh meu idolo

abrax

RF