Friday, January 05, 2007

Primeiro guia para a cabeça fo(auto-censurado) do autor




Antes de definir o que a palavra e expressão forjada ‘Individualismo’ seja, gostaria de definir o que o ‘Individualismo’ não é. Sendo ou não uma linha de raciocínio válida, ela simplesmente nada ditará dentro dos seguintes contextos:

Egoismo – O Individualismo nada tem a ver com a linha filosófica que prega que o indivíduo deve apenas servir seus próprios prazeres, ou seus próprios desejos. Apesar do ponto principal sobre a individualidade do ser humano, o indivíduo não é o único propósito, ou fim, aqui expressado.

Relativismo – O Individualismo tampouco segue a vertente da ética que dita a relatividade do crime a quem o comete. Ou seja, de acordo com o Relativismo, se para uma determinada pessoa matar é aprazível, para ela não existe o crime do assassinato. Jamais direi que a lei é relativa no que diz respeito a pilares constitucionais da civilização. Na linha de raciocínio do Individualismo, ninguém tem o direito de roubar, matar, ou cometer qualquer ato de opressão. Atos dessa natureza corrompem a individualidade das demais pessoas, assim não podendo se aplicar a uma constituição civil propícia. A liberdade realmente deve se estender até o início da liberdade alheia.

Conceitos chave para a compreensão de minha idéia, já que estudando-os, comecei a elaborá-la:

Existencialismo – A vertente contemporânea da filosofia, na qual a experiência da realidade depende da percepção do indivíduo. Para Camus, a co-existência entre o ser humano e o mundo é absurda, já que seres humanos não desejam as limitações, tanto naturais quanto sociais, impostas pela vida, mas mesmo assim desejam continuar vivos. Para Sartre, o ser deixa de funcionar ‘dentro de si’, e passa a funcionar ‘para si’. Quer dizer, nós não temos uma identidade elementar, natural e espontânea, mas sim, construímos nossa identidade, e fabricamos um método de percepção de nosso universo, subjetivo, logo relativo, a quem o fabrica.

Fenomenologia – Peguem uma moeda qualquer, que seja apenas redonda e de metal. Deitem-na em uma mesa, e observem suas dimensões e seu formato de um ângulo superior. A pergunta: O que você enxerga desse ângulo é a moeda? Você automaticamente assume que há mais da moeda que você não consegue enxergar. O mesmo ocorre se decidir observá-la pela lateral da mesa, no caso, apenas a curvatura metálica, talvez também o reflexo de alguma luz elétrica ou solar rebatendo-se na curva. Essa curvatura é a moeda? Ou há mais, mesmo, na moeda, do quê você pode enxergar? De acordo com Husserl, o único que nos pode interessar é o que podemos enxergar. Acaba-se assumindo que não existe mais nada na moeda do que o que nos cabe, pelo ângulo observado escolhido. Acaba-se assumindo que o universo todo se expressa e é percebido do mesmo modo, de acordo com o ângulo observado escolhido, e que enquanto não se sabe ou conhece mais, nada mais há. De acordo com Heidegger, a limitação temporal dos seres humanos, ocasiona a dependência do ‘ser’ ao ‘estar’. Ou seja, o ser apenas é o que neste tempo, neste espaço, é. Não transcende do mero ‘estado’ constante, porque tem um fim, e esse fim fatalmente o define.

Surrealismo – Não entrarei tanto no surrealismo artístico, mas no psicológico, e apenas, que me ocorra neste momento, por um lado: Símbolos e seus significados individuais. Cada pessoa enxerga o mundo (aqui, diferenciando-se de Husserl, indivíduos podem enxergar o exato mesmo ângulo do mundo) de modos diferentes. Para cada pessoa, cada símbolo (qualquer estímulo externo) representa distintos significados.

A breve introdução está dada. Espero que seja pelo menos um pouco mais clara, e que sirva para que, caso haja erros, algum bom entendendor do assunto me possa corrigir desde a raíz.

Duas notas:

1 – Espero que esta casa, com o tempo, se torne mais artística do que tão friamente filosófica, ou estritamente pensamental.

2 – Lembro a leitores e leitoras que eu apenas penso em voz alta, e não tenho conclusões fechadas em nenhum dos assuntos mencionados neste texto.

Que tenham um bom fim de semana!

RF

1 comment:

jean scharlau said...

Palmas para o indivíduo que, não literalmente, mas literária e "pensamentalmente" se divide e comparte.